A vida vai pro livro e ele devolve de maneiras maravilhosas

Coisas ruins acontecem na vida. Adoraria que fosse tudo algodão doce, unicórnios e pinhatas estrategicamente localizadas nos cantos mais tediosos, cheias de balinhas de chocolate e bençãos. Quer dizer, acredito nas pinhatas estrategicamente localizadas, mas tem vezes em que não as enxergamos e é isso. Infelizmente, às vezes têm coisas horrorosas que pulam na gente saídas do nada e nos afogamos nelas sem entender bem o que estamos fazendo.

Digo isso porque na minha vida coisas assim aconteceram. E tem coisa horrorosa que é que nem teia de aranha. Parece que quanto mais você tenta melhorar, se salvar e mexer, mais a teia prende. Sair dessa teia precisa de muita… não sei dizer muita o quê. Força de vontade, epifania, fé ou apenas uma oportunidade bem explorada? Não sei. Depende de qual é a sua teia e como ela foi feita. Mas se tem uma coisa em comum entre as teias é que fica também aquela impressão de que foi você que se lançou na teia, pra começo de conversa, e aquela sensação de COMO FOI QUE FIZ ISSO, ESSE NÃO SOU EU, uma frasezinha que imprime no seu cérebro como uma tatuagem e acende e queima. Eu já passei por isso, talvez você também. Quer dizer, espero que você não, mas eu acho que em certa medida todo mundo já passou por isso na vida. Pode ser um ISSO tenebroso ou um ISSINHO, digamos, como por exemplo, quebrar um vaso caro na casa de seus pais quando você é criança.

Enfim, por que estou falando isso? Porque há 1 ano, mais ou menos, decidi voltar à terapia pra me livrar de vez de quaisquer resquícios de teias interiores e estou mais feliz que nunca. Não vou entrar em detalhes sobre fatos (porque sou escritora, e escritores transformam sentimentos em metafóricas borboletas, é isso que fazemos), mas vou tentar ajudar um pouco com minha opinião sobre como lidar com teias do passado. Pela minha experiência pessoal, como disse acima, a primeira resposta automática é acender a tatuagem mental e se culpar: como disse lá em cima, POR QUE, COMO, ONDE, O QUE EU ESTAVA PENSANDO? EU ISSO, EU AQUILO, E SE? Depois que passa essa sensação (que pode durar horas ou anos), você evolui mentalmente, percebe que virou o dono da razão (oh não) e decide culpar qualquer outra coisa que aparecer na sua frente: a aranha, a sociedade, alguma faxineira metafórica que não fez seu serviço direito… a verdade é que conheço muita gente que parou nessa segunda sensação. E estou pra ver geração pior que a minha pra lidar com ela: porque aprendemos que nos culpar não é saudável e nem correto. Até aí, parabéns, tarefa bem feita. Acho ótimo. Mas culpar os outros é a nova moda. Mais legal ainda: culpar a sociedade, essa senhora tão austera quanto genérica e inexistente. Essa tem sido a escolha mais pedida.

Pois é. Foi o que escolhi por um tempo. Depois de apagar a tatuagem mental, passei uns tempos culpando esse ser etéreo (ah, sua aranha nojenta e horrorosa) e me revoltando. Só para perceber, depois de alguns quase-ataques de pânico no transporte público, que essa também não era a melhor solução. Ela pareceu confortável até eu perceber que estava era criando uma nova teinha, dessa vez feita por mim mesma, que me deixava desconfortável pra caramba. Não, culpar o que quer que seja não era DE LONGE  a melhor solução. Culpa é o pensamento mais fácil, não é? Uma catástrofe acontece e já buscamos os culpados. Acontece que em pouquíssimos casos existe um culpado, em outros o buraco é mais embaixo e na grande maioria nem mesmo existe um culpado. Existe responsabilidade e existe – e vou dizer mesmo que vocês achem feio – existe perdão. Me perdoem por usar uma expressão tão fora de moda em um mundo com perdões tão seletivos, mas sim, ele existe.

E se posso ajudar de algum jeito, baseada em minha própria experiência pessoal com teias de aranha, enquanto você culpar a si mesmo ou culpar a aranha ou o que quer que esteja culpando, a teia não vai embora. E em vez de você melhorar, a cada comentário que você faz cheio de rancor xingando as teias do planeta, mais você se apega a essa teia que hoje nem existe mais. Você saiu da teia, tem que sair cem por cento e aproveitar essa oportunidade, aproveitar o mundo lá fora. E pegar uma vassoura. E em vez de usar essa vassoura para bater, recomendo usar para varrer as teias, as suas e as dos outros. Por que sabe o que bater gera? Mais aranhas. Que vão ficar com raiva da sua raiva, e só de raiva vão gerar mais teias. E apesar de você ter aprendido a lição e estar ileso às teias (será?), outras pessoas podem se prejudicar por causa dessas aranhas e teias que tanto rancor gera, eventualmente. Se tenho uma sugestão é: aproveita que você saiu dela, assume sua responsabilidade como sobrevivente e usa essa vassoura pra varrer. Com um sorriso no rosto e trabalho duro e não o trabalho fácil de falar mal das aranhas do mundo.

Por que decidi escrever sobre isso? Pra terminar um raciocínio que comecei no meu livro hoje. A verdade é que há anos planejo uma cena de um personagem caindo num abismo sem fundo (sim, meu livro é uma fantasia, em que esse tipo de coisas existe fisicamente e não apenas mentalmente). Mas, uma vez escrita, essa parte da história nunca tinha me convencido cem por cento, estava meio sem graça, sem emoção, fácil. Hoje, decidi dar mais atenção para essa cena. Mais ou menos como ando dando atenção nas sessões de terapia, ultimamente. E acho que consegui deixar ela senão perfeita, pelo menos mais sincera. Ela ficou mais ou menos assim:

Os pensamentos de Sandro continuavam caindo com ele, em cima dele. Não se lembrava de algum par de mãos ou vareta ou o que quer que fosse empurrando sua força de vontade para o Abismo sem Fundo. Então era ele que tinha se jogado? Mas que diacho. O que o fizera fazer aquilo? Será que seu cérebro ruivo era tão frágil que não aguentava comentários malcolocados? Especialmente quando eram comentários malcolocados sobre a inexistência súbita de sua mãe? Mas ele já não tinha ouvido o suficiente, lido o suficiente nas redes sociais por aí? Já não tinha sobrevivido a cerca de mil quinhentos e oitenta comentários sutilmente maldosos e duas mil e oitenta sugestões feitas de bom coração, mas tão tortas quanto os comentários maldosos, porque fingiam que não o eram? Não, nunca se ouve o suficiente quando você não tapa os ouvidos para sempre. Ele sabia que era algo por aí. Nas três vezes e meia em que tentara fazer terapia, Sandro chegou a olhar para esse novelo da sua cabeça, um dentre muitos, mas era um novelo tão felpudo e bonitinho, e estava tão bem encaixado ali dentro, que ele não tinha coragem de puxar o primeiro fio – para falar a verdade, não conseguia nem encontrar a ponta.

E, leitor, você sabe como são os novelos dentro da cabeça.

Foi mais ou menos quando já estava a mais de dez mil milhas (milhas são mais chiques que quilômetros, e não me faça começar a tentar explicar o sistema de medidas willifillenses) que Sandro percebeu que voltar não era uma opção. Olhar para cima só servia para lhe dar noção da velocidade com que caía, olhar para baixo era olhar para o impossível. Terrestres terrenos não são feitos de fibras suficientes para encarar o infinito com razão. Quando o fazem, uns inventam, outros descobrem, depois criam semânticas que viram guerras. O segredo para encarar o infinito, e esse é um segredo valioso que divido com você porque se você chegou até aqui comigo é porque é curioso o suficiente, e vai que algum dia na sua vida você acabe indo parar numa situação análoga a de Sandro Zaspargo, a gente nunca sabe. O segredo não é encarar de cabeça aberta, como muitos pensam. O segredo é encarar de peito aberto e sorriso também. E aí tudo se assenta, o infinito e o terreno.

Mas Sandro não conhecia esse segredo. E antes de inventar, antes de descobrir, antes de pensar se ia de peito ou de cabeça, antes de qualquer coisa, entrou em verdadeiro pânico, e esse foi o destino de Sandro. Quero dizer, o destino de Sandro foi continuar indo para baixo, porque não havia muito o que se fazer. E como quem se afoga, talvez pior que quem se afoga, quanto mais ele tentava ir para cima, quanto mais pensava em sacudir braços e pernas em busca de alguma superfície, mais ia para baixo. Willifill não era muito bom em gravidade, mas quando decidia ser, ah, era bem grave.

Dizem que quando estamos prestes a morrer, um flashback de nossa vida inteira passa diante de nós. Uma maneira de ocupar a cabeça com pensamentos do passado, num momento em que o futuro está mais nebuloso que fabuloso, deve ser. Acontece que na posição de Sandro, não havia flashback. Porque ele não estava prestes a morrer. Ao menos não tão preste assim. Sabia que eventualmente, não desfalecendo devido à queda, poderia sofrer fome, tédio ou qualquer coisa pior. Nessas horas, coisas bem frugais passam por nossa cabeça, também, como por exemplo o que fazer quando bater a vontade de ir ao banheiro, ou como seria interessante ter um celular no bolso para fotografar esse momento único, e não digo que Sandro não pensou nestas duas coisas com bastante desânimo.

E naquela mente em que flashback nenhum passava, a sensação de impotência era pior que tudo. E junto a ela, pensamentos bem desinteressantes começavam a se aboletar por ali. Como por exemplo “o que foi que eu fiz?”. Como por exemplo “será que alguém vai mesmo sentir minha falta?”. Ou então “se eu sair daqui, será que alguém vai mesmo me perdoar?”. Afinal, prosseguia a mente de Sandro, chegar em Willifill tinha sido um capricho de sua parte. Ninguém o obrigara a fazer aquilo, e ele, um adolescente já feito, não era assim tão ingênuo. Sabia dos perigos e eventuais desventuras que poderiam surgir de uma aventura daquelas. Afinal, a vida já não havia lhe ensinado que tudo o que parece bom demais geralmente não é? E que esse negócio de usar a imaginação e lutar por ela, e, por todos os céus, essa coisa de sonhar, não ia levar ele a lugar algum? Ele sabia que o futuro de verdade, seu destino como platanense naturalizado pouco a pouco paulistano e como humano não era viver naquele mundo frumez em que tudo plantava bananeira e as imaginações corriam soltas (para o bem ou para o mal). Ele sabia que sua missão era crescer para virar seu pai, seu engravatado e… e quem ele queria enganar? E covarde pai. Era tudo aquilo que rolava mente abaixo em Sandro. E mais um pouco. E ele não percebia mais o que era e o que não era, porque chega uma hora em que a mente mente – e você sabe que mente.

E Sandro caía.

O que vai acontecer com Sandro? Vai continuar caindo ou vai dar um jeito de voltar pra terra firme? E uma vez em terra firme, como vai lidar com a sensação pós-Abismo? A resposta que tenho pra hoje é que meu livro é como minha vida. E aqui sou eu que escolho.

A FONTE

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Quando eu era jovem, mais ou menos quando andava com minha então melhor amiga, de meias três quartos listradas me achando muito maluquinha, tínhamos uma piada interna recorrente: falávamos da FONTE. A FONTE era o lugar de onde vinham as coisas que não sabíamos de onde vinham. De onde vinham as gírias, as piadas da moda, as febres que invadiam o colégio, em suma, as ideias. Lembrei dessa nossa teoria assistindo a essa conversa do Austin Kleon, que fala desse conceito (explorado à exaustão por ele, mas sempre de uma maneira bacana). O que ele fez foi um exercício divertido que acho que todo mundo deveria fazer, uma espécie de árvore genealógica de uma ideia.

Você vê neste vídeo o caminho que ele traçou baseado em sua técnica de poesia (que é, basicamente, “escrever” textos apagando frases de um jornal). Essa técnica lembra a de um cara X, que se inspirou na técnica de outro cara Y, que criava se baseando na ideia de outro, e assim foi até chegar nos idos de 1700. Nessa busca pela FONTE, encontrou gerações e gerações de copiadores que conseguiram fazer artes geniais misturando uma ideia com outra. E é assim que funciona a criatividade, mesmo em nosso cérebro: nada mais que uma colagem de referências. Referências que dão cria! 😀

No fim, ainda não sei qual é essa FONTE (ou sei, mas não vou contar), mas essa frase do Bob Dylan citada no vídeo resume muito de tudo. Inclusive do mundo das ideias: “Se você rouba um pouco, te colocam na cadeia. Se você rouba muito, te transformam em um rei.”

Veja o vídeo:

pizzaria também é tendência.

Eu tenho uns rascunhos salvos aqui. E de vez em quando acho divertido abrir a pasta de rascunhos pra ver o que tem por lá. Fuçar o que foi que salvei como rascunho de algum post que comecei a escrever e desisti por alguma razão. Hoje encontrei esse rascunho aqui:

vá comer fora com um grupo de gentes diferentes. é batata (não, é mussarela :D): quem pede calabreza, se contenta com ser . Acho que os cardápios de pizzarias

Não faço ideia da linha de raciocínio que eu queria seguir nesse post. Se queria comparar pessoas com tipos de pizza ou coisa parecida. Será que eu queria dizer que gente que pede sabor exótico é exótica, ou gente meio a meio é mais criativa? E quem pede calabresa (com Z), coitado? Só por que pede calabreza quer dizer que ele se contentava com ser pouca coisa?

Como a Francine do passado era intolerante. Ou ruim de metáfora, sei lá.

É terrível conviver com a ideia que daqui a 2 minutos eu também serei a Francine do passado.

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E essas pizza pops lindas que achei pra ilustrar esse post? 

 

Arte

Às vezes me sinto assim quando exposta a arte sem pé (porque melhor ser sem pé nem cabeça que só ter cabeça e não levar você a lugar algum).

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Como se comunicar com um telefone

Estamos numa era de coisas incríveis e possibilidades infinitas, mas nos deparamos com elas e não sabemos o que fazer. Às vezes é o cliente que não quer, às vezes é o chefe que não entende, às vezes é a falta de comunicação deste mundo tão bem comunicado mas tão mal informado. Às vezes sou eu, mesmo. Mas ficamos todos tentando nos comunicar do jeito errado, batendo nossas cabeças de pelúcia na janela.

Yip yip yip yip.

correndo

o trem representa minha nova rotina, a mocinha sou eu.

ótima semana – e inspire-se quem puder!

Um tratado sociológico sobre meias calças bicolores

Daí que eu tenho uma meia calça bicolor. Perna esquerda preta, perna direita branca. Por que? Porque acho legal, porque é bonita e, principalmente, POR QUE NÃO?

Abre parênteses.

(Por que não? é o nome de um fantasma engraçado que me acompanha desde sempre e que só percebeu que era estranho num dia em que foi parar na diretoria do colégio junto comigo. Basicamente, porque eu estava lendo embaixo de uma mesa da biblioteca e disse que só iria sair dali quando alguém me respondesse porque eu não deveria estar lá, enquanto não estivesse incomodando ou mordendo a canela de alguém. A resposta, depois de muito engasgo, foi “ora, porque não é um comportamento normal para um aluno”.

É aí que fico pensando em como se vai pouco longe quando você fica criando um comportamento que só vive em cima da sua mesa e não sai de lá. E nem olha embaixo porque tem medo, ou, muito pior, porque nem VÊ que a mesa tem uma parte de baixo. E aí fico pensando em como o Por que não? ajuda a gente a ser mais criativo e em como é difícil-porém-gostoso deixar ele correndo espontâneo no cérebro, abrindo espaço para que ele não nos deixe doido nem atropele nossos princípios e crenças no caminho.)

Meia-volta no assunto.

Taí. A verdade é que comprei essa meia calça com a sensação mais normal do mundo. E o que tem de tão diferente entre usar uma meia calça de duas cores ou uma de uma só cor? Será que não estamos acostumados a usar pares idênticos porque alguém, há sei lá quantos anos, definiu que pares de sapatos e meias devem ser idênticos, porque é mais fácil de produzir ou de ornar? Digo, não é nenhum mandamento moral escrito em tábuas de mármore, do tipo usareis meias idênticas e meias idênticas usareis, nem meio diferentes, nem meio iguais, mas idênticas, e sereis usadores de meias idênticas, e meias idênticas serão usadas sem que sejam diferentes para sempre amém.

Pelos céus, são só meias.

E só fui notar que essa meia calça não era considerada digna da sociedade quando usei-a pela primeira vez. Porque em qualquer lugar que se vai com ela, as pessoas OLHAM. E não contentes em olhar, elas APONTAM, RIEM, COMENTAM. Gente de bem, gente engravatada, em grupo, se sente na obrigação de comentar, e comenta alto, coisa boa e coisa ruim, como se meias-calças bicolores tapassem os ouvidos de quem as usasse. Acho engraçado como usar uma coisa simples com um viés diferente é suficiente para que as pessoas percam a noção das barreiras sociais e se sintam no direito de falar com você ou sobre você, assim, sem pudores. Na verdade eu acho isso delicioso, em certa instância. Porque é uma guerrilha ambulante. Sem precisar expor na bienal ou grafitar um prédio, com uma simples peça de roupa é possível tirar as pessoas de seus mundos de meias pálidas e despertá-las da rotina, nem que seja por um quarteirão. E eu, como palhaça e leonina, não só estou acostumada, como gosto de ter pessoas ao meu redor rindo de mim.

Opa, mas peraí.

E tem a segunda instância sobre as meias, e essa me fez matutar um pouco. Porque, ok, estamos falando de um par de meias-calças. Não é uma escolha assim tão pesada, qualquer coisa eu tiro e jogo fora, acabô a brincadeira. Mas ela representa uma coisa grande. Andando assim, de pernas cobertas, me senti exposta. Fiquei imaginando o que é você ser um gringo/um crossdresser/um punk tatuadíssimo/um louquinho/um religioso tradicional/uma prostituta/um maloqueiro no Cidade Jardim/uma patricinha na favela/a gordinha da escola/um insira sua própria peculiaridade particular aqui, vivendo de pernas bicolores todos os dias dessa vida.

Tem meia que a gente não usa, mas isso não devia nos dar o direito de apontar para uma perna bicolor e dar risada, sem  um olá amistoso ou ao menos uma pergunta de Por que?.

Será que é tudo medo de não saber responder um Por que não?

DrawSomething e o Nobel da Paz

Dia desses a @luizasm disse que o @rafaelcapanema disse:

“o cara que fez o draw something deveria ganhar o nobel da paz”

E 3 dias depois de ter baixado o bendito app e ter passado 72 horas de puro frenesi e emoção com ele, só tenho a dizer: essa é a frase mais verdadeira do século XXI, que deveria ser transformada em abaixoassinado (tipo aquela petição pelo novo FOFY – cujo resultado continuo a aguardar, sôfregamente) e circular pelos e-mails e murais de Facebook como corrente etc.

É que esse aplicativo-joguinho é a coisa mais singela que já surgiu nessa tela. Porque você está lá, sem fazer nada, e de repente resolve desafiar aquele amigo-que-nem-é-tão-amigo assim, mas que figura na sua listinha do DrawSomething. E quando menos espera, você está compartilhando do processo criativo da criatura (é, PROCESSO CRIATIVO, é claro que eu ia falar disso): e compartilhar o processo criativo é de uma intimidade assustadora.

Tô falando sério. O que eu mais gosto é reparar no processo do desenho de cada um. Tem o doido que começa e apaga zilhões de vezes, o outro que capricha como se fosse expor o desenho no Louvre, outro que vai de primeira sem medo de ser feliz, outro que tem um dicionário simbólico MUITO ESQUISITO, e em vez de desenhar um ímã, desenha a mãe, porque ela lembra comida e comida lembra geladeira e geladeira lembra ímã – e o coitado do outro lado precisa acompanhar e adivinhar todo esse raciocínio. A mesma diversão é assistir ao outro tentando descobrir a resposta. Tem os que desistem fácil demais, os desesperados, os espertinhos literatos que ficam tentando juntar letras e ir por eliminação.

Acho que é meio como se sentir dentro da cabeça do outro. Você começa a descobrir outros processos de criação e de raciocínio, e realmente se esforça pra entender o que se passa dentro daquele crânio obscuro do outro lado do jogo. E o mais legal, o mais bonitinho mesmo, é que não é bem uma competição. A gente ganha e perde juntos. Cada parzinho se esforça pra ganhar junto, e pra isso precisa entender muito bem o outro – e ajudar. E sempre com um certo bom humor, porque não tem como brincar de ficar fazendo desenhinhos usando a expressão mais sisuda do mundo.

Eu acho é que o mundo tem muito o que aprender com o DrawSomething.

Agora desenha um arco iro.

18

jan

keep calm and smash the potato sacks

Eu sei, eu sei que existem milhões de assuntos que estão na boca de todo mundo por aí (todo mundo menos a Luíza que está no Canadá) e que eu poderia dar minha opinião sobre eles aqui. O absurdo no BBB, o SOPA, os aprendizados que estou tendo com o projeto com meus avós, minha raiva do tamanho do mundo perante a mulheres que agem como sacos de batata na vida profissional, o novo jeito que descobri de secar meu cabelo, mas isso todo mundo já disse, todo mundo já sabe. É que passei no blog do Seth hoje e algo saltou aos meus olhos. E digo mais: esse algo não só saltou, como saltou e fez esta dança dos Nicholas Brothers aos meus olhos.

Eis o algo:

“The thing is, we still live in a world that’s filled with opportunity. In fact, we have more than an opportunity — we have an obligation. An obligation to spend our time doing great things. To find ideas that matter and to share them. To push ourselves and the people around us to demonstrate gratitude, insight, and inspiration. To take risks and to make the world better by being amazing.”

Seth Godin

Eu TATUARIA essa frase (se eu fosse dessas).

Ah. E se quiser ver algumas opiniões minhas sobre os assuntos supracitados, não deixe de me seguir no Twitter. Ando tagarela por lá.

E pra não falar que não falei do SOPA:

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