Ateliê para mães, olha que ideia legal

 

 

 

Era fã da Lenka Clayton, desde que assisti ao People in Order pela primeira vez. Esse vídeo tem um quê de não sei quê que me emociona, me deixa triste e me faz feliz. Só hoje liguei o nome à pessoa e descobri que ela é quem cuida da Artist Residency in Motherhood, uma espécie de ateliê adaptado para artistas que são mães. A mensagem do espaço é um protesto em relação à maioria dos espaços culturais e artísticos – que são criados por e para homens, solteiros, que curtem o ideal romantizado do artista “perturbado”.

Gosto porque

1. Adoro artistas mulheres que fazem projetos poéticos e polêmicos (sim, é possível).

2. Sim, chega de romancear estilos de vida que não têm muito romance.

3. É onde me vejo daqui a alguns anos. AH SE É!

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É aqui:

Ok Go e o que pode sair de bom na parceria conteúdo + propaganda

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Não escondo de ninguém que Ok Go é uma das minhas bandas favoritas (não escondo nível já-dancei-1-million-ways-no-palco-em-um-dos-shows-deles). Pois é. O mais divertido é que isso não é porque as músicas deles sejam boas. Não acho que os caras sejam gênios da música. Pra falar a verdade, nem gosto de ouvir as músicas deles. Mas eles figuram no topo das minhas bandas gênias porque o vocalista é maravilhoso meu Deus os caras são muito criativos e têm um pensamento muito moderno. Um show deles tem muito mais força que show de banda com música boa por aí, por conta de ideias legais como tocar uma música inteira só com sinos ou a interação simpaticíssima deles com o público, com coisas pequenas e atuais como tirar foto do público e depois publicar em sua fanpage, para que as pessoas se marquem ali.

Isso tudo porque ainda não falei dos clipes deles, que sempre elevam os padrões sobre o que pode ser feito, criativamente falando. Se não viu, corra lá no YouTube e se prepare.

Aí que encontrei esse curto depoimento que o vocalista supracitado deu para a Creativity Online. Ele fala muito da colaboração de marcas e artistas, que acredito que seja o futuro da propaganda honesta e divertida. Algo que é tão simples, mas é tão difícil de entrar nesse mundinho de egos e MBAs em excesso. Entre outras coisas, esse depoimento também fala da diferença no resultado final quando a criação continua acontecendo durante o projeto,  e não para no começo, virando um manual de instrução engessado, que muitas vezes inviabiliza o projeto inteiro. Ando reparando muito nisso no trabalho e preciso escrever um post sobre isso em breve! Enquanto isso, fique com minha tradução ou leia o original, em inglês e com vídeos, aqui.

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“Minha banda trabalha com marcas como uma alternativa financeira aos selos de gravadoras há já 3 anos. E fico feliz em anunciar que, até agora, todas as marcas com quem trabalhamos foram mais abertas ao diálogo, mais transparentes e mais parceiras que a galera com quem lidávamos nos tempos das gravadoras. Mas poucas das marcas realmente exploraram nossa criatividade, e quando isso aconteceu foi sempre pelas mesmas razões:

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Primeiro, elas só quiseram alcançar objetivos que fizessem sentido para as duas marcas. A marca deles pode ser gigante, e é quem assina os cheques, e a nossa são só 4 caras com instrumentos e algumas boas ideias, mas se a gente parece boboca quando colabora com eles – eles parecem mais bobocas ainda. Por sorte, o crossover de objetivos é grande: ambos queremos algo que atinja o maior número de pessoas e que faça sentido para elas. Se fizermos algo sensacional, juntos, o público vai amar mais os dois, e isso tem muito valor. As marcas erram, no entanto, quando pensam que todo pedaço de comunicação tem que gritar todas as mensagens da marca. Dificilmente um vídeo de rock é o lugar certo para mostrar os benefícios dos produtos deles, e é mais improvável ainda que algo maravilhoso, inovador e palpável apareça se tentarmos enfiar um peixe fora d’água nesse contexto.

Segundo… os melhores projetos surgiram quando a marca nos deu um briefing ou um desafio, e não quando uma agência nos enviou  um projeto pronto no qual nosso único papel era aparecer e cumprir o que estava escrito. Ano passado (2011), o Google Japão nos perguntou o que conseguiríamos fazer com as novas possibilidades do HTML5, e a Chevrolet nos perguntou o que conseguiríamos fazer com um carro. Nos dois casos, respondemos com projetos que nunca nasceriam se tivéssemos pensado sozinhos – foram respostas a uma série de parâmetros propostos pela marca, nossa colaboradora.

[E por fim], é necessário correr riscos. Nos nossos projetos, o risco vem na forma de ineficiência. Muita gente do mundo do conteúdo faz toda a criação com antecedência; eles planejam e desenham tudo cuidadosamente, e depois executam o que planejaram com a maior eficiência e precisão possíveis. Essa é a melhor maneira de tirar o máximo de seus recursos, mas esse formato fica limitado ao que foi criado antes. Nós investimos muito no meio do processo: assim que surge a ideia básica, já nos organizamos e começamos a testar para ver quais novas ideias aparecem. Isso significa que podemos usar a locação pelo triplo do tempo que ela seria usada se a ideia estivesse fechada inicialmente, mas também significa que (nesse meio-tempo) podemos surgir com ideias que ninguém mais teve. Esse tipo de ineficiência é o risco que vem com nosso processo criativo, mas é apenas uma das milhares de regras que as marcas têm que quebrar se quiserem realmente elevar o nível da criatividade.”

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Estou aqui para causar desconforto em vocês

Ontem tive uma aula batuta na pós. Os conceitos passados lá foram legais, a metodologia legal, mas o tanto de frases de efeito lançadas pelo professor me deixaram num bode do tamanho do mundo. É aquela coisa de dizer que não sabe todas as verdades do universo e responder perguntas óbvias com um NÃO SEI, seguido de uma pausa de efeito (mas agir como se fosse o guru do universo), ou de repetir a cada minuto que sua aula é a aula mais inovadora de todas as aulas inovadoras que já inovaram as novidades do novo mundo. “Vocês vão estranhar bastante. Vão se assustar. Mas é assim que eu trabalho.” Ui, diferentão. Tira a roupa e dança conga no lustre então pra ver se assim eu assusto.

Acho que não tenho mais idade pra aplaudir professor que diz que uma coisa obviamente obsoleta ESTÁ MORTA e olhar em volta afetado, aguardando o desespero geral da classe. Ou pra cair no conto do esqueçam tudo o que vocês sabiam até agora. Aliás, acho que nunca tive idade, né, Rebeca?

Pra quem não é leitor de longa data, Rebeca era minha querida personagem dos tempos da faculdade, que viveu na época do apóio com acento e nos tempos em que eu não tinha vergonha de não ser brilhante nas ideias ou no Photoshop.

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PS: Rebeca volta nos Vingadores em Willifill.

Artistinha, graças a Deus.

Há mais ou menos 5 anos, eu estava prestes a me formar. Era uma daquelas fases de vida balançante que jogam a gente de um lado pra outro, e naquele instante eu estava sendo jogada para fora de um emprego bacana. E, de repente, toda a crise que tive para encontrar meu primeiro emprego de verdade voltou à minha mente. Porque esse tipo de crise é um tipo que não morre, não. Fica lá, latente. Ela só muda de formato, e vai somando problemas a cada nova fase da vida (ah, que saudades de quando eu não pagava meu aluguel!). Provavelmente, vai acontecer de novo.

E lá fui eu, batendo de porta em porta, encarando todo tipo de clichê de diretores de criação, eu e minha engraçada pasta na mão. Cheguei ao ponto de ser entrevistada por um deles que, em pleno milênio, curtia fazer a pose de Don Draper. A entrevista aconteceu enquanto ele bebia vinho e me dizia que a relação da agência dele com o cliente era tão legal que eles até se encontravam para tomar droga juntos. Achei tão moderno.

Outra entrevista marcou minha vida. Foi outro diretor de criação que curtia uma pose. Ele pegou meu portfólio, bem simples ainda na época, e me devolveu imediatamente.

– Não vejo projetos pessoais. – ele disse. – é coisa de artistinha, e artistinhas nunca viram bons publicitários.

Ouvi aquilo, me levantei e, pouco antes de sumir para o mundo, pensei, não falei: “palhaço.”

(e no fim, ele foi mesmo palhaço comigo, no hospital, anos depois, porque a vida é assim, cheia de piadinhas).

A verdade é que, graças a Deus, não dei ouvidos a esse conselho. E dias depois, encontrei uma agência que acreditou no potencial dessa pretensa artistinha, um diretor de criação que sabe canalizar arte até em e-mail marketing, na medida certa – e lá amarrei meu bode.

4 anos depois, o bode já estava todo reclamão e me chamou de canto: – escuta, sai daí um pouco. Vai passear, ver como está o mundo lá fora. O pior que pode acontecer é você se arrepender. E desamarrei o bode e passei os últimos 6 meses entendendo o universo da propaganda em outra agência. Bem reconhecida, bem antiga, bem tradiça. E me arrependi.

Só não me arrependi completamente porque esses quase 6 meses serviram de alguma coisa. Com eles, entendi, em resumo, o que está faltando na propaganda, hoje. São os artistinhas.

Entendi que a divisão entre propaganda offline e propaganda digital existe sim, e vi como o resultado disso é pior que número ruim de circo mambembe. Mas disso eu até já sabia. O maior aprendizado desse tempo foi mesmo ver que não, a culpa desse circo não é só dos velhinhos que não sabem mexer no computador. É muito fácil jogar a culpa neles, enquanto enfiamos nossos empinados narizes de geração Y em nossos copinhos de Yakult. Nananinanão. A culpa é muito nossa, muito minha, muito dessa geração que está chegando. Geração que anda vendendo propaganda com manual de instrução.

E enquanto o “redator offline”, por mais empoeirado que esteja, ainda lê seu título pro cliente com um brilhinho no olhar, um resquício de arte, mesmo que já com um pouco de esforço para fazer o mundo do trocadilho subsistir, a equipe modernosa de digital (ah, sim, dígital, com acento no primeiro i, pra ficar ainda mais sofisticado) começa a falar de parallax, paracax, QR code, shenanigans, bluetooth, com ponta da língua entre os dentes e tudo. E tira dos bolsos referências e mais referências, e fala de códigos e siglas e engajamentos. E tira de seu trabalho a magia. Paixão pelo que está apresentando? Cadê? Não sei. Talvez ela esteja escondida em algum rodapé entre o slide 45 e o 59.

Estou achando é que perigamos virar uma geração de antenados, no pior sentido da palavra. Porque se deixar, recebemos conteúdo e mais conteúdo, sem tempo de deixar que ele se misture em nossa cabeça e vire coisa nova. Estamos é virando um bando de esponja com antenas, devolvendo para o mundo job requentado, tecnologia sem sentido, coisa que é legal até a página 1. Vou te contar, hoje, a (má) propaganda anda sendo um tal de botar chantilly em falta de ideia.

Que dá saudades dos tempos do pão com manteiga. Aquele em que, em vez de se pensar primeiro na plataforma, ou na última tendência do FWA, não se pensava. Intuía-se.

E aí sim, depois que a ideia nasce, depois que ela sai da sala de reunião brilhando, com gente sorrindo e com aquele jeitão de que quer mudar o mundo, aí sim ela vai em busca da melhor tecnologia para existir bem. Porque aí sim até wireframe pode ser lido com paixão.

Ufa.

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O livro que você não pode colocar na sua “pilha de livros para ler”

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Porque essa pilha de livros para ler é uma das coisas da vida que são assustadoras, que vão se acumulando, prontas para serem devoradas por nós,  com jeitinho, na verdade, de que nos devorarão. A minha fica dentro do meu guarda-roupa e já está quase saltando pra fora, inda mais agora que resolvi reler Os Miseráveis depois de 10 anos (e continua bom, viu?). Aí que a DraftFCB criou uma campanha em prol de novos autores, incentivando nós, leitores, a ler mais rápido e parar de empilhar livros pela vida.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas pra mim deviam era fazer um desses pra escritores. Já pensou? Um software que apaga seus escritos se você demorar mais que 12 anos pra escrever? Ia ser muito sucesso.

 

 

Nota mental e a habilidade de saber de quem ouvir críticas

Dia desses tive uma conversa inusitada com alguém que admiro muito profissionalmente. E foi sensacional. Inspiradora, animadora, coisa bonita, mesmo. E lembrei de um aprendizado que tive lá atraszão, lá no meu primeiro emprego oficial, em que um dentista bastante incompetente criativamente me cobrava de minuto a minuto que eu fosse mais criativa.

É óbvio que eu me achava muito incompetente.

É ótimo que, tempos depois, pessoas que eu considero geniais me descobriram, me contrataram e gostaram de mim.

Ainda sou assim otimista acreditando que o mundo é feito de pessoas talentosas – o caso é só que alguns talentos não combinam com você. E você nunca – EU DISSE NUNCA – anote o que estou falando – NUNCA – deve deixar alguém cujo talento você não admira colocar seu talento para baixo.

Tá bom? Agora pode seguir com seu dia, porque esse post foi uma nota mental pra mim mesma.

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Das coisas que não.

Processo de trabalho, processo criativo, organização… isso não se ensina, não se cerceia, não se cobra. Se aconselha e olha lá. Ou você descobre que cada um tem o seu ou vai ficar o resto da vida tentando ensinar peixe a voar.

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De vez em quando eu devia reler isso

Faz uns 5 anos que me formei.

Ponto, parágrafo na outra linha.

E ao assistir a esse discurso do Michael Lewis em Princeton, lembrei do meu discurso de oradora da turma, quando foi a minha formatura. Foi tão gostoso, tão… tão aplaudido, que até o Tas, que tinha sido nosso patrono, retuitou e elogiou às pampas. Tão gostoso isso. O tempo passou e resolvi reler o menino pra ver se ainda faz sentido.

A gente tem noção da responsabilidade que é ser oradora da turma de Publicidade e Propaganda. Quando eu disse que ia ser oradora, minha mãe falou o de sempre: AI, FILHA, QUE LEGAL, VOCÊ É TÃO CRIATIVA. FAÇA UM DISCURSO MUITO CRIATIVO.
A esperança dela era que a gente criasse um discurso que fizesse tanto sucesso quanto o Use o Filtro Solar. Que um dia, quem sabe, virasse um vídeo no YouTube lido pelo Pedro Bial.
Aí, como boas publicitárias, a gente tentou ser artista: pensou em se inspirar no Arnaldo Antunes e fazer umas rimas abstratas.
A gente tentou ser moderna: pensou em escrever um discurso em 140 caracteres que coubesse no Twitter.
Só então a gente resolveu começar do começo. Então, nos fizemos a seguinte pergunta: o que é fazer Comunicação Social na Faculdade Cásper Líbero?
Enfrentar a fila do Monet, no terceiro andar, disputando atenção com as belas e escovadas meninas de Relações Públicas – um curso que a gente até hoje não entendeu.
Discutir política com o pessoal de Jornalismo, tentando não confundir os caras, todos iguaizinhos o Marcelo Camelo.
Passar pelo pessoal colorido de Rádio e TV. Todos eles sonhando ser grandes diretores, mas aceitando quem sabe começar a carreira como redatores na Gazeta.
E o pessoal de Turismo.
E por fim… ah, nós, os publicitários. Nós, os artistas que não deram certo. Os administradores que eram legais demais pra fazer administração e medrosos demais pra ser cineastas. Os criativinhos se achando alternativos porque usavam Allstar. As atendimentos, bonitas, eloquentes e presentes em todas as baladas. Os mídias, que descobriram o que era ser mídia lá pelo terceiro ano da faculdade. Os planejamentos, criativos frustrados que trocaram o Photoshop pelo PowerPoint. Os que estão em empresas, os temidos clientes, lidando com toda essa fauna. E os veículos, que passam a vida bajulando ora um, ora outro.
E todos, de um modo geral, que aguentaram os quatro anos de faculdade sendo apresentados como “o sobrinho que faz JORNALISMO na Cásper Líbero”. Todos, de um modo geral, que sempre vão ouvir das pessoas “MUITO LINDO SEU ANÚNCIO”, mesmo que não tenham sido os responsáveis pela sua beleza.
É incrível: você pode dizer: “mas eu só fiz o texto. Mas eu só fiz o planejamento de mídia. Mas eu só servi o café”. Não adianta. Aquele logotipo amarelo e roxo e o garoto propaganda vão chamar sempre mais atenção.
Quem se forma em 2009 encontra um cenário peculiar. O que na verdade é um eufemismo pra “um puta cenário desanimador”: a crise (a gente precisava falar nela, é hype), suas mil demissões e o mercado instável. Isso fez a gente se formar sem ficar muito sossegado. E isso é muito bom.
Ano passado, dois profissionais de grandes agências tiveram uma famosa discussão sobre o que os publicitários devem fazer na crise. Um deles, o Nizan, dizia que com a crise se deve apostar no óbvio. O modelo antigo: propaganda na Globo, com a Ivete Sangalo cantando um jingle! O outro, o Fábio Fernandes, falava: tem que apostar no novo. Agora é a hora de se jogar, ousar, ser mais criativo e testar um novo modelo de propaganda.
E a gente? Escolhe a Ivete ou o assustador desconhecido? Agora já era. A gente tá aqui, já passaram os Jucas, no máximo temos umas DPs pra fazer. Chegou a hora de decidir. O certo? Não se sabe. Mas a nossa obrigação, a gente desconfia: quem acaba de cair no mercado tem que aproveitar o embalo – se jogar no novo, no mais simples, no mais criativo. No que faça as pessoas usarem a cabeça. Que não confunda público alvo com painel de tiro ao alvo. É mais do que nossa obrigação. O mundo tem que mudar, e a gente tem que ajudar nisso.
Ou é isso, ou a fama de publicitário vai continuar aquela coisa linda: gente que só sabe enganar pessoas e comer criancinhas bebendo uma Original no happy hour. Ou pior, gente que só sabe fazer aqueles anúncios das Casas Bahia.
Aí vêm as pessoas sagazes e perguntam: se todas as pessoas do mundo desaparecessem e sobrassem só alguns profissionais, qual seria a utilidade de um publicitário? Publicitário não salva vidas, como um médico, não constrói pontes, como um engenheiro. Só faz umas piadinhas medíocres e ganha Cannes.
Mas um publicitário teria uma boa ideia. Essa é nossa utilidade. Propaganda é mais que um anúncio foda. É ter ideias, e fazer com que elas aconteçam. É pensar em alguma ideia genial que usaria um estetoscópio de um médico pra construir uma ponte engenhosa. É usar tudo como fonte de inspiração, pra melhorar a vida das pessoas. Se não é, devia ser.
Pra terminar, agora menos corporativas, vamos falar mais da vida. Aqui vai um trecho de um post de um amigo nosso que também está se formando agora. Ele escreveu: estamos em crise na crise. Fora a crise global, é a nossa crise interna dos 20 e poucos anos que nos atormenta, e nos faz pensar o que estamos fazendo das nossas vidas.
Que história queremos contar depois? Ser feliz profissionalmente, bem sucedido, ganhar bem, morar numa cidade bacana. Isso é tudo? O fundo da questão é maior que esse: é ser uma pessoa interessante, e tornar o mundo mais interessante.
Se fosse uma estratégia de marketing, seria esse um Objetivo Geral. Tornar sua vida, e a dos outros, mais interessante, é o que importa. Ter impressões, não de banner, mas do mundo. Compartilhar arquivos online, mas lembrar que o mais legal ainda se compartilha offline.

Hoje, cinco anos de vida e de alguma experiência depois, posso dizer: as piadas e citações da faculdade não fazem mais o menor sentido (e como isso é estranho/triste/normal, né…?) e o amor pela publicidade não acabou porque ele nunca existiu. Porque sempre fui apaixonada por ideias, e não por títulos – e hoje cada vez mais acredito que publicidade vai se entrelaçar com design (não é à toa que estou fazendo pós em design), porque quem manda são as ideias. Ou deveria ser. Não fosse o excesso de crença na tecnologia pela tecnologia, o excesso de veículo gordo, excesso de happy hours, o excesso de departamentos querendo trabalhar um contra o outro e a falta de gente legal que consegue criar uma boa ideia sem consultar o FWA ou pedir permissão.

...

O futuro é dos humanos

Vocês já devem ter ouvido falar (ou visto, vocês aí, os mais moderninhos) as tais impressoras 3D (eu mesma nunca vi, mas tenho pavor só de imaginar o tipo de bugs que elas irão dar, se as 2D já nos deixam na mão…). No melhor estilo Deep Blue vs. Kasparov, uns caras organizaram uma competição entre o genial Dominic Wilcox e uma dessas impressoras do futuro.

uhul!

O que nos faz refletir sobre a relação arte humana versus arte da máquina e toda aquela coisa que já foi discutida até esgotar há décadas atrás – mas que sempre é bom relembrar, vendo tanto diretor de arte dependente do computador por aí. : )

Olha o vídeo. É curto e divertido!

 

Você está convidado para um jantar

Dia 5 de outubro, às 19h, é dia de reunir até 8 amigos geniais em um jantar e, na sobremesa, decidir um projeto que pode mudar o mundo. Essa é a ideia lançada pelo pessoal que organiza a conferência The Feast, basicamente um evento feito pra gente que quer sacudir as coisas um pouco. Achei super bacana e talvez faça um desses em casa, só pela diversão e pela motivação. O filme explica um pouco mais a ideia (só tente abstrair do cabelo esquisito do cara à sua direita porque tá foda). E aqui tem mais detalhes.