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Deus terminou de fazer o mundo?

Criança consegue fazer filosofia comendo danone com queijinho e foi isso o que minha filha de seis anos fez ontem, me jogando essa pergunta.

Engasgada com minha adultice, eu dei uma dessas duas respostas e fiquei pensando nisso até agora.

Uma resposta é sim, terminou, e agora é com a gente e o epílogo é nosso e é bom que seja bom.

Outra resposta é não, ele continua todos os dias e a gente vive nesse enquanto.

Fico aqui preparando uma história pra quando ela me perguntar o que Deus fez no sétimo dia.

Mamãe, como é que Deus descansa?

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Meu livro anti-razão foi preso pela minha cabeça

Quem me acompanha desde 2007 (hahahahahahahahahahhahahahahahah) sabe que passei quase 20 anos escrevendo O livro. Não um livro. O livro que ia me catapultar ao ofício de escritora, O livro que ia.

Não foi.

Devem ter percebido que faz pouco mais de 1 ano que não falo mais sobre ele. Que deletei posts sobre ele. Que ele desapareceu da internet. Joguei fora as roupas, queimei as lembranças, Willifill foi pelos ares.

Porque.

Porque contratei uma (excelente, por sinal) consultora literária que falou muitas verdades. Verdade seja dita, paguei muitos mil dinheiros para ver meu livro anti-razão ser escrutinado de cabo a rabo, de forma racional.

É por isso, meus amigos, que sumimos.

E peguei 2023 para saber tudo sobre a razão. Li, cruz credo Deus me livre, sobre literatura.

Estudei técnicas, decorei estruturas, aprendi a escrever (segundo dizem). Na verdade, sigo estudando.

Porque se tem uma coisa que eu sou, é teimosa. E um pouco vingativa, até.

É que se o livro que criticava pensar com a cabeça foi morto pela cabeça, agora é por ele que vou voltar.

E provar pra todo mundo (pra mim) que dá pra fazer os dois.

Técnica, arte, quem sabe até talento.

E dom.

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Em 2023 eu não fiz a coisa mas fiz as coisas que me vão ajudar a fazer a coisa

Preparing to do the thing isn’t doing the thing.

Scheduling time to do the thing isn’t doing the thing.

Making a to-do list for the thing isn’t doing the thing.

Telling people you’re going to do the thing isn’t doing the thing.

Messaging friends who may or may not be doing the thing isn’t doing the thing.

Writing a banger tweet about how you’re going to do the thing isn’t doing the thing.

Hating on yourself for not doing the thing isn’t doing the thing. Hating on other people who have done the thing isn’t doing the thing. Hating on the obstacles in the way of doing the thing isn’t doing the thing.

Fantasizing about all of the adoration you’ll receive once you do the thing isn’t doing the thing.

Reading about how to do the thing isn’t doing the thing. Reading about how other people did the thing isn’t doing the thing. Reading this essay isn’t doing the thing.

The only thing that is doing the thing is doing the thing.

Trombei nesse texto dessa pessoa e ele caiu como uma luva, um gorro, um cachecol e um abraço pra esse começo de 2024. Foi um abraço estranho, porque na verdade eu discordo de partes dele. Porque eu passei os últimos tempos não fazendo nada, mas fazendo tudo o que vai me permitir fazer tudo. Então vai com calma, senhora fazedora de coisas, que um ano sabático na criação (enquanto ainda, sim, se cria uma criança) não é nada numa vida com tantos anos. Mas que é preciso fazer, é preciso fazer, né.

Oi, 2024, nem eu acredito que escrevi aqui hoje.

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E depois?

Jean Solé

E depois que você terminar o livro que te preencheu por 20 anos? E depois que ele sair de você, como uma versão daquela você criança, tímida, forçando acenos pra tentar amizades? E depois que ele sair da sua lista de pendências e da sua lista de sonhos por realizar?

E depois?

E depois você se pega tendo que colocar sua playlist Musicals are better than Prozac no último volume para escrever um desabafo (que você jura que é um pedaço de literatura, não desabafo).

Um pedaço de literatura que é mais ou menos assim:

E depois que a história que acabava com você não acaba mais em você, aquela coisa que você sempre sonhou – “agora sou livro, agora sou livre!” – não acontece.

E esse não é um ensaio a respeito de ilusões editoriais. E-mail de rejeição não é nada. Quando nomes desconhecidos enviam um “não nos interessamos, não se adequa, não é bom, não, não, não” aquilo evapora e voa.

A dor do depois dói mesmo com a ausência de e-mails de nomes conhecidos. A dor do depois dói mesmo quando a história, a sua história de fantasia, a sua fantástica história, a sua sementinha com você todo dentro, não brota.

Quando a história nunca se desenvolve porque fica parada na rotina e nas críticas de sua irmã mais velha, aquela que lia livros de fantasia junto com você, vibrando a cada novo capítulo. E de repente você descobre que sua irmã mais velha talvez fosse a única audiência que você tinha em mente a vida toda enquanto escrevia o livro.

Ou quando a história nem começa, perdida na pilha de livros da amiga especialista em literatura fantástica. Ou vai ver ela leu, não gostou e a polidez foi maior que a coragem?

Ou quando a história nunca chega ao fim (será que chegou pelo menos ao meio? será que chegou a algum lugar?).

Aí a história começa a se encolher, menos divulgada, menos acreditada por você, dona da história, mãe da história, talvez até a própria história.

Aí começa: se calhar, toda essa crítica ao início do livro (é verdade, aquele longo e arrastado início do livro) está certa. Se calhar, melhor seria reescrever todo o início, logo de uma vez. Se calhar, melhor eu recomeçar a minha história de 20 anos. Nessa toada, lá pelos seus 60 anos você começa sua História.

E a história fica encolhida porque é tonta ou porque apesar de ser uma adulta crescida, ela ainda é frágil (e fragilidade tem idade?). Porque sofre de uma timidez que suas primas menos literárias e mais comerciais, aquelas que vão parar no horário nobre da Globo não sofrem.

Ou… por que ela ouve mais o silêncio do que queria ouvir do que o som, o som lindo e novo do que nasceu?

Porque tem o outro lado dessa história.

Tem a história que desemboca na vida de amigos que estudaram com você no colegial (Ensino Médio? Liceu? Não sei mais), que voltam ainda mais legais do que nos tempos do colegial para ajudar com feedbacks maravilhosos. Tem a história que desemboca na prima de segundo grau com quem você nunca teve muito contato, mas mistério dos mistérios, te seguia desde sempre. E que enquanto você choramingava a falta de leitores, escreveu e publicou um livro infantil muito querido.

E essa história de ouvido seletivo fica lá, querendo se enterrar em você novamente.

Sendo que tem tanta história pra viver.

Aí você percebe que está vivendo a síndrome do E depois?

Depois que você chega lá, e depois?

E depois?

E depois talvez eu vá reescrever o início, na mesma porque sou insegura mesmo e daí e tem coisa pra aparar ali.

E depois?

E depois eu vou continuar a minha história.

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casa

21 dias longe de casa, visitando a casa dos pais e o país que chamei de casa por uns 30 anos. Essa coisa de se sentir em casa mas não se sentir em casa mas se sentir em casa e não se sentir em casa e sentir-se casa é especial. É uma coisa meio episódio de Twilight Zone, meio além da imaginação.

Aí cheguei assobiando umas tantas canções de Simon & Garfunkel e com vontade de escrever sobre casa. Sobre casa ser o cheiro que eu escolhi e que ela escolheu junto ao meu guarda roupa, aquela mistura do meu amaciante, do meu sabão de roupa, do meu shampoo, meu sabonete, meu perfume, meus produtos de limpeza, meus, meu, eu. Casa é também minha maquiagem completa, meu guarda roupa completo, sem precisar fazer as contas de quantos vou lavar. Casa é minha geladeira, organizada do meu jeito, sem potinhos misteriosos, com os temperos que eu acredito. Casa é minha hortinha que me esperou na minha vizinha. Casa é meu colchão que pula demais e todas as suas falhas, é aquela gaveta que sempre emperra, aquela fechadura que só a gente sabe abrir e fechar, aquele trinco que tem o tranco certo. Casa são os barulhos da clínica pediátrica aqui na frente, dos passos dos vizinhos, dos horários que já conheço. Casa é minha padaria, minha manicure, minha barraca de feira, as regras que eu conheço no espaço que Deus me deu e que eu ajudei a escolher.

E na viagem eu ganhei uma carteira nova. Que carteira também tem um tanto de casa, né? Os papéizinhos que se guarda (apesar de eu não guardá-los tantos), os louros (eu também não os tenho)… tá, as coisinhas em geral. Na verdade, o que tenho além do básico, na carteira, é uma figurinha, um cromo do Walt Disney com a Sininho. Eu, protestante sem muita reverência a santos (são tantos!), apelidei o meu Walt Disney de “meu santinho”. Coloquei esse santinho na minha carteira uma vez. E ele foi mudando, de carteira em carteira. Nessa última mudança de carteira parei pra olhar pra ele. E percebi o quanto ele está velhinho. Se minhas contas batem, eu carrego esse Disney na minha carteira desde 2003, ano em que eu colecionei o álbum O Mundo Mágico Disney. Era a figurinha número 1. Eu amo álbuns de figurinhas e amo figurinhas número 1. E achei graça. Imagina você, eu carregar o meu santinho irônico há quase 20 anos!

A verdade é que tem nada de irônico nisso, não. Senhor Walt Disney segue me inspirando e essa figurinha ali, ao lado dos meus trocados, sempre me lembra que sonho vale muito.

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De vez em quando a vida

Joga o que a gente tem que fazer na nossa cara, porque a vida é a Vida e é assim. Tem uma série de coisas acontecendo pra me lembrar que meu lugar é aqui. Aqui. Nesse blog. Nesse idoso, maravilhoso, gostoso blog que eu iniciei quando tinha uns 15 anos a menos do que tenho hoje, com sonho de ser uma escritora e uma publicitária e uma influenciadora criativa (muito antes do termo influenciador existir… muito antes ainda do termo influenciador virar INFLU).

O sonho já aconteceu faz tempo e como todo sonho ele veio completamente diferente e melhor do que eu pensava.

E aí a vida tá todo dia sussurrando nos meus ouvidos. Que não importa se a internet já não é mais internet, mas um ser que há anos ganhou vida própria e nos devora através de nossas próprias mãos, noite e dia. Que não importa se eu desisti de acompanhar rede social porque não tenho tempo, paciência ou vontade.

Mas meu lugar é aqui escrevendo, sem me preocupar se é vendável se é premiável se é.

Coisas que a vida me vem jogando assim, como se eu nem percebesse:

1. A última rede social que me fazia parar pra postar, o instagram, mudou de cara e morreu pra mim.

2. Uma grande amiga dos tempos áureos do Palitos de Fósforo (que aliás faz aniversário hoje, amiga!) passou por poucas e boas na vida, lançou um livro e me convenceu que esse negócio de ficar esperando a editora certa te descobrir e jogar dinheiro em você é coisa de bocó e que o negócio é escrever ENTÃO ESCREVA.

3. Alguém me passou o contato de uma pessoa que também está morando em Portugal e numa conversa descobri que ele foi o orador da turma de publicidade na faculdade 1 ano depois de mim, e de como meu discurso de formatura marcou ele e a história dos discursos de formatura na Cásper (não foi EXATAMENTE isso que ele disse, mas vocês entendem…).

4. Calhou de eu trabalhar com um novo diretor de criação que era o diretor de criação de um grande amigo também da época áurea do Palitos de Fósforo, e falando sobre esse amigo em comum eu comecei a lembrar daquela Francine que queria criar, falar sobre criar e evangelizar a criação pelo mundo.

4.1 E não que aquela Francine não exista mais, mas vai ver ela estava era muito ocupada mudando (de ideias, de rotinas, de país, ou mesmo mudando fraldas)

5. Já faz mais de ano que eu voltei pro mundo das agências, mas voltei num ritmo que eu amo: no meu. Fazendo projetos pontuais pra agências diferentes, produtos diferentes e gente diferente, sempre. Coisa que me lembrou que se a possibilidade de criar e ser feliz criando (e ganhar dinheiro sendo feliz criando) existir, não importa se essa possibilidade está mascarada de design, de literatura ou de publicidade: é ela que importa.

6. E nesses últimos tempos tenho sentido falta de voltar a absorver conteúdo criativo. Passei os últimos anos comendo conteúdo sobre livros, sobre casamentos, sobre ser mãe. E tinha deletado, talvez num rompante de quem acha que vai romper pra sempre, minha lista de blogs de criação. Hoje, voltei a elas. E me vi aqui de novo.

7. Ah, sim, tem também a terapia, que tá me lembrando constantemente que se eu não escrever por prazer alguma coisa vai ceder e não vai ser bonito.

Então tá bom, vida. Eu vi, vida. Eu escutei, vida. Vem ni mim que eu vou em ti.

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Onde estava Willifill em fevereiro de 2008: na página 35

Escrevi um livro por quase 20 anos. Em 2008, ano em que me formei na faculdade, ele estava na página 35 e eu tinha preguiça só de pensar no tanto que faltava. Da página 35 às quase 500 páginas foi preciso muita teimosia, muita coragem… e muita vida vivida. 🙂 

Escrito a 18 de fevereiro de 2008, quando idéia ainda era ideia e a ideia de um final de semana produtivo significava conectar o scanner e escrever duas páginas de um livro:

liguei meu scanner e escrevi duas enormes páginas de Word do meu livro.

Cheia de idéias para discutir aqui também!

Quanto ao meu livro… ele está na página 35 (120 em formato de livro). E está tão no começo, mas tão no começo, que só de pensar tudo o que ainda vem pela frente, dá até preguiça. Avante, coragem, marchemos.

E fui avante, e tive coragem e marchei. Marchei por tudo que veio pela frente. Marchei mais 12 anos, mais 500 páginas (sei lá quantas em formato de livro). Marchei por formatura, empregos, perdas, ganhos, namorado, noivo, marido, filha, mudança de país, pandemia. Em abril de 2020 terminei. E agora é ver qual vai ser a marcha dele!

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Onde estava Willifill em novembro de 2007: estava em busca do disquete perdido

Escrevi um livro por quase 20 anos. Em 2007, ele estava dentro de um disquete… que foi perdido.

Abaixo, um post escrito a 14 de novembro de 2007, tempo em que disquetes já eram muito defasados… mas gravadores de CDs eram o grito da moda:

Então disquetes ainda eram meio difundidos, estávamos em 2005. Primeiro ano da faculdade, sem casa fixa, portanto sem gravador de CDs, e com muitos trabalhos pra fazer.

E naqueles tempos sem pen-drive, não sei qual das vozes na minha cabeça me aconselhou a que eu sempre andasse por aí, não com bloquinhos, mas com um disquete com o livro inteiro dentro da mochila.

Encantada pela modernidade da coisa, fiz isso. Não sei, não pergunte porquê eu simplesmente não o armazenei em um dos meus e-mails, porque muitas coisas na vida não podem ser explicadas.

A menina aqui simplesmente andava por aí com um disquete que continha alguns anos de trabalho, e um selo laranja onde estava escrito o nome do livro e a data de início.

O resto da história você deve ter sacado. Nada que Murphy não faça sem a ajuda de uma urgência, acompanhada de um esquecimento.

Já que computadores de laboratórios da faculdade ainda não contam com um alarme “EI, VOCÊ ESTÁ ESQUECENDO SEU CD, SUA LHAMA!”, sempre há o bom e velho “achados e perdidos” no canto, cheio de trabalhos perdidos para todo o sempre. Até hoje eu ainda passo lá, só pra aliviar minha consciência.

A verdade é que nunca mais o encontrei. Coloquei até anúncio no mural da faculdade, mas nada.

Fico pensando em quem foi que o encontrou. Se chegou a ler, se chegou a entender a importância daquilo. E podia dizer pelo menos se gostou, o maldito. Me encaminhar uma resenha anônima, qualquer coisa que fosse.

Sei que hoje, em algum lugar do Paquistão ou Coréia Comunista, as 15 primeiras páginas de uma versão antiga do meu livro devem constar no topo dos mais vendidos…

Em abril de 2020 o livro ficou pronto.

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Como estava Willifill em 27 de outubro de 2007

Foram 19 anos escrevendo um livro – uns 12 deles registrados nesse blog aqui. Pois é, porque meu blog, outrora chamado Palitos de Fósforo (era toda uma metáfora aos momentos da vida em que a lâmpada da ideia não quer acender e a gente tem que sacar um fósforo), foi meu diário de bordo nesses tempos.

Pouco a pouco, vou republicando os posts em que falo sobre ele. Para inspirar jovens e velhos escritores que estão entalados numa história como eu estive. 

um post de 2007:

6 [quase 7] anos… e ainda tô jovem!

27 de outubro de 2007

eis aí então uma das maiores motivações para a existência desse blog: um livro em processo de criação… desde 19 de fevereiro de 2001. Ou seja, contabilizando hoje mais ou menos quase 7 anos de vida. Menos de vida que de existência, pra ser infelizmente sincera.

nessa data de origem e de criação eu tinha 13 anos. Não lembro bem quando, mas me parece que foi em uma viagem de carro depois de uma noite de sono inspiradora que a idéia pro meu livro (que na real é uma trilogia) surgiu. Surgiu assim, quase que na íntegra.

Agora imagine você quantas vezes essa história foi mudada, remodelada e maquiada na minha cabeça.

Tenho cerca de 15 começos pra história guardados em papel. Todos iguais. Só que escritos de maneira diferente, em anos diferentes. Só pra se ter uma idéia.

Eu acredito que todo esse tempo foi ótimo. Porque faz um ano que eu peguei o jeito, finalmente encontrei um jeito de escrever que pra mim fica muito mais fácil e que está à prova de tempo… leio daí dois meses e ainda gosto. E foi esse ano, veja você, que escrevi metade das 25 páginas que ele tem.

agora, olha bem pra mim, não desistir de um livro de 7 anos e 25 páginas ou é prova de perseverança ou de obsessão.

Ainda quero falar bastante dele por aqui, tem muito material de processo criativo, muito mesmo, e mais ainda de processos de desespero.

Quem viver verá.

E vai ver mais em breve.

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