Colocando o livro na planilha

Hoje escrevo aqui pra contar pra vocês (mas principalmente para a Francine do futuro, e provavelmente um futuro muito próximo) que no andar da carruagem as melancias se ajeitam. Parei de trabalhar oficialmente no início de dezembro e demorou – porque demora mesmo, especialmente se você tende a se autossabotar e se você tem milhares de coisas para resolver – mas finalmente consegui pegar a rotina do livro pelas orelhas e cuidar dela. E digo que agora falta colocá-la na planilha e transformar essa planilha em cronograma para cumprir a meta de terminar o livro da minha vida em maio de 2018.

Acho muito engraçado (ou trágico?) que eu tenha tanta disciplina para fazer cumprir rotinas, mas não tenha bastante força de vontade (ou vergonha na cara?) para cumprir cronogramas caso eu não tenha um compromisso assinado com alguém e/ou um pagamento logo em vista. Nem (ou muito menos?) se o compromisso assinado for comigo mesma.

O que dizer?

Pra falar a verdade, são dois bebês

Não gente, calma. Não terei gêmeos.

Mas é verdade: tenho dois bebês. Um é minha filha que está pra nascer. O outro é um outro bebê que também ainda não nasceu, embora seja mais velho que a filha que vem aí.

Pausa para que vocês não entendam, levem um susto, achem que estou falando em algo espiritual ou que, sei lá, eu finalmente enlouqueci.

Nada disso.

Estou falando do meu livro. Meu livro, que é quase como um bebê que venho gestando há quase 20 anos. 🙂

Fato é que a vida, o cosmos, eu e tudo mais acabamos fazendo com que os aguardados nascimentos de ambos (o filho-livro e a filha-filha) acabem culminando no mesmo período. O que quer dizer que sim, estou no fim de duas gestações ao mesmo tempo. O que quer dizer que muito em breve eu terei condições de finalmente cumprir o objetivo final desse blog (criado há 10 anos atrás), que era o de um dia poder virar escritora, correr atrás dessa vida, meu verdadeiro sonho, meu chamado. Me apresentar como Francine Guilen, escritora.

E vai ver é por isso que… confesso que ando mais apavorada com o filho-livro que com a filha-filha. Sim senhores. O nascimento do livro me tira mais a minha paz que o nascimento da pequena Rebeca. E já explico para vocês aí atrás que já estão procurando a caixa de comentários desse post e preparando os dedinhos para escrever algo como “QUE ABSUURRRRRRRRDO VÁ BUSCAR JESUS”. Não, seus malucos, o caso é simples: a filha é biologia, é natureza, é Deus, eu sei que ela vem. Ela vai nascer, eu me sentindo pronta ou não. As coisas estão fluindo, estou segura, estou bem. Eu sei que vou amá-la. Eu sei que de um jeito ou de outro ela vai dar um jeito de nascer. Afinal, bebês foram projetados para sair de dentro das mães. Bebês vêm. E ainda contam com a ajuda das pessoas ao redor para que tudo esteja lindo. É orgânico. Bebês acontecem.

Mas os livros? Acontecem?

Não. O livro não acontece. Ele depende 100% de mim, a força é toda minha, a responsabilidade é coisa minha. E não, com o livro, não tenho como pedir para meu marido “me ajudar a cuidar desse parágrafo por algumas horinhas enquanto saio pra fazer as unhas”. Minha mãe não vai viajar do interior até aqui só pra me ajudar a trocar as páginas sujas do livro. O livro não vai fazer o menor esforço para nascer sozinho. Livro é assim: ou eu faço ele nascer ou ele não nasce. Pronto. O pior? Nem sei se depois de todos esses quase 20 anos de gestação eu vou chegar a amá-lo.

Nesse clima de confissão, aproveito pra dividir que faz 20 dias que eu me permiti começar minha licença maternidade, a licença maternidade-sabático de 6 meses que eu me dei de presente para ESCREVER O LIVRO, para parir esse outro filhinho.

E eu travei.

Há 1 ano, eu comecei o processo de reler o livro, há 1 ano estou arrumando graves problemas estruturais dele (o que realmente tem se mostrado super necessário). Até aí, maravilha.

Há poucos meses, fiz um quadro com post-its que está aqui pendurado na parede, colado por meio de fitas-crepe. Quase chorei de felicidade e orgulho quando terminei esse quadro. Um quadro completinho, que narra passo a passo o que eu tenho que escrever para esse livro nascer.

Mas aí, todo final do dia, olho para o quadro, o quadro olha pra mim (até já está meio rasgado, pelo vento e pelo tempo) e percebo que mais um dia se passou sem que eu escrevesse o livro.

Fato é que estou evitando meu livro.

Será que é medo de ser mãe de dois bebês ao mesmo tempo?

Será que é sem-vergonhice?

Será que será que será?

E eu que achava que era só criatividade

Eu nunca fui daquelas com boas estratégias no War. Enquanto todo mundo passa rodadas e mais rodadas bolando planos mirabolantes e sendo extremamente pensador com seus exércitos, costumo ser aquela que entrega o objetivo logo na terceira ou quarta rodada – num bom dia, na quinta rodada. Porque não sou muito de estratégias, sou de sorte e curtição.

E eu pensava, pensava, tolinha, que escrever livro era pura intuição. Era sorte, era curtição.

Até que cheguei na hora de revisar a história.

Bom, aí, meus filhinhos, toda escrita virou um jogo de War. Porque é preciso estratégia, coerência, cálculo, noção. Uma ponta tem que grudar na outra e somar com outra e segurar a história toda com uma linha, tudo isso sem deixar a estrutura tomar a frente na história, que tem que continuar sendo legal, como se tudo tivesse sido feito de pura sorte, intuição, organicamente.

Juro que não sabia que escrever podia ser tão parecido com engenharia.

Não sei nem se esse post vai fazer sentido pra vocês, mas estou gastando meus neurônios tentando remontar uma história de 15 anos de idade por aqui, então tenham misericórdia.

 

16 anos.

Hoje, faz 16 anos que eu comecei a criar esse adolescente louco no qual ele se transformou.

Willifill. Meu rebento, meu primeiro filho, meu livro, minha fantasia, minha ficção, minha história que vai nascer esse ano.

Muito já pensei se demorar dezesseis anos para escrever um livro seria um absurdo. Seria ridículo, teimosia, um pouquinho patético, até.

Ainda acho que se ele não der certo (um pouquinho que seja) vai ser meio triste. Vai ser bem ruim ouvir tanta gente falando “mas dezesseis anos… pra isso?”. Que eu deveria ter desistido, mudado de ideia, investido dezesseis anos em outra coisa (se fosse em banco, eu tava rica).

Mas, sei não.

Um dos pontos fundamentais da minha história é que ela se passa em uma terra fantástica em que tempo não existe. Passado, presente e futuro se misturam, não existe hora, não existe mês, não existem 16 anos.

Acho que combina bastante com ele. Um livro que ignora tanto o tempo passar tanto tempo sendo feito.

Desejo mais tempos assim. Menos calculistas. Menos contadinhos. Menos temporais. Mais ensolarados.

 

 

 

Ficha de personagens – parte 2

É verdade, aprendi a magia de fazer fichas de personagens, mas não lembro como é o cabelo delas.

Acabo de passar os últimos 15 minutos tentando encontrar a primeira descrição de um dos personagens lá no começo do livro, só pra me lembrar se o cabelo dele voaria ao vento ou não na cena que eu estava escrevendo agora.

O tipo de coisa que uma revisão posterior resolveria, eu sei. Mas pra que esperar (e deixar o cabelo do coitado voando errado até lá)? 🙂CultureVixen-headvases

Da importância de uma ficha de personagens

13 anos depois, não, ainda não terminei o livro. E 13 anos depois, é natural você esquecer os porquês dos personagens (é natural você esquecer 5 minutos depois da criação da história, aliás). Acabo de parar tudo e escrever uma ficha com as intenções e aprendizados de cada personagem do meu livro. Não só dos protagonistas. De todos.

mugshot

Sabe o que mais me assustou? A intenção e aprendizado do meu protagonista eram os mais difíceis de encontrar.

Mas aí encontrei e minha mente explodiu de incredibilidade.

Não duvido de que as coisas fiquem mais rápidas de aqui por diante.

 

Coloquei 3 exemplos não spoilers aqui pra vocês terem uma ideia.

 

DAPHNE

Luta contra crescer

Vai aprender que é inevitável

 

 GRETA

Luta contra indiferença, passado traumático

Vai aprender que amigos são necessários

 

FIONA

Luta contra saudades

Vai aprender que a vida passa, e as gerações cuidam bem do que vem por aí

 

Feliz.

mugshot2

(fotos via esse projeto aqui)

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