16 anos.

Hoje, faz 16 anos que eu comecei a criar esse adolescente louco no qual ele se transformou.

Willifill. Meu rebento, meu primeiro filho, meu livro, minha fantasia, minha ficção, minha história que vai nascer esse ano.

Muito já pensei se demorar dezesseis anos para escrever um livro seria um absurdo. Seria ridículo, teimosia, um pouquinho patético, até.

Ainda acho que se ele não der certo (um pouquinho que seja) vai ser meio triste. Vai ser bem ruim ouvir tanta gente falando “mas dezesseis anos… pra isso?”. Que eu deveria ter desistido, mudado de ideia, investido dezesseis anos em outra coisa (se fosse em banco, eu tava rica).

Mas, sei não.

Um dos pontos fundamentais da minha história é que ela se passa em uma terra fantástica em que tempo não existe. Passado, presente e futuro se misturam, não existe hora, não existe mês, não existem 16 anos.

Acho que combina bastante com ele. Um livro que ignora tanto o tempo passar tanto tempo sendo feito.

Desejo mais tempos assim. Menos calculistas. Menos contadinhos. Menos temporais. Mais ensolarados.

 

 

 

Na correria

August 1936:  Constantine Kondyllis carries the Olympic Torch over the first part of the 3000km stretch from Olympia to Berlin for the start  of the 1936 Olympic Games.  (Photo by Hulton Archive/Getty Images)

Há tempos faço um exercício enorme para evitar a correria. Quero dizer, evitar a resposta fácil para a pergunta: “e aí, como estão as coisas?”. Não sei se é só coisa de São Paulo, mas parece que é um acordo comum da sociedade responder a isso: “correria, cara, correndo, né”. E, embora eu esteja com coisa até a tampa pra fazer, dizer que estou correndo é mentira, porque não estou correndo. Estou fazendo crossfit e morrendo várias noites por semana, mas não estou correndo. Para falar a verdade, na maior parte do tempo estou é sentada, às vezes olhando desesperada para minha agenda e para o relógio e parando para pegar uma água ou ir ao banheiro. Ou um café.

A verdade é que sim, contrariei minhas expectativas e estou com bastante coisa pra fazer, bastante mesmo – e aprendi que isso é UMA DELÍCIA de dizer quando você está trabalhando para você mesmo, o que, sim, em última instância quer dizer dinheiro entrando (nem sempre “bastante mesmo”, mas alguma certa quantia feliz) 🙂

E por causa disso estou atualizando menos o blog do que gostaria etc.

Ontem foi um domingo legal, em que não saí de casa para nada, e fiquei tentando acordar por 4 horas até levantar quase 12h, comer um bolo que descobri ser delicioso da Bolo da Madre e passar o resto do dia trabalhando (pois sim!), para terminá-lo vendo a nova febre do momento aqui na Mansão Almeida-Guilen – a Parks and Recreation – e demorando para entender que horas eram. Meu cérebro convive há 28 anos com as mudanças do horário de verão e inverno, mas ainda não sabe lidar lindamente com essas alterações.

A dica final do dia é o projeto da Silvia Strass, nova conhecida dessa nova fase da vida que mostra que a vida e suas coincidências são essa coisa linda. Assistam aí embaixo, depois cliquem, ajudem e sonhem.

 

Beijinhos.

A ilha das ideias

Fredrik Härén é um cara que trabalha com o que eu sonho em trabalhar: ele inspira pessoas. Speaker. Taí uma coisa que eu gostaria de ser. Adoro falar.

Fredrik Hären também é dono de 3 ilhas desertas nas Filipinas e nas proximidades da Suécia, o que ajuda bastante.

Aí que ele as batizou de Ideas Island.  E aluga suas ilhas por 1 semana, de graça, para pessoas que tenham grandes ideias e queiram trabalhar nelas ininterruptamente, por 1 semana. Sim. De graça. Quer dizer, basta convencer o moço que sua ideia é ótima e doar US$ 1.000 para uma instituição de caridade que o moço escolher. Mas, convenhamos, pra quem está a fim de colocar as ideias em dia, isso é uma pechincha.  A seleção do cara é bem criteriosa: nada de lua de mel, nada de festinha com amigos, nada de teretetê. Você precisa provar que vai pra lá trabalhar em sua ideia. Legal, né? Dá uma olhada nas belezinhas:

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Lendo os depoimentos dos beta testers que conseguiram se hospedar nas ilhas, achei interessante os motivos que os levaram a ir até lá. Quase todos são os mesmos: fugir das pequenas coisas da rotina que os atrapalham de criar. E se a gente for parar pra pensar… a ilha é quase uma peninha do Dumbo, né? Por que será que criamos melhor se estivermos isolados e formos forçados a trabalhar nas ideias? Ou SERÁ que criamos melhor assim?

Como é sua ilha das ideias no meio da selva da cidade? 🙂

Quando eu tinha 21 anos, achei que esse seria um post legal pra hoje

Backlog é um termo que emprestei do meu namorado tecnológico e tão neurótico por listas quanto eu. A verdade é: descobrimos um jeito de não enlouquecer por não conseguirmos fazer tudo o que queremos nas 24 horas que temos. Pra não perder nada, vamos separando cada coisa em um backlog, uma lista, e separamos um tempo na vida para ver cada lista. Eu, por exemplo, tenho a lista de lugares para ir com o mesmo namorado supracitado, tem a lista de bandas para baixar (baixo uma por semana há mais de ano), a lista de filmes para ver, a lista de coisas bonitas para comprar quando tiver dinheiro, a lista de links para ler e a lista de posts para fazer.

E é aqui que entra esse post, mostrando as falhas dessa minha descoberta. Porque hoje apelei para a minha lista de posts para fazer, e descobri que ela está com uma defasagem de cerca de quatro anos com a realidade. Bem, caso vocês não tenham visto, esse é o vídeo de comemoração que a Almap fez para comemorar seu prêmio de agência do ano. Em 2009.

E é aqui que eu poderia ter um acesso de pânico (mas como assim 4 anos, isso nunca vai sincronizar, socorro namorado tecnológico), mas eu só tenho acessos de riso. Afinal, essa minha técnica me poupa de muito cansaço mental e sempre me oferece ideias novas, mesmo que – e talvez justamente porque – antigas. E, claro, tudo depende do bom senso. Nem todos os meus posts são datados, já que só recorro a essa lista quando estou curta de ideias. Mas, viu só, ela trouxe essa pauta interessante pro Palitos hoje.

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E se você medisse as coisas pelo tempo que elas levam?

Foi a ideia de Louise Klinker, como parte de um projeto de criação sob pressão. O tema: REPENSE O TEMPO!

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E você? Anda repensando bastante os tempos que gasta na sua vida? Há um tempo li esse texto interessantíssimo sobre o tempo. Sobre como lidar com ele e fazer tudo render muito mais. A técnica não é muito diferente das técnicas que se usam quando você quer economizar dinheiro ou calorias: é só começar a anotar tudo e contabilizar quanto tempo você gastou para fazer determinada coisa.

Aos poucos, você vai descobrir onde estão suas maiores perdas de tempo (lembrando que perda de tempo é muito relativa, varia conforme o que você escolheu para a sua vida), e vai saber substituir duas horas de atualização à toa do Facebook, por exemplo, por 2 horinhas a mais para pensar no projeto da sua vida. E aí? Topa o desafio?

O livro que você não pode colocar na sua “pilha de livros para ler”

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Porque essa pilha de livros para ler é uma das coisas da vida que são assustadoras, que vão se acumulando, prontas para serem devoradas por nós,  com jeitinho, na verdade, de que nos devorarão. A minha fica dentro do meu guarda-roupa e já está quase saltando pra fora, inda mais agora que resolvi reler Os Miseráveis depois de 10 anos (e continua bom, viu?). Aí que a DraftFCB criou uma campanha em prol de novos autores, incentivando nós, leitores, a ler mais rápido e parar de empilhar livros pela vida.

Tudo muito bom, tudo muito bem, mas pra mim deviam era fazer um desses pra escritores. Já pensou? Um software que apaga seus escritos se você demorar mais que 12 anos pra escrever? Ia ser muito sucesso.

 

 

Dia 19 faz 12 anos que comecei.

Então quer dizer que no próximo dia 19, faz 12 anos que comecei a escrever meu livro.

DOZE fucking anos.

Sabe o que é isso? Sabe o que é começar com uma ideia aos 13 anos de idade e não desistir dela até hoje? Começar com uma ideia antes de sequer começar o colegial, e resolver continuar com ela mesmo hoje, 5 anos de formada na faculdade, com uma vida quase minha. Isso significa alguma coisa. Significa que eu sou teimosa, ou lenta, ou, melhor: que essa história precisa ser contada, de uma maneira ou de outra.

Fucei na minha pasta Willifill empoeirada aqui e encontrei alguns presentes para celebrar a data.

O que me assustou é que a versão final do meu livro, a que eu sigo escrevendo até hoje, começou a ser escrita em 2004. Mesmo a versão mais recente já tem 9 anos. Puxa. Estou feliz. : )

A primeira página da primeira versão, em 19 de fevereiro de 2001:

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Algumas curiosidades: nesta época, Sandro e Manfredo eram os protagonistas da história. Seus apelidos: Sam e Fredo. E não, eu nunca tinha sequer ouvido falar nos personagens de Senhor dos Anéis na época. Outra: 4 anos depois desses escritos, nasceu a filha do meu tio Sandro. Seu nome? Lívia.

A primeira página da versão final, em 10 de outubro de 2004:

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Um desenho (terrível) que fiz do livro em algum momento inicial destes 12 anos:

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E talvez a triste razão pela qual eu demore tanto, trazida à luz pela protagonista de minha antiga tirinha, em 2008:

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Eu não era foda, eu era solteira

Desentupidor de cérebro

Sabe por que você pode estar numa fase meio ruim das ideias? Vai ver é porque seu cérebro está entupido. Olha que palestra legal essa, com dicas de como esvaziar seu cérebro. Basicamente, o segredo é tirar a preocupação da cabeça e transformá-la em parte de uma lista de afazeres com data pra ser concluída. Ponto pra quem já fazia isso antes de ver a palestra (eu)! rá!

Assista aqui e enjoy!

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