Calvino e repetecos

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Esse ano não sei o que deu em mim. Estou descumprindo um dos meus princípios literários, que é o de nunca reler um livro. Esse princípio nasceu de uma releitura de Capitão Háteras, do Júlio Verne. Quando era jovenzinha e o li pela primeira vez, virou o livro da minha vida. Quando cresci um pouco e decidi reler, subitamente a aventura do capitão nos confins gelados do mundo virou-me uma chatice.

Só que esse ano me deu na louca e reli Os Miseráveis. Foi uma experiência, embora não muito feliz, interessante. Aproveitei e reli um guia de casamentos alternativos (um que eu tinha comprado há anos, e faz todo o sentido eu reler no momento). Aí, vendo que Todas as Cosmicômicas, aquela coletânea do Ítalo Calvino que me faz sorrir, chorar e cantar (ao mesmo tempo), estava dando sopa na estante do meu pai, foi batata: releitura. Não só estou relendo, como rerrelendo, já que já passei por esses contos incríveis duas vezes. E, vou te contar: a terceira vez continua tão boa quanto as anteriores, se não melhor.

É que Calvino é Calvino. É o cara que escreve bem até bom dia. E tem ideias tão surreais que deixam meu exibido narrador willifillense no chinelo. Um chinelo daqueles bem feios e rasgados.

“Foi um golpe duro para mim. Mas, enfim, o que fazer? Continuei meu caminho, em meio às transformações do mundo, eu próprio me transformando. Vez por outra, entre as variadas formas dos seres vivos, encontrava um que era ‘mais alguém’ do que eu: um que prenunciava o futuro, o ornitorrinco que amamentava o filhote saído do ovo, a girafa esgalgada em meio à vegetação ainda baixa; ou outro que testemunhava um passado sem retorno, um dinossauro sobrevivente depois de haver começado o Cenozóico, ou então – crocodilo – um passado que havia encontrado um modo de conservar-se imóvel pelos séculos. Todos tinham algo, bem sei, que os tornava de alguma forma superiores a mim, sublimes, e que me tornava, em relação a eles, medíocre. E, no entanto, eu não me trocaria por nenhum deles.”

No pique de reler? Leia também Desfoquei e Sem fôlego.

Há lugares no mundo onde as pessoas não sonham com unicórnios a jato

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Parece letra do Raul ou da Tropicália, ou mesmo nome de livro do Oliver Sacks, mas essa é a primeira frase de um dos meus livros favoritos. Favorito por causa do texto, do tema, da ilustração, ou pelo fato de ficar disponível na internet, de graça. E pela história por trás da história, que vi neste vídeo com o depoimento do autor e pai Dallas Clayton. Um aquecimento (de coração) para o dia dos pais.

Veja o vídeo:

Mas, acima de tudo, leia o livro, que se você der sorte (ou azar, porque em inglês fica mais bonitinho) vai abrir magicamente em português na sua máquina (português de Portugal, com alguns trechos em espanhol, mas dá pra pegar o espírito). É só clicar na imagem abaixo:

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E clicando aqui você encontra uma entrevista (em inglês) com o moço. Separei alguns dos melhores trechos em português aqui:

“Honestamente, não tenho nada contra televisão, (…) acho que só não sou a audiência certa pra ela. Gosto mais de criar que de consumir. Gosto mais de participar que ser espectador.

Acho que consumir tem muita importância em uma fase da vida. Você consome o máximo possível quando é mais novo: ideias, histórias, fatos, lições, habilidades – até que acaba chegando em um momento da vida em que ter consumido tudo isso permite que você participe da conversa, devolva, faça a sua contribuição e, quem sabe, faça com que as coisas evoluam.”

E esse trecho aqui? Não concordo completamente, mas que tem um ótimo ponto que nunca tinha pensado antes, tem:

“Se você pode [contar o que quer] em 3 palavras, em vez de 300 ou 3.000, apoio totalmente. Sobra mais tempo pra explorar o mundo e compartilhar ideias. Mais tempo para aprender a surfar e comer frutas das árvores.”

E um pouco sobre o que já falamos aqui anteriormente:

“(O que me anima e me move é) ter uma ideia que você considera importante, e aí sim escolher o público e a mídia em que essa ideia será transmitida. É isso o que faço, não o contrário, tipo ‘você deve escrever um livro para XYZ dados demográficos’. Só assim, quando o público muda ou a mídia se torna obsoleta e é substituída por outra que você nem imaginava possível, você continua com uma boa ideia como o centro do seu trabalho, e é ela que vai sempre sobreviver ao tempo”.

Uma história de amor entre a tela e a página – um livro PopUp para a nova geração

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Uma história de amor entre P (página) e S (screen [tela, em inglês]). Essa é a história contada em um pop up book bem atual, usando os famigerados QR Codes (eu os odeio, mas que aqui cabe, cabe). Fiquei doidinha pra comprar.

Que venha a próxima geração dos livros. Acho que o livro que estou escrevendo agora é meu último sem tchananans de outras mídias. ACHO.

Olha o site. Agora olha o vídeo:

Agora tchau.

Leia para uma criança

E já que aqui é lugar de se falar de coisas boas da vida como leituras e escrituras, aproveito pra resolver dois assuntos em uma só postada: avisar que mudei de emprego e falar da campanha Leia para uma criança do Itaú.

Sim, depois de 4 anos na Salve, mudei de agência. E nas primeiras semanas de agência nova, tive a chance de acompanhar a movimentação do lançamento dessa campanha, que ficou linda linda. É só ver o filme abaixo. : )

Minhas tardes com Margueritte

Gosto de filmes que contam histórias de amor diferentes. Esse fim de semana terminei de assistir ao Minhas Tardes com Margueritte, uma poesiazinha com piano, pessoas falando francês, muita leitura, uma personagem com meu nome e uma história de amor diferente na França. Ah, a França. : ) A história não é nada demais: é a história de um homem meio abrutalhado pela vida descobrindo, com uma velhinha, os prazeres de se ler um livro. Nada que ninguém tenha contado. Mas é sempre bom ver de novo – e lembrar como saber ler também é um dom. Que como tal, pode operar milagres.

De onde vem o cheiro de livro usado?

Vem da reação química do papel, das tintas, do ambiente e das coisas deixadas dentro dele (quem nunca encontrou uma marquinha de clips ou uma nota de dinheiro antiga dentro de um livro de sebo?). Esse videozinho rápido e instrutivo aí embaixo conta que as “notas aromáticas” dos livros velhos têm um quê de cheiro de grama, ácido e baunilha. : )

Mas pra mim, é cheiro de felicidade, mesmo.

O que você me recomenda?

“Esse livro é legal? Tem algum desse gênero que você acha que eu ia gostar?” Rebenta de uma geração que viu bibliotecas só no seu finzinho de carreira, pouco antes do advento da Enciclopédia Abril 95 em CDs,  fico imaginando que, nos tempos em que visitar a biblioteca era comum como baixar músicas, os bibliotecários conheciam você como o dono da locadora do seu bairro (opa, outra coisa em finzinho de carreira) e sabiam te recomendar coisas muito legais.

Pois criaram uma versão virtual dessa figura, pra todo mundo que fica com siricotico assim que termina um livro, já pensando no próximo. Acesse The Book Seer e se regozije, meu bem!

não entendeu as palavras?

Já tentou SENTIR o significado? Foi o que senti ao ver esse filme rapidinho com a visão do gênio William Shatner sobre Shakespeare.

 

A onda agora é ler a pé

Estava indo a pé pro trabalho (um hábito que amo amo amo) e passei por essas duas moças provavelmente fazendo o mesmo. E lendo enquanto isso. Muito admirei a capacidade das meninas de viver histórias sem cair no buraco e precisava compartilhar isso com vocês. (:

Elas acharam foi uma estranhaporémbela saída pra colocar a leitura em dia. Sempre fico aflita, tentando encontrar o horário mais adequado pra minha rotina do momento. Que horários vocês costumam ler? Ultimamente ando lendo de manhã, assim que acordo. É uma delícia. Por incrível que pareça, é um jeito inteligente de acordar mais rápido.

Oh, the places you’ll go

“Adults are obsolete children.”

Dr. Seuss

Nunca li um livro do Dr. Seuss direito, e isso deve ser mudado em pouco tempo. Me apaixonei pelo escritor recentemente, quando comecei a pesquisar sobre seus escritos infantis com opiniões muito muito bacanas. Li Oh, the Places You’ll Go neste site aqui, e queria dividir com vocês. Motivação bem escrita é tão gostoso quanto ovo de páscoa.

Outra maneira de ler esse livro é ver um vídeo que os malucos do Burning Man fizeram declamando todos os seus versos. Bom feriado pra todos! (:

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