Continuando a me exercitar

Mais um exercício do cursinho que estou fazendo, esse aqui, em busca da resposta à pergunta fundamental WHO AM I? (e não, 24601 não vale nesse caso).

What do people buy when they buy something from you?

Compram

1. o olhar de alguém de fora para compreender e organizar melhor suas ideias.

2. um posicionamento claro, coerente e corajoso em relação ao mundo.

Sendo menos abstrata, compram novos clientes mais legais (no caso de marcas) e, em todos os casos, compram mais tempo para si mesmos e mais prazer – já que se tentassem sozinhos fazer o que faço por eles até poderiam conseguir, mas gastariam dias e dias tentando fazer alguma coisa legal e muitas vezes se frustrando com resultados ruins.

 

Leave out the easy, repetitive, generic stuff… What you are doing that’s difficult?

  1. Tendo a sensibilidade de fazer uma análise imparcial acertada de cada negócio/marca/casal/situação.
  2. Criando textos e ideias que não se encontram com um simples search no Google.
  3. Combinando 1+2 de uma maneira personalizada, fugindo de modelos prontos da moda ou do último post de sucesso do blog tal.
  4. Fazendo a curadoria de contatos e parceiros valiosos (conquistados com suor e lágrimas [às vezes, literalmente]).
  5. Estando sempre disposta a defender o que acredito (para mim e meus clientes) e sendo consistente com isso em cada job.

 

Não sei porque estou dividindo aqui no blog, mas quem sabe você também se anima a decantar sua vida profissional lendo essas perguntas. Se você gostou dessas perguntas, vale respondê-las também. Estou achando divertido e quiçá útil! 🙂

O pulso ainda pulsa

fogo

Sobre criar, sobre escrever, sobre deixar o cérebro e o coração escorrerem pelas pontas dos dedos, sobre falar um pouco sobre sua verdade, com um pouquinho de edição, deixar dizer o que você tem por dentro.

Sobre escrever, um post sobre escrever e sobre fugir de sua sina e falhar miseravelmente, porque escrever é do que você é feito.

Fiquei aqui pensando. Tentando lembrar quando foi que eu descobri que era escritora. Não me lembro exatamente – mas o engraçado é que lembro de todas, todinhas as vezes em que descobri (ou inventei) que não era.

Nasci em família de leitores, com estantes cheias de livros. Me interessei por aquelas letrinhas tão cedo! Antes de saber escrever, lembro como eu me sentava na varanda do prédio e escrevia diários. Escrevia num alfabeto imaginário, uma coisa que parecia um vvvvvvvvvvvvvvv, mas que eu entendia muito bem.

Deve ter sido por isso que minha irmã de 8 anos decidiu me ensinar a ler e escrever de verdade – e aprendi direitinho, quando eu tinha 4 anos. Imagina, mal tinha aprendido a falar! Tão logo juntei as palavras de uma embalagem de longa vida (simbólico, talvez?) que estava na geladeira, descobri como fazer isso sozinha, agradeci minha irmã e saí juntando todas as outras palavras do mundo.

Com 7 anos, já tinha um diário (costume que levo até hoje). E tomava ditados dos meus coleguinhas de escola – o que nunca contribuiu para minha popularidade, mas aprendi a superar, usando o gosto pela leitura a meu favor.

Costumava ser a melhor aluna na aula de português – claro que só até o momento em que entramos nas teorias da gramática. Nunca fui pessoa de teoria, sempre fui mais apaixonada pela prática. E errava todas as análises sintáticas de frases – mas minhas frases eram impecáveis, mesmo eu não sabendo dizer se o que tinha acabado de escrever era um objeto direto ou indireto. Quando chegou literatura, no colegial, briguei com o professor, que ao final do período confessou que morria de medo de eu corrigir algum erro literário dele (afinal, ele era jornalista e conhecia mais de Marcelo Rubens Paiva que de Machado de Assis, um ultraje para a Francine adolescente, sempre uma fã dos clássicos).

Em 2001, uma coisa linda começou a acontecer. 2001 foi um ano muito importante pra minha vida – com 14 anos, me sentia alinhada ao universo. Foi quando me converti oficialmente e me batizei, a fase em que estive mais alinhada com tudo o que acredito até hoje. Foi quando aprendi a tocar piano. Algo muito cósmico acontecia naquela época. Foi, inclusive, quando o meu marido (até então, um desconhecido em algum lugar de Santos) abriu o site que foi a razão pela qual nos conhecemos.

Também foi quando uma vontade muito grande de escrever um livro nasceu. E comecei a escrevê-lo.

E 15 anos se passaram e eu não terminei.

E hoje eu entendo porquê. Hoje eu entendo que passei os últimos 15 anos fugindo de ser quem eu sou, de uma forma ou de outra. Nunca foi nada terrível, não é como se eu tivesse me perdido na vida – pelo contrário, eu estive incrivelmente achada. Uma carreira muito bacana como publicitária, depois o famoso “largou tudo para abrir seu próprio negócio” e todo o status de empreendedora criativa que vem com isso… mas nunca tive coragem de constatar o óbvio: não sou publicitária. Não sou empreendedora. Ou sou tudo isso… mas sou, acima de tudo, e no fundo de tudo, escritora.

Engraçado como a gente repara nessas coisas depois. Pela lógica da vida e da paixão pelas palavras, eu devia ter feito jornalismo e devia ter feito letras, mas decidi cursar publicidade. Porque se tinha uma coisa que amava tanto quanto escrever era “criar”, de um modo geral. E ainda amo. (Na realidade, como cristã, acredito que criação é a força mais poderosa que temos. Está ali, lado a lado com o amor [e é por isso que o poder de criar uma vida através do próprio amor é o maior presente que recebemos como seres vivos, na minha opinião] – e está nas nossas mãos. Acredito que criar nossas próprias vidas da melhor maneira possível é perpetuar a criação de Deus no universo… e coloquei isso tudo entre parênteses, porque seria assunto pra outro post, mas decidi juntar tudo). E entrei em publicidade tendo certeza de que queria criar, mas não queria ser redatora. Passei os 3 primeiros anos da faculdade dizendo pra quem quisesse ouvir que EU NÃO PASSARIA MADRUGADAS PENSANDO EM UM TÍTULO SENSACIONAL PARA UM ANÚNCIO, QUERIA CRIAR “DE FORMA GERAL”. Claro que esse pensamento um tanto generalista me rendeu uma certa dificuldade pra encontrar um emprego, mas consegui algo incrível e com esse perfil depois de tentar bastante. Trabalhei 1 ano com guerrilha, um tipo de propaganda que amava demais. Não era óbvio, não era uma chatice como quase toda propaganda é e a equipe era incrível.

Até que o departamento foi fechado e fomos todos para a rua.

E resolvi, a muito custo, virar redatora.

Tirei um portfólio da cartola, fui contratada em uma agência super incrível que estava começando e o resto é história. Passei praticamente 7 anos, entre idas e vindas, trabalhando com redação publicitária – que é um jeito um pouco besta, mas completamente legítimo, de ser escritora.

E assim fui escritora para várias marcas. Fui a escritora que contou a história de personagens como o Itaú, a Natura, Intimus, Huggies e muitos outros que nem me lembro mais.

E o meu livro continuava lá, tímido e lento, às vezes calado, mas quase sempre sendo escrito em horários de almoço espremidos enquanto estava na agência. Eu conseguia olhar pra ele e guardá-lo como meu tesourinho, minha garantia de que tudo podia dar errado, mas ele seria meu trunfo.

E meu blog, bem, a frequência com a qual atualizo meu blog é um excelente termômetro do quanto ando ou não alinhada com o que quero pra minha vida. Pois é, você já entendeu pra onde isso vai.

Até que não rolou mais. A vontade de criar algo novo, de fazer algo mais meu, veio com tudo. E veio sob a forma de um negócio novo, a Sras&Srs, bebê lindo que já nem é mais tão bebê assim e do qual gosto muito. Ajudar casais a fazerem casamentos mais verdadeiros e menos cafonas e menos cheios “de requinte” (quem lê esse blog há anos saw that coming há muito tempo atrás, não?) é uma coisa incrível. Gosto muito de fazer isso.

Mas tem alguém me olhando lá de dentro da gaveta.

Que me diz que faz 6 meses que não conversamos. Nem no horário espremido no almoço, mais. Que me diz que sou uma traidora, porque a razão principal pela qual eu tinha largado meu emprego das 9h às 18h é porque ia parar de criar histórias para marcas e criar aquela história que quer sair de mim.

Porque na inexperiência de poder ter tudo, de poder fazer tudo, abracei tudo e esqueci de uma coisa, uma coisa simples: esqueci do que tinha que fazer.

Desde maio, estive trabalhando de domingo a domingo, sem parar, criando casamentos, sim, mas escrevendo não muito mais que os e-mails para clientes e fornecedores.

E embora criar casamentos dê um prazer danado, tinha algum ponto cego aqui dentro que se encontrava muito, muito contrariado.

Já faz algum tempo estou planejando uma desaceleração nessa loucura toda – e finalmente chegou outubro. E hoje, pela primeira vez em muito tempo, embora ainda tenha algumas coisas pra finalizar antes das férias chegarem oficialmente, consegui olhar pro relógio sem entrar em desespero e sem ter alguma coisa pra fazer.

Achei que quando essa hora chegasse, ia me afundar no cobertor e relaxar.

Não. Vim pra cá, escrever.

Porque estava com uma saudade danada do poder criador da palavra.

E mesmo sem saber onde queria chegar com esse texto todo, cheguei aqui. E não estou nem preocupada por ele ter saído tão grande e meio, até, manquinho. Porque mostra o quanto ele estava entalado aqui dentro.

Hoje, cheguei ao primeiro post oficial das minhas férias – mesmo antes de elas chegarem oficialmente. E estou muito feliz.

Porque dia 27/10 começará a viagem em que vou terminar de escrever meu livro. Porque acho que a gente pode agradecer quando está realizando um sonho (mesmo tendo demorado um pouco pra entender que era o que estava acontecendo). Porque sempre achei incrível pessoas que saíam de viagem para terminar de escrever um livro. Lia ou ouvia isso e pensava “é o que quero pra minha vida”. E, sem querer, acabei fazendo isso.

Minha ideia é atualizar esse blog com frequência durante a viagem – mas se eu não o fizer, a razão é boa – vai querer dizer que a família Zaspargo, o Pedro, a Greta, o Gregório e a Daphne estarão voltando à vida e verão um ponto final, finalmente.

Obrigada pelo dom de gostar de escrever, devo tudo a e(E)le.

🙂

dois mil e catorzão :)

A pessoa acaba de responder um possível fornecedor de maneira completamente grosseira, porque não viu que ele estava copiado no e-mail recalcado que ela achou que estava enviando só para o noivo (enquanto esta fazia as unhas).

A pessoa anda lidando com temas como papel craft ou voal, quantos quilos de bolo servem tantos convidados, vê um caminhão de marca de copos plásticos e anota o site e ainda tira umas horas por dia pra fazer o trabalho de conclusão da Pós.

A pessoa deu uma ignorada no livro, mas ele tá vivão, ela promente.

A pessoa digitou promente sem querer e acaba de inventar o melhor neologismo do ano.

A pessoa tá doida, mas tá adorando. Tanto, que pensa que organizar eventos pode até ser uma possibilidade no futuro.

A pessoa tem algumas promessas repetitivas de ano novo que nem precisa repetir, porque vocês já sabem de cor.

E essa pessoa que em 2007 estava falando que era só o começo, em 2008 não sabia dizer nada por dizer, em 2009 queria mais era inspirar, em 2011 acordou e em 2012 agradeceu, agradece de novo. A pessoa eu quer agradecer a Deus por um ano com alguns perrenguinhos, mas em geral, bom demais. E feliz que dói.

Que dois mil e catorze seja esse ano e mais um tanto. Pra mim e pra todos nós. Que 2014 seja um anão!!!!!!!!!!

01 02 Dirty Dan professional midget wrestler in 1980's promo workout.

6 anos

Eu ia falar de outra coisa, aí veio o WordPress e me contou que no último dia 22 o Palitos de Fósforo completou 6 anos.

Sim, seis anos. O tempo de alguém nascer, crescer e ficar chato.

Eu olhei e falei “mas imagina, foi em 2007”. Foi quando eu descobri que 2007 existiu há 6 anos atrás.

Podemos levar em consideração que o Palitos ficou sem existir durante cerca de seis meses, uma das fases mais idiotas da minha vida, na qual justamente descobri a importância desse blog pra mim (e a dessa fase idiota descobri um pouco depois). Em 2007, eu estava falando de trabalhos da faculdade, achava que estava perdendo tempo e lamentava o fato de meu livro já ter 6 anos (ah, que bonitinha). Em 2008, o assunto era plágio e inércia, esses vilões amados. Em 2009, descobri que criativo não tira férias, mas consegue organizar seu tempo. Em 2010, eu morri. Em 2011, eu renasci, me questionando sobre qual é o coletivo de epifanias. E em 2012, eu estava de trabalho novo, toda me achando e toda ocupada, coitada.

E hoje eu… gente, hoje eu acredito ainda mais em Deus e nas coisas boas dessa vida criativa. Em 6 anos, coisas mudaram, é claro. Crescimentos profissionais, pessoais <3 <3 <3 (alguém me segura pra não transformar esse blog em um blog sobre casamento!), fases ruins, fases boas. Fases incríveis, como a atual. Hoje eu já poderia escrever uma autobiografia bem bonita, sabia? Pois é. É engraçado chegar nesse ponto (de exclamação).

E fico feliz com uma coisa: meu estilo de escrever pode até ter mudado (a gente cresce, aperfeiçoa… fica chato), mas minha essência criativa é a mesma. E mais: a cada ano que passa ela se confirma. Leio algumas opiniões de 6 anos atrás e concordo com aquela Francine do passado, ingênua, animada, a fim de fazer. A Fran que acreditava e continua acreditando.

Aí vem você e me lembra: rá, já se foram 6 anos e você ainda não terminou seu livro.

E eu declaro: ele está mais perto do fim do que você imagina.

Egotrips à parte, depois disso tudo, acho que hoje é dia de apertar o botão WTF da vida. Né? 6 anos.

wtf-button

E fica aqui o convite para você navegar pelo arquivo do Palitos. É só scrollar até o fim e se deliciar. Vai que vai.

A caixa

Para pensar fora da caixa, você tem que conhecer a caixa muito bem.

Mirror-Box

Ouvi mais ou menos isso em um curso on-line que estou fazendo e achei muito coerente. O mundo artístico está cheio de gente que já quer chegar pensando fora da caixa, mas nunca nem viu a caixa, nunca foi lá ver o que tinha dentro, pra começo de conversa. Daí vêm tanto texto raso, ideias sem raiz, estilos gratuitos, tudo jeito de fingir que sabe tudinho daquilo que nunca viveu. Artista tem que viver de tudo, ter amigos descolados e colados, velhinhos e novinhos. Assumir que não sabe tudo. Questionar todo mundo – mas entender todo mundo. Pelo menos é o que eu acho. 🙂

E por que ando quietinha, vocês me perguntam.

Porque nesses últimos dias muitas coisas começaram. Peguei um freela gigantão (eba!), fiquei noiva (eba!!!!!!), peguei firme na dieta (uns belos quilos a menos, Deus abençoe o Keep Light) e comecei um blog novo (oi?), o Cozinhando a Internet (que também está meio abandonado, por conta disso tudo aí).

Mas volto, como sempre voltei, como voltei hoje. O freela está acabando, o noivado está só começando… 🙂

Fran feliz

Estou aqui para causar desconforto em vocês

Ontem tive uma aula batuta na pós. Os conceitos passados lá foram legais, a metodologia legal, mas o tanto de frases de efeito lançadas pelo professor me deixaram num bode do tamanho do mundo. É aquela coisa de dizer que não sabe todas as verdades do universo e responder perguntas óbvias com um NÃO SEI, seguido de uma pausa de efeito (mas agir como se fosse o guru do universo), ou de repetir a cada minuto que sua aula é a aula mais inovadora de todas as aulas inovadoras que já inovaram as novidades do novo mundo. “Vocês vão estranhar bastante. Vão se assustar. Mas é assim que eu trabalho.” Ui, diferentão. Tira a roupa e dança conga no lustre então pra ver se assim eu assusto.

Acho que não tenho mais idade pra aplaudir professor que diz que uma coisa obviamente obsoleta ESTÁ MORTA e olhar em volta afetado, aguardando o desespero geral da classe. Ou pra cair no conto do esqueçam tudo o que vocês sabiam até agora. Aliás, acho que nunca tive idade, né, Rebeca?

Pra quem não é leitor de longa data, Rebeca era minha querida personagem dos tempos da faculdade, que viveu na época do apóio com acento e nos tempos em que eu não tinha vergonha de não ser brilhante nas ideias ou no Photoshop.

apoio-a-democracia tempos-barbaros

PS: Rebeca volta nos Vingadores em Willifill.

Quanta coisa

 

Estou em crise. Em crise com exatamente isso que diz o poster e abro a internet e encontro esse poster e fico mais em crise ainda. É que essa semana está parecendo semana temática de novelinha da Globo, e o tema é: será que é errado focar em coisas demais? Sempre me achei excepcional por fazer mil coisas ao mesmo tempo, mas ultimamente ando tão exausta. Correndo atrás da bola, tentando alcançar. Sabe quando você sai correndo atrás de uma bola numa ladeira? É assim que me sinto em relação a muita coisa, criativa ou não, da vida.

O pior é que gosto de focar em mil coisas. Só tá difícil ver resultado. Queria saber o que vocês acham. Focar em uma coisa só melhora ou piora?

 

Salve a falta de modéstia

Falo muito do meu processo criativo por aqui, mas pouco falo do resultado final. Em parte porque não é o objetivo desse blog, em parte porque tenho verdadeiro pavor de uma atitude muito comum nesse meio, que é glorificar o projeto pronto dizendo o quanto deu trabalho e o quanto ficou bom AI EQUIPE LINDA OBRIGADA QUE ORGULHINHO VALEU O SUOR E AS NOITES EM CLARO!!! (quando na verdade quem fala esse tipo de coisa, salvo exceções, geralmente é quem mais dormiu e menos suou). Mas dessa vez, ao ver o REEL da agência em que trabalho há quase 5 anos (exceto por 6 meses em que saí um pouco pra desintoxicar) devo dizer que fiquei meio assim. Meio feliz por estar por trás de muitas das boas ideias e textos desse compilado de trabalhos bacanas. Assim, sem falsa modéstia, mesmo. Tenho maior orgulho de estar aqui escrevendo, reescrevendo, aprendendo, mudando opiniões e mudando de opiniões diariamente.

Salve salve

Sem fôlego – e curta nossa fanpage!

Dia desses, falaram que meu livro é de tirar o fôlego. Quer dizer, meu narrador é um maluco que não para de falar e divaga e mete parênteses e colchetes e chaves por tudo quanto é canto. Eu mesma, nas minhas revisões, acabo lendo tudo atropleado e fico perdida facilmente, se não fixar bem a leitura. Às vezes penso que se os beatniks fizeram, por que não eu e às vezes eu penso AH DEUS TENHO QUE COMEÇAR TUDO DE NOVO.

Às vezes bate vontade do nada de ler Ítalo Calvino.

E de sorvete também.

Ah, aliás. Ando navegando por muitos blogs ruins e vendo que eles ganham muito dinheiro. E, vendo que não é nesse mundo que quero criar meus filhos.

Por isso, decidi fazer propaganda no meu blog também. Portanto, se você for uma empresa que vende algum produto relacionado a processos criativos, tá fácil, tô aqui.

Droga. Devia ter virado blogueira de moda.

Sei lá, senhor analista de redes sociais, abstrai, se você vende café já serve. Café dá mais vontade de criar, por exemplo. Chocolate também. Uma viagem pra Paris, então, vixe, inspiraria um processo criativão.

Tá, eu ainda tenho uma alma. Mas criei uma fanpage, porque também sou humana. Caso você não tenha sido bombardeado pelo meu convite pessoal via Facebook, aqui vai o link: palitos de fósforo no Facebook.

Grata, que vem de graças que parece gracias e acabei de descobrir.

(dedico esse post ao meu pai, que disse que meus blogs não são mais engraçados como o eram antigamente. Beijo, papai, também te amo).

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Artistinha, graças a Deus.

Há mais ou menos 5 anos, eu estava prestes a me formar. Era uma daquelas fases de vida balançante que jogam a gente de um lado pra outro, e naquele instante eu estava sendo jogada para fora de um emprego bacana. E, de repente, toda a crise que tive para encontrar meu primeiro emprego de verdade voltou à minha mente. Porque esse tipo de crise é um tipo que não morre, não. Fica lá, latente. Ela só muda de formato, e vai somando problemas a cada nova fase da vida (ah, que saudades de quando eu não pagava meu aluguel!). Provavelmente, vai acontecer de novo.

E lá fui eu, batendo de porta em porta, encarando todo tipo de clichê de diretores de criação, eu e minha engraçada pasta na mão. Cheguei ao ponto de ser entrevistada por um deles que, em pleno milênio, curtia fazer a pose de Don Draper. A entrevista aconteceu enquanto ele bebia vinho e me dizia que a relação da agência dele com o cliente era tão legal que eles até se encontravam para tomar droga juntos. Achei tão moderno.

Outra entrevista marcou minha vida. Foi outro diretor de criação que curtia uma pose. Ele pegou meu portfólio, bem simples ainda na época, e me devolveu imediatamente.

– Não vejo projetos pessoais. – ele disse. – é coisa de artistinha, e artistinhas nunca viram bons publicitários.

Ouvi aquilo, me levantei e, pouco antes de sumir para o mundo, pensei, não falei: “palhaço.”

(e no fim, ele foi mesmo palhaço comigo, no hospital, anos depois, porque a vida é assim, cheia de piadinhas).

A verdade é que, graças a Deus, não dei ouvidos a esse conselho. E dias depois, encontrei uma agência que acreditou no potencial dessa pretensa artistinha, um diretor de criação que sabe canalizar arte até em e-mail marketing, na medida certa – e lá amarrei meu bode.

4 anos depois, o bode já estava todo reclamão e me chamou de canto: – escuta, sai daí um pouco. Vai passear, ver como está o mundo lá fora. O pior que pode acontecer é você se arrepender. E desamarrei o bode e passei os últimos 6 meses entendendo o universo da propaganda em outra agência. Bem reconhecida, bem antiga, bem tradiça. E me arrependi.

Só não me arrependi completamente porque esses quase 6 meses serviram de alguma coisa. Com eles, entendi, em resumo, o que está faltando na propaganda, hoje. São os artistinhas.

Entendi que a divisão entre propaganda offline e propaganda digital existe sim, e vi como o resultado disso é pior que número ruim de circo mambembe. Mas disso eu até já sabia. O maior aprendizado desse tempo foi mesmo ver que não, a culpa desse circo não é só dos velhinhos que não sabem mexer no computador. É muito fácil jogar a culpa neles, enquanto enfiamos nossos empinados narizes de geração Y em nossos copinhos de Yakult. Nananinanão. A culpa é muito nossa, muito minha, muito dessa geração que está chegando. Geração que anda vendendo propaganda com manual de instrução.

E enquanto o “redator offline”, por mais empoeirado que esteja, ainda lê seu título pro cliente com um brilhinho no olhar, um resquício de arte, mesmo que já com um pouco de esforço para fazer o mundo do trocadilho subsistir, a equipe modernosa de digital (ah, sim, dígital, com acento no primeiro i, pra ficar ainda mais sofisticado) começa a falar de parallax, paracax, QR code, shenanigans, bluetooth, com ponta da língua entre os dentes e tudo. E tira dos bolsos referências e mais referências, e fala de códigos e siglas e engajamentos. E tira de seu trabalho a magia. Paixão pelo que está apresentando? Cadê? Não sei. Talvez ela esteja escondida em algum rodapé entre o slide 45 e o 59.

Estou achando é que perigamos virar uma geração de antenados, no pior sentido da palavra. Porque se deixar, recebemos conteúdo e mais conteúdo, sem tempo de deixar que ele se misture em nossa cabeça e vire coisa nova. Estamos é virando um bando de esponja com antenas, devolvendo para o mundo job requentado, tecnologia sem sentido, coisa que é legal até a página 1. Vou te contar, hoje, a (má) propaganda anda sendo um tal de botar chantilly em falta de ideia.

Que dá saudades dos tempos do pão com manteiga. Aquele em que, em vez de se pensar primeiro na plataforma, ou na última tendência do FWA, não se pensava. Intuía-se.

E aí sim, depois que a ideia nasce, depois que ela sai da sala de reunião brilhando, com gente sorrindo e com aquele jeitão de que quer mudar o mundo, aí sim ela vai em busca da melhor tecnologia para existir bem. Porque aí sim até wireframe pode ser lido com paixão.

Ufa.

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