A ilha das ideias

Fredrik Härén é um cara que trabalha com o que eu sonho em trabalhar: ele inspira pessoas. Speaker. Taí uma coisa que eu gostaria de ser. Adoro falar.

Fredrik Hären também é dono de 3 ilhas desertas nas Filipinas e nas proximidades da Suécia, o que ajuda bastante.

Aí que ele as batizou de Ideas Island.  E aluga suas ilhas por 1 semana, de graça, para pessoas que tenham grandes ideias e queiram trabalhar nelas ininterruptamente, por 1 semana. Sim. De graça. Quer dizer, basta convencer o moço que sua ideia é ótima e doar US$ 1.000 para uma instituição de caridade que o moço escolher. Mas, convenhamos, pra quem está a fim de colocar as ideias em dia, isso é uma pechincha.  A seleção do cara é bem criteriosa: nada de lua de mel, nada de festinha com amigos, nada de teretetê. Você precisa provar que vai pra lá trabalhar em sua ideia. Legal, né? Dá uma olhada nas belezinhas:

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Lendo os depoimentos dos beta testers que conseguiram se hospedar nas ilhas, achei interessante os motivos que os levaram a ir até lá. Quase todos são os mesmos: fugir das pequenas coisas da rotina que os atrapalham de criar. E se a gente for parar pra pensar… a ilha é quase uma peninha do Dumbo, né? Por que será que criamos melhor se estivermos isolados e formos forçados a trabalhar nas ideias? Ou SERÁ que criamos melhor assim?

Como é sua ilha das ideias no meio da selva da cidade? 🙂

O palhaço egoísta

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Nunca fiz curso de palhaço porque não me interesso (não me interesso pra minha vida, para o que eu acredito sobre o ser palhaço, mas você é quem sabe a respeito do seu nariz), então já comecemos trabalhando com essa informação. Mas sou palhaça há cerca de 8 anos, em hospitais. Sei a diferença entre o Bozo e o Slava, e sei do desconhecimento do público a respeito do tipo mais, digamos, intelectualizado do palhaço. Ou clown, que seja.

Vai ver meu problema é não curtir palhaço intelectualizado. É que pra mim palhaço é sensibilidade e intuição, e pra mim a partir do momento em que intelectualizamos a intuição o palhaço morreu. Então tiro o nariz, tiro mesmo (porque pra mim os melhores palhaços não precisam se esconder por trás da máscara para encontrar seu verdadeiro eu universal), para falar sobre uma coisa que me deixou chateada quando fui assistir ao Slava sexta feira: o público intelectual.

O palhaço russo se apresentou em um teatro de shopping, e teatro de shopping tem um público de shopping, tem as pessoas que vão lá achando que palhaço russo é palhaço do Vostok. Tem sim. Paciência. Vi gente conversando entediada, gente tirando fotos com flash totalmente alheias à postura esperada em um espetáculo daquele e tinha uma moça na minha frente me fazendo o favor de checar o Facebook no celular de cinco em cinco minutos. Mas nada disso me incomodou tanto quanto o grupinho que sentou atrás de mim.

Era um grupinho que mandava as pessoas se calarem a cada tossida alta. E pior: mandava AS CRIANÇAS se calarem. Eles estavam tão preocupados consigo mesmos, em mostrar para o público ao redor que aquilo não era um show do Patati Patatá, que não devem nem ter entrado na magia do gênio que estava no palco. No intervalo, eles não pararam de falar sobre esse publicozinho de shopping. Fiquei pensando se elas não seriam as mesmas que reclamam no Facebook que o público brasileiro deveria ter mais acesso à cultura. Porque se mantivermos o Slava restrito à Praça Roosevelt, a boa cultura vai continuar assim, coisa da elite de palhaços que só olha para o seu próprio nariz. Se estamos dispostos a deixar “o público de shopping” mais inteligente, vamos ter que aguentar um pouco de foto com flash nos espetáculos, sim. Faz parte da curva de aprendizado. Deles e nossa.

Mas pra mim o que mais marcou foi mesmo ver as pessoas mandando AS CRIANÇAS se calarem. Repito isso porque é o que me deixa triste. Se palhaço é espontaneidade, é rir de seu próprio ridículo, pra mim o cúmulo da ironia é se incomodar ao ver crianças se divertindo e “errando”, sendo tocadas pela espontaneidade do que está acontecendo lá na frente. Fazer uma criança rir alto ou falar alguma coisa fora do script pra mim é sinal de que o palhaço funcionou. E funcionou bem.

E como palhaços ou como pessoas à paisana, ainda acredito que elas é quem têm que nos ensinar a nos comportar na vida. E não o contrário.

Dito isso, beijo no nariz.

Como ser mais criativo?

Tá, como se fosse fácil assim – pensa você, bonachão. Não nasci criativo, não sei fazer essas coisas que as pessoas descoladinhas e criativas fazem. Calma, amigão. Nada debaixo do sol é fácil (a não ser engordar e gastar dinheiro, mas, enfim, não é disso que quero falar *começa a chorar*). Mas ser criativo não é nada assim tão complexo quanto os grandes gênios da publicidade que fazem vídeos como esse demonstram. Vai muito de intuição, personalidade e de toda a bagagem cultural que você teve sorte de ganhar desde o berço, sim. Mas também existem algumas técnicas e dicas, que o Leo Babauta organizou bem aqui. E eu concordei e traduzi aqui, sabendo que cada uma dessas dicas tem sua hora certa no processo criativo:

  • Brinque.
  • Não consuma (arte) e crie ao mesmo tempo – separe os processos.
  • Reflita sobre sua vida e seu trabalho diariamente.
  • Procure inspiração nas pequenas coisas ao seu redor.
  • Comece pequeno.
  • Deixe fluir, não importa quão ruim o primeiro rascunho esteja ficando.
  • Não busque a perfeição. Apenas deixe fluir, imediatamente, e então peça feedback.
  • Melhore constantemente.
  • Ignore as pessoas negativas.
  • Mas cresça com as críticas.
  • Ensine e você irá aprender.
  • Mexa as coisas, veja as coisas de novas maneiras.
  • Aplique conhecimento de outras áreas no seu trabalho, de jeitos nunca feitos antes.
  • Tome quantidades absurdas de café.
  • Escreva todas as ideias, imediatamente.
  • Transforme seu trabalho em lazer.
  • Brinque com crianças.
  • Saia, se mexa, veja novas coisas, fale com novas pessoas.
  • Leia coisas completamente diferentes. Principalmente das quais você discorda.
  • Descanse muito. Muito trabalho mata a criatividade.
  • Não force. Relaxe, brinque, e aí sim vai fluir.
  • Deixe sua mente flanar. Distraia-se um pouco quando você está procurando por inspiração.
  • Aí, quando você for começar a criar de fato, desligue tudo.
  • Faça enquanto você estiver empolgado.
  • Se não estiver, tente encontrar outra coisa que te empolgue.
  • Não tenha medo de parecer boboca.
  • Ideias pequenas são boas. Você não precisa mudar o mundo – pode mudar apenas uma coisinha.
  • Quando algo está matando sua criatividade, mate esse algo.
  • Pare de ler dicas de como ser mais criativo, largue tudo e apenas crie.
  • Acima de tudo, divirta-se no processo.

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Artistinha, graças a Deus.

Há mais ou menos 5 anos, eu estava prestes a me formar. Era uma daquelas fases de vida balançante que jogam a gente de um lado pra outro, e naquele instante eu estava sendo jogada para fora de um emprego bacana. E, de repente, toda a crise que tive para encontrar meu primeiro emprego de verdade voltou à minha mente. Porque esse tipo de crise é um tipo que não morre, não. Fica lá, latente. Ela só muda de formato, e vai somando problemas a cada nova fase da vida (ah, que saudades de quando eu não pagava meu aluguel!). Provavelmente, vai acontecer de novo.

E lá fui eu, batendo de porta em porta, encarando todo tipo de clichê de diretores de criação, eu e minha engraçada pasta na mão. Cheguei ao ponto de ser entrevistada por um deles que, em pleno milênio, curtia fazer a pose de Don Draper. A entrevista aconteceu enquanto ele bebia vinho e me dizia que a relação da agência dele com o cliente era tão legal que eles até se encontravam para tomar droga juntos. Achei tão moderno.

Outra entrevista marcou minha vida. Foi outro diretor de criação que curtia uma pose. Ele pegou meu portfólio, bem simples ainda na época, e me devolveu imediatamente.

– Não vejo projetos pessoais. – ele disse. – é coisa de artistinha, e artistinhas nunca viram bons publicitários.

Ouvi aquilo, me levantei e, pouco antes de sumir para o mundo, pensei, não falei: “palhaço.”

(e no fim, ele foi mesmo palhaço comigo, no hospital, anos depois, porque a vida é assim, cheia de piadinhas).

A verdade é que, graças a Deus, não dei ouvidos a esse conselho. E dias depois, encontrei uma agência que acreditou no potencial dessa pretensa artistinha, um diretor de criação que sabe canalizar arte até em e-mail marketing, na medida certa – e lá amarrei meu bode.

4 anos depois, o bode já estava todo reclamão e me chamou de canto: – escuta, sai daí um pouco. Vai passear, ver como está o mundo lá fora. O pior que pode acontecer é você se arrepender. E desamarrei o bode e passei os últimos 6 meses entendendo o universo da propaganda em outra agência. Bem reconhecida, bem antiga, bem tradiça. E me arrependi.

Só não me arrependi completamente porque esses quase 6 meses serviram de alguma coisa. Com eles, entendi, em resumo, o que está faltando na propaganda, hoje. São os artistinhas.

Entendi que a divisão entre propaganda offline e propaganda digital existe sim, e vi como o resultado disso é pior que número ruim de circo mambembe. Mas disso eu até já sabia. O maior aprendizado desse tempo foi mesmo ver que não, a culpa desse circo não é só dos velhinhos que não sabem mexer no computador. É muito fácil jogar a culpa neles, enquanto enfiamos nossos empinados narizes de geração Y em nossos copinhos de Yakult. Nananinanão. A culpa é muito nossa, muito minha, muito dessa geração que está chegando. Geração que anda vendendo propaganda com manual de instrução.

E enquanto o “redator offline”, por mais empoeirado que esteja, ainda lê seu título pro cliente com um brilhinho no olhar, um resquício de arte, mesmo que já com um pouco de esforço para fazer o mundo do trocadilho subsistir, a equipe modernosa de digital (ah, sim, dígital, com acento no primeiro i, pra ficar ainda mais sofisticado) começa a falar de parallax, paracax, QR code, shenanigans, bluetooth, com ponta da língua entre os dentes e tudo. E tira dos bolsos referências e mais referências, e fala de códigos e siglas e engajamentos. E tira de seu trabalho a magia. Paixão pelo que está apresentando? Cadê? Não sei. Talvez ela esteja escondida em algum rodapé entre o slide 45 e o 59.

Estou achando é que perigamos virar uma geração de antenados, no pior sentido da palavra. Porque se deixar, recebemos conteúdo e mais conteúdo, sem tempo de deixar que ele se misture em nossa cabeça e vire coisa nova. Estamos é virando um bando de esponja com antenas, devolvendo para o mundo job requentado, tecnologia sem sentido, coisa que é legal até a página 1. Vou te contar, hoje, a (má) propaganda anda sendo um tal de botar chantilly em falta de ideia.

Que dá saudades dos tempos do pão com manteiga. Aquele em que, em vez de se pensar primeiro na plataforma, ou na última tendência do FWA, não se pensava. Intuía-se.

E aí sim, depois que a ideia nasce, depois que ela sai da sala de reunião brilhando, com gente sorrindo e com aquele jeitão de que quer mudar o mundo, aí sim ela vai em busca da melhor tecnologia para existir bem. Porque aí sim até wireframe pode ser lido com paixão.

Ufa.

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Nota mental e a habilidade de saber de quem ouvir críticas

Dia desses tive uma conversa inusitada com alguém que admiro muito profissionalmente. E foi sensacional. Inspiradora, animadora, coisa bonita, mesmo. E lembrei de um aprendizado que tive lá atraszão, lá no meu primeiro emprego oficial, em que um dentista bastante incompetente criativamente me cobrava de minuto a minuto que eu fosse mais criativa.

É óbvio que eu me achava muito incompetente.

É ótimo que, tempos depois, pessoas que eu considero geniais me descobriram, me contrataram e gostaram de mim.

Ainda sou assim otimista acreditando que o mundo é feito de pessoas talentosas – o caso é só que alguns talentos não combinam com você. E você nunca – EU DISSE NUNCA – anote o que estou falando – NUNCA – deve deixar alguém cujo talento você não admira colocar seu talento para baixo.

Tá bom? Agora pode seguir com seu dia, porque esse post foi uma nota mental pra mim mesma.

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Das coisas que não.

Processo de trabalho, processo criativo, organização… isso não se ensina, não se cerceia, não se cobra. Se aconselha e olha lá. Ou você descobre que cada um tem o seu ou vai ficar o resto da vida tentando ensinar peixe a voar.

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De vez em quando eu devia reler isso

Faz uns 5 anos que me formei.

Ponto, parágrafo na outra linha.

E ao assistir a esse discurso do Michael Lewis em Princeton, lembrei do meu discurso de oradora da turma, quando foi a minha formatura. Foi tão gostoso, tão… tão aplaudido, que até o Tas, que tinha sido nosso patrono, retuitou e elogiou às pampas. Tão gostoso isso. O tempo passou e resolvi reler o menino pra ver se ainda faz sentido.

A gente tem noção da responsabilidade que é ser oradora da turma de Publicidade e Propaganda. Quando eu disse que ia ser oradora, minha mãe falou o de sempre: AI, FILHA, QUE LEGAL, VOCÊ É TÃO CRIATIVA. FAÇA UM DISCURSO MUITO CRIATIVO.
A esperança dela era que a gente criasse um discurso que fizesse tanto sucesso quanto o Use o Filtro Solar. Que um dia, quem sabe, virasse um vídeo no YouTube lido pelo Pedro Bial.
Aí, como boas publicitárias, a gente tentou ser artista: pensou em se inspirar no Arnaldo Antunes e fazer umas rimas abstratas.
A gente tentou ser moderna: pensou em escrever um discurso em 140 caracteres que coubesse no Twitter.
Só então a gente resolveu começar do começo. Então, nos fizemos a seguinte pergunta: o que é fazer Comunicação Social na Faculdade Cásper Líbero?
Enfrentar a fila do Monet, no terceiro andar, disputando atenção com as belas e escovadas meninas de Relações Públicas – um curso que a gente até hoje não entendeu.
Discutir política com o pessoal de Jornalismo, tentando não confundir os caras, todos iguaizinhos o Marcelo Camelo.
Passar pelo pessoal colorido de Rádio e TV. Todos eles sonhando ser grandes diretores, mas aceitando quem sabe começar a carreira como redatores na Gazeta.
E o pessoal de Turismo.
E por fim… ah, nós, os publicitários. Nós, os artistas que não deram certo. Os administradores que eram legais demais pra fazer administração e medrosos demais pra ser cineastas. Os criativinhos se achando alternativos porque usavam Allstar. As atendimentos, bonitas, eloquentes e presentes em todas as baladas. Os mídias, que descobriram o que era ser mídia lá pelo terceiro ano da faculdade. Os planejamentos, criativos frustrados que trocaram o Photoshop pelo PowerPoint. Os que estão em empresas, os temidos clientes, lidando com toda essa fauna. E os veículos, que passam a vida bajulando ora um, ora outro.
E todos, de um modo geral, que aguentaram os quatro anos de faculdade sendo apresentados como “o sobrinho que faz JORNALISMO na Cásper Líbero”. Todos, de um modo geral, que sempre vão ouvir das pessoas “MUITO LINDO SEU ANÚNCIO”, mesmo que não tenham sido os responsáveis pela sua beleza.
É incrível: você pode dizer: “mas eu só fiz o texto. Mas eu só fiz o planejamento de mídia. Mas eu só servi o café”. Não adianta. Aquele logotipo amarelo e roxo e o garoto propaganda vão chamar sempre mais atenção.
Quem se forma em 2009 encontra um cenário peculiar. O que na verdade é um eufemismo pra “um puta cenário desanimador”: a crise (a gente precisava falar nela, é hype), suas mil demissões e o mercado instável. Isso fez a gente se formar sem ficar muito sossegado. E isso é muito bom.
Ano passado, dois profissionais de grandes agências tiveram uma famosa discussão sobre o que os publicitários devem fazer na crise. Um deles, o Nizan, dizia que com a crise se deve apostar no óbvio. O modelo antigo: propaganda na Globo, com a Ivete Sangalo cantando um jingle! O outro, o Fábio Fernandes, falava: tem que apostar no novo. Agora é a hora de se jogar, ousar, ser mais criativo e testar um novo modelo de propaganda.
E a gente? Escolhe a Ivete ou o assustador desconhecido? Agora já era. A gente tá aqui, já passaram os Jucas, no máximo temos umas DPs pra fazer. Chegou a hora de decidir. O certo? Não se sabe. Mas a nossa obrigação, a gente desconfia: quem acaba de cair no mercado tem que aproveitar o embalo – se jogar no novo, no mais simples, no mais criativo. No que faça as pessoas usarem a cabeça. Que não confunda público alvo com painel de tiro ao alvo. É mais do que nossa obrigação. O mundo tem que mudar, e a gente tem que ajudar nisso.
Ou é isso, ou a fama de publicitário vai continuar aquela coisa linda: gente que só sabe enganar pessoas e comer criancinhas bebendo uma Original no happy hour. Ou pior, gente que só sabe fazer aqueles anúncios das Casas Bahia.
Aí vêm as pessoas sagazes e perguntam: se todas as pessoas do mundo desaparecessem e sobrassem só alguns profissionais, qual seria a utilidade de um publicitário? Publicitário não salva vidas, como um médico, não constrói pontes, como um engenheiro. Só faz umas piadinhas medíocres e ganha Cannes.
Mas um publicitário teria uma boa ideia. Essa é nossa utilidade. Propaganda é mais que um anúncio foda. É ter ideias, e fazer com que elas aconteçam. É pensar em alguma ideia genial que usaria um estetoscópio de um médico pra construir uma ponte engenhosa. É usar tudo como fonte de inspiração, pra melhorar a vida das pessoas. Se não é, devia ser.
Pra terminar, agora menos corporativas, vamos falar mais da vida. Aqui vai um trecho de um post de um amigo nosso que também está se formando agora. Ele escreveu: estamos em crise na crise. Fora a crise global, é a nossa crise interna dos 20 e poucos anos que nos atormenta, e nos faz pensar o que estamos fazendo das nossas vidas.
Que história queremos contar depois? Ser feliz profissionalmente, bem sucedido, ganhar bem, morar numa cidade bacana. Isso é tudo? O fundo da questão é maior que esse: é ser uma pessoa interessante, e tornar o mundo mais interessante.
Se fosse uma estratégia de marketing, seria esse um Objetivo Geral. Tornar sua vida, e a dos outros, mais interessante, é o que importa. Ter impressões, não de banner, mas do mundo. Compartilhar arquivos online, mas lembrar que o mais legal ainda se compartilha offline.

Hoje, cinco anos de vida e de alguma experiência depois, posso dizer: as piadas e citações da faculdade não fazem mais o menor sentido (e como isso é estranho/triste/normal, né…?) e o amor pela publicidade não acabou porque ele nunca existiu. Porque sempre fui apaixonada por ideias, e não por títulos – e hoje cada vez mais acredito que publicidade vai se entrelaçar com design (não é à toa que estou fazendo pós em design), porque quem manda são as ideias. Ou deveria ser. Não fosse o excesso de crença na tecnologia pela tecnologia, o excesso de veículo gordo, excesso de happy hours, o excesso de departamentos querendo trabalhar um contra o outro e a falta de gente legal que consegue criar uma boa ideia sem consultar o FWA ou pedir permissão.

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