Eu queria agradecer o meu misterioso vizinho

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Há pouco mais de 1 semana achei estranho ouvir sinos perto de casa. Digo, moro no Centro de São Paulo e a igreja católica mais próxima fica longe o suficiente para eu não conseguir ouvir seus badalos. E, apesar de não ser católica e nem entender o que badalos de sinos querem dizer, sou encantada com esse som. Me dá aquela sensação de saudades do que nunca vivi, sabe? Parece que estou numa cidade do interior, parece um abraço. Parece um ritual de todo dia, badalando as coisas constantes da vida.

Pois bem. Ao ouvir aqueles sinos, eu e meu marido ficamos nos perguntando se tinham aberto uma igreja católica nova aqui perto (sei lá, nunca vi isso, mas vai quê, o Papa novo é legal etc.), até que dias depois percebi a verdade: algum vizinho meu realizou meu sonho por mim. ALGUÉM AQUI PERTO COMPROU UM RELÓGIO DE CARRILHÃO PRA MIM. Digo, não comprou pra mim, imagino que tenha sido pra ele, mas eu ouço todos os badalos em horas cheias e fico feliz porque sei que elas badalam pra mim também!

Melhor? Às 18h em ponto ele toca Ave Maria. O único lugar em que via isso acontecer era a praça de Águas de Lindoia, que também conta com uma fonte sonorizada (e de repente me deu a maior saudades de ir pra lá). Melhor ainda? 18h é o horário em que termina meu expediente aqui no meu home office. E agora tenho um despertador pontual e sagrado para me lembrar de que a vida real começou. 🙂

Caso você não conheça um relógio de carrilhão (que triste sua vida deve ter sido até agora), conheça já:

Não sei quem fez essa escolha, mas me dá uma vontade danada de bater de porta em porta aqui no prédio, para descobrir quem fez essa escolha tão acertada na vida e agradecer. Abraço, vizinho de bom gosto!

E deixem estar, que quando eu for uma milionária excêntrica terei uma coleção desses relógios!

Ah sim, a foto que ilustra esse post é o relógio do meu avô. <3

Vivian Maier: a fotógrafa babá que vai fazer você ver tudo diferente

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Estou tão apaixonada pelo trabalho dela que até dei uma ressuscitada no Palitos pra contar pra vocês!

Vivian Maier foi uma babá norte-americana que viveu em vários países entre Europa e América nas décadas de 50 e 60. Entre cuidar de uma criança e outra, Vivian saía por aí para fazer uma coisa hoje trivial: fotografar. Uma pessoa muito misteriosa e provavelmente meio maluca (não somos todos?), ela não mostrava suas fotos para ninguém e acumulou negativos e mais negativos no decorrer dos anos. Há alguns anos atrás, um hipster espertinho encontrou esse material e agora está fazendo um filme que me pareceu meio bobo e analítico demais. Pro meu gosto, claro. É que meu gosto é mesmo assim, doce.

Vivian não deixava ninguém entrar nos seus quartos ao longo da vida e era uma colecionadora compulsiva. Era fã de tirar autorretratos muito mais legais que aqueles selfies metidos a artísticos que você faz no Instagram e levava as crianças para passeios nos bairros mais pobres da cidade. Provavelmente, porque lá ela encontrava as fotos e expressões mais legais! E a história não é só curiosa porque Vivian era uma babá fotógrafa excêntrica de décadas atrás. É curiosa porque a mulher era incrivelmente talentosa. Dá uma olhada nessas fotos que selecionei aqui. Reparem na qualidade e nas expressões nos retratos, minha nossa! E depois corram lá para o site ver mais.

Faz a gente pensar o quanto de gente que tem ao nosso redor com talentos maravilhosos que ignoramos porque “uma pessoa assim nunca seria uma artista”.

É isso! Agora, de volta ao trabalho e à entrega dos convites do casamento!

Faltam 37 dias 🙂

1950s, Canada January 1956 1961. Chicago, IL May 5, 1955. New York, NY Undated, New York, NY 1954, New York, NY 1954, New York, NY Undated August 22, 1956. Chicago, IL Undated, New York, NY September 18, 1962 1954, New York, NY June 1953, New York, NY Undared. New York, NY vivianmaier16 vivianmaier17 vivianmaier18 vivianmaier19 vivianmaier20  vivianmaier22 vivianmaier23 vivianmaier24

Ilustrações e o retorno da newsletter

Não é segredo pra vocês que gosto bastante do raciocínio criativo do Hugh MacLeod. E cá estou eu mais uma vez falando dele! Trago-vos uma entrevista que o moço deu para a MailChimp, falando sobre objetos sociais, processo criativo, propósito e uma coisa que ando curtindo muito: o retorno da newsletter como alguma coisa legal na sua caixa postal!

Veja a entrevista aqui.

Mas Francine, qual é a da sua nova obsessão por newsletters? Acontece que em algum momento entre o ICQ, os ministros milionários da Uganda e os PowerPoints da tia Neide bodeamos de e-mails marketing. Mas vejo cada vez mais o retorno triunfante das newsletters, sob a forma de conteúdo superbacana e bonito e estou amando receber meus digestivos diários ou semanais (do Etsy e do Brain Pickings sendo os vencedores)! Acredito que isso vem acontecendo principalmente porque hoje temos tanta informação vinda de todas as redes sociais, que uma newsletter bonitinha e bem feita no nosso e-mail é uma boia de salvação. É quase que a sensação de receber uma revista nova do correio.

Quase que a sensação de receber um e-mail não-encaminhado com um “oi, tudo bom?”.

Adoro cartas virtuais. : )

E aguardem, senhoras, senhores, meninos e meninas. Pretendo fazer uma assinatura bonita do Palitos e do Blog Supimpa em breve!


Você é a mistura de tudo o que deixa entrar na sua vida

Austin Kleon é um cara que tem ideias muito bacanas sobre a arte de roubar muitas boas ideias pra se ter uma grande ideia só sua. Deu pra entender? : ) Nessa palestra no Google ele abre a boca para abrir nossos cérebros, com passagens como “nenhum criativo realmente sabe como virou criativo. Eles só aparecem para o trabalho todos os dias e trabalham”, “busque a árvore genealógica de sua ideia”, “maus poetas criticam maus poemas. bons poetas os transformam em algo diferente”, “Case-se bem. Casamento também é uma colaboração criativa”.

Gostou?

Então me ajude a responder se de onde vem uma, vem mais.

Então veja a citação de jim Jarmusch completa aqui.

Valituskuoro – o coro dos queixosos. [adicionando um novo vídeo]

Vivo reclamando de como o ato de reclamar é chato e desnecessário. Mas eis que descobri uns finlandeses que me mostraram um lado legal dessa praga: as reclamações sobre as banalidades da vida nos aproxima, como humanos que somos.

We defined complaining as “dissatisfaction without action,” nevertheless behind most of the complaints there is an idea or a belief or a value that a person is committed to. Complaints have therefore inbuilt the potential of being a transformative power. The truth about the revolution in East Germany is, that it only happened because a critical mass of people was dissatisfied with and complained about everyday life issues.

There is another fundamental aspect to the culture of complaining. Why do people complain about things they have not the slightest influence upon, for example the weather? Here complaining is not at all about changing things, but rather to build a communal feeling: I am not alone with my little problems, we share the same burden – of an total in-acceptable climate for example.

Com esse discurso, eles estão viajando o mundo e organizando corais que se apresentam em locais públicos e cantam em forma de música reclamações típicas de diferentes cidades (divertido ver que até na Finlândia existem problemas, sim!).

Ideia legal do caramba? Sim! Um dos mais recentes rolou aqui no Brasil, na cidade de Teutônia, no Rio Grande do Sul, ano passado. (:  Divertido como parece tão distante de São Paulo e como  Teutônia parece nome de cidade de quadrinhos!

Todos os corais

Como organizar o seu

Bons problemas pra você!

Que coisa linda esse Denis Russo talk que assisti na pós hoje. Resumo: os problemas estão lá fora e as soluções também.

1. O que é um problema eterno e insolúvel?

2. Ninguém cria e/ou propõe soluções boas preso dentro da sala de reunião cuspindo ideias num ar refrigerado.

 

 

 

Keep the trololo alive

A essa altura vocês já devem saber que Eduard Khil, também conhecido como Trololo, morreu essa semana, velhinho e farto de dias. Quero homenagear esse vovô que, ao que esse vídeo indica, tinha uma visão criativa de mundo bonita. Muito além do trololô.

“Thank you for getting this supply of cheerfulness and optimism while listening to this melody. Thanks to the internet and this energy that connects us all together we can be happy, laugh, love and bring up children.”

c l a r e a d a

A vida presenteia a gente com coisas lindimais.

Um desses presentes é a Cláu, amiga cuja alma deve ter nascido do ladinho da minha, de mão dada, lá no país onde as almas gêmeas nascem, e que anda me inspirando tanto no quesito VIDA (leia-se ter largado tudo, largado matérias de capa de revistas famosas, e ido estudar ficção científica e fantástica em Liverpool).

Outro presente é a nuvem que o presente-Cláu me recomendou. É um blog livreto cordel poema que me fez respirar melhor e feliz por ver que tem mais gente por aqui na terrinha vivendo com os pés nas nuvens – e escrevendo muito bem.

Obrigada, Nicodamus e Valentina. Vou conhecer mais o universo de vocês e a gente se encontra em breve. : )

Conheça: