Vivian Maier: a fotógrafa babá que vai fazer você ver tudo diferente

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Estou tão apaixonada pelo trabalho dela que até dei uma ressuscitada no Palitos pra contar pra vocês!

Vivian Maier foi uma babá norte-americana que viveu em vários países entre Europa e América nas décadas de 50 e 60. Entre cuidar de uma criança e outra, Vivian saía por aí para fazer uma coisa hoje trivial: fotografar. Uma pessoa muito misteriosa e provavelmente meio maluca (não somos todos?), ela não mostrava suas fotos para ninguém e acumulou negativos e mais negativos no decorrer dos anos. Há alguns anos atrás, um hipster espertinho encontrou esse material e agora está fazendo um filme que me pareceu meio bobo e analítico demais. Pro meu gosto, claro. É que meu gosto é mesmo assim, doce.

Vivian não deixava ninguém entrar nos seus quartos ao longo da vida e era uma colecionadora compulsiva. Era fã de tirar autorretratos muito mais legais que aqueles selfies metidos a artísticos que você faz no Instagram e levava as crianças para passeios nos bairros mais pobres da cidade. Provavelmente, porque lá ela encontrava as fotos e expressões mais legais! E a história não é só curiosa porque Vivian era uma babá fotógrafa excêntrica de décadas atrás. É curiosa porque a mulher era incrivelmente talentosa. Dá uma olhada nessas fotos que selecionei aqui. Reparem na qualidade e nas expressões nos retratos, minha nossa! E depois corram lá para o site ver mais.

Faz a gente pensar o quanto de gente que tem ao nosso redor com talentos maravilhosos que ignoramos porque “uma pessoa assim nunca seria uma artista”.

É isso! Agora, de volta ao trabalho e à entrega dos convites do casamento!

Faltam 37 dias 🙂

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Ok Go e o que pode sair de bom na parceria conteúdo + propaganda

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Não escondo de ninguém que Ok Go é uma das minhas bandas favoritas (não escondo nível já-dancei-1-million-ways-no-palco-em-um-dos-shows-deles). Pois é. O mais divertido é que isso não é porque as músicas deles sejam boas. Não acho que os caras sejam gênios da música. Pra falar a verdade, nem gosto de ouvir as músicas deles. Mas eles figuram no topo das minhas bandas gênias porque o vocalista é maravilhoso meu Deus os caras são muito criativos e têm um pensamento muito moderno. Um show deles tem muito mais força que show de banda com música boa por aí, por conta de ideias legais como tocar uma música inteira só com sinos ou a interação simpaticíssima deles com o público, com coisas pequenas e atuais como tirar foto do público e depois publicar em sua fanpage, para que as pessoas se marquem ali.

Isso tudo porque ainda não falei dos clipes deles, que sempre elevam os padrões sobre o que pode ser feito, criativamente falando. Se não viu, corra lá no YouTube e se prepare.

Aí que encontrei esse curto depoimento que o vocalista supracitado deu para a Creativity Online. Ele fala muito da colaboração de marcas e artistas, que acredito que seja o futuro da propaganda honesta e divertida. Algo que é tão simples, mas é tão difícil de entrar nesse mundinho de egos e MBAs em excesso. Entre outras coisas, esse depoimento também fala da diferença no resultado final quando a criação continua acontecendo durante o projeto,  e não para no começo, virando um manual de instrução engessado, que muitas vezes inviabiliza o projeto inteiro. Ando reparando muito nisso no trabalho e preciso escrever um post sobre isso em breve! Enquanto isso, fique com minha tradução ou leia o original, em inglês e com vídeos, aqui.

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“Minha banda trabalha com marcas como uma alternativa financeira aos selos de gravadoras há já 3 anos. E fico feliz em anunciar que, até agora, todas as marcas com quem trabalhamos foram mais abertas ao diálogo, mais transparentes e mais parceiras que a galera com quem lidávamos nos tempos das gravadoras. Mas poucas das marcas realmente exploraram nossa criatividade, e quando isso aconteceu foi sempre pelas mesmas razões:

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Primeiro, elas só quiseram alcançar objetivos que fizessem sentido para as duas marcas. A marca deles pode ser gigante, e é quem assina os cheques, e a nossa são só 4 caras com instrumentos e algumas boas ideias, mas se a gente parece boboca quando colabora com eles – eles parecem mais bobocas ainda. Por sorte, o crossover de objetivos é grande: ambos queremos algo que atinja o maior número de pessoas e que faça sentido para elas. Se fizermos algo sensacional, juntos, o público vai amar mais os dois, e isso tem muito valor. As marcas erram, no entanto, quando pensam que todo pedaço de comunicação tem que gritar todas as mensagens da marca. Dificilmente um vídeo de rock é o lugar certo para mostrar os benefícios dos produtos deles, e é mais improvável ainda que algo maravilhoso, inovador e palpável apareça se tentarmos enfiar um peixe fora d’água nesse contexto.

Segundo… os melhores projetos surgiram quando a marca nos deu um briefing ou um desafio, e não quando uma agência nos enviou  um projeto pronto no qual nosso único papel era aparecer e cumprir o que estava escrito. Ano passado (2011), o Google Japão nos perguntou o que conseguiríamos fazer com as novas possibilidades do HTML5, e a Chevrolet nos perguntou o que conseguiríamos fazer com um carro. Nos dois casos, respondemos com projetos que nunca nasceriam se tivéssemos pensado sozinhos – foram respostas a uma série de parâmetros propostos pela marca, nossa colaboradora.

[E por fim], é necessário correr riscos. Nos nossos projetos, o risco vem na forma de ineficiência. Muita gente do mundo do conteúdo faz toda a criação com antecedência; eles planejam e desenham tudo cuidadosamente, e depois executam o que planejaram com a maior eficiência e precisão possíveis. Essa é a melhor maneira de tirar o máximo de seus recursos, mas esse formato fica limitado ao que foi criado antes. Nós investimos muito no meio do processo: assim que surge a ideia básica, já nos organizamos e começamos a testar para ver quais novas ideias aparecem. Isso significa que podemos usar a locação pelo triplo do tempo que ela seria usada se a ideia estivesse fechada inicialmente, mas também significa que (nesse meio-tempo) podemos surgir com ideias que ninguém mais teve. Esse tipo de ineficiência é o risco que vem com nosso processo criativo, mas é apenas uma das milhares de regras que as marcas têm que quebrar se quiserem realmente elevar o nível da criatividade.”

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Uma pequena ideia pode ser aquela que muda o mundo

Pode ser ou, de fato, é. No meu modo de ver, pelo menos.

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Gosto dessa campanha da IBM porque:

– Ela trabalha com pequenas ideias em busca de um mundo mais bem sacado.

– Ela busca novas ideias na melhor fonte de novas ideias do planeta: crianças.*

– Como pedestre incurável, sinto falta de coisas mais inteligentes e menos violentas para melhorar as relações no trânsito.

Assista ao vídeo:

 

Boa semana pra nós!

 

 

*ao menos aquelas que ainda não têm vergonha de suas próprias ideias.

 

Há lugares no mundo onde as pessoas não sonham com unicórnios a jato

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Parece letra do Raul ou da Tropicália, ou mesmo nome de livro do Oliver Sacks, mas essa é a primeira frase de um dos meus livros favoritos. Favorito por causa do texto, do tema, da ilustração, ou pelo fato de ficar disponível na internet, de graça. E pela história por trás da história, que vi neste vídeo com o depoimento do autor e pai Dallas Clayton. Um aquecimento (de coração) para o dia dos pais.

Veja o vídeo:

Mas, acima de tudo, leia o livro, que se você der sorte (ou azar, porque em inglês fica mais bonitinho) vai abrir magicamente em português na sua máquina (português de Portugal, com alguns trechos em espanhol, mas dá pra pegar o espírito). É só clicar na imagem abaixo:

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E clicando aqui você encontra uma entrevista (em inglês) com o moço. Separei alguns dos melhores trechos em português aqui:

“Honestamente, não tenho nada contra televisão, (…) acho que só não sou a audiência certa pra ela. Gosto mais de criar que de consumir. Gosto mais de participar que ser espectador.

Acho que consumir tem muita importância em uma fase da vida. Você consome o máximo possível quando é mais novo: ideias, histórias, fatos, lições, habilidades – até que acaba chegando em um momento da vida em que ter consumido tudo isso permite que você participe da conversa, devolva, faça a sua contribuição e, quem sabe, faça com que as coisas evoluam.”

E esse trecho aqui? Não concordo completamente, mas que tem um ótimo ponto que nunca tinha pensado antes, tem:

“Se você pode [contar o que quer] em 3 palavras, em vez de 300 ou 3.000, apoio totalmente. Sobra mais tempo pra explorar o mundo e compartilhar ideias. Mais tempo para aprender a surfar e comer frutas das árvores.”

E um pouco sobre o que já falamos aqui anteriormente:

“(O que me anima e me move é) ter uma ideia que você considera importante, e aí sim escolher o público e a mídia em que essa ideia será transmitida. É isso o que faço, não o contrário, tipo ‘você deve escrever um livro para XYZ dados demográficos’. Só assim, quando o público muda ou a mídia se torna obsoleta e é substituída por outra que você nem imaginava possível, você continua com uma boa ideia como o centro do seu trabalho, e é ela que vai sempre sobreviver ao tempo”.

Milton Glaser, de novo

Adoro visuais como o desse vídeo, que mostram desenhos sendo feitos na hora. É o processo criativo na veia, sem enrolação. Sempre quis gravar isso em texto. Acho que algum dia vou fazer o teste. Deve ficar bacana! Aqui vai um vídeo do autor do icônico I CORAÇÃO NY e suas opiniões sobre a arte e o ato de desenhar. Em inglês, sorry. : )

 

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Sonhos não vão pra frente a não ser que você vá

 

 

 

Essa acima é a tradução maomenos dessa frase que é meu novo fundo de tela no trabalho. Tanta coisa aconteceu acontecendo e coração pulando, e tá tudo bem. Até mais!

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The Paris Review – Hemingway

Em breve espero comprar a coleção da Paris Review, mas enquanto $não rola$ (preciso contar como mudei minha relação com dinheiro depois de aguns desesperos e de fazer um job para o Itaú [que você pode ver aqui]), comecei a ler pela internet, mesmo. Vou lendo e tentando compartilhar com você os highlights de algumas entrevistas. E vou colocar em português, porque sou legal.

Aqui vão alguns trechos de uma entrevista com Hemingway, que dispensa apresentações – mais um clássico de quem não li tudo o que deveria.

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“Quando estou trabalhando em um livro ou história, escrevo toda manhã, o mais cedo possível, assim que a primeira luz do dia aparece. Essa hora não tem ninguém pra incomodar você, o tempo está fresquinho e você vai se aquecendo conforme escreve. Então é só você ler o que escreveu, e sempre parar já sabendo como vai continuar. (Assim, se no dia seguinte rolar um bloqueio criativo), você pode continuar. Basta começar, e tudo fica bem. A fluidez vem.”

“Desde que não tenha alguém por perto para te perturbar ou interromper, você pode escrever a qualquer momento. Ou, sei lá, se você estiver muito firme em seu propósito, pode escrever mesmo sendo interrompido. Mas a melhor escrita de todas é aquela que sai quando você está apaixonado.”

“Digamos que (o melhor treinamento para quem quer ser escritor) seria, primeiro, sair e se enforcar por achar que escrever bem é uma tarefa difícil e impossível. Então, ele deveria ser retalhado sem piedade e forçado por ele mesmo a escrever o melhor que pudesse pelo resto de sua vida. Bom, pelo menos ele teria a história do enforcamento pra começar…”

“Tentar escrever algo de valor é um trabalho cujo expediente dura 24 horas por dia – mesmo que você só escreva algumas horinhas por dia. Um escritor pode ser comparado a um poço. Existem tantos tipos de poços quanto existem escritores. O importante é ter uma boa água dentro desse poço. E é melhor tirar um pouquinho de água por dia do que secar o poço todo de uma vez só e ficar esperando ele se reabastecer.”

“Quanto melhor o escritor, menos ele vai querer falar do que escreveu. Joyce era um grande escritor e só explicava o que estava escrevendo para idiotas.”

“Acredito que existam simbolismos (nos meus livros), já que os críticos não param de encontrá-los. (…) não gosto de falar sobre isso. Já é duro o suficiente ter que escrever livros e histórias, imagina ter que explicar tudo. (…) Leia as coisas que eu escrevo pelo prazer de ler. Qualquer outra coisa que você encontrar ali será algo seu, que você mesmo trouxe para adicionar à leitura”. “Pode ter certeza que sempre há muito mais na leitura do que ela entrega logo de cara, e não é dever do escritor explicar ou oferecer visitas guiadas pelas partes difíceis de seu trabalho.”

“Se um escritor para de observar, é seu fim. Mas não precisa observar tudo conscientemente e ficar imaginando como isso ou aquilo será útil – exceto, talvez no começo. Com o tempo tudo o que ele vir vai parar no grande reservatório de coisas-que-ele-sabe-ou-viu. (…) Sempre tento escrever com o ‘princípio do iceberg’: para cada topo que aparece pra fora da água, existe um tantão de iceberg escondido. Tudo o que existir mas você puder não mostrar na sua história é o que vai deixar o iceberg-história mais sólido.”

“Todo mundo tem sua própria consciência, e não deveriam haver regras sobre como cada um usa sua consciência. Mas uma coisa que você pode ter certeza a respeito de escritores panfletários é que se seu trabalho sobreviver a seu tempo, pra conseguir ler o que ele escreveu, você vai ter que pular toda a parte da política.”

Veja na íntegra aqui.

The Paris Review – E.B.White

Em breve espero comprar a coleção da Paris Review, mas enquanto $não rola$ (preciso contar como mudei minha relação com dinheiro depois de aguns desesperos e de fazer um job para o Itaú [que você pode ver aqui]), comecei a ler pela internet, mesmo. Vou lendo e tentando compartilhar com você os highlights de algumas entrevistas. E vou colocar em português, porque sou legal.

Aqui vão alguns trechos de uma entrevista com E.B. White, autor de clássicos como A Menina e o Porquinho e O Pequeno Stuart Little. : )

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“Eu admiro qualquer um que tenha a coragem de escrever – qualquer coisa que seja. (Mas) quando eu deveria estar lendo, sempre estou fazendo outra coisa. Fico até um pouco sem graça de nunca ter lido Joyce ou uma dúzia de outros escritores que mudaram a história da Literatura”.

“Um escritor que espera pelas condições ideais pra começar a escrever vai morrer sem nunca ter colocado uma palavra no papel”.

“Eu reviso bastante meu trabalho. E sei quando alguma coisa está boa porque sinos começam a tocar e luzes a brilhar.”

“Quem desce o tom da escrita pra escrever pra crianças está simplesmente perdendo tempo. Você deve subir o tom, não descer. Crianças são carentes. Elas são os leitores mais atentos, curiosos, observadores, esforçados, sensíveis e rápidos da Terra. E aceitam, sem questionar, qualquer coisa que você apresenta para elas – desde que essa coisa seja apresentada com honestidade, sem medo e com clareza.”

“Um escritor deve se preocupar com coisas que chamam atenção pela sua beleza, que tocam seu coração e destravam sua máquina de escrever. Não me sinto obrigado a escrever sobre política. Sinto-me, sim, responsável perante a sociedade sobre o que coloco no papel: um escritor tem o dever de ser bom, não ruim; verdadeiro, não falso; vivo, não apático; correto, não todo errado. Ele deveria colocar as pessoas pra cima, não pra baixo. Escritores não apenas interpretam e refletem a vida, mas informam e modelam a vida.”

“Ciência e tecnologia talvez tenham aumentado a responsabilidade do escritor, não mudado com ela. (…) ‘Como um escritor, sempre me senti encarregado da segurança de todo tipo de maneira de se encantar perante a vida, como se eu fosse pessoalmente responsável caso uma dessas maneiras, uma pequena que seja, fosse perdida’.”

“Um escritor deve refletir e interpretar sua sociedade, seu mundo; ele também deve provê-la de inspiração e guia e desafio. Muito do que é escrito hoje me parece depreciativo, destrutivo e cheio de ira. Existem boas razões para ira, e não tenho nada contra, mas acho que alguns autores perderam um pouco o senso de proporção, seu senso de humor e seu senso de apreciação. Estou constantemente zangado, mas detestaria ser apenas um zangado: e imagino que perderia meu valor como escritor se recusasse, como princípio, a aceitar o calor dos raios do sol, e a falar sobre eles, sempre, e quando, tocam em mim.”

Veja na íntegra aqui.

The Paris Review – Jorge Luis Borges

Então comecei uma busca pessoal pra fazer uma coisa que adoro fazer: ler entrevistas. : )

Em breve espero comprar a coleção da Paris Review, mas enquanto $não rola$ (preciso contar como mudei minha relação com dinheiro depois de aguns desesperos e de fazer um job para o Itaú [que você pode ver aqui]), comecei a ler pela internet, mesmo. Vou lendo e tentando compartilhar com você os highlights de algumas entrevistas. E vou colocar em português, porque sou legal.

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Aqui vão alguns trechos de uma entrevista com Jorge Luis Borges, autor de quem espero muita coisa mas ainda li pouco.

“(quando publiquei meu primeiro livro) eu queria encontrar cada uma das pessoas que o compraram para pedir desculpas pelo livro e também agradecer por terem comprado.”

”Acho que melhor que chocar as pessoas é encontrar conexões entre coisas que nunca foram conectadas antes”.

“Considero Mark Twain um dos escritores mais geniais, mas acho que ele mesmo não sabia muito bem disso. E talvez para escrever um livro realmente bom, o ideal é que você não saiba disso, mesmo. Você pode sofrer escrevendo e trocar adjetivo por adjetivo, mas vai escrever melhor se deixar os erros. Lembro do que Bernard Shaw disse sobre ‘estilo’: um escritor tem tanto estilo quanto estiver convicto dele – e nada mais. (…) Se um escritor não acredita no que ele escreve,  não deve esperar que seus leitores acreditem. (…) Existe a tendência de tratar qualquer tipo de escrita (…) como um concurso de estilo. (…) Aprende-se a escrever como quem joga xadrez (…) e a maioria (dos escritores de hoje) – menos uns quatro ou cinco, talvez – pensam que a vida não guarda nada de poético ou misterioso. (…) Eles sabem que têm que escrever, e então, bem, (vestem o chapéu de escritor e) mudam para seu tom triste ou irônico de sempre.”

“(Um escritor não deve ser julgado pelas suas ideias, mas) pelo prazer que ele dá e pelas emoções que ele causa.”

“Conrad diz que quando alguém escreve, mesmo de modo realista, sobre o mundo, está escrevendo uma história fantástica – porque o mundo em si é fantástico e grandioso e misterioso, e acho que ele estava certo.”

“Acho que um poeta tem 5 ou 6 poemas para escrever e não mais que isso. (Depois), ele fica tentando reescrevê-los sob diferentes ângulos e talvez diferentes temas, eras ou personagens – mas os poemas são essencialmente os mesmos”.

Sobre um problema com o qual me identifico um pouco:

“Quando um escritor é jovem, sempre acha que o que vai escrever é bobo ou lugar comum, então tenta esconder isso embaixo de ornamentos barrocos, palavras do século 17; ou, se não, se tenta ser moderno, faz o contrário: inventa palavras o tempo todo (…). Então, conforme o tempo passa, ele sente que suas ideias, boas ou ruins, devem ser expressas sem firula, porque se você tem uma coisa na cabeça tem que colocar essa ideia (ou esse sentimento, ou sensação) de um jeito direto na cabeça do leitor.”

“Parece que a primeira coisa que um autor jovem quer fazer é mostrar aos leitores que ele possui um dicionário e que conhece todos os sinônimos do mundo”.

Sobre Shakespeare:

“Mas ele vai lá, com suas metáforas e sua pompa, porque ele é pomposo. Até na famosa frase das últimas palavras de Hamlet, ‘E o resto é silêncio’. É meio boba essa frase; não é impressionante. Não acredito que alguém diria algo assim”.

E um trecho sobre colaboração criativa, que se aplica muito ao processo criativo da publicidade, com as duplas de criação, e tem muito a ver com o que eu penso e já experimentei:

“Às vezes, o co-criador é quase um rival seu. Ou, pelo contrário, ele é tímido e cortês, e se diz alguma coisa que você discorda, ele logo se intimida e retira o que disse. (…) Ou você propõe algo e ele diz ‘Maravilhoso!!!’. Isso não pode acontecer. (…) Não existe perder ou ganhar. Existe uma história a ser contada, juntos.”

Leia o original completo aqui.