Rich people in money getting richer

Então o famigerado programa do Jerry Seinfeld, o Comedians in Cars Getting Coffee (“Comediantes em Carros Tomando Café, traduzido aqui no Brasil de forma totalmente sem talento para comédia para “Café com Seinfeld” [??]) estreou no Netflix. Como aqui em casa estamos numa onda revival de Seinfeld (estamos assistindo a todos os episódios, na ordem, uma experiência nova para quem acostumou a ver e rever Seinfeld na TV a cabo, sem se importar com ordem ou saber em que temporada o programa estava), só pareceu lógico começarmos a assistir.

E eu… tenho sentimentos conflitantes em relação ao programa. Na realidade, ele dá inveja e eu não sei bem como lidar com essa sensação. Como não acredito em inveja branca, posso dizer que tenho uma espécie de inveja multicolorida do Seinfeld. Simplesmente porque ele deu a sorte (ou a competência, vá) de emplacar uma das séries mais bem sucedidas da história e… chegou lá. Tá bom, tá bom, ele trabalhou bastante até chegar na série, ele tem talento (o que já é bem mais que muita gente que “chegou lá” hoje em dia)… mas depois de 10 anos de série ele parou. Fez um hit. Deu certo. Não insistiu. E conseguiu: Jerry Seinfeld é hoje uma das 10 celebridades mais ricas dos Estados Unidos.

E depois de anos sem muitos projetos, ele decidiu, aos cinquenta e poucos anos de idade, fazer mais um programa sobre o nada. Acontece que a diferença entre a série Seinfeld e “Comedians in Cars” é que enquanto o primeiro é um programa sobre o nada, o novo programa é um programa sobre o nada… com muito dinheiro. Deixa eu explicar a premissa: a cada episódio, Seinfeld escolhe um carro de coleção (ele coleciona… carros), fala sobre como o carro é sensacional e vai buscar um comediante para, junto com ele, tomar café. E aí? E aí eles conversam. Não, não estou falando de uma entrevista com perguntas premeditadas ou de alguma conversa profunda com cada ator. É apenas uma conversa entre duas pessoas tomando café, falando sobre banalidades da vida. É… simples. É Jerry Seinfeld fazendo o que gosta e vivendo sua vida de carros chiques e buscando atores em suas casas (é cada casa maravilhosa!!!), falando sobre suas vidas de estrelas.

O mais engraçado, no entanto, é que não sou só eu que tenho essa impressão de “Jerry, seu grande filho da mãe, você chegou lá e fica esfregando isso na nossa cara, né?”. A grande maioria dos entrevistados (ou seria melhor dizer conversados?) fala sobre isso, dá uma zoadinha básica. Ou seja: até as celebridades ricas têm inveja multicolorida do Jerry Seinfeld.

Por que o que é mais “chegar lá” na vida que, aos cinquenta e poucos anos de idade, fazer um programa sobre NADA, unindo suas paixões, pra você se divertir sem muito esforço enquanto, sem querer, grava uma série (e ganha mais um dinheirinho com isso)?.

É isso. Só vou considerar que cheguei lá quando puder fazer isso. Um Escritores em Carrosséis tomando Milkshake, talvez.

E essa série veio com um timing ma-ra-vi-lho-so. Na última semana de 2017 eu decidi (o mais correto seria dizer precisei desesperadamente) voltar pra terapia. E nessa volta, minha psicóloga me fez o favor de jogar na minha cara (quase que literalmente) uma pergunta que me fez engasgar bastante. Algo como “você quer ou não ser bem-sucedida?”. Engasguei, não sabia o que responder. Foi lindo.

E aí surgiu a epifania e entendi o que foi que eu fiz de errado. Porque percebi que ainda gosto muito da expressão “chegar aqui” que cunhei em um post ano passado, ela é  verdadeira e bonita etc… maaaaaaas percebi demais nos últimos tempos que é preciso reconhecer o “chegar aqui” sem perder a vontade de também “chegar lá”.

Senão, sempre aqui, a vida fica assim meio sem sonho.

Que agradeçamos o aqui, mas continuemos sonhando com os lás da vida. E eles podem ser bonitos e podem ser gananciosos e podem ser sensacionais, uma coisa não exclui a outra!

Pílulas de sabedoria pra você tomar com café

Conseguir ser crítico, corajoso e sincero e continuar tendo um bom número de pessoas que gostam de você por você – uma meta difícil, mas boa, a seguir.

De que vale ser experiente se tudo o que você experimentou foi um pouco da mesma coisa sempre? Não é necessário ter excesso de experiência, mas sim as experiências certas.

Expertise não é esperteza.

Conhecimento é comida. Comida pode alimentar, dar vida, matar ou apenas engordar.

(o mesmo vale pra relacionamento).

Estar à disposição e estar disponível são duas coisas diferentes.

O melhor investimento é tomar um tempo pra decantar e ter mais clareza – de dentro pra fora e de fora pra dentro.

Se é bom (e você deixar), acontece.

Nem toda ponte precisa ter um fim.

 

Uma poesia para o meu nariz e as missões para um ano agradável

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Nariz pequenino, muito tem de menino.

Jamais lhe escreveria uma poesia, não teria a ousadia.

Mas hoje olhei para o meu nariz e deixei de diz-que-me-diz.

Encarei a questão de frente e percebi o quanto ele é diferente.

Meu nariz é uma coisinha sem pé nem cabeça, muito tem de inusitado.

Por isso dedico esta ode a quem sempre sonhou com um nariz arrebitado.

Mas não sabe a bipolaridade visual que é ser dona de tal paradoxo nasal.

Fiz esses versos horrorosos sem métrica e sem rima como que para provar para mim e para o mundo que não sei escrever  E NÃO GOSTO de poesia etc.

Mas foi para finalmente falar pra vocês (leitores inexistentes ou quietinhos etc.) do projeto que comecei junto com o Julio esse ano – já faz mais de 1 mês, então estou um pouquinho atrasada pra falar.

É o Um Ano Agradável, uma fanpage e um Instagram com 366 missões para fazer de 2016 um ano legal de se viver!

Explico:

Eu sempre fui fã de agendas, de missões e de tudo o que nos ajude a tentar viver menos no automático, de maneira mais criativa e inspiradora (não é à toa, esse tenta ser meu objetivo aqui no blog). E há muitos anos atrás (talvez uns 5), eu criei essas missões, cuja principal missão é mandar a rotina embora, seja com tarefas simples e abstratas, seja com tarefas mais complexas e práticas (como a da poesia para o nariz supracitada).

Daí que elas ficaram rolando de um computador para outro em um arquivo Word nunca ou poucas vezes aberto. Eu não sabia o que fazer com essas missões. Nesses anos, encontrei amigos designers e ilustradores que me prometeram que iam me ajudar a ilustrar essas missões, mas imagino que meu Word esteja rolando nos computadores deles até hoje. Precisei casar e ver que meu marido estava ansioso para fazer um projeto novo, mas não encontrava como nem onde, para resgatar minhas esquecidas missões.

Foi a combinação perfeita: o Julio já tinha um personagem, o Lorde O’Ganson, uma fofura cheia de classe, e queria pegar a prática e o hábito de desenhar mais. Eu queria inspirar o mundo com minhas missões engavetadas, mas não encontrava como fazer isso (e, honestamente, tinha até me esquecido delas). Eu reescrevi e reordenei as missões (além de acrescentar mais uma, afinal estamos num ano bissexto) e lançamos o projeto no começo do ano.

Está sendo divertido acordar toda manhã, ver qual é a missão do dia e tentar cumpri-la. É muito legal ver como coisinhas simples podem mudar completamente seu propósito e sua rotina.

E, em paralelo, continuo seguindo com minha consultoria criativa especializada em casamentos alternativos, a Sras&Srs, pegando alguns freelas de redação e conteúdo e escrevendo meu livro.

E cozinhando, e fazendo crossfit, e indo à igreja, e tocando órgão em casa (esses dias desengavetei vários métodos musicais que eu não tocava há uns bons 10 anos). Parei de dançar, mas é que a vida é feita de escolhas.

E eu amo a vida, um dia agradável por vez! Abaixo, mais missões que já rolaram no Ano Agradável:

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Spring cleaning!

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Se tem uma coisa que eu gosto no Hemisfério Norte é como eles curtem as mudanças de estações. Claro, por lá as mudanças são mais drásticas e influenciam demais no dia a dia (em alguns cantos da Europa, quando é inverno escurece por completo já às 16h e fica solzão até às 22h quando é verão – coisa que não vivemos aqui nem de longe), e é por isso que existe esse forfé todo em volta das mudanças.

Mas esses anos acompanhando blogs gringos me deram uma certa vontade de valorizar essa coisa toda de ciclos da natureza, também. Mesmo que seja ao nosso modo tropical.

Depois que fiz um tratamento no meu cabelo (que passou por uma fase “textura de algodão doce” graças a umas tinturas baratas de farmácia) e o pessoal do local onde fiz o tratamento me convenceu que cortar o cabelo na lua cheia realmente funciona maravilhas, depois também que saí da vida corporativa hardcore e estou respeitando muito mais os meus próprios ciclos femininos e minhas vontades, estou toda fã dessa coisa de ciclos. Não num sentido hippie, porque não sou assim tão pé descalça. Mas num sentido francinístico.

Daí que lá fora eles têm uma obsessão por uma tal de “Spring Cleaning”, a “limpeza da primavera”: nessa época do ano (que é o contrário da nossa, claro), tiram tudo do guarda roupa, botam a casa abaixo e renovam a vida.

Aí que esse final de semana eu e o marido fomos à feira e trouxemos um arranjo de flores lindão (esse mesmo desfocado aí no início do post). No mesmo dia, percebemos que nosso ar condicionado (pois é, aqui em SP o inverno se despediu com muita raiva, se fingindo de alto verão) estava fazendo uns mugidos estranhos e descobrimos que precisávamos dar um banho em seu filtro. Também no mesmo dia, decidimos virar nosso colchão para aliviar umas estranhas dores nas costas que começaram a nos acometer.

Quando lembrei que a segunda feira, dia 21/9, era início da primavera, achei de uma coincidência muito legal termos feito todos esses movimentos de renovação junto com essa renovação natural e colorida do nosso lado do planeta. E me senti, assim, desse jeito que insisto em chamar de não-hippie, completamente alinhada com o universo. 🙂

 

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Em sua entrevista para o sensacional Paris Review, Ray Bradbury (um autor que gosto como pessoa e não tanto quanto autor PRONTOFALEI), disse a seguinte preciosidade:

“That’s what we have to do for everyone, give the gift of life with our books. Say to a girl or boy at age ten, Hey, life is fun! Grow tall!”

O que, em bom português afrancinado, lê-se:

“É isso o que temos que fazer para todo mundo: junto a nossos livros, entregar o dom da vida. Dizer para uma menina ou menino de 10 anos de idade ‘Ei, a vida é divertida! Cresça e vá longe!'”

Gosto dessa frase porque pra mim escrever tem que ser um presente, mesmo. Acho que a vida já tem o papel de, por si só, confundir, frustrar e chocar. E o livro, e a arte, deve ajudar a atravessá-la e quem sabe, mostrar que todo mundo está no mesmo barco e nossa missão é nos divertir nesse barco. Deixo a tarefa de confundir e chocar para outros autores que gostam de fazer isso. Eu, da minha parte, quero que todo mundo cresça e vá longe, sorrindo, de preferência no carrinho da frente (na foto acima). 🙂

– Ah, e hoje baixei o Spotify. Estou tentando ser mais moderna. Sou muito apegada a essas coisas físicas chamadas mp3s. Só estou com dificuldade de lidar com essa propagandaiada toda. Pensando seriamente em assinar o premium. Alguém aí assina e recomenda? –

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