Quando eu tinha 21 anos, achei que esse seria um post legal pra hoje

Backlog é um termo que emprestei do meu namorado tecnológico e tão neurótico por listas quanto eu. A verdade é: descobrimos um jeito de não enlouquecer por não conseguirmos fazer tudo o que queremos nas 24 horas que temos. Pra não perder nada, vamos separando cada coisa em um backlog, uma lista, e separamos um tempo na vida para ver cada lista. Eu, por exemplo, tenho a lista de lugares para ir com o mesmo namorado supracitado, tem a lista de bandas para baixar (baixo uma por semana há mais de ano), a lista de filmes para ver, a lista de coisas bonitas para comprar quando tiver dinheiro, a lista de links para ler e a lista de posts para fazer.

E é aqui que entra esse post, mostrando as falhas dessa minha descoberta. Porque hoje apelei para a minha lista de posts para fazer, e descobri que ela está com uma defasagem de cerca de quatro anos com a realidade. Bem, caso vocês não tenham visto, esse é o vídeo de comemoração que a Almap fez para comemorar seu prêmio de agência do ano. Em 2009.

E é aqui que eu poderia ter um acesso de pânico (mas como assim 4 anos, isso nunca vai sincronizar, socorro namorado tecnológico), mas eu só tenho acessos de riso. Afinal, essa minha técnica me poupa de muito cansaço mental e sempre me oferece ideias novas, mesmo que – e talvez justamente porque – antigas. E, claro, tudo depende do bom senso. Nem todos os meus posts são datados, já que só recorro a essa lista quando estou curta de ideias. Mas, viu só, ela trouxe essa pauta interessante pro Palitos hoje.

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Jogo dos sete erros (ou a maldição do quase legal)

Ah, a internet. Nunca vivemos em uma era com tanta referências, com tanta opção e com tanto acesso a gente boa fazendo coisa bonita. O Pinterest, então, traz horas e horas de acesso a festas lindas, ideias de decoração bacana, cupcakes, balões de gás, lousas, tipografia e macarons. Ou seja: com um pouco de talento e uma conexão de banda larga, é impossível fazer alguma coisa ruim.

Será?

Só tem um problema: usar referência também é um dom.

Usar referência do jeito errado, a referência pela referência. É assim que nasce um quase legal. Eu morro de medo do quase legal. Quase legal não é ruim, mas está longe de ficar bom. Quase legal nunca vai ser apontado como cafona, mas gera aquela sensação de “tem alguma coisa no lugar errado”. Quase legal é assustador porque nem sempre aparece no nosso espelho.

Quase legal é a diferença entre isso…

jogo dos sete erros

…e isso:

chuva de arroz, baloes bexigas, saida da igreja, cerimonia casamento2 bexigas casamento

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Quase legal é a diferença entre isso (o original, Mila’s Daydreams)…

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…e isso:

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Acho que ficou bem ilustrativo, né? : )

E onde o quase legal esbarra? Arrisco que é em parte na qualidade do material, em parte no talento com uma câmera, em parte na tentativa de se traduzir ideias do Hemisfério Norte para outra realidade. Mas o grande esbarrão mesmo, o que faz acabar a boniteza, é a falta de autenticidade.

Note aqui que autenticidade não é originalidade: de repente você pode até copiar alguma boa ideia do Pinterest, ela vai sair bonita na medida em que ela for muito VOCÊ. Se balões no casamento são você, as fotos vão sair muito mais bonitas que balões no casamento de um casal que só aceitou ter balões na festa porque “tá todo mundo colocando no Pinterest e é muito cool”.

É por isso que não tenho nada contra plágio. No fim, a imitação nunca vai ganhar do original. Porque falha na sinceridade.

Quando você fizer 100 anos

Tem um exercício que gosto bastante: é escolher um tema e ver as infinitas diferentes respostas que diferentes artistas dão para esse tema. Faz uns 3 anos tive o prazer de ir à uma exposição super bem humorada nesse formato – no caso, era uma carta de término de relacionamento narrada ou representada por diferentes pessoas (dá uma sacada nesse link aqui), organizada pela francesa Sophie Calle – e foi uma das expos mais legais que já vi.

Enfim, faz uns (100) anos guardo esse link aqui que queria compartilhar com vocês. É um concurso aleatório que aconteceu em algum momento do passado, em que pediram pra que as pessoas se desenhassem imaginando como elas estariam com 100 anos de idade. Amo ver como cada traço e narrativa do desenho mostra pensamentos diferentes. Acho inspirador. Já fiz isso uma vez com uma personagem do meu livro, a Rebeca (nossa, lembrei disso agora, qualquer dia posto todos os desenhos aqui!) e ajudou a imaginar ela melhor. 🙂

Uia. Consegui misturar 3 assuntos em 2 parágrafos. Essa sou eu. A hiperlínkica eu.

Enfim, seguem abaixo as imagens desse concurso de 100 anos de idade que falei em algum momento lá em cima.

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Ufa.

Estudando no YouTube

És autodidata? Ou só morre de raiva de ter que esperar chegar na faculdade ou na escola pra estudar? Se você é como eu, e não dispensa uma palestra ou boa conversa de gente bacana, vai gostar do YouTube EDU. Sim, amigos e amigas, existe uma plataforma do Google que reúne dezenas de canais de universidades, personalidades ou eventos, com lições e aulas divididas em diferentes temas (Universidade, Colégio, Ciência, Engenharia, Matemática, Negócios e Vida!).

Passa lá.

Social media é uma porcaria.

Rá, adoro títulos bombásticos. Não, não é por aí. A verdade é que trabalho com essa porcaria (não somente com ela, mas também com ela, como qualquer bom profissional que trabalha com web que o valha) desde 2007, quando o termo começou a surgir com mais força no planeta, e já tenho intimidade pra fazer esse tipo de brincadeiras. Melhor reformular: social media (ou mídia social), como é vista por muita gente, é uma porcaria. Mas não devia. Vamos lá:  de 2007 pra cá, muita coisa mudou, inclusive minha opinião em relação às técnicas, criações e possibilidades da tal social media, mas já passei por verdadeiras epifanias do mal nesse mundinho, inclusive fazendo careta quando lia a expressão no meu currículo.

A parte boa é que já estamos amigas novamente. Mal ou bem, a avalanche do Facebook está redesenhando o universo da social media e obrigando as marcas e seus publicitários a pensar mais, caminhando para uma coisa que estou abraçando com carinho: a importância da estratégia de conteúdo e de uma boa curadoria para todas as marcas. Ou muito me engano, ou os hoje ainda tão genéricos analistas de social media vão cada vez mais se dividir entre curadores de conteúdo, planejadores criativos, gerentes de projeto e gerentes de tecnologia para redes sociais. Já falei um pouco disso aqui.

A parte ruim é que encontrei esse texto de 2009, que 3 anos depois, continua fazendo todo o sentido. É um post do Mike Arauz, em que ele conta sua desilusão com a tal social media, e culpa muita gente por essa desilusão.

Ele culpa todo mundo que já se dizia um expert em social media quando ninguém podia sequer começar a imaginar o que social media era e no que ia se transformar.

Ele culpa todo mundo que diz “SOCIAL MEDIA”quando na verdade só está se referindo ao Facebook.

Ele culpa a todos que pedem uma estratégia de social media esperando uma estratégia de mídia de massa mais barata.

Ele culpa a todos que tratam social media como uma disputa de quem tem mais fãs.

(…)

Ele culpa todas as agências que usam o termo social media só para ganhar novos negócios.

(…)

Ele culpa autores que vendem livros vazios e sem conteúdo baseados apenas na popularidade do termo.

(…)

Ele culpa médias-gerências que estão mais interessadas em planos de curto prazo e em fazer o que seu chefe acha legal, que em buscar um plano de longo prazo para o sucesso da empresa.

(…)

Ele culpa todos que convenceram alguém que social media é uma varinha mágica que pode resolver todos os seus problemas de marketing.

(…)

Ele culpa todos que esperam que social media resolva os problemas de um produto medíocre ou um serviço desnecessário.

(…)

E ele culpa a si mesmo por todas as vezes que fez isso.

Já eu culpo mais um grupo: culpo os blogueiros brasileiros, que em nome de interesses financeiros completamente compreensíveis mas completamente mal planejados, destruíram a qualidade de seus conteúdos, transformando a blogosfera brasileira de “alto nível” em uma coisa chata e sem criatividade, uma vitrine de opiniões pasteurizadas assinadas por marcas que não sabem inovar.

É isso! Concorda? Discorda? Não entendeu nada mas acha que ovelhas são bichinhos muito legais?

Vai lá pro blog do moço e leia o texto completo aqui. : )

Valituskuoro – o coro dos queixosos. [adicionando um novo vídeo]

Vivo reclamando de como o ato de reclamar é chato e desnecessário. Mas eis que descobri uns finlandeses que me mostraram um lado legal dessa praga: as reclamações sobre as banalidades da vida nos aproxima, como humanos que somos.

We defined complaining as “dissatisfaction without action,” nevertheless behind most of the complaints there is an idea or a belief or a value that a person is committed to. Complaints have therefore inbuilt the potential of being a transformative power. The truth about the revolution in East Germany is, that it only happened because a critical mass of people was dissatisfied with and complained about everyday life issues.

There is another fundamental aspect to the culture of complaining. Why do people complain about things they have not the slightest influence upon, for example the weather? Here complaining is not at all about changing things, but rather to build a communal feeling: I am not alone with my little problems, we share the same burden – of an total in-acceptable climate for example.

Com esse discurso, eles estão viajando o mundo e organizando corais que se apresentam em locais públicos e cantam em forma de música reclamações típicas de diferentes cidades (divertido ver que até na Finlândia existem problemas, sim!).

Ideia legal do caramba? Sim! Um dos mais recentes rolou aqui no Brasil, na cidade de Teutônia, no Rio Grande do Sul, ano passado. (:  Divertido como parece tão distante de São Paulo e como  Teutônia parece nome de cidade de quadrinhos!

Todos os corais

Como organizar o seu

Um copo de água?

Foi o que vi numa exposição de arte recente que fui: um copo de água.

Não quero entrar em discussões sobre a significância da arte (“significância” é mais cool que “significado”) e coisa e tal, mas acho que copo de água como arte já teve seu tempo, seu momento e sua função. Naquela exposição não tinha contexto, o que ficou chato e sem alma. E arte legal e com alma tem mil maneiras de acontecer. E melhor: hoje, tem mil maneiras que se multiplicam por outras mil, se combinadas nas quinhentas plataformas que usamos por dia. Pra mim um exemplíssimo disso é uma intervenção que Robin Hewlett e Ben Kinsley fizeram em 2008, com uma simples ligação para o escritório do Google e a participação de pessoas dispostas a divertir: eles encenaram um monte de momentos nonsense para serem flagrados pelo carro do Google Street View. O nome do projeto é Street with a View.

Não deixe de ver as cenas e onde elas aparecem no Street View, e assista aos bastidores:

Arqueologia virtual

Eu tenho planos, planos, planos. A maioria sendo posta em prática silenciosamente (RÁ!), e outra parte esperando as oportunidades e me exigindo muitos estudos. Pois tem um deles que pulou aqui na minha cabeça como um pop up e não quer sair: eu quero me aperfeiçoar em arqueologia virtual. Fiz umas pesquisas on-line e o máximo que encontro ligado a isso é uma linha da arqueologia tradicional que usa o computador para mapear descobertas físicas – mas a arqueologia virtual que eu proponho não é essa. Ela é mais relacionada a escavações no próprio mundo digital, descobrindo histórias e encontrando chaves importantes em sites, páginas antigas, blogs, redes. Onde vocês acham que os escavadores de 3000 (se é que ainda estaremos por aqui) vão pesquisar os tesouros da nossa geração? Certamente não vai ser no chão. Vai ser na nuvem.

Pois é. Se eu decidir fazer mestrado, já sei pra onde vou.  Esse caminho tem tudo a ver com a tal da curadoria, meu assunto favorito dos últimos tempos.

É algo a ser super explorado, e de quando em quando posso trazer algo aqui no Palitos. Por hora é isso, só queria compartilhar essa ponta do iceberg. Se alguém tiver links sobre o assunto, aceito de bom grado!

Lembrei desse tema ao cair em um link (o próprio link é antigo!) que reúne gifs dos primórdios da internet numa espécie de museu digital tosquinho.
      

          

 

Clique e divirta-se vendo todos no museu