Ar e luz e tempo e espaço

Não sou muito fã do Bukowski – e muito menos de poesia! – mas esse poema dele sobre criação e parar de dar desculpas me fez feliz. E foi bonitinhamente adaptado para quadrinhos por esse gênio aqui.

AIR AND LIGHT AND TIME AND SPACE

”– you know, I’ve either had a family, a job,
something has always been in the
way
but now
I’ve sold my house, I’ve found this
place, a large studio, you should see the space and
the light.
for the first time in my life I’m going to have
a place and the time to
create.”

no baby, if you’re going to create
you’re going to create whether you work
16 hours a day in a coal mine
or
you’re going to create in a small room with 3 children
while you’re on
welfare,
you’re going to create with part of your mind and your body blown
away,
you’re going to create blind
crippled
demented,
you’re going to create with a cat crawling up your
back while
the whole city trembles in earthquake, bombardment,
flood and fire.

baby, air and light and time and space
have nothing to do with it
and don’t create anything
except maybe a longer life to find
new excuses
for.

 

2012-12-18-bukowski

preguiça

“Existem dois tipos de preguiça: a oriental e a ocidental. A preguiça oriental é a preguiça praticada na Índia. É uma preguiça que envolve, basicamente, passar o dia todo no sol, fazendo nada, evitando qualquer tipo de trabalho. Bebendo chá, ouvindo música no rádio e conversando com amigos. Já a preguiça ocidental é um pouco diferente. Esta preguiça se traduz em encher a vida de atividades. Tanta, que não sobra tempo para que percebamos algumas coisas importantes, que precisamos confrontar. Esse tipo de preguiça é uma consequência de nossa dificuldade em aplicar nossa energia para as coisas certas”.

– Sogyal Rinpiche

rememberremember1

Artistinha, graças a Deus.

Há mais ou menos 5 anos, eu estava prestes a me formar. Era uma daquelas fases de vida balançante que jogam a gente de um lado pra outro, e naquele instante eu estava sendo jogada para fora de um emprego bacana. E, de repente, toda a crise que tive para encontrar meu primeiro emprego de verdade voltou à minha mente. Porque esse tipo de crise é um tipo que não morre, não. Fica lá, latente. Ela só muda de formato, e vai somando problemas a cada nova fase da vida (ah, que saudades de quando eu não pagava meu aluguel!). Provavelmente, vai acontecer de novo.

E lá fui eu, batendo de porta em porta, encarando todo tipo de clichê de diretores de criação, eu e minha engraçada pasta na mão. Cheguei ao ponto de ser entrevistada por um deles que, em pleno milênio, curtia fazer a pose de Don Draper. A entrevista aconteceu enquanto ele bebia vinho e me dizia que a relação da agência dele com o cliente era tão legal que eles até se encontravam para tomar droga juntos. Achei tão moderno.

Outra entrevista marcou minha vida. Foi outro diretor de criação que curtia uma pose. Ele pegou meu portfólio, bem simples ainda na época, e me devolveu imediatamente.

– Não vejo projetos pessoais. – ele disse. – é coisa de artistinha, e artistinhas nunca viram bons publicitários.

Ouvi aquilo, me levantei e, pouco antes de sumir para o mundo, pensei, não falei: “palhaço.”

(e no fim, ele foi mesmo palhaço comigo, no hospital, anos depois, porque a vida é assim, cheia de piadinhas).

A verdade é que, graças a Deus, não dei ouvidos a esse conselho. E dias depois, encontrei uma agência que acreditou no potencial dessa pretensa artistinha, um diretor de criação que sabe canalizar arte até em e-mail marketing, na medida certa – e lá amarrei meu bode.

4 anos depois, o bode já estava todo reclamão e me chamou de canto: – escuta, sai daí um pouco. Vai passear, ver como está o mundo lá fora. O pior que pode acontecer é você se arrepender. E desamarrei o bode e passei os últimos 6 meses entendendo o universo da propaganda em outra agência. Bem reconhecida, bem antiga, bem tradiça. E me arrependi.

Só não me arrependi completamente porque esses quase 6 meses serviram de alguma coisa. Com eles, entendi, em resumo, o que está faltando na propaganda, hoje. São os artistinhas.

Entendi que a divisão entre propaganda offline e propaganda digital existe sim, e vi como o resultado disso é pior que número ruim de circo mambembe. Mas disso eu até já sabia. O maior aprendizado desse tempo foi mesmo ver que não, a culpa desse circo não é só dos velhinhos que não sabem mexer no computador. É muito fácil jogar a culpa neles, enquanto enfiamos nossos empinados narizes de geração Y em nossos copinhos de Yakult. Nananinanão. A culpa é muito nossa, muito minha, muito dessa geração que está chegando. Geração que anda vendendo propaganda com manual de instrução.

E enquanto o “redator offline”, por mais empoeirado que esteja, ainda lê seu título pro cliente com um brilhinho no olhar, um resquício de arte, mesmo que já com um pouco de esforço para fazer o mundo do trocadilho subsistir, a equipe modernosa de digital (ah, sim, dígital, com acento no primeiro i, pra ficar ainda mais sofisticado) começa a falar de parallax, paracax, QR code, shenanigans, bluetooth, com ponta da língua entre os dentes e tudo. E tira dos bolsos referências e mais referências, e fala de códigos e siglas e engajamentos. E tira de seu trabalho a magia. Paixão pelo que está apresentando? Cadê? Não sei. Talvez ela esteja escondida em algum rodapé entre o slide 45 e o 59.

Estou achando é que perigamos virar uma geração de antenados, no pior sentido da palavra. Porque se deixar, recebemos conteúdo e mais conteúdo, sem tempo de deixar que ele se misture em nossa cabeça e vire coisa nova. Estamos é virando um bando de esponja com antenas, devolvendo para o mundo job requentado, tecnologia sem sentido, coisa que é legal até a página 1. Vou te contar, hoje, a (má) propaganda anda sendo um tal de botar chantilly em falta de ideia.

Que dá saudades dos tempos do pão com manteiga. Aquele em que, em vez de se pensar primeiro na plataforma, ou na última tendência do FWA, não se pensava. Intuía-se.

E aí sim, depois que a ideia nasce, depois que ela sai da sala de reunião brilhando, com gente sorrindo e com aquele jeitão de que quer mudar o mundo, aí sim ela vai em busca da melhor tecnologia para existir bem. Porque aí sim até wireframe pode ser lido com paixão.

Ufa.

oy

Sonhos não vão pra frente a não ser que você vá

 

 

 

Essa acima é a tradução maomenos dessa frase que é meu novo fundo de tela no trabalho. Tanta coisa aconteceu acontecendo e coração pulando, e tá tudo bem. Até mais!

work

Alguma coisa é melhor que nada

Ah, então você está aí! Lendo esse blog, deitado em posição fetal, se lamentando porque tem quinhentos projetos dançando dentro da sua mente nesse exato instante, mas nenhum deles parece querer cair fora dela e sair para o mundo.

Então dá cá um abraço. Somos dois. Somos mil, somos milhões.

Acho que pode te fazer bem um parágrafo que a Keri Smith escreveu com dicas para ilustradores que querem expor seu trabalho ao mundo e se tornar conhecidos. Porque a Keri Smith é incrível e eu daria um abraço nela todo dia. O que ela diz é o que se lê a seguir:

“Como uma procrastinadora de mão cheia, acho fundamental adotar uma técnica muito simples: estabelecer pequenas (às vezes, ridiculamente pequenas) metas que eu possa cumprir rápido e facilmente. Acredito que existem 3 grandes barreiras para se lançar ou reinventar uma carreira, e todas elas têm a ver com a nossa percepção da situação, não com a realidade:

  • Sentimos que temos muita coisa pra fazer, e já que não vamos conseguir fazer tudo ao mesmo tempo agora, é melhor nem começar a tentar.
  • Temos expectativas muito irreais do que vai acontecer (tipo ‘quero um emprego na New Yorker semana que vem’), e ficamos desmotivados quando elas não acontecem.
  • Nos sentimos mal porque ficamos nos comparando com o resto do mundo.

O que esquecemos é que a meta, no começo, é apenas começar; ir em frente, em qualquer direção, já está bom. O importante é buscar a sensação de missão cumprida sempre, do jeito que você conseguir, mesmo que seja uma missãozinha mínima (tipo hoje eu lambi um selo). É por isso que adotei um lema recentemente: ‘ALGUMA COISA é melhor que NADA’. “

Leia a matéria inteira aqui. 🙂

Inércia!

Pra mim, inércia é mais um exemplo de como um princípio físico, comprovado por A + B (ou por j, y, dA…) se confunde com coisas maiores e mais mágicas, cósmicas e fenomenais (dentro de uma semanticazinha).

Inércia é a tendência que um corpo tem de se manter neste estado, quer parado, quer se movimentando. Inércia é o que faz uma pessoa que não para de se lamentar sobre a vida continuar se lamentando sobre a vida. Inércia é o que faz a gente ter mais vontade de ir pra academia quanto mais vai pra academia. Inércia é o que está me permitindo o milagre de conseguir atualizar meus dois blogs em meio a uma quinzena de 4 freelas, diretor de férias, pós e decisões profissionais importantes (fora vida social, sapateado e alongamento), sem perder o movimento. Inércia é uma grande coisa, que pode matar ou salvar (de novo, fisicamente ou semanticamente).

Tem tudo a ver com o princípio que aprendi da minha avó, muito semelhante a essa frase de nossa amada Lucille Ball: Quer que alguma tarefa seja feita? Entregue ela para uma pessoa ocupada. 

Eu amo a inércia. E morro de medo dela.

 

Agora, vamos cantar com quem entende da coisa:

bad ideas day

Real Innovators Wanted

Quer escrever algo novo? Pare de destrinchar os grandes mestres. Vai ler rótulo de shampoo, de groselha, sei lá. Mas vai lá. Quer novas respostas? Então pare de perguntar as mesmas mofadas perguntas de sempre. E saia do paradoxo do inovador de mentirinha.

É um paralelo que fiz da vida-em-geral com essa apresentação, que fala de um problema enfrentado por quem trabalha com publicidade/design/inovação/e mais outras coisinhas: a dificuldade de fazer uma coisa realmente nova, por causa do medo do cliente/da mulher do cliente/da sociedade/do escuro.

É um slideshare de 2009 que continua atual, feito pelo querido Sollero, meu ex-chefe, de uma equipe da qual sinto muitas saudades. (:

Brilho Eterno de uma Mente Negligente

Tem uma coisa muito doida acontecendo e não sei se devo investigar a sério com minha psicóloga. Já é a terceira vez que mudo a senha desse blog porque meu cérebro APAGA completamente ela da minha memória.

De verdade que acho que é uma espécie de autoflagelo subconsciente por eu não postar aqui com tanta frequência quanto eu queria.

Da última vez, o branco virou quase um A Origem das senhas. Tinha esquecido a senha do blog, tinha esquecido a senha do e-mail do Yahoo! onde esse blog estava cadastrado, não lembrava a senha do BOL onde o e-mail do Yahoo! estava cadastrado, e antes que eu tivesse que receber minha senha por correio (meu e-mail pré-bol era A Tribuna, e a senha devia ser algo como “Nick Carter lindo” – eu não ia lembrar), consegui solucionar o funil e resgatar o controle dos meus palitos.

Passei medo. Medo tipo

Fomos criados pra criar

Não fomos criados pra passar um domingo à noite assistindo a Fantástico. Não fomos criados pra ligar pro disk qualquer coisa e ficar esperando deitados ela chegar. Não fomos criados pra dar scroll eterno em redes sociais que nos dizem  muito sobre nada. Não fomos criados pra passar 20 minutos no ponto de ônibus se podemos chegar a pé em 10. Não fomos criados pra dar play e ficarmos muito contentes com aquela música genial feita por outra pessoa. Não fomos criados pra entupir a cabeça de ideias alheias e devolvê-las por aí sem filtro porque o filtro quebrou. Não fomos criados pra viver uma vida em que não acreditamos porque “só existe essa opção”. Não fomos criados pra reclamar confortavelmente da falta de opções.

Não. Quando fomos criados o plano era outro. Tudo o que fica parado começa a morrer.  Vida emperrada é um negócio sério.

Isso é um pouquinho assim bem pouquinho do que eu penso. Se ajudar, ajudou. : )

 

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