the days

‘And the days are not full enough’

And the days are not full enough
And the nights are not full enough
And life slips by like a field mouse
Not shaking the grass.

Ezra Pound

Lindo, né?

Não. É o poema que serve como antimodelo pra mim. Vez em quando me reconheço nele, só pra lembrar que é hora de pegar o lápis de cor e deixar cheio o vazio. Porque dias vazios são dias sem vida. Dias sem vida são menos um dia, sem criar nadica de nada (e não tô falando só de criar arte, não).

365 dias não cheios o suficiente são 1 ano vazio. 80 e tantos anos vazios são nada.

Vida que passa como um rato, que não faz mexer a grama é vida que vê a grama do vizinho ficando mais verde, enquanto reclama do tempo, sentadona na varanda.

Ah! E falando em tempo, quando tiverem um tempo, tem essa playlist aqui que fiz sobre a chuva. Fiz dia desses, e começou a chover quando eu estava no meio da confecção. Precisa de mais alguma coisa? : )

Clique para ouvir:

PS: Já olhou pra chuva como se você estivesse vendo ela pela primeira vez?

leve ela pra cama

Um amigo meu que ensinou, quando eu estava começando a aprender:

Pra saber se uma ideia é boa, durma com ela. Se ela acordar de cara feia, não prestava. Se ela acordar e ainda parecer genial, é uma boa ideia.

Não foi nessas palavras, mas na essência era isso.

É isso.

meu livro é a Maísa.

nesse final de semana (tipo, ontem) meu livro chegou à página 40 (no Word, tio), no capítulo 10. Aproveitei que tava lá e acabei relendo.

Foi então que gritei

JESUS. MEU LIVRO É A MAÍSA.

Porque, como não canso de repetir, a idéia dele tá pronta desde 1999, por aí. Eu tinha, o que, uns 12, 13 anos. E não é subestimando minha dozeanice, mas é fato: ele veio de uma idéia criança. Infantil, simples e batida. Daí eu cresci agora sou mulher e continuo insistindo nela, sabe-se lá porque. Só que estou escrevendo essa idéia que nem gente grande. Com firulas, formulações esquisitas, palavras difíceis, toda essa coisarada.

E o bicho tá meio assim: um monstrinho.

A Maísa Silva com uma echarpe Vogue, bem isso.

Tomei uma decisão importante, é isso: encurtar essa história. Ela tem que ser escrita, isso já tá escrito, é inevitável, a fran’s gotta do what a fran’s gotta do. Mas não quero que ela demore tanto. Magina, ia ser uma trilogia, nesse passo o último volume sairia em 2089, com olheiras e cara de louco. Será uma coisa só, um tantinho mais básica.

E então… e então… rumarei ao próximo. Que espero que tenha a idade que aparenta. Ah, e que tenha um target também.

tá ruim, tá ótimo, tá ruim, tá ótimo, tá ruim, tá ótimo, tá ruim, tá ótimo, tá ruim.

Mr. Hitler, we have bad news for you.

Quem me convenceu a usar o Twitter foi o @alimasp, com um approach interessante: “Você não precisa necessariamente twittar sobre o que está fazendo, comendo ou sentindo. Pode escrever uma porção de pensamentos aleatórios e ser feliz. Twitter é legal, as pessoas é que não sabem brincar com ele”.

Fui lá e fiz. O que eu não contava é que o Twitter é cheio de pessoas.

Prefiro não desenvolver meu assunto  falando que o Twitter é mais um dos sintomas autistas das 3 pessoas que formam a blogosfera e o mundo publicitário 2.0 porque o Hitler já fez isso:

Adoro mash-ups. Adoro vídeos que traduzem minhas idéias sem que eu precise sair da minha inércia  e acomodação e ter o trabalho de fazê-los.

PS: a dica do vídeo foi do mesmo @alimasp supracitado.

Ode à idéia natimorta

Então você é criativo, não é? Quando você era criança, sua mãe era daquelas que te dava Leite Ninho numa mão, um livro na outra, e programas da Cultura como trilha sonora. Na escola, se você não era dos quietinhos cdfs, era dos incompreendidos à la Calvin, que iam pra diretoria semanalmente, mas cujas notas superaam a dos quietinhos. Incompreendido. Não, não. Criativo. E você carrega esse fardo, meio orgulhoso, meio irritado com seus tios te olhando com aqueles olhinhos brilhantes, esperando seu próximo ato criativo, ou com seu pai, esperando você trocar de roupa antes de sair de casa, porque pra ele aqueles sapatos não traduzem uma combinação criativa.

Então você me entende. Então provavelmente você entende o conceito de idéia natimorta. Então você pode declamar comigo a ode à idéia natimorta.

São 24 horas no dia. Se sua cabeça não pára, deve ter fertilidade suficiente pra conceber umas 24 idéias por dia. 25 num dia ruim, uma em um bom dia. 23 delas não prestam, e você as joga no lixo hospitalar das idéias (não sem antes colocá-las num recipiente adequado à prova de plágio). E a outra uma é aquelas. Seu inconsciente [aquele velho senhor muito do inconveniente que trabalha escondido noite e dia, e só surge nos momentos inapropriados, com sonhos estranhos que resolvem te mostrar seus sentimentos inapropriados por pessoas inapropriadas] moldou a pequena, acertou os detalhes e a jogou em algum setor do seu cérebro, aquele que você gosta de chamar de zona da inspiração. [e zona é um ótimo nome, já que a inspiração nem sempre é uma moça de família, e tô pra ver alguém que curta mais do que ela esse negócio de só resolver funcionar em troca de dinheiro ou de um ou dois copinhos.] Uma vez tendo a idéia lá no lugar certo, chega a sua vez, já que esse processo, como quase tudo na vida, nada mais é do que um trabalho em série, cuja parte pior é de sua responsabilidade.

E aí o que você tem que fazer é fazer. Mas fazer nem sempre é a coisa mais fácil a se fazer. Porque assim que a idéia cai no seu cérebro, você certamente está lá, mais ocupado, assistindo Gilmore Girls e tomando café (porque Gilmore Girls dá uma vontade louca de tomar café, é fato) e vai adiar o momento da idéia por mais um tempo. Mas ela não é tão insistente a ponto de ficar chutando e implorando pra nascer, não. Se você não der atenção à pequena, no instante em que for botá-la no papel (ou no computador, ou na sua vida), ela se recusará a sair para o mundo, e você se verá diante de uma ex-idéia.

E todos vão dizer puxa, mas era uma idéia tão boa, tão cheia de vida quando era viva. E a Pollyanna vai dizer mas pelo menos você assistiu bastante tv enquanto não colocava a idéia em prática, e assistir bastante tv traz um pouquinho de matéria prima pro Senhor Inconsciente trabalhar. Consolar até consola. Mas você sabe muito bem que a vida real traz ainda mais matérias primas, e queima menos neurônios. E que a tragédia de uma idéia natimorta é tanto maior quanto o tamanho e importância da idéia. E que o tio Ben sempre esteve certo.

[texto escrito há 1 ano atrás e ctrlczado aqui porque reli e, puxa vida, gostei]

climb every mountain

‘til you find your dream.

Sei que falo muito de sonhos por aqui, mas é como eu digo (ou insisto em dizer), nossos blogs refletem nossos momentos, e talvez essa seja a temática de grande parte da minha biografia completa. 🙂

É que sabe como é, fim de ano, entrega dos últimos trabalhos na faculdade e estágio, misturado com trânsitos monstruosos vão acumulando na gente e cansando. Hoje eu estava a ponto de me revoltar e largar meus afazeres “supérfluos”. Deu vontade de testar como deve ser muito legal acordar, ir trabalhar, voltar e assistir novela, sem se preocupar com outras coisas “a fazer”.

Mas não consigo. Hoje no ônibus lotado e parado, da Berrini ao Largo da Batata Doce, a Noviça Rebelde cantou no meu mp3 player… era a música Climb Every Mountain. O que me fez sorrir, e o que me fez lembrar de continuar. E o que me fez lembrar de um vídeo que vi há um tempo, um comercial de uma seguradora ou banco australiano, não sei bem. O que importa é que é fantástico. Quer saber como é um dia na minha cabeça? Assiste. 🙂

Yey. Escalemos nossas montanhas. Um dia eu publico meu livro, publico minhas tirinhas, o Pargarávio, isso que você tá lendo, meus diários, meus blocos de notas, publico até o livro de receitas da minha mãe.

sem ciúmes, galera.

Rebeca, senta aqui. Willifill, pare de puxar as tranças dela. Pargarávio, não bata na sua irmãzinha supimpa. E você, quer parar de mexer com seu irmão mais novo? Palitos de fósforo são perigosos! Vocês todos, querem se comportar???

Se minhas invencionices assumissem formas de carne e osso, estariam assim mesmo. Vejo todas numa daquelas festas infantis cheias de coxinhas frias, tomando Coca sem gás e puxando o cabelo uma da outra, tentando aparecer, querendo ganhar mais mesada que o outro, querendo ganhar mais presentes.

Gente, eu quero que todo mundo ganhe mesada um dia, quero mesmo. Mas por enquanto só a Supimpa faz isso. E tem uns filhos que exigem mais atenção que outros. Não vou me perdoar se algum deles virar um viciado, ou fugir de casa pra nunca mais voltar. Tento ir levando. Desculpa, gente, vou dando comida pra vocês crescerem, mas aos poucos. Alguns me exigem tanto tempo que eu acabo pirando, e só posso mimar nas férias. Outros choram querendo ser atendidos a todo segundo.

Eu tento, juro que tento. Só quero que parem de disputar aí dentro.

Alguém quer mais groselha?

Existe uma pequena e leve chance de eu sofrer de esquizofrenia, esse post me diz alguma coisa.

agora, explicando.

Fósforos o quê? E interruptor? O que tem a ver com a história? Do que essa garota tá falando? Ela gosta de falar assim?

Pois é.

Palitos de fósforo. Palitos porque o “caixadefosforo.wordpress” estava ocupado. Mas a idéia, como toda idéia sempre parece pro seu autor, é simples. E muito clara.

Gente criativa tem às pampas por aí. E quem é escravo desse vermezinho maldito que se chama “criação” sofre. Dizem que é sofrido ter insights ou pegar a inspiração num bom dia, porque ela é uma senhora muito difícil.

Mas eu discordo. Arrisco dizer que mais difícil do que ela somos nós. Porque eu acredito (coitada) que a grande idéia sempre está lá pra gente, e nós é que, pelos mais diferentes motivos, não damos atenção à sujeita.

Simplesmente não sabemos como acender aquela tão almejada lâmpadazinha da idéia e gritar EURECA.

Em outras palavras, nós perdemos o caminho que leva ao interruptor. Ou o interruptor trava. Ou quebra. Ou pode até ser que tenham tirado ele do nosso alcance. Mas é nessas horas que a criatividade tem que se mostrar útil: é nessas horas [preste atenção agora, agora é o clímax] que devemos recorrer à caixinha de fósforos que trazemos no bolso.

A iluminação desses fósforos pode não ser duradoura ou potente como a de uma lâmpada, mas é mais ecológica e funciona que é uma beleza.

e, muitas vezes, um palito de fósforo consegue fazer mais estrago que uma lâmpada.

(para os disléxicos, o resumo:

idéia/criação/qualquer coisa genial que saia da gente: lâmpada acesa.

meio pra acendermos a lâmpada: o interruptor.

saída de emergência: os palitos de fósforo. )

Pois bem. A idéia desse blog é ser um modesto refúgio pra todos aqueles que se encaixam nesse perfil:

– os que fazem

– os que começam a ter idéias, a pensar

– os que criam

– os que não crêem mais

– os que sofrem com idéias

– os que sofrem pelas idéias

– os que sofre com as idéias

– os que sofrem sem idéias

– os que não sofrem e estão bem assim, muito bem obrigada

Quero assim contar meus perrenhes nessa vida indigna de escrava das minhas próprias criações (um livro de 25 páginas sendo escrito há 7 anos te diz alguma coisa?), e compartilhar experiências e inexperiências de vida com todos os que aqui aportarem.

Damos, então, início à sessão.

[cumprindo desde já meu propósito de escrever um por dia. Pra dar tempo, não atualizei a lista de blogs aí do lado. Logo logo ela vai estar tinindo.]