Como ser mais criativo?

Tá, como se fosse fácil assim – pensa você, bonachão. Não nasci criativo, não sei fazer essas coisas que as pessoas descoladinhas e criativas fazem. Calma, amigão. Nada debaixo do sol é fácil (a não ser engordar e gastar dinheiro, mas, enfim, não é disso que quero falar *começa a chorar*). Mas ser criativo não é nada assim tão complexo quanto os grandes gênios da publicidade que fazem vídeos como esse demonstram. Vai muito de intuição, personalidade e de toda a bagagem cultural que você teve sorte de ganhar desde o berço, sim. Mas também existem algumas técnicas e dicas, que o Leo Babauta organizou bem aqui. E eu concordei e traduzi aqui, sabendo que cada uma dessas dicas tem sua hora certa no processo criativo:

  • Brinque.
  • Não consuma (arte) e crie ao mesmo tempo – separe os processos.
  • Reflita sobre sua vida e seu trabalho diariamente.
  • Procure inspiração nas pequenas coisas ao seu redor.
  • Comece pequeno.
  • Deixe fluir, não importa quão ruim o primeiro rascunho esteja ficando.
  • Não busque a perfeição. Apenas deixe fluir, imediatamente, e então peça feedback.
  • Melhore constantemente.
  • Ignore as pessoas negativas.
  • Mas cresça com as críticas.
  • Ensine e você irá aprender.
  • Mexa as coisas, veja as coisas de novas maneiras.
  • Aplique conhecimento de outras áreas no seu trabalho, de jeitos nunca feitos antes.
  • Tome quantidades absurdas de café.
  • Escreva todas as ideias, imediatamente.
  • Transforme seu trabalho em lazer.
  • Brinque com crianças.
  • Saia, se mexa, veja novas coisas, fale com novas pessoas.
  • Leia coisas completamente diferentes. Principalmente das quais você discorda.
  • Descanse muito. Muito trabalho mata a criatividade.
  • Não force. Relaxe, brinque, e aí sim vai fluir.
  • Deixe sua mente flanar. Distraia-se um pouco quando você está procurando por inspiração.
  • Aí, quando você for começar a criar de fato, desligue tudo.
  • Faça enquanto você estiver empolgado.
  • Se não estiver, tente encontrar outra coisa que te empolgue.
  • Não tenha medo de parecer boboca.
  • Ideias pequenas são boas. Você não precisa mudar o mundo – pode mudar apenas uma coisinha.
  • Quando algo está matando sua criatividade, mate esse algo.
  • Pare de ler dicas de como ser mais criativo, largue tudo e apenas crie.
  • Acima de tudo, divirta-se no processo.

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Alguma coisa é melhor que nada

Ah, então você está aí! Lendo esse blog, deitado em posição fetal, se lamentando porque tem quinhentos projetos dançando dentro da sua mente nesse exato instante, mas nenhum deles parece querer cair fora dela e sair para o mundo.

Então dá cá um abraço. Somos dois. Somos mil, somos milhões.

Acho que pode te fazer bem um parágrafo que a Keri Smith escreveu com dicas para ilustradores que querem expor seu trabalho ao mundo e se tornar conhecidos. Porque a Keri Smith é incrível e eu daria um abraço nela todo dia. O que ela diz é o que se lê a seguir:

“Como uma procrastinadora de mão cheia, acho fundamental adotar uma técnica muito simples: estabelecer pequenas (às vezes, ridiculamente pequenas) metas que eu possa cumprir rápido e facilmente. Acredito que existem 3 grandes barreiras para se lançar ou reinventar uma carreira, e todas elas têm a ver com a nossa percepção da situação, não com a realidade:

  • Sentimos que temos muita coisa pra fazer, e já que não vamos conseguir fazer tudo ao mesmo tempo agora, é melhor nem começar a tentar.
  • Temos expectativas muito irreais do que vai acontecer (tipo ‘quero um emprego na New Yorker semana que vem’), e ficamos desmotivados quando elas não acontecem.
  • Nos sentimos mal porque ficamos nos comparando com o resto do mundo.

O que esquecemos é que a meta, no começo, é apenas começar; ir em frente, em qualquer direção, já está bom. O importante é buscar a sensação de missão cumprida sempre, do jeito que você conseguir, mesmo que seja uma missãozinha mínima (tipo hoje eu lambi um selo). É por isso que adotei um lema recentemente: ‘ALGUMA COISA é melhor que NADA’. “

Leia a matéria inteira aqui. 🙂

Mais autoajudinhas

Afinal, Palitos de Fósforo nada mais é que um lar de autoajuda para criativos em apuros em busca da lâmpada. Afinal II, eu estou meio ocupada recentemente (mas bem que só), e tudo o que consigo digitar é Ctrl C Ctrl V. ; )

Inspirai-vos!

 

 

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+ Depressão

+ Autoajudando a autoajuda

Ideas + Energy = Change

Pense num TED com um sotaque lindo de morrer. Mais charmoso, acontecendo no País de Gales, dentro de uma tenda no campo. Estou falando do The Do Lectures, um ciclo de conversas inspiradas e inspiradoras, muito parecido com o TED, mas ainda mais focado num verbo que muito amo: FAZER.

The idea is a simple one— that people who Do things can inspire the rest of us to go and Do things, too. So each year we invite a set of people down here to come and tell us what they Do. They can be small Do’s or big Do’s or just extraordinary Do’s. But when you listen to their stories, they light a fire in your belly to go and Do your thing, your passion, the thing that sits in the back of your head each day, just waiting, and waiting for you to follow your heart.

To go find your cause to fight, your company to start, your invention to invent, your book to write, your mountain to climb. The one thing the Doers of the world Do, apart from Do amazing things, is to inspire the rest of us to go and Do amazing things too. They are fire-starters.

David & Clare Hieatt
Co-founders of The Do Lectures

Aqui você pode assistir às conversas, com temas como Uma ode à bicicleta, Faça as coisas da maneira mais longa, difícil e idiota, A importância de partos naturais em casa, Por que devemos valorizar a verdadeira excentricidade, Por que você deve dar uma festa todos os dias, Somos moldados por aquilo que não podemos fazer, A mente foi feita para termos ideias – não para segurá-las, O iPod mudou nosso relacionamento com a música?, Você pode ouvir o futuro?, A sabedoria dos pássaros, O que impede você de FAZER?, Por que valores são importantes, Você também pode inventar, A beleza das nuvens.

Ainda não vi nenhum inteiro, eu confesso! Ai de mim e de minhas olheiras, que crescerão exponencialmente com a chegada da minha pós. Mas se você conseguir assistir a um inteiro, me conta. Espero que saia ainda mais inspirado que eu fiquei depois de ver só alguns minutinhos de cada. (:

e eu nem lembrava disso!

Continuando nas minhas catanças, encontrei um presente que fiz para uma amiga em 2007. Era uma caixa com uma lâmpada, um punhado de café, um CD, várias fichas com sugestões e o manual de instruções transcrito aqui. 2012, estejas pronto para mais presentes assim. : )

MANUAL DE INSTRUÇÕES

Parabéns! Você acaba de ganhar os ingredientes para ter a sua própria Epifania®. Em breve, seguindo esse manual de instruções direitinho, você pode ser a feliz proprietária de uma Epifania®! Para isso, porém, é preciso fazê-la nascer e depois manter a danada viva. Epifanias® são um espécime raro, em extinção e um tanto delicados, exigentes pra chuchu. Para ficarem vivas por mais tempo que seu segundo inicial, precisam ser mantidas em um ambiente específico e alimentadas com uma ração especial, além de outras regalias e regras que só elas entendem. Estes são os 7 passos para o sucesso para uma Epifania® feliz:

Passo 1: retire sua Epifania® de dentro de sua caixinha-incubadora. Você saberá se ela está viva quando sua luz estiver acesa.

Passo 2: desembale a maçã. Siga os passos de Isaac Newton e faça-a cair sobre a sua cabeça. Porém, é importante que a maçã caia sem querer. Assim nascem as Epifanias®. Você não pode estar esperando, e tentar fazer com que ela aconteça sem querer pode apenas complicar as coisas. Dica: deixe a maçã em algum lugar alto de sua casa onde ela possa cair sobre sua cabeça a qualquer momento.

Passo 3: diariamente sorteie alguma ficha presente na caixa de idéias. Assim que você tiver despertado a Epifania®, o próximo passo é alimentá-la. A caixinha de idéias é a caixa de ração desse seu novo bichinho de estimação. Seu prato preferido é quase qualquer coisa que tenha idéias, seja em filmes, músicas ou textos. Porém, tome cuidado. Textos do Orkut em demasia contêm toxinas e podem matá-la a qualquer instante.

Passo 4: é importante que você não desista no meio dos Passos. É provável que sua cabeça esteja doendo com a batida da maçã e o sono te invadiu depois de ter lido a caixinha com idéias. Para se manter acordada e sem vontade de voltar à vida pré-Epifânica, sinta-se à vontade e sirva-se de muita cafeína. Ou qualquer coisa equivalente.

Passo 5: retire o CD da caixinha, e o coloque em um tocador de músicas (o lado brilhante fica para baixo). Saia pela casa dançando, enquanto faz faxina. O habitat natural das Epifanias® é um lugar muito agradável e cheio de músicas felizes. Se um dia sua Epifania parecer um pouco adoentada e desanimada, você vai ver como ela parecerá mais feliz ao ouvir determinadas músicas. Mesmo que você talvez não goste do estilo musical das ditas-cujas, sua criação vai gostar que você leia as letras para entendê-las melhor.

Passo 6 E MAIS IMPORTANTE: olhe para sua Epifania®. Ela parece viva ou ainda parece estar apagada? Se ela continuar apagada, aí entra a regra de ouro das criações de Epifania®: A IDÉIA IDIOTA. Idéias idiotas nascem com mais constância que as Epifanias®, mas as pessoas raramente dão tanto valor pra elas. Quando associadas à Epifania®, elas podem fazer maravilhas. Quando você presta atenção na idéia idiota, você mais tarde pensa: “Puxa vida, como é que não pensei nisso antes?”. Esse inclusive é o melhor slogan para toda e qualquer Epifania®. No caso, a idéia idiota que você não pensou antes é simples. Para colocar a Epifania® em funcionamento, basta uma simples e última coisa: ligar a lâmpada na tomada.

– só lembrando que na falta de lâmpadas, palitos sempre resolvem : )

Ser infeliz não paga a conta

Pois eu não nego que esse blog é de autoajuda. Tá ali, ó, lá em cimão. De autoajuda pra quem quer escrever e criar e tá meio perdido no caminho que leva até o interruptor que acende a lampadinha.

Vai daí que a Nathália me passou essa lista completamente de autoajuda, que, como sou muito bonitinha e brasileira, eu reproduzo em português pra vocês, e vale muito pra quem trabalha com ideias:

50 Maneiras de se tornar infeliz

  1. Se compare com os outros frequentemente.
  2. Se diminua.
  3. Não acredite nos seus sonhos. Acredite que sonhos só acontecem enquanto você está dormindo.
  4. Diga sim para tudo e todos.
  5. Trabalhe em um emprego que você odeia.
  6. Reclame de tudo.
  7. Reclame de tudo para os seus amigos.
  8. Desconfie de tudo.
  9. Enumere seus problemas.
  10. Acumule pensamentos negativos.
  11. Tente agradar todo mundo e deixe todos pisarem em você.
  12. Viva pensando no passado.
  13. Viva pensando no futuro.
  14. Foque no que ainda falta pra você.
  15. Foque no que você não quer.
  16. Necessite que outras pessoas vivam aprovando você.
  17. Pense em tudo que provavelmente pode dar errado na sua vida.
  18. Fique com ciúmes facilmente.
  19. Tenha inveja dos outros e nunca seja grato ao que você já tem.
  20. Imite outras pessoas pela sua falta de autoconfiança.
  21. Mantenha sua autoestima baixa e com isso faça com que gostem menos de você.
  22. Pense que o mundo gira em torno de você.
  23. Julgue os outros.
  24. Absorva todas as notícias ruins do jornal diariamente.
  25. Coma junk food.
  26. Transforme academia no seu pior pesadelo.
  27. Acredite que as coisas só podem ser da sua maneira.
  28. Não aceite a opinião dos outros.
  29. Durma pouco.
  30. Não tenha objetivos.
  31. Preocupe-se constantemente que o céu vai cair na sua cabeça.
  32. Faça muitos planos e nunca aja.
  33. Não planeje.
  34. Ache que todo mundo ao seu redor é babaca.
  35. Ache que viver não tem sentido algum.
  36. Seja o “Homem Se”. Se meu pai fosse o presidente, então eu serei bem sucedido. Se eu ___ então eu vou ____. (preencha as lacunas)
  37. Loteria é o único caminho para o sucesso.
  38. Tente controlar tudo o que você não pode controlar.
  39. Espere que as pessoas gostem de você.
  40. Espere que as pessoas sejam gratas a você.
  41. Nunca esqueça das críticas.
  42. Odeie as pessoas à sua volta que são bem sucedidas.
  43. Evite responsabilidades.
  44. Receba e nunca dê em troca.
  45. Faça as coisas que são fáceis.
  46. Trabalhe demais.
  47. Nunca perdoe.
  48. Nunca dê o seu melhor nas coisas que você faz.
  49. Seja perfeccionista.
  50. Escolha ser infeliz.

Vincent.

Então, ói só: posso ser muito ruim e chata, sim, mas num dia normal tento ser simpática com as pessoas. Coisas simples tipo dar bom dia, sorrir, puxar assunto. E, ei! Se fazer isso não te agradar por ser muito subjetivo e sem retorno garantido na pósvida, eu garanto que traz alguns retornos beeeeeeeeem objetivos. Senão vejamos:

Tem um restaurante em que vou, por exemplo. em que vivo ganhando salada e sobremesa de graça. Vai ver é porque converso com os garçons (porque acho o chef um gato).

Dia desses peguei um táxi e virei tão melhor amiga do taxista, que ele fez questão de andar mais uns quarteirões de graça só porque ia praquele lado mesmo.

Troquei sorriso por dinheiro e juro que foi sem querer.

Com isso, cheguei à conclusão de que um dia eu ainda serei o Don Corleone. HURRA.

que saite mais idiota

O último comentário nesse blog foi o da Marina, com a frase que deu título a esse post.

Curiosamente, nem foi ele que me motivou a escrever aqui. A verdade é que eu tinha parado porque achava meio idiota (olha só!) ter muitos blogs, quando posso escrever tudo o que escreveria aqui sobre criação, inspiração, vida profissional etc etc etc, no próprio Pargarávio.

Mas esses dias reli esse blog e achei ele legal. Gostei mesmo. Acho que ele tem uma vida própria. Então voltei.

O problema de ter muitos projetos é que nunca vou consegui-los divulgar a todos direitinho. Se eu enviar um minispam pros meus amigos a cada vez que faço um post em cada blog, vou ser odiada pra sempre. Então fico quieta, esperando que as estatísticas cresçam sozinhas.

Sonhadora.

Espero o dia em que chegará meu sucesso graças a alguma coisa muito nadaver, quando as pessoas vão descobrir todos os meus textos em todos os blogs e vão ficar loucas, e quererão (ah, que bela conjugação) publicar tudo em livros.

Por enquanto estou na fase de criação! Seja bem vindo de volta, Palitos. E inspire.

é

mas tive uma iluminaçãozinha (e deus abençoe os palitos que funcionam). Não é mais do mesmo. É uma homenagem a todos os livros de fantasia que li desde miúda.

Não, sério. Pior que é mesmo.

Agora encaro com mais auto-confiança. Pronto.

Tá salvo.

desfoquei

virgem maria, desfoquei.

o Palitos era pra ser mais isso e menos “meu dia a dia como recém chegada ao mundo publicitário”.

Tá. Comprei esse livro aqui. Deve chegar daqui umas 2 semanas. Lá vem uma resenha.

Enquanto isso, visite o blog da menina, que ela é genial. Faço desse texto que ela fez pro Ítalo Calvino meu (digo, não meu. Dela. Mas enfim, aqui está):

“August 05, 2008

to the ghost of Italo Calvino

Hi.

It’s me again.

I know we’ve had our little episodes in the past. Thank you for them. I know at times you’ve frustrated me a bit, but I’m willing to let go of all that because you keep me on my toes. Let me just say that I know you like to mess from people because after a wrote about you several people wrote me and told me that you messed with them too.

But I think it’s great. Really I do. I like that you are keeping us on our toes and opening us up to things that we all would rather not pay attention to. Like the fact that books have a life beyond the author, and that they are in many ways animate things. I’ve always believed that, you don’t need to convince me any further.

But I digress. I am calling on you for another reason entirely. You see I’m working on a new book. It’s something that I think you would really like. Scratch the “think”. I know. And I would like you to come and help me with it. I don’t need you to write it for me, just lend me some of your spirit. That would be perfect. I’m willing to put up with any shenanigans that you would need to inflict on me, (including hiding my books and moving things around a bit.) I don’t mind one bit.

And if you could contact Bruno Munari while you’re at it, maybe he could come and help too. Together we can all make something really great.

That’s all for now.

hope to hear from you soon,
creatively yours,
keri smith

p.s. I miss you.

Posted by kerismith”

gênio.

Ode à idéia natimorta

Então você é criativo, não é? Quando você era criança, sua mãe era daquelas que te dava Leite Ninho numa mão, um livro na outra, e programas da Cultura como trilha sonora. Na escola, se você não era dos quietinhos cdfs, era dos incompreendidos à la Calvin, que iam pra diretoria semanalmente, mas cujas notas superaam a dos quietinhos. Incompreendido. Não, não. Criativo. E você carrega esse fardo, meio orgulhoso, meio irritado com seus tios te olhando com aqueles olhinhos brilhantes, esperando seu próximo ato criativo, ou com seu pai, esperando você trocar de roupa antes de sair de casa, porque pra ele aqueles sapatos não traduzem uma combinação criativa.

Então você me entende. Então provavelmente você entende o conceito de idéia natimorta. Então você pode declamar comigo a ode à idéia natimorta.

São 24 horas no dia. Se sua cabeça não pára, deve ter fertilidade suficiente pra conceber umas 24 idéias por dia. 25 num dia ruim, uma em um bom dia. 23 delas não prestam, e você as joga no lixo hospitalar das idéias (não sem antes colocá-las num recipiente adequado à prova de plágio). E a outra uma é aquelas. Seu inconsciente [aquele velho senhor muito do inconveniente que trabalha escondido noite e dia, e só surge nos momentos inapropriados, com sonhos estranhos que resolvem te mostrar seus sentimentos inapropriados por pessoas inapropriadas] moldou a pequena, acertou os detalhes e a jogou em algum setor do seu cérebro, aquele que você gosta de chamar de zona da inspiração. [e zona é um ótimo nome, já que a inspiração nem sempre é uma moça de família, e tô pra ver alguém que curta mais do que ela esse negócio de só resolver funcionar em troca de dinheiro ou de um ou dois copinhos.] Uma vez tendo a idéia lá no lugar certo, chega a sua vez, já que esse processo, como quase tudo na vida, nada mais é do que um trabalho em série, cuja parte pior é de sua responsabilidade.

E aí o que você tem que fazer é fazer. Mas fazer nem sempre é a coisa mais fácil a se fazer. Porque assim que a idéia cai no seu cérebro, você certamente está lá, mais ocupado, assistindo Gilmore Girls e tomando café (porque Gilmore Girls dá uma vontade louca de tomar café, é fato) e vai adiar o momento da idéia por mais um tempo. Mas ela não é tão insistente a ponto de ficar chutando e implorando pra nascer, não. Se você não der atenção à pequena, no instante em que for botá-la no papel (ou no computador, ou na sua vida), ela se recusará a sair para o mundo, e você se verá diante de uma ex-idéia.

E todos vão dizer puxa, mas era uma idéia tão boa, tão cheia de vida quando era viva. E a Pollyanna vai dizer mas pelo menos você assistiu bastante tv enquanto não colocava a idéia em prática, e assistir bastante tv traz um pouquinho de matéria prima pro Senhor Inconsciente trabalhar. Consolar até consola. Mas você sabe muito bem que a vida real traz ainda mais matérias primas, e queima menos neurônios. E que a tragédia de uma idéia natimorta é tanto maior quanto o tamanho e importância da idéia. E que o tio Ben sempre esteve certo.

[texto escrito há 1 ano atrás e ctrlczado aqui porque reli e, puxa vida, gostei]

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