Plantinha, carro, a arte de matar e a vida, essa grande aventura

Essa semana teve:

 

  • Essa lojinha de plantas que eu já conhecia “de internet” e agora abriu perto de casa. É bonita, gostei do atendimento e achei os produtos menos caros do que achei que seriam. No sábado, compramos uma plantinha + um vasinho + um regador + um adubo e agora nossa casa está ainda mais viva.

 

  • O Carro Fácil da Porto Seguro, o esquema que nos animou a finalmente ter um carro. Como falei no post anterior, agora vou poder usar as desculpas do “não vou, estou sem carro” ou do “hoje não, é meu rodízio”. Me sinto chique.

 

  • O documentário Act of Killing. Um dos filmes mais marcantes que vi nos últimos tempos. Resumindo, a equipe do documentário encontrou famosos matadores da Indonésia – políticos que exterminaram milhares de pessoas, entre comunistas e chineses – e os convidou a reencenar as cenas de matança que eles protagonizaram. Acredito que (como todo filme) vai tocar cada pessoa de uma maneira diferente – no meu caso, terminei o filme com uma sensação mista de “esse planeta está errado, quero sair daqui” com “humanos são humanos são humanos são humanos”. É chocante, é bonito. Tem no Netflix. Veja.

 

  • E essa cena de filme aqui. Eu estava aqui pensando em qual seria o tema do chá de bebê e lembrancinhas de nascimento da Rebeca. Até que me lembrei de uma frase de um dos filmes favoritos aqui de casa: Hook (A Volta do Capitão Gancho). A frase é uma adaptação de uma frase do livro Peter Pan e é falada na cena final do filme. Pra mim, esse filme é de chorar do começo ao fim e me lembra o quão fácil é esquecer que um dia tínhamos certeza de que não íamos crescer. Meu desejo é que a Rebeca e cada criança nova no mundo renasça a criança dentro de cada um de nós. Só assim e sempre assim, viver será uma grande aventura!

 

E uma aventura que pede muita, mas muita calma.

 

Nota: esses links não são patrocinados, são coisas das quais eu gosto genuinamente. Se algum dia eu postar links de coisas que eu goste genuinamente e ainda começar a ganhar dinheiro com isso (quem dera!), avisarei vocês 😉

Pout-pourri da vida, do fim de semana (do ano ainda não)

  • Não que seja nenhuma novidade, mas tá difícil morar no Centro (ou no Baixo-bem-baixo-Higienópolis). Encontro meus amigos descolados que moram em Pinheiros e eles juram de pés juntos que a região que eu moro é A REGIÃO MAIS INCRÍVEL DE SÃO PAULO (ora vejam bem, amigos descolados que moram em Pinheiros. Se a região é assim tão legal, por que vocês não vêm morar por aqui também viver essa legalzice toda?).

 

  • Vejam vocês, ao me mudar de Pinheiros pra cá eu comecei sofrendo com o barulho de motos, ônibus e mendigos gritando pela rua. Tão diferente do meu antigo apartamento no sétimo andar virado para os fundos em um bairro residencial. Mas tudo bem. Inventei mil truques e acostumei. Depois veio o barulho do bar da esquina toda noite (sério, QUEM É QUE RI TÃO ALTO NUM HAPPY HOUR?). Inventei mil truques e acostumei. Bem. Aí que minha vizinhança aqui no prédio está mudando. Primeiro, literalmente o prédio inteiro aqui ao lado mudou: decidiram abrir um centro para moradores de rua aqui ao lado de casa. E, embora os moradores aqui do prédio tenham encenado esta cena do Caça-Fantasmas durante o mês inteiro que precedeu a abertura do tal centro, posso dizer que não temos taaaanto problema com a mendicância local. Mas o barulho… imaginem um churras-mendigo rolando 24 horas por dia na janela do seu banheiro. O que dizer? Sim. Inventei mil truques. Acostumei. Mas também tem a outra vizinhança, e é aqui que a coisa começa a ficar bem legal: os velhinhos aqui do prédio estão se mandando para lugares melhores (se é que vocês me entendem) e dando lugar pra jovens que descobriram que o preço na Santa Cecília é bom. Daí que há alguns meses, uma galera se mudou para dois (dois!!!) apartamentos acima. E eles adoram andar com os calcanhares. Às 3 da manhã. Em cima do meu quarto. E eu ouço. Adivinhem? Isso. inventei mil truques… e estava acostumando. Até que semana passada se mudou um novo vizinho pro apê logo em cima. E se o vizinho dos dois andares acima costumava andar com os calcanhares… o que dizer do vizinho novo do andar logo acima do meu? Que suspeito que deve praticar corrida com pernas de pau durante todo o dia. E ele tem uma tara estranha por arrastar móveis nas horas mais estranhas.

 

  • O QUE ACONTECEU, EU PERGUNTO, COM O BOM E VELHO CARPETE?

 

  • Aí que eu decidi me mudar… exceto que meu marido não decidiu por isso. E enquanto não saímos desse impasse, decidi que a minha casa será a casa mais barulhenta de todas no universo conhecido. Agora é música TV Netflix rádio Spotify máquina de lavar ar condicionado e ventilador operando ao mesmo tempo. Que é pra eu não ouvir nada.

 

  • E ainda virá a Rebeca, que espero que grite bastante no meu ouvido.

 

  • Outra novidade é que em breve eu e marido seremos dois adultos funcionais e finalmente teremos um carro! Sim, sociedade. Chegou a hora. E decidi começar a me comportar como esses adultos funcionais motorizados. Sempre tão chiques, sempre tão indisponíveis quando acontece alguma coisa que os faz ficar “sem carro”. Não vejo a hora de poder usar a frase “não posso ir, pois estou sem carro”. Porque, claro, é impossível se locomover na cidade de São Paulo se você não estiver com seu carro. Eu mesma passei meus últimos 30 anos sem sair de casa.

 

  • É chique demais: desculpe, não posso ir, estou sem carro. Não vejo a hora de poder usar essa desculpa esfarrapada com toda a elegância.

 

  • Abraços.

 

O que fazer quando

Quando você não sabe mais escrever curtas de ficção porque hoje em dia coisa curta tem que gerar clique e não apenas divertir?

Cria uns personagens do nada pra ver se se inspira?

Pergunta ela, jogando umas sementinhas de personagens no quintal.

A que caiu em terra fértil gerou uns dez mil grilinhos coloridos. Apenas um era falante. Falou tanto que encheu o saco de todos os grilinhos, que fugiram e viraram milhares de consciências mudas (mas completamente chocadas) espalhadas pelo universo.

A que caiu em cima do muro virou uma espécie de Humpty-Dumpty indeciso sobre sua vida. Sempre que precisava tomar qualquer decisão, cofiava seu bigode por horas e não chegava a lugar algum. Seu problema é que ele achava muito pelo em ovo.

A que caiu na areia construiu um playground à moda antiga e vive se balançando no balancê da vida.

A que caiu junto das flores começou um coral floral e passa todas as manhãs ensinando as violetas a cantarem Oh Happy Day. O girassol tenta acompanhar, mas é o pior cantor de todos. Toda noite, entra em depressão.

Taí. Me treinando a voltar a escrever sem tensão no dedo.

Não é meu melhor post, mas o importante é forçar os dedos travados a tocarem alguma melodia. 🙂

 

O que aprendi nesses 7 meses de gestação

Que você vai ficar enjoada apenas uma vez (uma longa vez, que começa no primeiro dia e termina no último dia de gestação). Ou não. Ou você nunca vai enjoar, não vai nem saber o que é isso.

Ou então você vai enjoar muito, mas apenas nos três primeiros meses. Ou nos primeiros três dias. Ou nos primeiros três trimestres.

Que você vai sentir o nenê mexendo logo cedo ou talvez mais tarde ou talvez nunca ou sinta a todo o momento ou só à noite ou só de manhã ou talvez à tarde.

Que se for menino sua barriga vai estar mais assim ou assado. E se for menina também.

Que parto normal é maravilhoso mas cesariana é incrível mas parto humanizado é sensacional mas parto normal dói demais mas cesariana é terrível mas parto humanizado é um absurdo.

Que você vai se sentir plena, maravilhosa, gostosa, fogosa e depois vai ter saudade do barrigão ou vai querer que a barriga suma logo e vai se sentir com raiva, feiosa, horrorosa e com saudade de dormir de barriga pra baixo. Ou então vai se sentir normal e tudo bem.

Que você vai conseguir dormir de barriga pra baixo a gravidez inteira ou que você não vai conseguir dormir de barriga pra baixo nunca, só de barriga pra cima, ou talvez de lado (sempre o esquerdo [ou talvez o direito]).

Que pode tudo e que não pode nada e que seu médico é o melhor médico e que seu médico é o pior médico e que o seu jeito é o certo e que o seu jeito está absolutamente errado.

Que esse monte de pintas novas que nasceram em você podem ser coisa de grávida, mesmo que nenhuma amiga tenha tido. E que aquela dor que todo mundo reclama você nunca sentiu e aquela dor que ninguém conhece só você tem.

Que o segredo é colocar o cinto de segurança e aproveitar o show mais misterioso, sem padrão e exclusivo da vida.

Que a vontade é de trocar experiências e pedir conselhos e dar conselhos, mas nenhum conselho encaixa muito bem, sempre cai meio estranho.

E que não existe fórum online sobre gestação que responde tudo o que você quer.

É, a nenê nem nasceu, mas já entendi que ser mãe é só contigo, meu bem.

E que isso é lindo!

Minha opinião sobre a opinião

Francine,

Qual é sua opinião sobre a política atual? Do Brasil, do Cazaquistão, do Trump, do Macron? Mais alinhada à esquerda, mais à direita, mais centralizada ou justificada?

Qual a sua opinião sobre parto? Normal, cesárea, humanizado, de pé, de costas, plantando bananeira?

E o abrigo para moradores de rua que abriu ao lado da sua casa? É bom? É ruim? Pra quem? Pra mim?

O filme que você viu ontem, quantas estrelas ele vale? Esse livro na sua mão, qual a sua opinião?

Aquela matéria no jornal, compartilhei com você, você leu? Então me diz, o que foi que você achou? No contexto geral, relacionando com a história do mundo, do universo, sua experiência de vida ou num recorte políticopsicológicoeconômicossocial específico?

O que você acha sobre o feminismo, o niilismo, o socialismo, o protestantismo, o ir pra frente, o ir pra trás, o verde, o vermelho, o branco, o preto, o roxo, o rosa, o céu, o chão, o post, o poste?

Eu não acho nada.

Na verdade, eu acho…

Eu acho que o sol nasce e se põe todos os dias pontualmente há milhões e milhões de anos e nunca me emitiu uma opinião sequer. E ele é lindo, ele é importante, ele é tão mais importante que tudo isso. E tá aí, sendo.

Eu acho que é preciso pensar menos na vida, no mundo, nas pessoas.

E sentir mais a vida, o mundo, as pessoas.

Eu acho que assim quem sabe até pode nascer uma opinião ou outra, que elas são legais, mas assim, sem pressa. Assim, sem pressa, sem aquela precisão de decidir logo o que se acha pra dar tempo de compartilhar logo.

Assim, quem sabe, a gente nem crie mais tanto problema pra ter que opinar a respeito deles daqui a pouco.

Assim, de leve, ir vivendo e deixando a vida sacudir e sedimentar, sacudir e sedimentar, que é assim que a vida vive.

Le bébé

Todo mundo me pergunta se eu tenho algum chute. Se é menino ou menina, como assim, você deve “sentir” algo. Não sei se eu já perguntei isso para grávidas antes de mim (provavelmente sim), mas prometo que nunca mais pergunto. Porque não, gente, eu não tenho um chute. É um bebê crescendo dentro de mim, ele(a) come o que como, ele(a) talvez até sinta o que eu sinto, mas fora isso não tem a tal “ligação mágica” que algumas pessoas acham que existe (bom, pelo menos não existe comigo), a gente se curte, mas não bate um papo cósmico ou troca confidências pela corrente sanguínea. Não sei se, sei lá, eu deveria me sentir mais masculina ou feminina, ou de repente perceber se naquela manhã meu vômito foi particularmente rosa ou azul. Mas por enquanto tudo o que sinto é que não vejo a hora de chegar o carnaval (e acho que é a primeira vez na vida que digo essa frase) para ver essa coisinha fofa ao vivo. Estar grávida é divertido, mas de vez em quando me faz me sentir meio como o Homem Elefante (e não, não é por conta do meu tamanho).

Os únicos chutes bem acertados, por enquanto, é ele ou ela quem está dando. E são vários! : )

 

Um financiamento coletivo agradável

 

Não vou começar esse post como o início das entradas dos meus diários de quando eu tinha 7 anos de idade. Tem uma clássica que é assim: “Buááá diário, buááá, desculpe-me por não escrever em você por tanto tempo! Mais tarde eu volto. PS: (escrito em outra caneta) Desculpe-me por não voltar”.

Isto dito, vamos direto ao assunto: desde que o senhor Guilen-Almeida (também conhecido como meu marido, mas mundialmente conhecido como Julio Almeida) decidiu sair das garras maravilhosas do mundo corporativo, está seguindo a vida como, dentre outras coisas (incluindo um cozinheiro surpreendentemente de mão cheia!), ilustrador. Ano passado ele desengavetou um projeto que eu havia feito em 2009 (slow-projects, a gente vê por aqui) e foi atrás de tudo: criou as páginas na internet, foi atrás de fãs e teve a disciplina incrível de desenhar mais de 700 missões para compartilhar no facebook e instagram do Um Ano Agradável.

O projeto tá lindo, é nosso primeiro bebê (o segundo, de verdade, chega em fevereiro, caso não saibam!) e está tentando alçar voo: acabamos de lançar uma campanha no Catarse para arrecadar dinheiro para mandar imprimir 1.000 agendas físicas de nosso ganso favorito!

Veja o vídeo aqui:

Caro leitor que ainda lê esse blog, você mesmo, escondido atrás de um balcão de antiguidades e coberto de pó, ficarei tão grata se você nos ajudar! Com 30 reais já dá pra garantir uma agenda e ser extremamente, agradavelmente feliz!

Clique aqui para ajudar!

 

Quando você viaja em busca de uma coisa e encontra outra

Depois de 1 mês em Portugal, país pelo qual eu vinha apaixonada à distância nos últimos tempos, voltei com o coração partido. Acabou que conheci ao vivo esse meu amor virtual e o encontro foi daqueles que só gente que já se frustrou ao vivo com aquele amor do ICQ entende: eu e aquelas ruas não tínhamos nada em comum, eu e aquelas paisagens passamos todo o tempo olhando umas para as caras das outras, insistindo, tentando puxar assunto e falhando miseravelmente. O coração não cantou e partiu.

Depois de 1 mês fora de São Paulo lidando com o desconhecido, cheguei no açougue do mercado do meu bairro e o açougueiro, que eu nem sabia que lembrava de mim, me disse: “hoje tem costelinha suína, aquela que você adora e que nunca tem quando você vem”. Sorri para essa cidade tão cansada e falei “vou te dar mais uma chance, sua danadinha”.

Casa, casa, quando é que eu vou encontrar esse lugar que eu sei onde está, mas só precisa de um lugar pra se encostar? Quando encontrar, vou me encostar feliz, comprar meu piano e meu forno de verdade.

Por enquanto, vamos cozinhar essas costelinhas que eu adoro – e que dessa vez tinha quando eu fui.

Cheguei cá

Como é bom cá chegar.  Onde se nunca pensou chegar (mas se imaginou, que é bem melhor). Como é bom ter marido ter casa ter história ter paz ter Deus ter tudo isso e não ter nada que não precisa tanto assim. Como é bom não ter chegado lá, mas sim ter chegado aqui. Ter se aprochegado aqui com toda essa música e esse gosto e essas tardes e esses dias todos.

Como é bom, mas como é bom, meu Deus, chegar aqui e não lá.

 

[ e como é bom ler mais textos em português de portugal, redescobrir sua própria língua e usá-la com mais carinho ]

 

E eu que achava que era só criatividade

Eu nunca fui daquelas com boas estratégias no War. Enquanto todo mundo passa rodadas e mais rodadas bolando planos mirabolantes e sendo extremamente pensador com seus exércitos, costumo ser aquela que entrega o objetivo logo na terceira ou quarta rodada – num bom dia, na quinta rodada. Porque não sou muito de estratégias, sou de sorte e curtição.

E eu pensava, pensava, tolinha, que escrever livro era pura intuição. Era sorte, era curtição.

Até que cheguei na hora de revisar a história.

Bom, aí, meus filhinhos, toda escrita virou um jogo de War. Porque é preciso estratégia, coerência, cálculo, noção. Uma ponta tem que grudar na outra e somar com outra e segurar a história toda com uma linha, tudo isso sem deixar a estrutura tomar a frente na história, que tem que continuar sendo legal, como se tudo tivesse sido feito de pura sorte, intuição, organicamente.

Juro que não sabia que escrever podia ser tão parecido com engenharia.

Não sei nem se esse post vai fazer sentido pra vocês, mas estou gastando meus neurônios tentando remontar uma história de 15 anos de idade por aqui, então tenham misericórdia.

 

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