O que você me recomenda?

“Esse livro é legal? Tem algum desse gênero que você acha que eu ia gostar?” Rebenta de uma geração que viu bibliotecas só no seu finzinho de carreira, pouco antes do advento da Enciclopédia Abril 95 em CDs,  fico imaginando que, nos tempos em que visitar a biblioteca era comum como baixar músicas, os bibliotecários conheciam você como o dono da locadora do seu bairro (opa, outra coisa em finzinho de carreira) e sabiam te recomendar coisas muito legais.

Pois criaram uma versão virtual dessa figura, pra todo mundo que fica com siricotico assim que termina um livro, já pensando no próximo. Acesse The Book Seer e se regozije, meu bem!

Keep the trololo alive

A essa altura vocês já devem saber que Eduard Khil, também conhecido como Trololo, morreu essa semana, velhinho e farto de dias. Quero homenagear esse vovô que, ao que esse vídeo indica, tinha uma visão criativa de mundo bonita. Muito além do trololô.

“Thank you for getting this supply of cheerfulness and optimism while listening to this melody. Thanks to the internet and this energy that connects us all together we can be happy, laugh, love and bring up children.”

Encorajamento gratuito

Booooooom é o blog/site/reunidor de projetos do canadense Jeff Hamada. Booooom (vou sempre errar no número de Os, sinto muito) existe desde 2007, se não me engano, e desde sempre tem a missão de reunir gente disposta a levantar a bunda da cadeira e ser criativa.

Um dos trocentos projetos, um dos que eu mais gostei, foi o Free Encouragement, feito em parceria com o Design for Mankind. O funcionamento era simples: eles convidaram todo mundo que quisesse fazer sua parte para deixar o mundo um pouco menos negativo a escrever um e-mail com algumas palavrinhas de encorajamento. Podiam ser mensagens para alguém que as pessoas conhecessem, para elas mesmas ou para o planeta em geral. O resultado foram centenas de frases que são uma delícia de ler.

Gosto muito também da defesa do projeto:

So here’s the deal: There is just so much negativity all around us these days, have you noticed? It’s infesting the internet, it’s taking over the big screen, it’s cutting you off, it’s showing up on your bank statement, it’s staining your new shirt, it’s breathing down your neck, it’s not giving you a vacation, it’s talking behind your back, it’s stuffing you in a locker, it’s cheating on you, it’s charging you more, it’s giving you less, and it’s making you miserable!

It’s making me miserable! I don’t think I know of a single person who couldn’t use some encouragement, so here it is! This is a two-part project, and the first part is simple: We are going to create a gallery of encouragement!

Veja alguns dos meus favoritos abaixo (para os não anglofãs, a tradução está no mouseover)!

 

 

Presente de escritor

Essa tarde acabei caindo na Shakespeare’s Den, uma lojinha virtual que é o paraíso de leitores inveterados, drama queens, nerds, artistas e geniozinhos bem-humorados. Lembrei de vocês, e pela primeira vez, resolvi dissecar o site vendo tudo o que eles oferecem de batuta. E se não fosse minha falta de grana meu autocontrole digno de uma jedi, estaria na rua, despejada, com uma mão na frente e outra atrás MAS CHEIA DE BUGIGANGAS INTELIGENTES E DIVERTIDAS ME FAZENDO COMPANHIA.

A seção Presentes para escritores é uma das mais supimpas, mas tem coisinhas legais espalhadas por todos os cantos e pra todo mundo.  Triei algumas das que mais gostei pra mostrar pra vocês:

Chicletes com insultos de peças do Shakespeare.



Um kit com pena e tinta para escrever como um autor da Idade Média.


Um kit Bibliotecário para você que ama emprestar livros (mas ama ainda mais os seus livros).


Post its de TO DOs e TO DONT’s que você não vai ter coragem de ignorar.



Um diário temático pra você escrever suas jornadas.

Barra energética do Einstein.

Tão divertido!!!!

Não, não ganhei um centavo pra fazer esse post. Pena. 

DrawSomething e o Nobel da Paz

Dia desses a @luizasm disse que o @rafaelcapanema disse:

“o cara que fez o draw something deveria ganhar o nobel da paz”

E 3 dias depois de ter baixado o bendito app e ter passado 72 horas de puro frenesi e emoção com ele, só tenho a dizer: essa é a frase mais verdadeira do século XXI, que deveria ser transformada em abaixoassinado (tipo aquela petição pelo novo FOFY – cujo resultado continuo a aguardar, sôfregamente) e circular pelos e-mails e murais de Facebook como corrente etc.

É que esse aplicativo-joguinho é a coisa mais singela que já surgiu nessa tela. Porque você está lá, sem fazer nada, e de repente resolve desafiar aquele amigo-que-nem-é-tão-amigo assim, mas que figura na sua listinha do DrawSomething. E quando menos espera, você está compartilhando do processo criativo da criatura (é, PROCESSO CRIATIVO, é claro que eu ia falar disso): e compartilhar o processo criativo é de uma intimidade assustadora.

Tô falando sério. O que eu mais gosto é reparar no processo do desenho de cada um. Tem o doido que começa e apaga zilhões de vezes, o outro que capricha como se fosse expor o desenho no Louvre, outro que vai de primeira sem medo de ser feliz, outro que tem um dicionário simbólico MUITO ESQUISITO, e em vez de desenhar um ímã, desenha a mãe, porque ela lembra comida e comida lembra geladeira e geladeira lembra ímã – e o coitado do outro lado precisa acompanhar e adivinhar todo esse raciocínio. A mesma diversão é assistir ao outro tentando descobrir a resposta. Tem os que desistem fácil demais, os desesperados, os espertinhos literatos que ficam tentando juntar letras e ir por eliminação.

Acho que é meio como se sentir dentro da cabeça do outro. Você começa a descobrir outros processos de criação e de raciocínio, e realmente se esforça pra entender o que se passa dentro daquele crânio obscuro do outro lado do jogo. E o mais legal, o mais bonitinho mesmo, é que não é bem uma competição. A gente ganha e perde juntos. Cada parzinho se esforça pra ganhar junto, e pra isso precisa entender muito bem o outro – e ajudar. E sempre com um certo bom humor, porque não tem como brincar de ficar fazendo desenhinhos usando a expressão mais sisuda do mundo.

Eu acho é que o mundo tem muito o que aprender com o DrawSomething.

Agora desenha um arco iro.

keep calm and smash the potato sacks

Eu sei, eu sei que existem milhões de assuntos que estão na boca de todo mundo por aí (todo mundo menos a Luíza que está no Canadá) e que eu poderia dar minha opinião sobre eles aqui. O absurdo no BBB, o SOPA, os aprendizados que estou tendo com o projeto com meus avós, minha raiva do tamanho do mundo perante a mulheres que agem como sacos de batata na vida profissional, o novo jeito que descobri de secar meu cabelo, mas isso todo mundo já disse, todo mundo já sabe. É que passei no blog do Seth hoje e algo saltou aos meus olhos. E digo mais: esse algo não só saltou, como saltou e fez esta dança dos Nicholas Brothers aos meus olhos.

Eis o algo:

“The thing is, we still live in a world that’s filled with opportunity. In fact, we have more than an opportunity — we have an obligation. An obligation to spend our time doing great things. To find ideas that matter and to share them. To push ourselves and the people around us to demonstrate gratitude, insight, and inspiration. To take risks and to make the world better by being amazing.”

Seth Godin

Eu TATUARIA essa frase (se eu fosse dessas).

Ah. E se quiser ver algumas opiniões minhas sobre os assuntos supracitados, não deixe de me seguir no Twitter. Ando tagarela por lá.

E pra não falar que não falei do SOPA:

Chorei com poesia falada – e olha que nem gosto de poesia

Quarta feira daquelas que você não sabe bem se vai, se fica, se sobe, se desce, se chega no trabalho e só fica de fone torcendo pra ninguém olhar pra você.

E meu diretor me manda esse vídeo.

NaNoWriMo – 1 a 30 de novembro

Olha, uma das coisas mais legais dos últimos tempos tem sido as trocas de e-mails com a Cláu, cheios de planos e ideias. É dela que vêm saindo algumas descobertas fantásticas, como O NaNoWriMo, National Novel Writing Month, um evento que inspira escritores e aspirantes a escritores a pararem de reclamar e escreverem um livro de 50 mil palavras, do rascunho ao ponto final, em 1 mês.

Esse evento não tem prêmio, mas tem vencedores: todo mundo que conseguir escrever esse tal livro express. Tanto é esse o objetivo que os organizadores nem esperam que dessa experiência nasçam grandes obras primas (embora o famoso Água para Elefantes tenha nascido de uma brincadeira dessas). A graça, mesmo, é o desafio externo pra você sair da inércia, se esforçar e perceber que é capaz. E daí em diante caprichar de verdade.

“Qual é o objetivo? ‘O desafio é uma maneira maravilhosa de expandir a imaginação e soltar a criatividade’, diz o Fundador – Diretor Executivo (e vencedor do NaNoWriMo por 12 vezes) Chris Baty. ‘Quando você escreve prezando pela quantidade em vez da qualidade, acaba conseguindo as duas coisas. Além disso, tem uma bela desculpa pra não precisar lavar louça por um mês’. 

Mais de 650 voluntários regionais em mais de 60 países organizam Write-ins, que reúnem os participantes em cafés, bibliotecas e livrarias. Esses Write-ins servem pra formar um ambiente de apoio e até de uma certa pressão divertida entre os participantes, que funcionam muito bem e transformam o (normalmente) solitário ato de escrever em uma experiência compartilhada. Esse senso de comunidade vai além das páginas, inclusive – tanto que já tivemos dúzias de casamentos e pelo menos seis bebês resultantes do NaNoWriMo através dos anos.”

O jeito que eles tratam a ideia é que é divertido demais. Tem badges pra baixar, projetos com bibliotecas e livrarias de bairro, uma versão pra molecada e uma pra roteiristas e uma festa com comes, bebes, música… e 6 horas de escrita ininterruptas!

Eu estou aqui, feliz por finalmente ter minhas 58 mil palavras escritas em 10 anos e não posso nem sonhar em largá-las por um mês pra começar outras. Mas me inscrevi no grupo brasileiro do NaNoWriMo, que tem quase mil pessoas, e estou super curiosa, esperando ano que vem pra participar! : )

E você? Tudo bem que esse post veio com 5 dias de atraso, mas ainda vale.

CORRE!

calma, gente.

Não nego a ideia bacana da menina do Bradesco que deu uma resposta ao cliente no Facebook em forma de verso (ela contou com um fator sorte incrível aí – dificilmente, o banco anunciaria publicamente que ela “pulou 3 hierarquias e isso é genial” se, por um bater de asas de borboleta diferente, a resposta tivesse sido chamada de antiética, não-profissional e por aí afora). Não é esse o ponto. O que me assusta é como esse episódio está surpreendendo as pessoas – coisa de sair no ProXXIma com a frase “Poesia em atendimento de banco. Tabata, sinceramente, parabéns.” e uma babação de ovo que dá até tontura.

Fico triste em ver como um país que é dos mais relevantes nas redes sociais faz tanto barulho por uma atitude que é mais velha que andar pra trás nas redes de marca gringa. Há 2 anos já, fiz um benchmark em um projeto pra um órgão do governo e me inteirei sobre relacionamento nas redes por parte de órgãos públicos e governamentais de outros países. Os repressores-militaristas-conservadores EUA eram tão naturais nessas relações que me impressionaram. Davam de 10 a 0 na marca mais descolada do Brasil.

Se surpreender com um banco respondendo com poesia só prova como as cabeças andam emperradas por aí. E reafirma uma postura que vejo diariamente e me incomoda muito: o lugar-comum que é pensar que marcas, governos e instituições são deuses inatingíveis, são um só ser mitológico representante do mal (ou do bem). “Eles” são GENTE.

Alguns deles são inclusive você.

c l a r e a d a

A vida presenteia a gente com coisas lindimais.

Um desses presentes é a Cláu, amiga cuja alma deve ter nascido do ladinho da minha, de mão dada, lá no país onde as almas gêmeas nascem, e que anda me inspirando tanto no quesito VIDA (leia-se ter largado tudo, largado matérias de capa de revistas famosas, e ido estudar ficção científica e fantástica em Liverpool).

Outro presente é a nuvem que o presente-Cláu me recomendou. É um blog livreto cordel poema que me fez respirar melhor e feliz por ver que tem mais gente por aqui na terrinha vivendo com os pés nas nuvens – e escrevendo muito bem.

Obrigada, Nicodamus e Valentina. Vou conhecer mais o universo de vocês e a gente se encontra em breve. : )

Conheça: