Continuando a me exercitar

Mais um exercício do cursinho que estou fazendo, esse aqui, em busca da resposta à pergunta fundamental WHO AM I? (e não, 24601 não vale nesse caso).

What do people buy when they buy something from you?

Compram

1. o olhar de alguém de fora para compreender e organizar melhor suas ideias.

2. um posicionamento claro, coerente e corajoso em relação ao mundo.

Sendo menos abstrata, compram novos clientes mais legais (no caso de marcas) e, em todos os casos, compram mais tempo para si mesmos e mais prazer – já que se tentassem sozinhos fazer o que faço por eles até poderiam conseguir, mas gastariam dias e dias tentando fazer alguma coisa legal e muitas vezes se frustrando com resultados ruins.

 

Leave out the easy, repetitive, generic stuff… What you are doing that’s difficult?

  1. Tendo a sensibilidade de fazer uma análise imparcial acertada de cada negócio/marca/casal/situação.
  2. Criando textos e ideias que não se encontram com um simples search no Google.
  3. Combinando 1+2 de uma maneira personalizada, fugindo de modelos prontos da moda ou do último post de sucesso do blog tal.
  4. Fazendo a curadoria de contatos e parceiros valiosos (conquistados com suor e lágrimas [às vezes, literalmente]).
  5. Estando sempre disposta a defender o que acredito (para mim e meus clientes) e sendo consistente com isso em cada job.

 

Não sei porque estou dividindo aqui no blog, mas quem sabe você também se anima a decantar sua vida profissional lendo essas perguntas. Se você gostou dessas perguntas, vale respondê-las também. Estou achando divertido e quiçá útil! 🙂

O briefing que me disse a verdade

worse

De vez em quando você recebe um briefing. AQUELE briefing. O briefing que faz você questionar tudo. Você começa questionando a validade daquilo que acaba de ler. Até aí, normal. Acontece umas 15 vezes por dia. O problema é quando você não consegue mais parar. Aí você questiona a razão daquele job como um todo. Por que isso, por que assim? Qual é a razão disso tudo? Aí você questiona a marca. Questiona o produto. Questiona o sistema. Questiona seu lugar no sistema. E lembra que, no momento, seu papel é botar no papel o que já inventaram. Porque publicitário cria conceitos, não coisas – e xinga baixo quem disse que ideias são mais importantes que coisas, essa pessoa que conseguiu vender muito bem sua ideia, mas não deve ter feito um bolo de chocolate na vida.

E você questiona por que você faz parte dessa grande roda que ninguém quer conhecer por inteiro, porque não é uma roda bonita. Aí você questiona o seu papel na sociedade, no planeta, no universo. E embora meu papel no universo permaneça inquestionável, meu papel, naquele momento, escrevendo aquele texto para aquela marca, daquela maneira… parece, no mínimo, um papelão.

Aí abro o Pinterest pra escapar. E fico me perguntando quando é que vou parar de viver ATRAVÉS do Pinterest, e começar a FAZER tudo aquilo: usar aquelas roupas, falar aquelas frases, fazer aquelas receitas, aquelas festas, aqueles bebês, aquelas ideias.

Aí eu corro, volto pra caverna. E só volto a pensar nisso quando abrir o próximo briefing que vier com uma mensagem do infinito escondida nas entrelinhas, entre o cabeçalho e o “bjs, vamos falar” habitual. Até o dia em que uma nova mensagem cifrada de “ei, cadê você???” cair no meu colo novamente.

Até lá, bora trabalhá!

O que é um pontinho colorido pulando no banheiro?

Só quem já passou por isso sabe o que é receber um e-mail superfofo da cliente elogiando seu trabalho direto para seu diretor de criação. Porque todo ponto tem seu contraponto. (:

Foi sobre um novo trabalho bacana da agência que foi ao ar essa semana. Amei idealizar e criar esses posteres para ele. Obrigada e parabéns pra todo mundo!

Musicoterapia semanal de mim pra vocês

Oriunda da família DO RE MI, pai maestro e uma orquestra de primos e avós, tinha que sobrar um pouco pra mim. Daí que amo música. Acho que passo umas 12 horas por dia ouvindo música e procurando bandas novas – e, mais importante, selecionando com muito critério o que elas querem cantar pra mim. Uma mistura de curadoria com música. Quer coisa mais gostosa?

E desde a invenção do gravador de CDs no computador, não perdi uma mania. Que é a de fazer playlists pras pessoas queridas. Seja aniversário, casamento, despedida, felicidade ou tristeza, adoro o desafio de sacar da manga do meu iTunes os sons que acho que vão fazer melhor pra determinada pessoa em determinado momento. Eu não entendo nada de musicoterapia, mas essa é minha musicoterapia.

Com o tempo, percebi que essa mania era super bem recebida pelas pessoas. Muita gente me liga do nada no meio do dia ou manda e-mail pra agradecer que o CD que gravei animou sua tarde, ou que achou que tal e tal música foi escrita pra ela, ou até que falou da playlist na sessão de terapia (juro!). Ver que uma simples seleção das músicas certas deixa os outros felizes me deixa feliz. E isso me inspirou a começar mais um projeto (sim, mais um, porque né): todo domingo à noite vou aproveitar aquelas horas à toa e montar uma playlist temática pra iluminar nossas semanas. Meio autobiográfica, meio autoajuda e completamente inspiradora.

O projeto ainda nem tem nome direito, mas a primeira playlist já está aí, sem muita firula e alguma escala de cinza, porque não tem sido fácil pra ninguém. E não me peçam explicações, porque né.

Espero que gostem. : )

[8tracks width=”300″ height=”250″ playops=”” url=”http://8tracks.com/mixes/649427″]

o homem que socializava demais

Fazendo uma limpeza das boas no HD do meu macbuquinho, estou aqui lendo textos antigos, da época em que eu tinha o Pargarávio e. E eu era legal. O passado não exclui o presente, mas no passado posso dizer sem medo de parecer chatinha: eu era legal. Encontrei uma crônica daqueles tempos (mais precisamente de uma

Quinta-feira, Abril 19, 2007)

O Homem que Socializava Demais

Aconteceu num dia, foi de repente, assim tão de repente que parecia até coisa da Clarice Lispector. Ele tinha acordado meio Calvino aquele dia, e sabia que alguma coisa de muito inconveniente resultaria desse fato. Foi mais ou menos (um pouco mais do que menos) quando ele entrou no ônibus e viu aquele senhor puxando a cordinha pra avisar o motorista. Aquela cordinha, aquela cordinha puída e insignificante foi o estopim para o início do momento epifânico, que se fosse escrito pela Clarice daria meio que um livro inteiro, daqueles bem cheios de aaaahs e oooooohs e inclusive protagonizaria uma cena de luxúria e um suicídio, ao mesmo tempo (teria até gente se enforcando na cordinha, coisa feia de se ver). Mas como não sou Clarice (e agradeço aos céus a cada dia por isso), só vou dizer que

Oh – pensou o homem em um pensamento monossilábico. E ele olhou em volta e viu quanta gente tinha em volta dele. E ele percebeu que todas as pessoas eram pessoas. E que todas as pessoas (que eram pessoas) tinham algo a dizer pra ele. Que se ele tivesse nascido no bairro vizinho, provavelmente seria o melhor amigo do motorista do ônibus, e que nada ou pouca coisa impediria de que aquela simpática velhota babando no banco de trás fosse sua sogra.

Então ele pensou em um universo em crise em que ele conhecesse todo mundo. Seria tão mais fácil, e ele teria as chances e as oportunidades em dobro, em triplo, em quádruplo, em pentágonuplo. Só conhecendo todas as pessoas do mundo ele seria capaz de saber tudo o que a vida poderia lhe oferecer. Ele não imaginaria mais como seria seu futuro se ele fosse amigo da menina de óculos que andava na calçada do outro lado da avenida. Era só chegar lá, e fazer o futuro acontecer fora da imaginação dele. E ele começou sua estratégia. Entrava e dava oi. Pra todos. Cumprimentava com beijinho, se apresentava, dava cartão de visita. No começo, falava do tempo, comentava sobre a política e o futebol, mas a prática foi tamanha que ele era capaz de saber o assunto preferido de seu mais novo conhecido antes mesmo de cumprimentá-lo. E foi. E o trabalho foi ficando cada vez mais prático. Quanto mais gente ele conhecia, mais eles lhe apresentavam seus amigos, que apresentavam seus amigos, que apresentavam seus amigos.

Muitas vezes, em sua primeira aproximação, as pessoas se espezinhavam e a polícia era chamada. Mas ele conhecia todo o corpo de polícia. Tudo acabava em um jantar numa pizzaria próxima. De graça, porque ele era amigo do dono.

E era chamado pra festas, e nas festas conhecia todo mundo. E no ônibus conhecia todo mundo. E na sua casa, é, na sua casa também. Nas ruas, nem andava mais, tendo que parar pra cumprimentar todo mundo. E pra lembrar as datas e as preferências de cada um, foi tabulando em livros e HDs, tem hoje uma biblioteca muito completa em casa. Ele até conhece você, acredite. E como ele sofria ao cubo com as mesquinharias de amizades e relacionamentos, mas como ele se divertia. Se divertia e se divertia.

Certa vez perguntaram pra ele o que ele vai fazer quando conhecer todas as pessoas.
– Provavelmente vou me convencer de que elas são tão parecidas comigo, mas tão parecidas, todas elas, que vou achar mais divertido comprar uma cabra. Agora me dê licença, porque preciso visitar 5 mil crianças que estão nascendo hoje. Cada nascimento é um novo contato, é um trabalho sem fim.

 

Proudly powered by WordPress
Theme: Esquire by Matthew Buchanan.