Bons problemas pra você!

Que coisa linda esse Denis Russo talk que assisti na pós hoje. Resumo: os problemas estão lá fora e as soluções também.

1. O que é um problema eterno e insolúvel?

2. Ninguém cria e/ou propõe soluções boas preso dentro da sala de reunião cuspindo ideias num ar refrigerado.

 

 

 

Um tratado sociológico sobre meias calças bicolores

Daí que eu tenho uma meia calça bicolor. Perna esquerda preta, perna direita branca. Por que? Porque acho legal, porque é bonita e, principalmente, POR QUE NÃO?

Abre parênteses.

(Por que não? é o nome de um fantasma engraçado que me acompanha desde sempre e que só percebeu que era estranho num dia em que foi parar na diretoria do colégio junto comigo. Basicamente, porque eu estava lendo embaixo de uma mesa da biblioteca e disse que só iria sair dali quando alguém me respondesse porque eu não deveria estar lá, enquanto não estivesse incomodando ou mordendo a canela de alguém. A resposta, depois de muito engasgo, foi “ora, porque não é um comportamento normal para um aluno”.

É aí que fico pensando em como se vai pouco longe quando você fica criando um comportamento que só vive em cima da sua mesa e não sai de lá. E nem olha embaixo porque tem medo, ou, muito pior, porque nem VÊ que a mesa tem uma parte de baixo. E aí fico pensando em como o Por que não? ajuda a gente a ser mais criativo e em como é difícil-porém-gostoso deixar ele correndo espontâneo no cérebro, abrindo espaço para que ele não nos deixe doido nem atropele nossos princípios e crenças no caminho.)

Meia-volta no assunto.

Taí. A verdade é que comprei essa meia calça com a sensação mais normal do mundo. E o que tem de tão diferente entre usar uma meia calça de duas cores ou uma de uma só cor? Será que não estamos acostumados a usar pares idênticos porque alguém, há sei lá quantos anos, definiu que pares de sapatos e meias devem ser idênticos, porque é mais fácil de produzir ou de ornar? Digo, não é nenhum mandamento moral escrito em tábuas de mármore, do tipo usareis meias idênticas e meias idênticas usareis, nem meio diferentes, nem meio iguais, mas idênticas, e sereis usadores de meias idênticas, e meias idênticas serão usadas sem que sejam diferentes para sempre amém.

Pelos céus, são só meias.

E só fui notar que essa meia calça não era considerada digna da sociedade quando usei-a pela primeira vez. Porque em qualquer lugar que se vai com ela, as pessoas OLHAM. E não contentes em olhar, elas APONTAM, RIEM, COMENTAM. Gente de bem, gente engravatada, em grupo, se sente na obrigação de comentar, e comenta alto, coisa boa e coisa ruim, como se meias-calças bicolores tapassem os ouvidos de quem as usasse. Acho engraçado como usar uma coisa simples com um viés diferente é suficiente para que as pessoas percam a noção das barreiras sociais e se sintam no direito de falar com você ou sobre você, assim, sem pudores. Na verdade eu acho isso delicioso, em certa instância. Porque é uma guerrilha ambulante. Sem precisar expor na bienal ou grafitar um prédio, com uma simples peça de roupa é possível tirar as pessoas de seus mundos de meias pálidas e despertá-las da rotina, nem que seja por um quarteirão. E eu, como palhaça e leonina, não só estou acostumada, como gosto de ter pessoas ao meu redor rindo de mim.

Opa, mas peraí.

E tem a segunda instância sobre as meias, e essa me fez matutar um pouco. Porque, ok, estamos falando de um par de meias-calças. Não é uma escolha assim tão pesada, qualquer coisa eu tiro e jogo fora, acabô a brincadeira. Mas ela representa uma coisa grande. Andando assim, de pernas cobertas, me senti exposta. Fiquei imaginando o que é você ser um gringo/um crossdresser/um punk tatuadíssimo/um louquinho/um religioso tradicional/uma prostituta/um maloqueiro no Cidade Jardim/uma patricinha na favela/a gordinha da escola/um insira sua própria peculiaridade particular aqui, vivendo de pernas bicolores todos os dias dessa vida.

Tem meia que a gente não usa, mas isso não devia nos dar o direito de apontar para uma perna bicolor e dar risada, sem  um olá amistoso ou ao menos uma pergunta de Por que?.

Será que é tudo medo de não saber responder um Por que não?

Real Innovators Wanted

Quer escrever algo novo? Pare de destrinchar os grandes mestres. Vai ler rótulo de shampoo, de groselha, sei lá. Mas vai lá. Quer novas respostas? Então pare de perguntar as mesmas mofadas perguntas de sempre. E saia do paradoxo do inovador de mentirinha.

É um paralelo que fiz da vida-em-geral com essa apresentação, que fala de um problema enfrentado por quem trabalha com publicidade/design/inovação/e mais outras coisinhas: a dificuldade de fazer uma coisa realmente nova, por causa do medo do cliente/da mulher do cliente/da sociedade/do escuro.

É um slideshare de 2009 que continua atual, feito pelo querido Sollero, meu ex-chefe, de uma equipe da qual sinto muitas saudades. (:

What I do at work when I’m supposed to be working.

Não aguenta mais a rotina? Não aguenta mais o café pontualmente às 16h sempre naquela mesma xícara que tem um quebradinho já cor de cafeína, há 3 anos e meio te acompanhando nos bons e maus momentos? Não aguenta mais reuniões de 3 horas de automassagem mental da diretoria que terminam sem uma, ou sequer meia, aplicação prática? Está esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem? Uma distraçãozinha cairia bem.

Em 2009, David Fullarton fez uma intervenção artística no escritório de uma rádio, chamada The Sisyphus Office, misturando pedaços de arte aos comunicados que normalmente circulavam entre as baias e murais da empresa. Esses pedaços arteiros mais tarde viraram uma exposição e um livro. Gosto da defesa do trabalho dele:

The project’s aim was to “highlight art as an integral and necessary distraction in our day to day life,… to examine the artifice that keeps us clinging to reality and distracted from the void. Sisyphus Office is about punching the clock, and then punching it again…but harder the second time. It’s about transcending the mundane through the beauty and absurdity of distraction. It’s about recognizing the comedy in the tragedy of the day to day… and then waking up again to do the same thing all over again the next morning.”

 

 

Autoajudando a autoajuda

Sei disso porque já passei por essa fase, e bem cedo, na época em que levar um livro da Agatha Christie pra ler na hora do recreio era símbolo máximo de literatura: é que todo leitor que se considera “iluminado” passa por uma fase em que ele descobre o que é que o difere do “leitor comum”. É quando ele começa a olhar com cara feia as listas de best-sellers e dá uma risadinha disfarçada ao ver aquela senhorinha de crocs e coques lendo aquele livro que está na moda. É quando ele passa de nariz empinado pela seção de autoajuda, alimentando o senso comum de que livros de autoajuda são coisa de gente burra.

Resolvi fazer esse post depois de perceber muita gente confessando pra mim, meio sem graça, olhando pros lados, que estava lendo determinado livro de autoajuda. Gente bacana que fala isso quase que pedindo desculpas, como se essa declaração fosse um ingresso pra que eu fizesse um Bücherverbrennung com eles em plena praça da Sé, jogando na fogueira livros, pessoas, Paulos e Coelhos.

E espera aí, que não é por aí. Claro, existe muito livro de autoajuda safado por aí, de gente que inventa regra pra tudo e escreve meia dúzia de afirmações óbvias, pensando na grana – e isso já subverte o papel final do livro.

Mas a autoajuda em sua essência não precisa ser isso. Esse gênero pode ser bem escrito, deve trazer alguma coisa bacana, alguma coisa que te faça sentir bem porque primeiro te fez sentir alguma coisa, porque te conta coisas novas, coisas inteligentes, porque te mostra um novo viés para viver (e o legal é que, sob essa ótica, qualquer livro de literatura pode ser uma autoajuda disfarçada).

O problema não é a autoajuda. É a autoajuda que não te acrescenta nada, que faz você ler e achar bacana, copiar uns textos na sua timeline do Facebook e continuar lá, todo bacana. Isso se aplica a todas as autoajudas dessa vida. Terapia bem feita é autoajuda, crença sincera é autoajuda, exercícios físicos regulares são autoajuda. E se você está saindo do consultório, da igreja ou da academia super de bem com você mesmo todos os dias, sem uma dorzinha lá ou acolá, lamento informar: ela não está te ajudando em nada.

Por isso, da próxima vez que você for me contar que está lendo um livro autoajuda, não precisa se esconder. Você está lendo ele do jeito certo? Você já está colocando em prática na sua vida? Você tem vontade de ir a fundo e entender as bases do que você está lendo?

E principalmente: ele te ajudou?

Então não me interessa se é cafona ou não.

Com o tempo você pode até ir migrando de estante e descobrindo novas formas de se fazer autoajuda, uma que não envolva, necessariamente, fórmulas prontas para o sucesso ou fotos dos próprios autores com seus dentões brancos em exposição.

Isso é autoajuda:

Isso é autoajuda:

Isso é autoajuda:

Isso é autoajuda:

Isso é autoatrapalhação:

Isso é automóvel:

keep calm and smash the potato sacks

Eu sei, eu sei que existem milhões de assuntos que estão na boca de todo mundo por aí (todo mundo menos a Luíza que está no Canadá) e que eu poderia dar minha opinião sobre eles aqui. O absurdo no BBB, o SOPA, os aprendizados que estou tendo com o projeto com meus avós, minha raiva do tamanho do mundo perante a mulheres que agem como sacos de batata na vida profissional, o novo jeito que descobri de secar meu cabelo, mas isso todo mundo já disse, todo mundo já sabe. É que passei no blog do Seth hoje e algo saltou aos meus olhos. E digo mais: esse algo não só saltou, como saltou e fez esta dança dos Nicholas Brothers aos meus olhos.

Eis o algo:

“The thing is, we still live in a world that’s filled with opportunity. In fact, we have more than an opportunity — we have an obligation. An obligation to spend our time doing great things. To find ideas that matter and to share them. To push ourselves and the people around us to demonstrate gratitude, insight, and inspiration. To take risks and to make the world better by being amazing.”

Seth Godin

Eu TATUARIA essa frase (se eu fosse dessas).

Ah. E se quiser ver algumas opiniões minhas sobre os assuntos supracitados, não deixe de me seguir no Twitter. Ando tagarela por lá.

E pra não falar que não falei do SOPA:

é hora de MUDAR.

Nada melhor que o primeiro dia do ano pra falar que tem hora que é hora de largar tudo e começar algo novo – às vezes, na loucura, às vezes, de caso bem pensado. E quando os dias no escritórioagênciaprodutora não cabem mais no seu dia?

O site Cards of Change  reúne cartões de visita de pessoas que chegaram lá, mandaram tudo aos batatais e foram atrás de alguma outra coisa. É divertido, é curioso e, acima de tudo, é inspirador.

Quer mais, quer mais? Então se cadastre no revolution.is e receba toda semana uma história de alguém que pulou alto. Tudo bem que a maioria dessas pessoas fez isso porque tinha algum patrocínio por trás (ninguém vai morar na Índia se alimentando de luz), mas isso é assunto pra outro post um pouco menos positivo. : D

Vem ni mim 2012, se você não vier, eu vou!

Puxa, e eu nem contei!

Li o livro The Writer’s Block (ainda vou falar dele aqui), e foi ótimo.

Ótimo porque além de dar várias dicas para escritores incompetentes como eu (era até pouco tempo), ele me abriu os olhos para o seguinte: em todas as páginas do livro, está implícito que pra você ser um escritor, tem que escrever todos os dias, como uma rotina.

Ou seja, dentre as 786 dicas do livro, não existe a dica: Tente escrever todos os dias. Não. Pro autor, é óbvio que você escreve todos os dias, e se não escreve é porque teve um bloqueio. E precisa se livrar disso.

Deste livro em diante, estou indo dormir mais tarde, mas com a sensação de dever cumprido. Não fico mais 4 meses sem tocar no meu livro lamentando minha falta de tempocriatividadepaciênciaorganização.

Agora escrevo todo santo dia meia página do meu livro (ou melhor, dos 3 que estou escrevendo). Às vezes me irrita porque parece que estou escrevendo forçada e que a qualidade do texto cai um pouco, mas só a sensação dos livros estarem vivos e crescendo, e a sensação real de que eles vão ter um fim afinal, me deixam feliz.

É isso.

não há desculpas.

proatividade não é importante só no currículo

Sabe trocar papel higiênico no banheiro?

Sabe colocar o açúcar no açucareiro?

Tô cansada (no outro sentido da palavra, não fisicamente cansada) de fazer isso por onde vou. São umas coisinhas tão mínimas, mas pouca gente faz. Sei lá se é problema de criação, se nunca morou sozinho ou se comeu muito Fandangos quando era criança e ficou acostumadinho. Não, as coisas não têm vida própria e não se criam sozinhas. Não custa fazer, você perde umas calorias e ainda melhora as coisas pra você mesmo.

E isso vale pra vida. Porque acredito que quem não levanta o dedo nem pra tirar a pasta de dente que caiu na pia não vai se preocupar com salvar, salvar o planeta, ou salvar-se se puder.

Depois que me formei, percebi que muita coisa do que a gente faz (ou não faz) nos trabalhos da faculdade, a gente leva pra vida. Sério, pode perceber. Tenta marcar uma balada com seu grupo de trabalho da faculdade. O proativo vai marcar, o esforçado vai se esforçar e o reclamão vai reclamar. Afinal, somos a mesma pessoa, produzindo um vídeo ou lavando o banheiro.

Isso é pensável. Não consigo entender falta de proatividade. Preguiça de viver? É tão gostoso ser atento, sair e fazer.

Vale pra vida.