dois mil e catorzão :)

A pessoa acaba de responder um possível fornecedor de maneira completamente grosseira, porque não viu que ele estava copiado no e-mail recalcado que ela achou que estava enviando só para o noivo (enquanto esta fazia as unhas).

A pessoa anda lidando com temas como papel craft ou voal, quantos quilos de bolo servem tantos convidados, vê um caminhão de marca de copos plásticos e anota o site e ainda tira umas horas por dia pra fazer o trabalho de conclusão da Pós.

A pessoa deu uma ignorada no livro, mas ele tá vivão, ela promente.

A pessoa digitou promente sem querer e acaba de inventar o melhor neologismo do ano.

A pessoa tá doida, mas tá adorando. Tanto, que pensa que organizar eventos pode até ser uma possibilidade no futuro.

A pessoa tem algumas promessas repetitivas de ano novo que nem precisa repetir, porque vocês já sabem de cor.

E essa pessoa que em 2007 estava falando que era só o começo, em 2008 não sabia dizer nada por dizer, em 2009 queria mais era inspirar, em 2011 acordou e em 2012 agradeceu, agradece de novo. A pessoa eu quer agradecer a Deus por um ano com alguns perrenguinhos, mas em geral, bom demais. E feliz que dói.

Que dois mil e catorze seja esse ano e mais um tanto. Pra mim e pra todos nós. Que 2014 seja um anão!!!!!!!!!!

01 02 Dirty Dan professional midget wrestler in 1980's promo workout.

Sobre amores, labores e o Netflix dos livros

Aí descobri o Oyster Books. É simples: você paga um pouquinho por mês e tem acesso a livros ilimitados todo mês, no seu gadget de leitura favorito. Claro que eu, não tendo um gadget de leitura favorito (ao menos, se livros com páginas de papel ainda não contarem como gadgets), não tenho muito o que fazer com essa notícia. Por isso, decidi dividi-la com vocês. E é isso.

Acontece que estou escrevendo pouco. As coisas estão deliciosamente complicadas (são complicações gostosas, de fato): um trabalho de conclusão de pós graduação que envolve reconexões entre gerações familiares e um casamento que tem muito pra ser legal às pampas. Então fico aqui, na hora do almoço no trabalho, organizando playlists retrôs e lembrando que tenho um blog.

Meu livro? Segundo minhas organizações, a última vez que peguei nele foi dia 23 de novembro. E peguei pra detalhar passo a passo como a história deverá fluir do ponto atual até o final (do primeiro livro, é claro) o que não é ruim de maneira alguma! Com a vida, aprendi que enquanto não fizer mais de 1 mês que mexi no meu livro, as coisas ainda estão bem.

E vocês?

E nesse ritmo de casório, fiquem aqui com uma ideia de som gostoso para vossos amores e labores:

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6 anos

Eu ia falar de outra coisa, aí veio o WordPress e me contou que no último dia 22 o Palitos de Fósforo completou 6 anos.

Sim, seis anos. O tempo de alguém nascer, crescer e ficar chato.

Eu olhei e falei “mas imagina, foi em 2007”. Foi quando eu descobri que 2007 existiu há 6 anos atrás.

Podemos levar em consideração que o Palitos ficou sem existir durante cerca de seis meses, uma das fases mais idiotas da minha vida, na qual justamente descobri a importância desse blog pra mim (e a dessa fase idiota descobri um pouco depois). Em 2007, eu estava falando de trabalhos da faculdade, achava que estava perdendo tempo e lamentava o fato de meu livro já ter 6 anos (ah, que bonitinha). Em 2008, o assunto era plágio e inércia, esses vilões amados. Em 2009, descobri que criativo não tira férias, mas consegue organizar seu tempo. Em 2010, eu morri. Em 2011, eu renasci, me questionando sobre qual é o coletivo de epifanias. E em 2012, eu estava de trabalho novo, toda me achando e toda ocupada, coitada.

E hoje eu… gente, hoje eu acredito ainda mais em Deus e nas coisas boas dessa vida criativa. Em 6 anos, coisas mudaram, é claro. Crescimentos profissionais, pessoais <3 <3 <3 (alguém me segura pra não transformar esse blog em um blog sobre casamento!), fases ruins, fases boas. Fases incríveis, como a atual. Hoje eu já poderia escrever uma autobiografia bem bonita, sabia? Pois é. É engraçado chegar nesse ponto (de exclamação).

E fico feliz com uma coisa: meu estilo de escrever pode até ter mudado (a gente cresce, aperfeiçoa… fica chato), mas minha essência criativa é a mesma. E mais: a cada ano que passa ela se confirma. Leio algumas opiniões de 6 anos atrás e concordo com aquela Francine do passado, ingênua, animada, a fim de fazer. A Fran que acreditava e continua acreditando.

Aí vem você e me lembra: rá, já se foram 6 anos e você ainda não terminou seu livro.

E eu declaro: ele está mais perto do fim do que você imagina.

Egotrips à parte, depois disso tudo, acho que hoje é dia de apertar o botão WTF da vida. Né? 6 anos.

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E fica aqui o convite para você navegar pelo arquivo do Palitos. É só scrollar até o fim e se deliciar. Vai que vai.

Há lugares no mundo onde as pessoas não sonham com unicórnios a jato

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Parece letra do Raul ou da Tropicália, ou mesmo nome de livro do Oliver Sacks, mas essa é a primeira frase de um dos meus livros favoritos. Favorito por causa do texto, do tema, da ilustração, ou pelo fato de ficar disponível na internet, de graça. E pela história por trás da história, que vi neste vídeo com o depoimento do autor e pai Dallas Clayton. Um aquecimento (de coração) para o dia dos pais.

Veja o vídeo:

Mas, acima de tudo, leia o livro, que se você der sorte (ou azar, porque em inglês fica mais bonitinho) vai abrir magicamente em português na sua máquina (português de Portugal, com alguns trechos em espanhol, mas dá pra pegar o espírito). É só clicar na imagem abaixo:

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E clicando aqui você encontra uma entrevista (em inglês) com o moço. Separei alguns dos melhores trechos em português aqui:

“Honestamente, não tenho nada contra televisão, (…) acho que só não sou a audiência certa pra ela. Gosto mais de criar que de consumir. Gosto mais de participar que ser espectador.

Acho que consumir tem muita importância em uma fase da vida. Você consome o máximo possível quando é mais novo: ideias, histórias, fatos, lições, habilidades – até que acaba chegando em um momento da vida em que ter consumido tudo isso permite que você participe da conversa, devolva, faça a sua contribuição e, quem sabe, faça com que as coisas evoluam.”

E esse trecho aqui? Não concordo completamente, mas que tem um ótimo ponto que nunca tinha pensado antes, tem:

“Se você pode [contar o que quer] em 3 palavras, em vez de 300 ou 3.000, apoio totalmente. Sobra mais tempo pra explorar o mundo e compartilhar ideias. Mais tempo para aprender a surfar e comer frutas das árvores.”

E um pouco sobre o que já falamos aqui anteriormente:

“(O que me anima e me move é) ter uma ideia que você considera importante, e aí sim escolher o público e a mídia em que essa ideia será transmitida. É isso o que faço, não o contrário, tipo ‘você deve escrever um livro para XYZ dados demográficos’. Só assim, quando o público muda ou a mídia se torna obsoleta e é substituída por outra que você nem imaginava possível, você continua com uma boa ideia como o centro do seu trabalho, e é ela que vai sempre sobreviver ao tempo”.

Gente feliz cria melhor

Razão é pensamento e emoção é ação. Amo ação. Amo fazer sem falar. Amo muita coisa hoje.  : ) Estou como o Don Norman nesse papo do TED: “the new me is beauty”.

Resumindo o papo: se você não se sentir seguro, ficar com medo, não cria. Se você ficar seguro demais, não cria também. Por isso, gente criativa tem que viver tipo numa montanha russa mental: o troço faz reviravolta, te dá medo, mas você sabe que não vai cair. E construir essas montanhas russas mentais é o que mais me interessa ultimamente. Não só pra criar no trabalho ou no meu livro, mas pra criar minha vida, criar meu um dia atrás do outro. Daí meus 3 anos de terapia e daí minha pós em design estratégico. Alguma técnica, muito equilíbrio mental e muito gosto no que se faz. : )

Um bom dia pra vocês.

beauty

Nota mental e a habilidade de saber de quem ouvir críticas

Dia desses tive uma conversa inusitada com alguém que admiro muito profissionalmente. E foi sensacional. Inspiradora, animadora, coisa bonita, mesmo. E lembrei de um aprendizado que tive lá atraszão, lá no meu primeiro emprego oficial, em que um dentista bastante incompetente criativamente me cobrava de minuto a minuto que eu fosse mais criativa.

É óbvio que eu me achava muito incompetente.

É ótimo que, tempos depois, pessoas que eu considero geniais me descobriram, me contrataram e gostaram de mim.

Ainda sou assim otimista acreditando que o mundo é feito de pessoas talentosas – o caso é só que alguns talentos não combinam com você. E você nunca – EU DISSE NUNCA – anote o que estou falando – NUNCA – deve deixar alguém cujo talento você não admira colocar seu talento para baixo.

Tá bom? Agora pode seguir com seu dia, porque esse post foi uma nota mental pra mim mesma.

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Curso de improviso para cientistas

Cientista que não se comunica se estrumbica. Ou vira cientista louco e cria tentáculos malucos que querem dominar o mundo etc.

THE WORLD

O Centre for Science Communication tem uma série de workshops que ajuda cientistas a se soltarem mais e explorar mais criativamente seu campo de especialização. Como? Colocando todo mundo em contato consigo mesmos – o que coloca os caras de volta em contato com sua paixão. O resultado disso? Gente explicando coisas com um sorriso no rosto. Bom, né?

No fim do curso, o tema de cada cientista fica muito mais palpável pro público – e pros próprios pesquisadores. Incrível ver como ao sair do script e ao contar sobre um tema que você acredita de verdade até física quântica fica gostosa de se ver.

Eu, como apaixonada por oratória e pelo poder criativo interior de todo mundo, adorei. Dá uma olhada:

 

Um bom artista tem que ser perturbado?

Imagem

O negócio é assim, direto, pof, soco no nariz.

Estou aqui no trabalho fazendo hora esperando minha amiga escritora e feliz e passei por esse vídeo da Elizabeth Gilbert no TED. Ela começa fazendo uma pergunta semelhante: “todo mundo está confortável com essa noção de que grandes gênios devem ser perturbados e problemáticos, tomadores de gim pela manhã?”.

Depois disso, tudo o que ela diz sobre criatividade é muito bacana. Ela basicamente resgata a história da criação oriental, que antigamente acreditava que a inspiração, a genialidade criativa vinha de fora, vinha de um ente mágico, de um… gênio (daqueles da lâmpada, mesmo). Quando nós ocidentais começamos a querer racionalizar o universo, a inspiração se tornou uma coisa que vem de dentro do próprio artista, mas continuamos a tratar o próprio artista como o ente mágico, o gênio da lâmpada. E isso é um peso absurdo.

Alguns trechos em inglês, porque estou com preguiça de traduzir:

“…But, when it comes to writing…Is it logical that anybody should be expected to be afraid of the work that they feel they were put on this Earth to do. You know, and what is it specifically about creative ventures that seems to make us really nervous about each other’s mental health in a way that other careers kind of don’t do, you know?

We writers…[and] creative people across all genres, it seems, have this reputation for being enormously mentally unstable. And all you have to do is look at the very grim death count in the 20th century alone, of really magnificent creative minds who died young and often at their own hands…But we don’t even blink when we hear somebody say this because we’ve heard that kind of stuff for so long and somehow we’ve completely internalized and accepted collectively this notion that creativity and suffering are somehow inherently linked and that artistry, in the end, will always ultimately lead to anguish.”

Antes que vocês perguntem, minha resposta é não. : )

Vale a assistida: