Pré-natal

Fez calor, faz chuva e essa semana foi abafada em vários sentidos. Já falei da relatividade da gravidez aqui e posso dizer que pra mim ela tem sido bem cheia de personalidade, contrariando aquelas lindas palavras da internet que dizem que “o enjoo passa depois dos 3 primeiros meses”. Estou aqui, no oitavo mês, ainda vomitando. E as coisas pioram porque sei que esse sintoma vem em parte por causa da minha ansiedade e finalmente estou aprendendo nessa vida que quem é ansioso sempre será ansioso porque os motivos para a ansiedade sempre existirão. Ansiedade não é fase. É sempre. Sempre vai existir uma razão para se estar ansiosa (e por isso mesmo nunca existe razão para se estar ansiosa, eu sei disso, é o que tento pensar etc). Sou dessas que raciocinam mais ou menos assim: AI MEU DEUS PRECISO FAZER O QUARTO DA BEBÊ, OBA AGORA ESTOU FAZENDO O QUARTO DA BEBÊ MAS FALTA TANTO e agora, ao olhar o quartinho ficando pronto, em vez de ficar tranquila começo a berrar mentalmente FALTA MUITO POUCO PARA TER UMA BEBÊ AQUI DENTRO MAS E AGORA O QUE FAÇO, PORQUE ESTÁ FICANDO REAL E NÃO SEI COMO FAZ (mesmo que tenha sido real desde o começo etc.), aí vomito mesmo, vomito todo esse medo e assim vamos indo. Mas não posso reclamar porque graças a Deus estamos saudáveis e tudo está ficando lindo etc.

Ainda sobre a gravidez, esqueça tudo o que seus amigos moderninhos, práticos e prafrentex dizem sobre roupas de gestante: porque essa história de que é cafona, é antigo e gasta dinheiro é mentira. Na minha opinião, cafona é ficar com a barriga vazando embaixo daquele camisetão velho. Eu estava me achando muito esperta por não ter comprado muitas roupas de gestante até o momento em que abri meu guarda-roupa e descobri que nada mais me servia. Vestido virou camiseta, camiseta virou piada e saia então, não sei mais o que são. Aí comecei a ver A Maravilhosa Sra Maisel e a cada novo figurino desfilado na série (para tudo, o que é o figurino dessa série???), lágrimas rolavam por mim e pela barriga afora, enquanto eu pensava “quando é que vou voltar a me vestir bem novamente?”. Terça feira mandei tudo às favas. Fui com minha mãe à boa e velha José Paulino e comprei quinhentas e cinco mil roupas de grávida (e todas bonitas, sem desenho de bebê espiando por meio de um zíper, E VOCÊS SABEM DE QUE ESTAMPA ESTOU FALANDO). Mesmo tendo apenas 1 mês e meio de gestação pela frente. Porque essa sou eu. Essa sou eu, agora uma grávida extremamente bem vestida. E pelo jeito eu precisava mesmo. Porque a cada novo vestido que eu provava, minha mãe soltava um “agora sim você está bonita”, o que quer dizer que provavelmente nos últimos meses andei por aí parecendo uma bexiga de festa infantil tentando se enfiar dentro de uma roupa de Barbie.

Em outras notícias, teremos o primeiro Natal da família Guilen-Almeida (leia-se eu, Julio e Rebeca) aqui em casa, sozinhos. Eu nunca comemorei o Natal porque acredito que o nascimento de Cristo é muito mais sério do que árvores iluminadas e velhinhos vestidos em roupas vermelhas e neve falsa e panetone e convenci meu esposo que também não fazia sentido ele comemorar, já que ele acha exatamente o contrário etc. Aí que será nosso primeiro Natal-do-nosso-jeito e decidimos por algumas coisas:

  • Vamos finalmente começar a comemorar oficialmente o Festivus. Incluindo o bolo de carne e tudo o que temos direito. Já temos até playlist pronta. O que dizer? it’s a Festivus for the rest of us!
  • E vamos comer pão com salame no dia 24 de dezembro. Porque pão com salame é inconscientemente minha tradição de natal desde muito tempo. Meio que uma piada interna de uma família que não comemora Natal e que não quer fazer um jantar chique no dia, bem num dia em que tudo está fechado… e aí acabamos comendo o que tem em casa. Ou no quarto do hotel (porque adorávamos viajar no Natal, tudo vazio e normalmente barato), o que sempre nos levava às últimas padarias abertas da região comprar pão e salame, comido sem muito glamour em cima do frigobar. Era necessidade, virou piada, pra Rebeca vai ser tradição.
  • Aí no ano novo vamos comemorar como manda o figurino (menos de branco, pois eu me recuso), porque AMO ANO NOVO!
  • Postarei fotos aqui. Especialmente do Festivus, porque estamos empolgados.

E desculpem pelos posts diarinho, ainda estou me acostumando com minha nova rotina de licença maternidade e sigo tendo um pouco de dificuldade de realmente escrever meu livro. 🙁

Na semana que vem devo levar meu computador para a praia (saliento aqui que praia é uma escolha forçosa, já que somos santistas e vamos para a praia no fim do ano por causa da família – por mim, eu passaria o fim do ano na montanha, ah, passaria) e devo fazer uns postzinhos com listas de melhores livros e melhores filmes de 2017 enquanto estiver por lá, escondida do calor no ar condicionado.

Se não nos falarmos até o Natal, felizes festas pra quem é de festas!

Uma foto minha de vestido novo e sem cabeça, porque vocês não iam entender a cara que eu estava fazendo nessa foto. Mas o quartinho está ficando lindo, não?

Uma poesia para o meu nariz e as missões para um ano agradável

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Nariz pequenino, muito tem de menino.

Jamais lhe escreveria uma poesia, não teria a ousadia.

Mas hoje olhei para o meu nariz e deixei de diz-que-me-diz.

Encarei a questão de frente e percebi o quanto ele é diferente.

Meu nariz é uma coisinha sem pé nem cabeça, muito tem de inusitado.

Por isso dedico esta ode a quem sempre sonhou com um nariz arrebitado.

Mas não sabe a bipolaridade visual que é ser dona de tal paradoxo nasal.

Fiz esses versos horrorosos sem métrica e sem rima como que para provar para mim e para o mundo que não sei escrever  E NÃO GOSTO de poesia etc.

Mas foi para finalmente falar pra vocês (leitores inexistentes ou quietinhos etc.) do projeto que comecei junto com o Julio esse ano – já faz mais de 1 mês, então estou um pouquinho atrasada pra falar.

É o Um Ano Agradável, uma fanpage e um Instagram com 366 missões para fazer de 2016 um ano legal de se viver!

Explico:

Eu sempre fui fã de agendas, de missões e de tudo o que nos ajude a tentar viver menos no automático, de maneira mais criativa e inspiradora (não é à toa, esse tenta ser meu objetivo aqui no blog). E há muitos anos atrás (talvez uns 5), eu criei essas missões, cuja principal missão é mandar a rotina embora, seja com tarefas simples e abstratas, seja com tarefas mais complexas e práticas (como a da poesia para o nariz supracitada).

Daí que elas ficaram rolando de um computador para outro em um arquivo Word nunca ou poucas vezes aberto. Eu não sabia o que fazer com essas missões. Nesses anos, encontrei amigos designers e ilustradores que me prometeram que iam me ajudar a ilustrar essas missões, mas imagino que meu Word esteja rolando nos computadores deles até hoje. Precisei casar e ver que meu marido estava ansioso para fazer um projeto novo, mas não encontrava como nem onde, para resgatar minhas esquecidas missões.

Foi a combinação perfeita: o Julio já tinha um personagem, o Lorde O’Ganson, uma fofura cheia de classe, e queria pegar a prática e o hábito de desenhar mais. Eu queria inspirar o mundo com minhas missões engavetadas, mas não encontrava como fazer isso (e, honestamente, tinha até me esquecido delas). Eu reescrevi e reordenei as missões (além de acrescentar mais uma, afinal estamos num ano bissexto) e lançamos o projeto no começo do ano.

Está sendo divertido acordar toda manhã, ver qual é a missão do dia e tentar cumpri-la. É muito legal ver como coisinhas simples podem mudar completamente seu propósito e sua rotina.

E, em paralelo, continuo seguindo com minha consultoria criativa especializada em casamentos alternativos, a Sras&Srs, pegando alguns freelas de redação e conteúdo e escrevendo meu livro.

E cozinhando, e fazendo crossfit, e indo à igreja, e tocando órgão em casa (esses dias desengavetei vários métodos musicais que eu não tocava há uns bons 10 anos). Parei de dançar, mas é que a vida é feita de escolhas.

E eu amo a vida, um dia agradável por vez! Abaixo, mais missões que já rolaram no Ano Agradável:

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Spring cleaning!

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Se tem uma coisa que eu gosto no Hemisfério Norte é como eles curtem as mudanças de estações. Claro, por lá as mudanças são mais drásticas e influenciam demais no dia a dia (em alguns cantos da Europa, quando é inverno escurece por completo já às 16h e fica solzão até às 22h quando é verão – coisa que não vivemos aqui nem de longe), e é por isso que existe esse forfé todo em volta das mudanças.

Mas esses anos acompanhando blogs gringos me deram uma certa vontade de valorizar essa coisa toda de ciclos da natureza, também. Mesmo que seja ao nosso modo tropical.

Depois que fiz um tratamento no meu cabelo (que passou por uma fase “textura de algodão doce” graças a umas tinturas baratas de farmácia) e o pessoal do local onde fiz o tratamento me convenceu que cortar o cabelo na lua cheia realmente funciona maravilhas, depois também que saí da vida corporativa hardcore e estou respeitando muito mais os meus próprios ciclos femininos e minhas vontades, estou toda fã dessa coisa de ciclos. Não num sentido hippie, porque não sou assim tão pé descalça. Mas num sentido francinístico.

Daí que lá fora eles têm uma obsessão por uma tal de “Spring Cleaning”, a “limpeza da primavera”: nessa época do ano (que é o contrário da nossa, claro), tiram tudo do guarda roupa, botam a casa abaixo e renovam a vida.

Aí que esse final de semana eu e o marido fomos à feira e trouxemos um arranjo de flores lindão (esse mesmo desfocado aí no início do post). No mesmo dia, percebemos que nosso ar condicionado (pois é, aqui em SP o inverno se despediu com muita raiva, se fingindo de alto verão) estava fazendo uns mugidos estranhos e descobrimos que precisávamos dar um banho em seu filtro. Também no mesmo dia, decidimos virar nosso colchão para aliviar umas estranhas dores nas costas que começaram a nos acometer.

Quando lembrei que a segunda feira, dia 21/9, era início da primavera, achei de uma coincidência muito legal termos feito todos esses movimentos de renovação junto com essa renovação natural e colorida do nosso lado do planeta. E me senti, assim, desse jeito que insisto em chamar de não-hippie, completamente alinhada com o universo. 🙂

 

Lidando com os barulhos do escritório novo

Tudo que é novo exige um período pra ser entendido. Mesmo o meu escritório novo. Mesmo meu escritório novo ficando no apartamento onde MORO há mais de 1 ano.

Acontece que os barulhos do apartamento à noite são outros. De dia, estou em um lugar completamente novo e desconhecido. É um rangido ali, barulho de reforma acolá (esse é o problema de home office, os horários comerciais meus não são os do prédio) e o pior de todos os barulhos: as cartas sendo deixadas embaixo da porta pelo zelador.

PORQUE EU SEMPRE ACHO QUE TEM ALGUÉM ENTRANDO.

Aí vou correndo, assustada, até a porta.

E encontro as cartas pelo chão.

Acostumando.

correio

Sobre salada e lidar com uma nova rotina

Sou bastante CORRETA (pra não dizer LOUCA OBSESSIVA) no que diz respeito a rotina. E é por isso que sou capaz de trabalhar de casa, sem precisar de outras pessoas controlando meus horários. Porque eu sou uma maníaca por regras para mim mesma. Eu e meu marido, inclusive, somos assim. Já ouvi de muitas pessoas que quando tivermos filhos toda essa organização vai por água abaixo, mas como ainda não tivemos pra ver, seguimos firmes e fortes com nossas planilhas.

Temos planilha financeira, planilha para programar as próximas viagens, planilha para calcular os horários que ficamos na casa dos nossos pais mensalmente (sim, LOUCOS OBSESSIVOS)… foi nosso jeito de encontrar um equilíbrio e viver com mais liberdade. É, porque disciplina é o primeiro passo para a liberdade: sabendo o que você TEM QUE fazer, você pode escolher o que QUER FAZER com mais certeza e menos peso na consciência. Bom, é assim que pensamos aqui na estranha Mansão Almeida.

A parte legal é que se quisermos mudar alguma coisa na nossa vida – ser mais saudáveis, por exemplo – é só ir até a planilha e mudar uma partezinha dela. Até pouco tempo,  por exemplo, toda segunda feira era dia da pizza. Amamos pizza, moramos na cidade que tem a melhor pizza do mundo, e achamos um absurdo não provar TODAS AS PIZZARIAS DA CIDADE. Só que percebemos que estamos engordandinho (dinho, mesmo, coisa de 1, 2 quilos), e não queremos mais isso. Daí que segunda feira virou nosso dia da salada. E agora, toda segunda feira, vamos atrás de alguma receita de salada bem gostosa pra gente comer e ser feliz. Somos robozinhos, uns robozinhos que se amam.

Mudando de assunto, e ainda sobre rotina, esses primeiros 10 dias fora da agência estão sendo bem estranhos, embora felizes. Ao mesmo tempo em que sinto ter todo o tempo do mundo, sinto que não fiz nada de produtivo o dia todo. Isso porque eu achava que ia cumprir 10 itens da TO DO LIST por dia, sendo que na vida real cumpro 1. Realinhando expectativas, normal nessa fase. 🙂

Câmbio desligo.

robos

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