Ficha de personagens – parte 2

É verdade, aprendi a magia de fazer fichas de personagens, mas não lembro como é o cabelo delas.

Acabo de passar os últimos 15 minutos tentando encontrar a primeira descrição de um dos personagens lá no começo do livro, só pra me lembrar se o cabelo dele voaria ao vento ou não na cena que eu estava escrevendo agora.

O tipo de coisa que uma revisão posterior resolveria, eu sei. Mas pra que esperar (e deixar o cabelo do coitado voando errado até lá)? 🙂CultureVixen-headvases

Onde estão os heróis?

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Em um mundo em que Michael Cera encerra em seus personagens todo o zeitgeist de uma geração, por onde andam os heróis que sabiam como agir diante de uma situação? Sinto que não tenho nada a acrescentar a esse texto do Devin do Bad Ass Digest, escrito sem mimimi, e com muito conteúdo novo pra fazer com que nós, criadores de personagens, pensemos bastante no que estamos fazendo. O original, em inglês, está aqui.

Traduzi em português, mas recomendo a leitura em inglês porque eu sou assim, traduzo do meu jeito e mudo até referência bíblica pra outra que prefiro mais (hehe):

“Nós tínhamos heróis. Houve um tempo em que tínhamos personagens de filmes que eram fortes e precisos, que entravam e saíam da história com essas qualidades intactas. Esses heróis tinham códigos morais, que eram testados pelas circunstâncias, mas que nunca se perdiam. Esses heróis eram personagens feitos para nos inspirar. Eram eles que nós queríamos ser quando crescer.

Nós tínhamos heróis. Agora temos personagens cheios de pontos fracos, que andam pelo perigo de um jeito patético (The Lone Ranger), personagens que estão “começando” e por isso ainda não sacaram como ser verdadeiros super heróis (Man of Steel), personagens que são tão imaturos e babacas que você chega a torcer contra eles (Star Trek Into Darkness). Não acho que seja mera coincidência que 3 dos maiores filmes hoje em cartaz sejam releituras de antigos personagens, mas uma releitura que destrói a figura original.

Parece a ressaca dos anos 70, quando alguns heróis foram desconstruídos por grandes cineastas. Estes estavam reagindo a uma Hollywood que tinha pegado heróis inspiradores e transformado cada um deles em seres travados, quase robozinhos que podiam ser plugados em qualquer filme. Eles estavam reagindo a um mundo que tinha ficado louco ao seu redor, um mundo onde não se via lugar para heróis. Eles arrastaram a violência justa dos heróis ocidentais para a violência caótica do Vietnã. E aplicaram as lições de moral do fim dos anos 60 aos gêneros que estavam congelados no tempo.

Uma década depois, foram os super-heróis que entraram no jogo da desconstrução.  Alan Moore quase resolveu a parada sozinho, primeiro com seu Miracleman e depois com Watchmen. Assim como a dos cineastas dos anos 70, a missão de Moore era examinar personagens que já eram parte de nosso subconsciente, e fazer com que a gente questionasse temas como o Super Homem – um ser mítico todo poderoso fazendo sua própria justiça – temas com os quais estávamos estranhamente confortáveis.

Só que os novos filmes de heróis não seguem esta tradição. O Lone Ranger do Gore Verbinksi não examina o significado ou o papel da vigilância na sociedade. O Star Trek do J.J. Abrams não questiona de verdade a diplomacia armada ou essa ideia de governo continuar existindo no nosso futuro. E Man of Steel está tão ocupado criando um novo Super Homem descolado que não sobra tempo pra sequer nos lembrarmos do Super Homem original. O que eles emprestaram da onda de desconstrução do passado foi o desejo de tirar as coisas da frente e chegar ao centro do personagem. Mas em vez de criar essas situações para iluminar nossas mentes, esses filmes as criam pela pior razão possível: fazer com que as pessoas se identifiquem com o personagem.

Criar personagens identificáveis parece uma boa ideia, e em vários níveis até o é. Mas o problema com esses 3 personagens que estão no cinema nessa estação – O Cavaleiro Solitário, Super Homem e Capitão Kirk – é que eles não foram criados para que a gente se identificasse com eles, pra começo de conversa. Eles eram personagens construídos para se tornar ícones, para serem admirados. Dois destes personagens foram claramente criados para se tornar modelos para as crianças, o tipo de gente em quem seus filhos poderiam se inspirar. Força, honra, integridade, bondade – esses eram os traços principais do Super Homem e do Cavaleiro Solitário, não dúvida, rabugice, babaquice ou miopia. O Capitão Kirk já era um personagem mais humano, mas ainda assim era um ícone legal para um certo tipo de homem. Você chegaria numa mulher em um bar usando Kirk como seu guia – você não sentaria num bar chorando, usando como exemplo aquela vez em que Kirk fez isso porque estava todo magoadinho.

Por que isso continua acontecendo? Acho que é um pouco por culpa da preguiça da indústria do cinema; a ideia de que o Super Homem é um personagem bobo é repetida tão frequentemente que já foi aceita como fato.  Levar a sério um bom moço quadrado e certinho é muito mais difícil que tirar um sarro dele e esvaziar sua personalidade. Me pergunto se esse movimento não é uma consequência do zeitgeist anti-elite que nos assaltou; enquanto nos anos 50 os heróis eram cientistas e experts, hoje eles são manés que caíram em uma situação sem querer ou sem ter um mínimo conhecimento de causa. O novo Cavaleiro Solitário é um advogado sem espaço com um revólver na mão, o novo Super Homem é um cara que passa a vida escondendo o que ele tem de melhor e o novo Kirk é um punk sem noção que demora dois filmes para chegar em uma profundidade de personagem que continua rasa. Nós vivemos a Era do Amador, quando pessoas sem conhecimento de causa se sentem no direito de gritar sobre o aquecimento global, e esse tipo de atitude é o que elas querem ver nos seus heróis. Elas não querem ir ao cinema, engolir um refrigerante gigante e uma pipoca com manteiga extra, e ser lembradas de que podem fazer melhor. Elas querem ter certeza de que, se a oportunidade surgir, elas vão se dar bem, igualzinho o Super Homem.

Existe espaço para heróis identificáveis. A Marvel construiu sua fama com personagens que as crianças conseguiam entender, evitando cair no estereótipo dos heróis inquebráveis da DC. É por isso que é tão estranho ver que um dos heróis mais heróis que passou pelo cinema ultimamente tenha sido um personagem da Marvel. Capitão América: The First Avenger apresenta um herói que tem a mesma força e disciplina moral como Steve Rogers que ele tem como o Capitão América. Ele é um bom moço desde o início do filme, e o roteiro não conta como ele teve que encontrar a si mesmo ou descobrir seu heroísmo ou ser lapidado – o roteiro conta a história de um cara que usou suas próprias qualidades e se manteve firme e fez a coisa certa.

Isso é poderoso. É especialmente poderoso hoje, em um mundo onde as escalas de cinza morais fazem as escalas de cinza dos anos 60 parecerem completamente preto e brancas. Nós já vemos heróis com pontos fracos demais na vida real. Não precisamos mais que nossos heróis sejam nivelados à nossa realidade. Não precisamos de heróis que nos façam sentir mais seguros em relação a nossas falhas. Precisamos de heróis que se mantenham de pé e abram caminho, heróis que nos inspirem a ser pessoas melhores. Precisamos de heróis que já passaram pela ponte e que nos chamem para se juntar a eles. Eles podem ter seu momento Éden ou Monte das Oliveiras, eles podem ser testados e colocados sob pressão, mas precisam ser melhores do que nós. Nossos heróis já passaram tempo suficiente na lama com a gente. Nós precisamos  levantar nossas cabeças, mirar os olhos no sol e segui-los até a grandeza.”

Obrigada Julio, meu amor, por me mandar esse texto, obrigada James pela ajuda na tradução – e Carol, dedico esse texto pra você. 🙂

medo de nunca terminar.

Meu livro, é! Fiz aqui uma lista das coisas que a gente faz com um livro que não termina:

  1. Coloca na herança pro filho terminar e ele que faça um bom trabalho.
  2. Chama a Zíbia e continua o trabalho mesmo depois de morta.
  3. Bota fogo. Fogo em você mesma, só de raiva.
  4. Manda enterrar junto com você. Com a seguinte inscrição: esse ano eu termino.
  5. Pede pra publicarem mesmo assim, igual aquele Castelo daquele mala do Kafka que me fez ler um livro chato e inteiro para terminar assim sem mais nem

Ou um dia alugo uma cabana na montanha e escrevo e escrevo e escrevo em uma febre de 5 dias até terminar a coisa toda. Que, minha gente, já tem 12 anos de idade. É um adolescente! É um mardito adolescente gritando no meu computador e sacudindo a porta do meu armário!

Mas vejam vocês se não encontrei uma banda russa sucesso que tem o mesmo nome completamente inventado do meu livro:

 

E uma foto no Pinterest que é a cara de uma das minhas personagens:

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como vai vossa vilania?

Acredito em tudo, e por isso mesmo não acredito em coincidências. Por um conluio de situações, acaba de me bater uma visão importantíssima sobre meu livro. : )

É que cheguei num capítulo bastante delicado: é hora de apresentar o vilão da história. Sim, porque minha história tem um vilão. O processo de criação dele nasceu meio sem sal, mas cresceu: primeiro, eu sabia que tinha que haver um ser meio mau ali dentro, mas não conseguia desenhar a motivação do rapaz. E também queria fugir do comum, puro e simples “quero ser do mal e conquistar o mundo”. Aí, com o tempo, principalmente agora que a razão de ser do meu livro está clara, fui conseguindo desenhar bem, na minha mente, qual é o problema do moço. Consegui enxergar traços dele me incomodando em pessoas reais e, de repente, a motivação dele apareceu muito clara pra mim. De um jeito que agora, consigo ver o vilão do meu livro escondido no dia a dia. E isso é bacana, porque, na hora de escrever, vai me dar vontade genuína de fazer esse personagem perder no fim da história. Destruir os planos dele vai ser uma maneira de representar a minha luta pessoal contra o que eu acredito ser mal sem bater em ninguém na vida real. Útil, né? : )

Chegar aí foi fácil.

Só que, do jeito que andava, transformar minha história em um panfleto chato das minhas ideias também ia ficar fácil demais.

Até 10 minutos atrás, sempre que eu pensava no meu vilão, vinha aquela coisa pesada, bem construída psicologicamente, dramática, até. Aí, hoje é feriado, blábláblá, resolvi almoçar com a TV (morar sozinha tem suas xaropadas), e vi um trecho do coelhinho vilão do Deu a Louca na Chapeuzinho. Nem é um grande personagem, sei. Mas, de repente, TCHOF. Ele me fez sacar uma coisa importante: vilões podem ter construtos psicológicos muito profundos, mas não precisam ser pesados e densos de maneira a virar um buraco negro na história. Meu livro gosta de ser leve, é até bem engraçado, e o meu vilão, do jeito que eu andava imaginando, corria o risco de por tudo a perder.

(olha que metalinguagem!)

Aí decidi: as motivações são as mesmas, mas ele vai ser ENGRAÇADO. Vai passar a minha ideia sem parecer que está dando lição de moral (vou ser muito mais beakman que professor chattoff). Vai ser caricato sem ser maniqueísta. E você vai entender ele e você vai rir dele e você vai odiar ele.

Vai ser um baita exercício! Que vai fazer bem pra saúde dos meus leitores. : )

A foto lá em cima não é à toa. Judge Doom é um vilão que tem as características que falei, e vai ser exemplo pro meu (afinal, pra quem não sabe, o clima do meu livro é bastante Uma Cilada para Roger Rabbit):

Amiguinhos e amiguinhas… é isso!!!

personagens de um épico

Rebecando na agência

agência ruim né

Engraçado que semana passada umas 3 pessoas que não se conhecem vieram me falar do Rebecando, a tirinha que eu tinha e que abandonei sem dó. O caso é que elas ficaram datadas e resolvi desencanar. Mas essas pessoas me lembraram que ainda existe uma Rebeca em mim, independente de eu já ter me formado ou não. E ela fica sempre aqui, observando o dia a dia e se inconformando. Esses cartoons meio legais me animaram a ressuscitar a ruivinha de tranças infinitas. Quem sabe eu não faça um Rebecando – na agência.

Quem sabe.

+ do livro – e daí que é domingo e eu “não atualizo de domingo”?

Daí você precisa ter uma memória muito boa.

São muitos personagens, cada um com sua história. Tem que tratar todo mundo com o mesmo respeito. Daí acabei de começar a escrever sobre a Greta, e o Word com a mini-biografia dela (tenho de todos os personagens mais importantes) tá em casa*.

Não lembro se ela é órfã ou não, e creia, isso FAZ diferença. De qualquer forma, continuo a escrever, de teimosa. Mesmo correndo o risco de estar seguindo um auto-briefing errado. O mais engraçado é isso: que o livro é meu, se eu quiser mudar tudo enquanto escrevo, posso. Mas tem todo um planejamento, saca? E posso ferrar toda a história mais pra frente se agora eu esquecer de algum detalhe que eu já tinha pensado.

Reescrever não é opção. Não depois de 7 anos.

[*escrevi esse post no ônibus, há um tempinho. Então agora, como o Word em mãos, vejamos:

Greta

Menina egípcia que não conhece o pai (Bakarah), mas ouve histórias dele pela sua mãe.

Maldição imunda… vou ter que reescrever o trecho inteiro].

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