Nota mental e a habilidade de saber de quem ouvir críticas

Dia desses tive uma conversa inusitada com alguém que admiro muito profissionalmente. E foi sensacional. Inspiradora, animadora, coisa bonita, mesmo. E lembrei de um aprendizado que tive lá atraszão, lá no meu primeiro emprego oficial, em que um dentista bastante incompetente criativamente me cobrava de minuto a minuto que eu fosse mais criativa.

É óbvio que eu me achava muito incompetente.

É ótimo que, tempos depois, pessoas que eu considero geniais me descobriram, me contrataram e gostaram de mim.

Ainda sou assim otimista acreditando que o mundo é feito de pessoas talentosas – o caso é só que alguns talentos não combinam com você. E você nunca – EU DISSE NUNCA – anote o que estou falando – NUNCA – deve deixar alguém cujo talento você não admira colocar seu talento para baixo.

Tá bom? Agora pode seguir com seu dia, porque esse post foi uma nota mental pra mim mesma.

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Quem você está influenciando com seu trabalho?

Sai de casa, bate o cartão, se diverte, volta pra casa e nesse meio tempo inspira muita gente. Você tenta fazer isso? Não adianta achar que isso é coisa de artista ou criativo. Já vi até cobrador de ônibus inspirar meu dia. Por isso, respire fundo, aproveite o clima Beakman que foi instaurado no Palitos esta semana, e dê uma olhada nesta entrevista em que o Paul Zaloom fala um pouco sobre como seu personagem formou gerações de profissionais pelo mundo. ( : Lindo ele!

 

Real Innovators Wanted

Quer escrever algo novo? Pare de destrinchar os grandes mestres. Vai ler rótulo de shampoo, de groselha, sei lá. Mas vai lá. Quer novas respostas? Então pare de perguntar as mesmas mofadas perguntas de sempre. E saia do paradoxo do inovador de mentirinha.

É um paralelo que fiz da vida-em-geral com essa apresentação, que fala de um problema enfrentado por quem trabalha com publicidade/design/inovação/e mais outras coisinhas: a dificuldade de fazer uma coisa realmente nova, por causa do medo do cliente/da mulher do cliente/da sociedade/do escuro.

É um slideshare de 2009 que continua atual, feito pelo querido Sollero, meu ex-chefe, de uma equipe da qual sinto muitas saudades. (:

What I do at work when I’m supposed to be working.

Não aguenta mais a rotina? Não aguenta mais o café pontualmente às 16h sempre naquela mesma xícara que tem um quebradinho já cor de cafeína, há 3 anos e meio te acompanhando nos bons e maus momentos? Não aguenta mais reuniões de 3 horas de automassagem mental da diretoria que terminam sem uma, ou sequer meia, aplicação prática? Está esperando aumento desde o ano passado para o mês que vem? Uma distraçãozinha cairia bem.

Em 2009, David Fullarton fez uma intervenção artística no escritório de uma rádio, chamada The Sisyphus Office, misturando pedaços de arte aos comunicados que normalmente circulavam entre as baias e murais da empresa. Esses pedaços arteiros mais tarde viraram uma exposição e um livro. Gosto da defesa do trabalho dele:

The project’s aim was to “highlight art as an integral and necessary distraction in our day to day life,… to examine the artifice that keeps us clinging to reality and distracted from the void. Sisyphus Office is about punching the clock, and then punching it again…but harder the second time. It’s about transcending the mundane through the beauty and absurdity of distraction. It’s about recognizing the comedy in the tragedy of the day to day… and then waking up again to do the same thing all over again the next morning.”

 

 

é hora de MUDAR.

Nada melhor que o primeiro dia do ano pra falar que tem hora que é hora de largar tudo e começar algo novo – às vezes, na loucura, às vezes, de caso bem pensado. E quando os dias no escritórioagênciaprodutora não cabem mais no seu dia?

O site Cards of Change  reúne cartões de visita de pessoas que chegaram lá, mandaram tudo aos batatais e foram atrás de alguma outra coisa. É divertido, é curioso e, acima de tudo, é inspirador.

Quer mais, quer mais? Então se cadastre no revolution.is e receba toda semana uma história de alguém que pulou alto. Tudo bem que a maioria dessas pessoas fez isso porque tinha algum patrocínio por trás (ninguém vai morar na Índia se alimentando de luz), mas isso é assunto pra outro post um pouco menos positivo. : D

Vem ni mim 2012, se você não vier, eu vou!

Cadê esse povo?

Aí meu priminho está fazendo Jornalismo e me pediu pra eu ajudar com um trabalho dele. A pergunta era: “Como é entrar no mercado de Publicidade hoje e quais foram os obstáculos que você enfrentou pra entrar nele?”. Aí eu me empolguei. E respondi, bastante. Vou dividir com vocês como prólogo pra um outro post que quero fazer, que é “Como não pedir emprego”, cheio de exemplos práticos que copiei de uns currículos por aí.

Claro que a resposta é muito baseada na minha vivência e no meu momento (e quando não é?). Se tiverem alguns contrapontos, por favor, me ajudem nos comentários. Tô curiosa : )

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Oie! : ) Vamos lá, só pra contextualizar. Eu me formei em 2008, e trabalho na área desde 2007, sou redatora. Então sei responder principalmente sobre o mercado de criação.

O que acontece hoje: na época que fiz faculdade, já percebia que muitos professores estão ficando atrasados em relação ao mercado. Na Cásper, onde estudei, eu aprendia coisa demais sobre a publicidade de revista e jornal e muito pouco sobre o mundo digital – que ironicamente, era por onde a maioria dos alunos formados estava entrando pra trabalhar. Ou seja, não sei se isso mudou em 4 anos, mas nos idos de 2005 a 2008, as faculdades ainda preparavam alunos pra um mercado que não existe mais. É a molecada que tem que ir atrás do que está acontecendo de novidade e se preparar.

Eu, pessoalmente, decidi que ia começar a trabalhar no começo do terceiro ano de faculdade, e achei ideal: passei 2 anos caprichando pra caramba nos trabalhos e me dedicando à teoria, e os últimos anos de facul entendendo o mundo real. Mas foi bem difícil achar um emprego legal, principalmente porque eu não sabia o que queria!

Na faculdade, você aprende que pra conseguir um emprego em criação em publicidade, precisa ter uma coisa chamada “pasta” – que já é uma coisa atiga por si só. Uma “pasta”é um portfifólio, que você carrega por aí, cheio de anúncios de mentira que você criou – se vc quer trabalhar com direção de arte, faz uns layouts legais no Photoshop – se quer trabalhar com redação, faz uns anúncios com sacadinhas engraçadas. E te dizer: nunca fui boa de sacadinhas. E achava que não gostava de redação publicitária, porque achava que devia ser um saco ficar sentada escrevendo e pensando em piadinhas. Então nunca tive uma pasta.

O que rolou? Vários amigos começaram a trabalhar em agências boas, tradicionais – a maioria em outras áreas mais fáceis de conseguir emprego, por indicação ou por anúncios na faculdade – e alguns conseguiram entrar em criação, porque eram muito bons de sacadinhas. E eu lá, falando que odiava agência de propaganda, sem saber onde bater.

E esse é um momento delicado, que você tem que ter muito foco. Acho que não é hora de pegar qualquer coisa no desespero e continuar lá, não. Porque está cheio de agência furreca por aí, agência ruim, mesmo, que contrata qualquer um – e uma vez lá dentro, você pode amargar um futuro de agências ruins. É muito mais fácil começar numa agência boa e ir melhorando do que começar numa agência ruim e ficar achando que você é bom na coisa, quando não é, e dificilmente vai conseguir sair de uma dessas.

Aí, passei por 2 estágios xaropes antes de entrar numa agência muito bacana em uma área na qual eu me encaixava perfeitamente – e nem sabia que existia (guerrilha e social media)! Foi uma amiga da faculdade que me indicou lá, e ela lembrou de mim pra vaga basicamente porque ela conhecia meus blogs e várias outras coisas que eu fazia on-line, e que, pra essa área, eram um portifólio muito mais legal que a tal da antiquada pasta. Quando fui ser entrevistada lá (por algumas das pessoas mais geniais que eu conhecia na época), eles me disseram isso: eu não sabia tanto de publicidade, mas tinha tanta referência de artes e tantos projetos meus que demonstrava  levar jeito pra coisa. E fui levando: uma vez dentro do mercado, você vai fazendo contatos e é muito mais fácil continuar lá dentro. Claro que a gente passa por umas fases pessoais de crise, muita gente com mais talento que você, gente que pegou o jeito de criar e te desbanca numa reunião de brainstorm, mas isso vai passando conforme você vai pegando segurança, inclusive pra assumir quando você não está sendo criativo o suficiente.

E aqui vai uma dica de quem está do outro lado agora: recebo zilhões de currículos muito ruins hoje de gente que está fazendo faculdade. Eles têm um monte de cursos, mas não fazem nada além disso, nenhum projeto pessoal, nada. Eu nem olho que faculdade fizeram. Vou direto à procura de algum link pro youtube, twitter, blog, algum projetinho na web, e nem sempre encontro. E, poxa, está tão fácil pelo menos tentar ser bom hoje! Portfólio de quem trabalha com criação não é mais anúncio, nem precisa ter a ver com publicidade. É bom, mas ter talento em várias áreas anda sendo mais importante: prefiro quem tem balé contemporâneo e uma produtora própria de bandas no currículo do que quem fez o curso de social media mais caro da ESPM, mas não sabe lidar com gente na vida real. : ) Claro que estou falando isso do ponto de vista de alguém que trabalha com publicidade digital em uma agência mais moderninha que as tradicionais, mas acho que vale pra tudo.

Como em muitas áreas, não é o mercado publicitário que está difícil. Pelo contrário: estamos cada vez mais à procura de uma molecada criativa, principalmente na área da internet, mas está difícil encontrar gente que tenha interesse e talento para se desenvolver pessoalmente, sem pensar só em conseguir emprego. Como disse, só consegui ingressar na área porque já tinha um bom blog desde a oitava série, antes de sequer sonhar em procurar emprego em publicidade. : ) Cadê esse povo?

como vão suas antenas?

Aí o cara chega na entrevista de emprego, ou me manda um currículo, e precisa de um lugarcomum desesperado pra se promover. E lança mão daquele lá, do seu, do meu e do nosso “eu sou uma pessoa muito antenada”. Aí eu engulo em seco. Amigo. Vamos conversar. No que você anda antenado? No que está saindo de novo na sua lista do Google Reader? Na TV? Nos últimos livros de social media? Nos assuntos do happy hour dos seus amigos publicitários? O problema das antenas é que elas costumam pegar frequências limitadas.

Nós que trabalhamos com criação (e até o operário mais operário tem a obrigação de trabalhar com criação) temos a felicidade de ter que expandir a atuação dessas antenas e atuar mais wirelessmente. E onde encontrar conexões fechadas (quase todas são), tentar descobrir a senha.

Enquanto continuarmos antenados com a próxima rede social do momento, não seremos nós a criar a próxima rede social do momento. E a próxima rede social do momento está em algum lugar entre seu amigo dentista, seu almoço num boteco do Tatuapé e seu avô judeu.

E tem mais: antena é tããão 1990.

(esse post é uma releitura de um post até meio antigo feito pelo @pitchu, que sempre tem bons pontos)

Gente como o Seth Godin e o Hugh McLeod me incentivou a ressuscitar o Palitos. Espero que ele volte a me ajudar na hora que o interruptor da lampadinha desaparece (em algum momento ele não desaparece?).

tô salva

Trabalhar sempre vai desmotivar. Tem dias em que você quer escrever seu livro, não um e-mail marketing sobre o Viagra.

Isso pode não ter cura, mas tem paliativo: é fazer uns projetos bacanas no trabalho.  A Salve está com uns jobs bem divertidos de fazer e de ver. O site foi atualizado ontem, se quiser ver entraí na seção Trabalhos.

É um post meio jabá meio desabafo positivo, pra dizer que às vezes me sinto na Ludovica, a agência do segundo ano de faculdade (há 3 anos…) em que a gente achava que era fácil transformar até projeto ruim de produto ruim em coisa bacana e útil pra galera.

Ê!

croquete de mandioca com jabá

proatividade não é importante só no currículo

Sabe trocar papel higiênico no banheiro?

Sabe colocar o açúcar no açucareiro?

Tô cansada (no outro sentido da palavra, não fisicamente cansada) de fazer isso por onde vou. São umas coisinhas tão mínimas, mas pouca gente faz. Sei lá se é problema de criação, se nunca morou sozinho ou se comeu muito Fandangos quando era criança e ficou acostumadinho. Não, as coisas não têm vida própria e não se criam sozinhas. Não custa fazer, você perde umas calorias e ainda melhora as coisas pra você mesmo.

E isso vale pra vida. Porque acredito que quem não levanta o dedo nem pra tirar a pasta de dente que caiu na pia não vai se preocupar com salvar, salvar o planeta, ou salvar-se se puder.

Depois que me formei, percebi que muita coisa do que a gente faz (ou não faz) nos trabalhos da faculdade, a gente leva pra vida. Sério, pode perceber. Tenta marcar uma balada com seu grupo de trabalho da faculdade. O proativo vai marcar, o esforçado vai se esforçar e o reclamão vai reclamar. Afinal, somos a mesma pessoa, produzindo um vídeo ou lavando o banheiro.

Isso é pensável. Não consigo entender falta de proatividade. Preguiça de viver? É tão gostoso ser atento, sair e fazer.

Vale pra vida.

levanta e faz o café

É como um retwitt de post. A Cláu fez este post pra estudantes de Jornalismo. Eu digo que serve pra todo mundo, inclusive para publicitários recém-formados. Muito legal.

10 coisas que o estudante de jornalismo poderia fazer nas férias

Ó, eu nunca faço isso. Não faço porque esse blog não é dessas cousas, sabe? Jornalismo. Tsc. Jornalista, pra mim, tem que ser jornalista até nos ossos – e meus ossos não se sentem, assim, particularmente  jornalistas. Mas ao mesmo tempo tenho um grande querer bem, uma simpatia alimentada com muito custo deeesde 2006 por essa profissão ben(?)dita, e muitas coisas que aprendi nessa longa estrada (ahahah ahaha aha) vão servir pra minha vida, não importa o que eu faça dela.

Aí me vem um site e um blog querendo listar as 30 coisas que o estudante de jornalismo deve fazer nas férias. Ah, meu amor, não crie rugas nessa testa de 21 anos. Não vou dizer que a ideia por si só é um tanto… ilusória, já que  estagiário não costuma esbanjar dias de descanso, mas os conselhos não são exatamente o que a gente pode chamar de… sei lá, a última palavra em jornalismo desde Gay Talese.

Do que me adianta, meu santo bom Deus, ter um post retuitado 20 vezes? E o que seriam 100 fotos surpreendentes – closes do seu boxer babando em ângulos fenomenais podem tocar o terror e surpreender muita gente, por exemplo. Mas a melhor de todas, creio eu, é a dica 13: recorte e redimensione fotos em um Photoshop da vida. Recortem, crianças, recortem tudo! Isso vai ser bom pra sua carreira! Dá pra colocar no currículo!

Olha, eu não estou apontando dedos pra ninguém, nem mesmo acho que o post esteja mal-elaborado. Cada um segue as dicas que quer e algumas delas são bem legais: fazer um blog, por exemplo, é super saudável. Ter um RSS pra acompanhar sites bacanas também é super prático e é muito bom ter bastante contato com novas tecnologias, pois você vai precisar delas mesmo que faça parte da Resistência. Mas se eu tivesse que escolher um tópico que salva realmente essa lista, seria o último (abre aspas):

Lembre o motivo de por que você quer ser um jornalista.

Afinal, por que cazzo você está às 3h da manhã, na frente de um computador, lutando contra a gravidade cada vez mais evidente em suas pálpebras, pra editar um vídeo de cinco minutos? Por que, meu querido, você fica aí, escrevendo besteiras sobre o metrô nesse tal de Tuit, em vez de fazer algo que dê mais dinheiro e paz de espírito? Qual a razão de ligar freneticamente praquele especialista enjoado que claramente não quer te atender, ou para aquela perfilada difícil, mas que você faz questão de ouvir? Por quê? Por queeeeeê?

Não sei. Você é que sabe, ué. Cada um tem seus motivos. Mas todos eles podem ter um ponto, um minúsculo pontinho unificador e bastante esperto: a paixão. No fundo, no fundo, aquilo é o que você gosta – ou está mais perto disso do que qualquer outra coisa – de fazer. Gente, que loucura! Você… você gosta de editar vídeos até o fim da madrugada. Gosta de trabalhar durante o fim de semana e apurar por meses só pra ver o seu infográfico reluzente ganhando um Malofiej. Gosta de escrever uma reportagem linda, que passe pela edição quase inalterada, e gosta de revisar os textos que chegam na sua mesa, mesmo achando que isso não é jornalismo. Gosta de transcrever entrevistas.

Tá, tá, ok. Ninguém gosta de transcrever entrevistas. Mas é importante fazê-lo e você sabe disso porque, afinal, há um objetivo maior. Tem que ter, mesmo que não faça sentido pra mais ninguém. Afinal, você não escolheu jornalismo à toa, apontando o primeiro curso que apareceu no Guia do Estudante (se você fez isso, me desculpe, talvez essa parte do texto não faça muito sentido, ok). Não vamos falar em vocação e outros bichos; talvez você tenha aprendido a gostar de jornalistar, simplesmente. Isso é bom.

Daí que depois de toda essa corredeira de palavras, tomei a liberdade de desenvolver uma lista própria de 10 coisas que o estudante de jornalismo poderia, entre um frila e outro, fazer nas férias. Bastante utópica, talvez ingênua (como este post, devo dizer), mas a intensidade de cada dica fica por conta de vocês – e de mim também, é claro: preciso começar a seguir meus próprios conselhos. Espia:

1. Antes de retuitar aquele link fenomenal, clique nele e leia a página do começo ao fim. É bom demais ser o primeiro a dar a informação, mas podemos estar mandando bobagem adiante. Quando alguém percebe um absurdo, você se defende: “mas eu não li direito”… né verdade? Não é muito legal.

2. Tire fotos daquilo que te surpreende e mostre para seus amigos. Conte de onde veio a ideia, quem eram as pessoas na fotografia, o que faziam. Se quiser editar, edite, oras. É mais divertido e menos confuso do que parece e pode dar um toque lindo no seu trabalho. Dê uma olhada em tutoriais, se for o caso.

3. Olhe para as pessoas. Linhas de expressão, marcas de nascença, tudo conta uma história. Tente sacar os mini-contos que cada um carrega, ou apenas imagine. Lembra do Sherlock Holmes? O segredo daquela genialidade absurda estava nos detalhes deixados em cada cena do crime, em cada suspeito. Você não precisa ser Sherlock para deduzir certas coisas. Deduza! E, se possível, confirme, mesmo que só pela diversão. Faz um bem danado. E ah, claro, você nem precisaria dessa informação, mas deduzir não é preconceitar.

4. Inspire-se profundamente. Gosta de Machado? Leia Machado e o que mais vier junto. Adora uma banda em particular? Escute grupos que se inspiram nela. Clique em blogs legais, visite museus, brinque, vá ao teatro ou ao cinema, ou alugue aquele filme velho, velho, que só você tem paciência pra assistir pela décima oitava vez. Deixe-se ficar enlevado – tudo o que você escrever e produzir depois disso vai sair bem melhor.

5. Referências, referências! Jornalistas adoooram uma referência, uma anotação pitoresca e, ah, como esquecer dela, uma boa metáfora. Gaste um tantinho de cérebro pensando em coisas que poderiam estar ligadas, espelhos, citações. Pode ser só pela diversão, também, mas dá pra fazer durante o trajeto do metrô e não custa nada.

6. Duas palavras: jornalismo literário. Se a sua vida não faz mais sentido, se você tem vontade de queimar releases em uma grande fogueira e empurrar seu chefe bem para o meio dela,  se você xinga aquela assessora estúpida por não passar o ramal certo da sua fonte… respire fundo, sente-se e vá ler um perfil, uma reportagem bem elaborada, um livro da Eliane Brum. Esqueça por um minuto as tragédias na Bolsa de Valores ou o número de acidentes na Fernão Dias e tenha acesso a bom jornalismo. Claro que dá pra encontrar esperanças nas hard news, mas a notícia bem bem-acabada, com menos corre-aqui-pega-ali, bom, esse tipo de jornalismo dá o maior gosto. É  o jornalismo que cria imagens na sua cabeça.

7. Banque o editor carrasco consigo mesmo. Escreveu um texto? Seja chato: confira vírgulas, frases, palavras, tudo, tudo mesmo. Só por diversão, apague frases e pense em um outro jeito de construí-las. Os créditos estão lá? Pois trate de colocar os créditos. (Aliás, a ideia desse post veio daFabz, lá do meu trabalho. Valeu, Fabz!) Ai, parece bobo, né? Então aguenta quando seu professor/chefe voltar à rotina particularmente chateado com o fim das férias.

8. Respire outros ares. A vida não é jornalismo. A vida não é jornalismo. A vida não é jornalismo, mas jornalismo tem muito a ver com viver. Pegou? Agora vá gravar um vídeo que vai ser o novo hit no Youtube ou lavar seu cachorro.

9. Clássica e clichê: relembre o porquê de estar na profissão. Começamos assim o post e é mais ou menos assim que ele termina. Seus princípios podem ter mudado e seu foco também – aliás, a graça é essa. Se você acha que não tá ornando, que jornalismo não tem mesmo nada a ver com você, muda de rumo, oras. Já tem muito jornalista entediado nesse mundo, que não muda de ares por medo, mas também não quer ficar. Que que acontece? Na maioria dos casos, um jornalismo ruim, chato de ler, sem graça, sem gosto, meh. Em outros, raros, o trabalho é bom, mas o profissional é infeliz. E aí?

10. Cansou? Ui, esse post foi longo, né. Mas a minha última dica nessa lista absolutamente pretensiosa é também gabaritada: saiu da boca, mais ou menos nesse formato, do Marcelo Duarte, o autor do Guia dos Curiosos, que eu tive a sortezinha de entrevistar pro meu TCC. Quote: “seja curioso. Jornalista tem que ser curioso”. Mais do que prestar atenção e fazer perguntas, você deve realmente querer saber a resposta pra elas – e não se conformar com apenas uma versão. Arranje um jeito, uma motivação aí dentro de você pra fazer do seu trabalho a profissão “mais honesta do mundo”, segundo Gay Talese.

Jornalismo pode ser gostosão de fazer ou pode ser um saco. Pode ser apenas uma parte da sua vida ou uma vida toda. Pode ser bonito e emocionante ou feio e embrulho de peixe na manhã seguinte. Pode ser feito com Sazon ou nas coxas. You decide.

Sei lá. Sou só uma estudante de jornalismo e ainda vou ter muito sapo pra engolir pela frente. Um dia vou ver esse post e achar uma bobagem completa, que a vida real não é assim, que deadlines estão aí e vão acabar me causando uma síncope e me hospitalizar por semanas e… bom, e tudo mais. Mas uma coisa, pra mim (o blog é meu, né), é certa: fazer o que gosta – mesmo o que não gosta dentro daquilo que gosta – e sentir que dá certo e dá jogo… putz, isso é fenomenal, acho que é o que eu quero pra minha vida. Sei lá o que você, leitor desavisado, que esbarrou nesse blog por acaso, coitado, quer pra sua. Mas espero que te faça bem. :)

E é isso. Próximo tópico?”

Cláudia Fusco

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