A caixa

Para pensar fora da caixa, você tem que conhecer a caixa muito bem.

Mirror-Box

Ouvi mais ou menos isso em um curso on-line que estou fazendo e achei muito coerente. O mundo artístico está cheio de gente que já quer chegar pensando fora da caixa, mas nunca nem viu a caixa, nunca foi lá ver o que tinha dentro, pra começo de conversa. Daí vêm tanto texto raso, ideias sem raiz, estilos gratuitos, tudo jeito de fingir que sabe tudinho daquilo que nunca viveu. Artista tem que viver de tudo, ter amigos descolados e colados, velhinhos e novinhos. Assumir que não sabe tudo. Questionar todo mundo – mas entender todo mundo. Pelo menos é o que eu acho. 🙂

E por que ando quietinha, vocês me perguntam.

Porque nesses últimos dias muitas coisas começaram. Peguei um freela gigantão (eba!), fiquei noiva (eba!!!!!!), peguei firme na dieta (uns belos quilos a menos, Deus abençoe o Keep Light) e comecei um blog novo (oi?), o Cozinhando a Internet (que também está meio abandonado, por conta disso tudo aí).

Mas volto, como sempre voltei, como voltei hoje. O freela está acabando, o noivado está só começando… 🙂

Fran feliz

Nota mental e a habilidade de saber de quem ouvir críticas

Dia desses tive uma conversa inusitada com alguém que admiro muito profissionalmente. E foi sensacional. Inspiradora, animadora, coisa bonita, mesmo. E lembrei de um aprendizado que tive lá atraszão, lá no meu primeiro emprego oficial, em que um dentista bastante incompetente criativamente me cobrava de minuto a minuto que eu fosse mais criativa.

É óbvio que eu me achava muito incompetente.

É ótimo que, tempos depois, pessoas que eu considero geniais me descobriram, me contrataram e gostaram de mim.

Ainda sou assim otimista acreditando que o mundo é feito de pessoas talentosas – o caso é só que alguns talentos não combinam com você. E você nunca – EU DISSE NUNCA – anote o que estou falando – NUNCA – deve deixar alguém cujo talento você não admira colocar seu talento para baixo.

Tá bom? Agora pode seguir com seu dia, porque esse post foi uma nota mental pra mim mesma.

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Amar o que se faz

Tem um restaurante italiano no canto do Itaim que ganhou meu coração – o Millesapori. Não porque a comida seja algo fora do comum ou o local tenha alguma frescura daquelas que me enganam e a paulistanos em geral.  Mas sim por causa do seu dono, o Vito Simone, um italiano que é um dos caras mais divertidos que já vi trabalhando em um restaurante. Sabe gente que ama o que faz? Ele é desses.

Ele conversa com todo mundo que entra no restaurante, para ao lado da mesa, oferece repeteco, conta de cada prato que preparou no dia com um gosto que parece que todo dia é uma novidade para ele. Tira macarrões do bolso para explicar a diferença entre cada tipo de pasta. E está sempre animado. Aqui tem um post que fala mais dele e do restaurante, em detalhes.

Sabe a diferença entre gente que volta da cozinha com cara de mau humor e comenta que “não temos este prato, sinto muito” e o Signore Vito, que volta falando “querida mia, sinto muitíssimo, mas todo mundo quis comer esse prato hoje, então fiz esse aqui diferente só pra você”? É amor? É alegria? É energia?

Eu não sei bem o que é, mas isso me inspira tanto. Ir lá não é apenas um almoço. É uma epifania. Eu volto ao trabalho com uma vontade de agir como ele. Porque, ora, eu gosto do que faço. E se gosto, o que me impede de tratar cada job como ele trata seus pratos?

A se pensar. Quando eu vejo grupos de colegas de trabalho almoçando e reclamando sem parar de seus trabalhos, fico triste. Vejo o quanto isso é normal, e fico imaginando como o mundo ia ser muito mais legal se todo mundo trabalhasse com o que gostasse e (mais importante) não deixasse a paixão acabar. Pensa em qualquer coisa. Sei lá, num pão francês. Pensa por quantas mil pessoas esse pão francês passou antes de chegar no seu estômago. Agora imagine o tanto de energia negativa que esse pobre pão carrega, acumulando desde o mau humor do plantador de trigo até a TPM da caixa de supermercado. Agora imagine como ele seria mais gostoso se não fosse assim.

Todo mundo podia lutar pra ser igual Vito Simone. Por que não animar os fregueses e os colegas de trabalho, enquanto se diverte?

É o que diferencia gente feliz de gente amarga. Já vi um cobrador de ônibus ganhar uma festa surpresa dos passageiros (sim, acredite. Cada um levou um quitute – ele merecia). Já vi um taxista carregar uma pasta com CDs de todos os estilos musicais e perguntar qual meu estilo favorito pra deixar a viagem de táxi mais a meu gosto. Já vi vendedor ambulante conseguir vender enquanto faz um repente. Já vi dona de casa que nasceu pra isso, com muito amor.

Sabe o tal diferencial que as revistas de emprego pregam e tentam ensinar em manuais? Eles aí sabem.

Autoajudando a autoajuda

Sei disso porque já passei por essa fase, e bem cedo, na época em que levar um livro da Agatha Christie pra ler na hora do recreio era símbolo máximo de literatura: é que todo leitor que se considera “iluminado” passa por uma fase em que ele descobre o que é que o difere do “leitor comum”. É quando ele começa a olhar com cara feia as listas de best-sellers e dá uma risadinha disfarçada ao ver aquela senhorinha de crocs e coques lendo aquele livro que está na moda. É quando ele passa de nariz empinado pela seção de autoajuda, alimentando o senso comum de que livros de autoajuda são coisa de gente burra.

Resolvi fazer esse post depois de perceber muita gente confessando pra mim, meio sem graça, olhando pros lados, que estava lendo determinado livro de autoajuda. Gente bacana que fala isso quase que pedindo desculpas, como se essa declaração fosse um ingresso pra que eu fizesse um Bücherverbrennung com eles em plena praça da Sé, jogando na fogueira livros, pessoas, Paulos e Coelhos.

E espera aí, que não é por aí. Claro, existe muito livro de autoajuda safado por aí, de gente que inventa regra pra tudo e escreve meia dúzia de afirmações óbvias, pensando na grana – e isso já subverte o papel final do livro.

Mas a autoajuda em sua essência não precisa ser isso. Esse gênero pode ser bem escrito, deve trazer alguma coisa bacana, alguma coisa que te faça sentir bem porque primeiro te fez sentir alguma coisa, porque te conta coisas novas, coisas inteligentes, porque te mostra um novo viés para viver (e o legal é que, sob essa ótica, qualquer livro de literatura pode ser uma autoajuda disfarçada).

O problema não é a autoajuda. É a autoajuda que não te acrescenta nada, que faz você ler e achar bacana, copiar uns textos na sua timeline do Facebook e continuar lá, todo bacana. Isso se aplica a todas as autoajudas dessa vida. Terapia bem feita é autoajuda, crença sincera é autoajuda, exercícios físicos regulares são autoajuda. E se você está saindo do consultório, da igreja ou da academia super de bem com você mesmo todos os dias, sem uma dorzinha lá ou acolá, lamento informar: ela não está te ajudando em nada.

Por isso, da próxima vez que você for me contar que está lendo um livro autoajuda, não precisa se esconder. Você está lendo ele do jeito certo? Você já está colocando em prática na sua vida? Você tem vontade de ir a fundo e entender as bases do que você está lendo?

E principalmente: ele te ajudou?

Então não me interessa se é cafona ou não.

Com o tempo você pode até ir migrando de estante e descobrindo novas formas de se fazer autoajuda, uma que não envolva, necessariamente, fórmulas prontas para o sucesso ou fotos dos próprios autores com seus dentões brancos em exposição.

Isso é autoajuda:

Isso é autoajuda:

Isso é autoajuda:

Isso é autoajuda:

Isso é autoatrapalhação:

Isso é automóvel:

steal.

Steal like an artist, como diria Austin Kleon.

“Nada é original. Roube de qualquer lugar que pareça inspirador ou preencha sua imaginação. Devore filmes antigos, músicas novas, livros, pinturas, fotografias, poemas, sonhos, conversas aleatórias, arquitetura, pontes, placas de rua, árvores, nuvens, poças d’água, luz e sombras. Escolha roubar apenas do que fala diretamente com sua alma. Se você fizer isso, seu trabalho (e furto) serão autênticos. A autenticidade tem um valor incalculável; a originalidade não existe.  E não se incomode em esconder sua ‘bandidagem’ – celebre ela, se você quiser. Não importa o que aconteça, lembre-se sempre do que Jean Luc Godard disse: ‘Não é daonde você tira suas ideias – é para onde você as leva.”

proatividade não é importante só no currículo

Sabe trocar papel higiênico no banheiro?

Sabe colocar o açúcar no açucareiro?

Tô cansada (no outro sentido da palavra, não fisicamente cansada) de fazer isso por onde vou. São umas coisinhas tão mínimas, mas pouca gente faz. Sei lá se é problema de criação, se nunca morou sozinho ou se comeu muito Fandangos quando era criança e ficou acostumadinho. Não, as coisas não têm vida própria e não se criam sozinhas. Não custa fazer, você perde umas calorias e ainda melhora as coisas pra você mesmo.

E isso vale pra vida. Porque acredito que quem não levanta o dedo nem pra tirar a pasta de dente que caiu na pia não vai se preocupar com salvar, salvar o planeta, ou salvar-se se puder.

Depois que me formei, percebi que muita coisa do que a gente faz (ou não faz) nos trabalhos da faculdade, a gente leva pra vida. Sério, pode perceber. Tenta marcar uma balada com seu grupo de trabalho da faculdade. O proativo vai marcar, o esforçado vai se esforçar e o reclamão vai reclamar. Afinal, somos a mesma pessoa, produzindo um vídeo ou lavando o banheiro.

Isso é pensável. Não consigo entender falta de proatividade. Preguiça de viver? É tão gostoso ser atento, sair e fazer.

Vale pra vida.

um pouco de teoria

Que vergonha eu voltar a atualizar aqui falando difícil, mas esse vídeo que o Sollero me mandou é bem interessante pra quem trabalha com criatividade, propaganda, entretenimento, mídia, ou só gosta de internet e de pensar um pouquinho.

Não consigo embedar o vídeo 🙁 – clica aqui pra ver!

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