Colocando o livro na planilha

Hoje escrevo aqui pra contar pra vocês (mas principalmente para a Francine do futuro, e provavelmente um futuro muito próximo) que no andar da carruagem as melancias se ajeitam. Parei de trabalhar oficialmente no início de dezembro e demorou – porque demora mesmo, especialmente se você tende a se autossabotar e se você tem milhares de coisas para resolver – mas finalmente consegui pegar a rotina do livro pelas orelhas e cuidar dela. E digo que agora falta colocá-la na planilha e transformar essa planilha em cronograma para cumprir a meta de terminar o livro da minha vida em maio de 2018.

Acho muito engraçado (ou trágico?) que eu tenha tanta disciplina para fazer cumprir rotinas, mas não tenha bastante força de vontade (ou vergonha na cara?) para cumprir cronogramas caso eu não tenha um compromisso assinado com alguém e/ou um pagamento logo em vista. Nem (ou muito menos?) se o compromisso assinado for comigo mesma.

O que dizer?

Who am I?

Novamente, estou num momento Jean Valjean da minha vida. Quem sou eu? ele se pergunta cantarolando algumas vezes, tentando entender. É assim que ando. Não escondo de ninguém que 2016 foi um ano extremamente cansativo, com muita energia gasta em possibilidades e nada mais que isso – e por isso comecei 2017 mudando quase – mas não completamente – absolutamente tudo. Aí decidi pagar uns 140 reais pra fazer um curso com uma temática besta, mas ministrado pelo Seth Godin, sujeito de que gosto demais. O curso se chama CURSO DE FREELANCER. Simples assim. Mas era o que precisava. Um cara inspirador falando um monte de coisas boas e me ajudando a decantar o cérebro pra esse novo ano. Correndo o risco de estar me expondo demais, estou fazendo o primeiro exercício do curso e tornando-o público – porque o Seth falou que era pra eu fazer isso. Então tá. Vamos lá. Um pouco sobre minha carreira daqui pra frente. Mais freela, menos empreendedora. Uma mudança tão simples, porém tão sutil e por isso nada simples. 🙂

 

What do you want to do? (Not your job, but your work, now, tomorrow, and in the future)*

Meu moinho pessoal é a sisudez e a falsa formalidade. Simplesmente porque acredito que as coisas mais sérias e reverentes do universo são as mais felizes. Assim, o que eu quero fazer, a minha missão na vida é inspirar pessoas e marcas a fugir do by-the-book, do manual de instruções, do rigidamente sério e sem porquê. A correr das coisas automáticas, não questionadas (ou questionadas demais até que viraram só teoria). Acima de tudo, a correr das coisas sem graça, posadas, que tentam ser o que não são (às vezes, simplesmente porque acham que o único jeito pra ser é seguir um caminho que alguém inventou, ou porque nunca pararam 5 segundos para pensar que poderia existir outro jeito de ser). Quero mostrar para todo mundo que nada tem que ser sério, sisudo, regrático. Basta ser muito bem sido e usar um pouco a cabeça (e muito o coração). Ah sim, e se eu puder fazer isso, acima de tudo, escrevendo muito – melhor ainda.

 

Who do you want to change, and how do you want to change them?

1. Pessoas de todas as idades que passaram a vida – na escola, no Facebook, na sociedade – sendo ensinadas a acreditar em um mundo que se leva a sério…

…escrevendo textos para serem lidos e absorvidos com um sorriso no rosto e não um ímpeto raivoso de “isso mesmo! essa é a verdade!” também conhecido como clicar em compartilhar imediatamente;

…escrevendo livros de ficção que compartilhem com o mundo minha visão de mundo.

 

2. Casais que estejam noivos e não se identificam com as regras impostas pela indústria do casamento sobre o que é ou não um casamento, mas que acabam tendo que se adequar a cada uma das regras só porque é só o que encontram (o leque se abre para qualquer pessoa em situações análogas – escolhi trabalhar com o casamento em si porque é uma das instituições mais bonitas e que mais sofrem do pálido mundo das regras da seriedade)…

…criando um blog para escrever textos que mostrem que existe outro caminho a seguir;

…oferecendo consultoria para quem tem desejo de organizar um casamento com mais liberdade e criatividade.

 

3. Marcas que estão sendo prejudicadas por não ter uma voz própria e acabam sendo apenas mais uma nesse mundo empacotado do marketing, afogadas em missões, visões e valores sem sentido…

…escrevendo textos mostrando que existe outro caminho a seguir;

…oferecendo consultoria de branding+linguagem e criação de textos para essas empresas.

 

How much risk? (from 1 [a little] to 10 [bet everything]), how much are you willing to put at stake to make the change you seek?

Essa é uma pergunta complexa, já que ela parece ter sido feita mais pra alguém que está pensando em “largar tudo” pra ser freelancer. Esse risco já assumi em 2015. Meus riscos hoje são outros. Então dou uma nota 6. Não porque eu seja uma bunda mole com medo de riscos, mas porque estou mais ponderada. Esse 6 combina um risco de 10 no que diz respeito à imagem percebida – leia-se risco de não encontrar meu nicho (porque acredito muito que ele existe) com 1 no que diz respeito ao tempo para mim. Não quero mais arriscar meu tempo como já arrisquei antes.

 

How much work are you willing to do to get there? Be specific about the tradeoffs.

Muita energia, porém gasta exclusivamente em coisas com futuro. Já passei da fase das reuniões sem pauta. Muito trabalho, de domingo a quinta, das 8h às 18h. Parece radical? É como me sinto hoje – e combina com o que vendo, afinal.

 

Does this project matter enough for the risk and the effort you’re putting into it?

Sim. Talvez eu tenha que arriscar e esforçar um pouquinho mais – mas o tempo me ajudará a dizer.

 

Is it possible — has anyone with your resources ever pulled off anything like this?

Sim, é possível. Na realidade, nada mais é do que o que já venho fazendo há 29 anos – e muito disso há 3 anos – a diferença é que dessa vez vou dar mais atenção para isso e organizar melhor os ganhos financeiros, psicológicos e energéticos. 🙂

 

 

A diretora de multinacional e “a mulher que ajuda lá em casa”

aspirador

Há quase 3 meses, temos usado aqui em casa um desses serviços online de busca por diaristas. Como tudo na vida, essa forma de contratação tem seus pontos positivos e seus pontos negativos. Até agora não tivemos nenhum problema grave, e a qualidade do trabalho das pessoas que vêm em casa geralmente é boa. Mas o mais interessante nisso tudo é conhecer as mais de 20 moças que passaram aqui em casa e o residual que fica de cada uma sempre que dou tchau e agradeço pelo serviço prestado no dia.

Tem gente que sai sorrindo, agradece, se coloca à disposição para vir outras vezes. E tem gente que sai de cara amarrada e não disfarça seu clima de “GRAÇAS A DEUS O DIA ACABOU”, que muitas vezes, na vida de escritório, temos quase que a obrigação de disfarçar.

E só confirmo o que sempre considerei: que a contratação de diarista para casa serve como qualquer tipo de contratação que já tive que fazer na minha vida corporativa. Mais que a qualidade técnica, o que eu gosto é de gente legal. Gente alto astral, animada e criativa. Sim, porque gente criativa não é só gente moderninha que trabalha em agência. Diarista que tem capacidade de improvisar um varal sem me perguntar “e agora o que faço com toda essa roupa?” é mais criativa que muito publicitário que já conheci. Limpar uma casa tem mais técnica que muita função considerada “mais nobre” por aí: além do óbvio talento que limpar bem uma casa necessita, tem muito gerenciamento de tempo, tem empatia e compreensão do briefing, tem que ter um ótimo serviço de atendimento e acima de tudo – vale pra tudo na vida – paixão pelo que se faz.

O que me deixa encafifada é que muitas das pessoas que trabalham nessa função não percebem o valor disso tudo. Já ouvi alguns “não gostou, me demite” de algumas diaristas na vida (apenas duas, ufa) e isso me mata por dentro. Porque são pessoas ótimas no que fazem tendo uma atitude nada profissional (imagine se eu dissesse isso pros meus chefes a cada feedback negativo!). E sei que essa atitude defensiva vem de mil origens – de muito perrengue na vida, da postura brasileira de “todo patrão é do mal” que por vezes me irrita, ou talvez porque seja essa a única forma de encarar a vida que elas receberam de família, amigos e patrões realmente babacas pela vida afora – mas acho que ela vem da história de uma sociedade que nunca encarou esse tipo de profissão como algo oficial (tem até um tabu, já reparou como até hoje todo mundo trava, não sabendo se pode falar “minha empregada”, “minha funcionária”, “minha faxineira”, “minha diarista” ou até mesmo o surreal “a mulher que ajuda lá em casa”?). Com essa confusão generalizada, muitas das faxineiras nem imaginam que elas são profissionais, são uma marca, e que investir em um diferencial é tão importante para a marca delas como para qualquer marca grande por aí.

Eu queria ver esse cenário mudar e tento, nem que seja a passo de formiga, mostrar pra todo mundo a importância que seu trabalho tem. Nesse post, grito aos quatro ventos que não importa se você é faxineira, taxista, diretora de multinacional, ator, autor, escritor, gari, motorista de ônibus, condutor de trem ou metrô, vendedor de pastel, grande ou pequeno, uma marca mirabolante ou uma dona de casa cuidando de 2 marquinhas recém-nascidas ou um aposentado que só quer ser feliz, investir em plano de carreira, marketing pessoal e paixão pelo que se faz não é só coisa de engravatado ou de palestra do TED (ou não devia ser).

E acima de tudo queria agradecer por todo mundo que faz a nossa vida melhor fazendo um trabalho impecável no trabalho. Em todas as microáreas da nossa vida.

 

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