Colocando o livro na planilha

Hoje escrevo aqui pra contar pra vocês (mas principalmente para a Francine do futuro, e provavelmente um futuro muito próximo) que no andar da carruagem as melancias se ajeitam. Parei de trabalhar oficialmente no início de dezembro e demorou – porque demora mesmo, especialmente se você tende a se autossabotar e se você tem milhares de coisas para resolver – mas finalmente consegui pegar a rotina do livro pelas orelhas e cuidar dela. E digo que agora falta colocá-la na planilha e transformar essa planilha em cronograma para cumprir a meta de terminar o livro da minha vida em maio de 2018.

Acho muito engraçado (ou trágico?) que eu tenha tanta disciplina para fazer cumprir rotinas, mas não tenha bastante força de vontade (ou vergonha na cara?) para cumprir cronogramas caso eu não tenha um compromisso assinado com alguém e/ou um pagamento logo em vista. Nem (ou muito menos?) se o compromisso assinado for comigo mesma.

O que dizer?

Rich people in money getting richer

Então o famigerado programa do Jerry Seinfeld, o Comedians in Cars Getting Coffee (“Comediantes em Carros Tomando Café, traduzido aqui no Brasil de forma totalmente sem talento para comédia para “Café com Seinfeld” [??]) estreou no Netflix. Como aqui em casa estamos numa onda revival de Seinfeld (estamos assistindo a todos os episódios, na ordem, uma experiência nova para quem acostumou a ver e rever Seinfeld na TV a cabo, sem se importar com ordem ou saber em que temporada o programa estava), só pareceu lógico começarmos a assistir.

E eu… tenho sentimentos conflitantes em relação ao programa. Na realidade, ele dá inveja e eu não sei bem como lidar com essa sensação. Como não acredito em inveja branca, posso dizer que tenho uma espécie de inveja multicolorida do Seinfeld. Simplesmente porque ele deu a sorte (ou a competência, vá) de emplacar uma das séries mais bem sucedidas da história e… chegou lá. Tá bom, tá bom, ele trabalhou bastante até chegar na série, ele tem talento (o que já é bem mais que muita gente que “chegou lá” hoje em dia)… mas depois de 10 anos de série ele parou. Fez um hit. Deu certo. Não insistiu. E conseguiu: Jerry Seinfeld é hoje uma das 10 celebridades mais ricas dos Estados Unidos.

E depois de anos sem muitos projetos, ele decidiu, aos cinquenta e poucos anos de idade, fazer mais um programa sobre o nada. Acontece que a diferença entre a série Seinfeld e “Comedians in Cars” é que enquanto o primeiro é um programa sobre o nada, o novo programa é um programa sobre o nada… com muito dinheiro. Deixa eu explicar a premissa: a cada episódio, Seinfeld escolhe um carro de coleção (ele coleciona… carros), fala sobre como o carro é sensacional e vai buscar um comediante para, junto com ele, tomar café. E aí? E aí eles conversam. Não, não estou falando de uma entrevista com perguntas premeditadas ou de alguma conversa profunda com cada ator. É apenas uma conversa entre duas pessoas tomando café, falando sobre banalidades da vida. É… simples. É Jerry Seinfeld fazendo o que gosta e vivendo sua vida de carros chiques e buscando atores em suas casas (é cada casa maravilhosa!!!), falando sobre suas vidas de estrelas.

O mais engraçado, no entanto, é que não sou só eu que tenho essa impressão de “Jerry, seu grande filho da mãe, você chegou lá e fica esfregando isso na nossa cara, né?”. A grande maioria dos entrevistados (ou seria melhor dizer conversados?) fala sobre isso, dá uma zoadinha básica. Ou seja: até as celebridades ricas têm inveja multicolorida do Jerry Seinfeld.

Por que o que é mais “chegar lá” na vida que, aos cinquenta e poucos anos de idade, fazer um programa sobre NADA, unindo suas paixões, pra você se divertir sem muito esforço enquanto, sem querer, grava uma série (e ganha mais um dinheirinho com isso)?.

É isso. Só vou considerar que cheguei lá quando puder fazer isso. Um Escritores em Carrosséis tomando Milkshake, talvez.

E essa série veio com um timing ma-ra-vi-lho-so. Na última semana de 2017 eu decidi (o mais correto seria dizer precisei desesperadamente) voltar pra terapia. E nessa volta, minha psicóloga me fez o favor de jogar na minha cara (quase que literalmente) uma pergunta que me fez engasgar bastante. Algo como “você quer ou não ser bem-sucedida?”. Engasguei, não sabia o que responder. Foi lindo.

E aí surgiu a epifania e entendi o que foi que eu fiz de errado. Porque percebi que ainda gosto muito da expressão “chegar aqui” que cunhei em um post ano passado, ela é  verdadeira e bonita etc… maaaaaaas percebi demais nos últimos tempos que é preciso reconhecer o “chegar aqui” sem perder a vontade de também “chegar lá”.

Senão, sempre aqui, a vida fica assim meio sem sonho.

Que agradeçamos o aqui, mas continuemos sonhando com os lás da vida. E eles podem ser bonitos e podem ser gananciosos e podem ser sensacionais, uma coisa não exclui a outra!

Pré-natal

Fez calor, faz chuva e essa semana foi abafada em vários sentidos. Já falei da relatividade da gravidez aqui e posso dizer que pra mim ela tem sido bem cheia de personalidade, contrariando aquelas lindas palavras da internet que dizem que “o enjoo passa depois dos 3 primeiros meses”. Estou aqui, no oitavo mês, ainda vomitando. E as coisas pioram porque sei que esse sintoma vem em parte por causa da minha ansiedade e finalmente estou aprendendo nessa vida que quem é ansioso sempre será ansioso porque os motivos para a ansiedade sempre existirão. Ansiedade não é fase. É sempre. Sempre vai existir uma razão para se estar ansiosa (e por isso mesmo nunca existe razão para se estar ansiosa, eu sei disso, é o que tento pensar etc). Sou dessas que raciocinam mais ou menos assim: AI MEU DEUS PRECISO FAZER O QUARTO DA BEBÊ, OBA AGORA ESTOU FAZENDO O QUARTO DA BEBÊ MAS FALTA TANTO e agora, ao olhar o quartinho ficando pronto, em vez de ficar tranquila começo a berrar mentalmente FALTA MUITO POUCO PARA TER UMA BEBÊ AQUI DENTRO MAS E AGORA O QUE FAÇO, PORQUE ESTÁ FICANDO REAL E NÃO SEI COMO FAZ (mesmo que tenha sido real desde o começo etc.), aí vomito mesmo, vomito todo esse medo e assim vamos indo. Mas não posso reclamar porque graças a Deus estamos saudáveis e tudo está ficando lindo etc.

Ainda sobre a gravidez, esqueça tudo o que seus amigos moderninhos, práticos e prafrentex dizem sobre roupas de gestante: porque essa história de que é cafona, é antigo e gasta dinheiro é mentira. Na minha opinião, cafona é ficar com a barriga vazando embaixo daquele camisetão velho. Eu estava me achando muito esperta por não ter comprado muitas roupas de gestante até o momento em que abri meu guarda-roupa e descobri que nada mais me servia. Vestido virou camiseta, camiseta virou piada e saia então, não sei mais o que são. Aí comecei a ver A Maravilhosa Sra Maisel e a cada novo figurino desfilado na série (para tudo, o que é o figurino dessa série???), lágrimas rolavam por mim e pela barriga afora, enquanto eu pensava “quando é que vou voltar a me vestir bem novamente?”. Terça feira mandei tudo às favas. Fui com minha mãe à boa e velha José Paulino e comprei quinhentas e cinco mil roupas de grávida (e todas bonitas, sem desenho de bebê espiando por meio de um zíper, E VOCÊS SABEM DE QUE ESTAMPA ESTOU FALANDO). Mesmo tendo apenas 1 mês e meio de gestação pela frente. Porque essa sou eu. Essa sou eu, agora uma grávida extremamente bem vestida. E pelo jeito eu precisava mesmo. Porque a cada novo vestido que eu provava, minha mãe soltava um “agora sim você está bonita”, o que quer dizer que provavelmente nos últimos meses andei por aí parecendo uma bexiga de festa infantil tentando se enfiar dentro de uma roupa de Barbie.

Em outras notícias, teremos o primeiro Natal da família Guilen-Almeida (leia-se eu, Julio e Rebeca) aqui em casa, sozinhos. Eu nunca comemorei o Natal porque acredito que o nascimento de Cristo é muito mais sério do que árvores iluminadas e velhinhos vestidos em roupas vermelhas e neve falsa e panetone e convenci meu esposo que também não fazia sentido ele comemorar, já que ele acha exatamente o contrário etc. Aí que será nosso primeiro Natal-do-nosso-jeito e decidimos por algumas coisas:

  • Vamos finalmente começar a comemorar oficialmente o Festivus. Incluindo o bolo de carne e tudo o que temos direito. Já temos até playlist pronta. O que dizer? it’s a Festivus for the rest of us!
  • E vamos comer pão com salame no dia 24 de dezembro. Porque pão com salame é inconscientemente minha tradição de natal desde muito tempo. Meio que uma piada interna de uma família que não comemora Natal e que não quer fazer um jantar chique no dia, bem num dia em que tudo está fechado… e aí acabamos comendo o que tem em casa. Ou no quarto do hotel (porque adorávamos viajar no Natal, tudo vazio e normalmente barato), o que sempre nos levava às últimas padarias abertas da região comprar pão e salame, comido sem muito glamour em cima do frigobar. Era necessidade, virou piada, pra Rebeca vai ser tradição.
  • Aí no ano novo vamos comemorar como manda o figurino (menos de branco, pois eu me recuso), porque AMO ANO NOVO!
  • Postarei fotos aqui. Especialmente do Festivus, porque estamos empolgados.

E desculpem pelos posts diarinho, ainda estou me acostumando com minha nova rotina de licença maternidade e sigo tendo um pouco de dificuldade de realmente escrever meu livro. 🙁

Na semana que vem devo levar meu computador para a praia (saliento aqui que praia é uma escolha forçosa, já que somos santistas e vamos para a praia no fim do ano por causa da família – por mim, eu passaria o fim do ano na montanha, ah, passaria) e devo fazer uns postzinhos com listas de melhores livros e melhores filmes de 2017 enquanto estiver por lá, escondida do calor no ar condicionado.

Se não nos falarmos até o Natal, felizes festas pra quem é de festas!

Uma foto minha de vestido novo e sem cabeça, porque vocês não iam entender a cara que eu estava fazendo nessa foto. Mas o quartinho está ficando lindo, não?

Who am I?

Novamente, estou num momento Jean Valjean da minha vida. Quem sou eu? ele se pergunta cantarolando algumas vezes, tentando entender. É assim que ando. Não escondo de ninguém que 2016 foi um ano extremamente cansativo, com muita energia gasta em possibilidades e nada mais que isso – e por isso comecei 2017 mudando quase – mas não completamente – absolutamente tudo. Aí decidi pagar uns 140 reais pra fazer um curso com uma temática besta, mas ministrado pelo Seth Godin, sujeito de que gosto demais. O curso se chama CURSO DE FREELANCER. Simples assim. Mas era o que precisava. Um cara inspirador falando um monte de coisas boas e me ajudando a decantar o cérebro pra esse novo ano. Correndo o risco de estar me expondo demais, estou fazendo o primeiro exercício do curso e tornando-o público – porque o Seth falou que era pra eu fazer isso. Então tá. Vamos lá. Um pouco sobre minha carreira daqui pra frente. Mais freela, menos empreendedora. Uma mudança tão simples, porém tão sutil e por isso nada simples. 🙂

 

What do you want to do? (Not your job, but your work, now, tomorrow, and in the future)*

Meu moinho pessoal é a sisudez e a falsa formalidade. Simplesmente porque acredito que as coisas mais sérias e reverentes do universo são as mais felizes. Assim, o que eu quero fazer, a minha missão na vida é inspirar pessoas e marcas a fugir do by-the-book, do manual de instruções, do rigidamente sério e sem porquê. A correr das coisas automáticas, não questionadas (ou questionadas demais até que viraram só teoria). Acima de tudo, a correr das coisas sem graça, posadas, que tentam ser o que não são (às vezes, simplesmente porque acham que o único jeito pra ser é seguir um caminho que alguém inventou, ou porque nunca pararam 5 segundos para pensar que poderia existir outro jeito de ser). Quero mostrar para todo mundo que nada tem que ser sério, sisudo, regrático. Basta ser muito bem sido e usar um pouco a cabeça (e muito o coração). Ah sim, e se eu puder fazer isso, acima de tudo, escrevendo muito – melhor ainda.

 

Who do you want to change, and how do you want to change them?

1. Pessoas de todas as idades que passaram a vida – na escola, no Facebook, na sociedade – sendo ensinadas a acreditar em um mundo que se leva a sério…

…escrevendo textos para serem lidos e absorvidos com um sorriso no rosto e não um ímpeto raivoso de “isso mesmo! essa é a verdade!” também conhecido como clicar em compartilhar imediatamente;

…escrevendo livros de ficção que compartilhem com o mundo minha visão de mundo.

 

2. Casais que estejam noivos e não se identificam com as regras impostas pela indústria do casamento sobre o que é ou não um casamento, mas que acabam tendo que se adequar a cada uma das regras só porque é só o que encontram (o leque se abre para qualquer pessoa em situações análogas – escolhi trabalhar com o casamento em si porque é uma das instituições mais bonitas e que mais sofrem do pálido mundo das regras da seriedade)…

…criando um blog para escrever textos que mostrem que existe outro caminho a seguir;

…oferecendo consultoria para quem tem desejo de organizar um casamento com mais liberdade e criatividade.

 

3. Marcas que estão sendo prejudicadas por não ter uma voz própria e acabam sendo apenas mais uma nesse mundo empacotado do marketing, afogadas em missões, visões e valores sem sentido…

…escrevendo textos mostrando que existe outro caminho a seguir;

…oferecendo consultoria de branding+linguagem e criação de textos para essas empresas.

 

How much risk? (from 1 [a little] to 10 [bet everything]), how much are you willing to put at stake to make the change you seek?

Essa é uma pergunta complexa, já que ela parece ter sido feita mais pra alguém que está pensando em “largar tudo” pra ser freelancer. Esse risco já assumi em 2015. Meus riscos hoje são outros. Então dou uma nota 6. Não porque eu seja uma bunda mole com medo de riscos, mas porque estou mais ponderada. Esse 6 combina um risco de 10 no que diz respeito à imagem percebida – leia-se risco de não encontrar meu nicho (porque acredito muito que ele existe) com 1 no que diz respeito ao tempo para mim. Não quero mais arriscar meu tempo como já arrisquei antes.

 

How much work are you willing to do to get there? Be specific about the tradeoffs.

Muita energia, porém gasta exclusivamente em coisas com futuro. Já passei da fase das reuniões sem pauta. Muito trabalho, de domingo a quinta, das 8h às 18h. Parece radical? É como me sinto hoje – e combina com o que vendo, afinal.

 

Does this project matter enough for the risk and the effort you’re putting into it?

Sim. Talvez eu tenha que arriscar e esforçar um pouquinho mais – mas o tempo me ajudará a dizer.

 

Is it possible — has anyone with your resources ever pulled off anything like this?

Sim, é possível. Na realidade, nada mais é do que o que já venho fazendo há 29 anos – e muito disso há 3 anos – a diferença é que dessa vez vou dar mais atenção para isso e organizar melhor os ganhos financeiros, psicológicos e energéticos. 🙂

 

 

Uma parminha pra cá

Pra ler ouvindo isso aqui:

Não vou mentir, eu sou urbana pra caramba. Quase todas as minhas férias são baseadas em uma viagem para alguma capital. Adoro entender os segredos da vida urbana de diferentes cidades e países. Como boa filha da praia, não gosto de praia. E como boa criança de apartamento (mas nem tanto, devo dizer a meu favor que passei boa parte das minhas férias de infância brincando de índio nos pés de fruta da chácara do meu avô no interior) tenho verdadeiro pavor de mato. E tenho também a “sorte” de ser premiada com algum tipo de animal selvagem dentro do meu quarto sempre que arrisco uma viagem pra fazenda – geralmente uma aranha horrorosa, sendo perseguida por um sapo.

Acontece que coisas estranhas acontecem com o passar dos anos. E ando meio rural na minha cabeça. Sim, minhas raízes de família do interior de São Paulo / de Minas andam falando um pouco mais alto ultimamente. Não sei se é uma vontade genuína de sair do Centro de São Paulo e ir morar no interior (acho que não conseguiria…), mas é mais uma vontade de viver melhor, sem a necessidade de acotovelar pessoas no metrô ou buzinar no trânsito como parte obrigatória da vida. Uma vida mais simples, menos HORÁRIOS HORÁRIOS HORÁRIOS. E menos gente reclamando nas redes sociais.

Bem, minhas últimas decisões na vida foram todas nesse sentido e já melhoraram bastante :). Mas parece que falta mais. Estive lendo o livro C S Lewis Letters to Children, uma coletânea gostosa de cartas escritas pelo autor para crianças que eram suas fãs nas décadas de 50 e 60, e não tem como deixar de notar o quanto ele comenta sobre os animais que viviam ao redor de sua casa e sobre os fatos da natureza com muito mais frequência do que comentamos hoje. Mais que isso: era tudo tão mais devagar. Hoje reduzimos em meses a comunicação. Uma resposta que levaria 1 mês para chegar chega em 1 minuto via WhatsApp. Não acho que isso seja negativo – que ajuda essa facilidade fez na vida! Mas o que ando vendo como negativo é ficarmos aflitos se não recebermos a resposta em 1 minuto. Acho negativo enxergar essa facilidade como a única alternativa que a vida oferece.

Nesse livro, achei interessante uma passagem em que C S Lewis pergunta para uma criança o que significa uma expressão que ela usa numa carta. No começo, achei esquisito ele não ter pesquisado sobre a expressão e aceitar esperar pelo menos mais 2 meses para só então entender o significado da expressão e sóóó então poder continuar o diálogo. Até que lembrei que em tempos pré internet existia um jeito de saber mais sobre as coisas antes de googlar: perguntar para a pessoa.

Acho que é por isso que tenho uma paixão tão coisada por Paris. É uma cidade grande, com cotovelos no metrô e buzinas, muitas buzinas. Mas, nas duas vezes em que tive a chance de ir até lá, tive a impressão de sentir um resquício de vida mais calma dentro deles. Não lembro se já cheguei a colocar essa foto neste blog, e se já coloquei, me desculpem a repetição. É que ela resume o que quero ver mais na minha vida. Não sei se esse sujeito estava tendo pensamentos horrorosos ou se na verdade tinha acabado de brigar com a esposa e enchido a cara de vinho, no melhor estilo francês. Mas não me interessa. O método como ele tirou os sapatos e se deitou, todo urbano, mas em contato com o momento, no meio desse parque, é isso que me interessa. 🙂

Paris (158)

Tentando. Acho que essa é a palavra que mais tenho usado ultimamente. E conseguindo também. 🙂

Eu voltei, agora para ficar (feliz)

piano3

Acho que não tem nada mais simbólico e mais marcante, nesse retorno, que o fato de eu ter ficado os últimos 30 minutos limpando a caixa de spam dos comentários desse blog. Sabe casa que fica vazia? Não são as teias de aranha que me deixam triste (afinal, se tem teia, tem aranha, e aranha é vida), nem a pichação eventual (porque, por mais feinha que seja, pichação é arte). É a quantidade de papéis que vão se acumulando nela que me entristece. Cartas que não vão ser lidas, contas que não vão ser pagas. E pior: propagandas escritas por ninguém para ninguém. Anúncios que nunca serão lidos – e que nunca seriam, de qualquer maneira.

Foram 400 comentários feitos por robôs aqui nesse blog. Que bom que, ao contrário de uma casa vazia, ninguém consegue enxergar a feiura dessas propagandas de remédios, esses testes de hackers desocupados, esse monte de consoantes sem vogal, amontoadas embaixo dos meus posts. Que bom que eu voltei.

E por que eu voltei? Porque era hora. Porque tenho um livro de 14 anos de idade que ainda não foi terminado. Basicamente, se meu livro fosse gente, eu teria perdido a guarda dele há muito tempo. E isso me matava dia a dia. Não é à toa que escolhi fotos de pianos abandonados para ilustrar esse post. A imagem é terrível, não é? Porque arte abandonada fica assim. Fica sem vida, sem respiro, com uma linda intenção, mas ninguém para soprar ação.

Também porque eu tive uma ideia de negócio há 11 meses atrás – e ele está florescendo (para mais detalhes, conheça a “novidade” aqui. É uma consultoria criativa especializada em casamentos originais, e o nome é Sras&Srs Casamentos Originais). E porque, afinal, o timing financeiro e psicológico meu e de meu marido coincidiram, e antes que eles se descoincidissem, decidi dar um pulo rumo ao desconhecido.

Já disse no meu Facebook pessoal que não tenho planos de virar uma descolada nômade digital (ou ao menos não usar essa alcunha como se fosse a coisa mais simples do mundo e achar que todos deveriam ou têm condições de fazer o mesmo). Também não tenho a coragem de dizer que larguei tudo atrás dos meus sonhos, porque minha coragem vem sendo usada para criar minha nova vida, dia a dia. Não, não larguei nada. Estou indo atrás dos meus sonhos com tudo na mão. A diferença é que é um tudo diferente.

Um tudo de quem reviu prioridades, tomou decisões e criou metas. Sou artistinha, sim, mas tenho os pés dançantes bem fincados no chão. Não sei o que vou dizer desse texto em 1 semana, 1 mês, 1 ano. Em 1 ano posso ser uma estrela em ascensão ou posso voltar para o mercado publicitário e pegar o metrô todo dia às 8h da manhã, mais dia, menos dia. Ou, quem sabe, os dois ao mesmo tempo? Não sei. Não gosto de garantir nada nessa vida. Porque já tive muitas certezas erradas antes e aprendi com cada uma delas. E aprendi que o dia mais feliz da minha vida é sempre hoje.

🙂

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