O melhor e o pior de 2017: livros

2017 foi (já pode falar no passado, eu permito) um ano esquisitinho. Não gostei muito dele, não. Não aconteceu nada de realmente ruim, felizmente. Pra falar a verdade, até conquistei umas metas bacanas materialmente falando. Só que foi um ano de muita expectativa frustrada, de ideias que pareciam promissoras e que falharam miseravelmente. E isso não me deixou, assim, extremamente animada. Basicamente, podemos dizer assim: como eu sempre opero na tirinha do Calvin aqui em cima (felicidade não é suficiente pra mim, eu exijo euforia), não me contento com pouco e senti falta de um pouco de euforia por aqui.

É claro, é claro, ficar grávida foi a mudança mais louca e legal dos últimos anos. Mas depois da descoberta, pensem vocês que a gente entra num estado de… espera. Digamos que passei mais da metade desse ano enjoada e esperando. Esperando e vomitando. E vida em standby sempre me tira do sério. Ou pior: me coloca no sério. Eu fico séria, sem graça. E enjoada. Quero é que essa menininha chegue logo!

Mas divago. O que quero dizer é que anos ímpares sempre são chatos pra mim, enquanto anos pares tendem a ser S-E-N-S-A-C-I-O-N-A-I-S, então não vejo a hora de que 2018 comece, porque vou pegá-lo de jeito e transformá-lo em pura euforia.

E esse foi meu resumão de 2017. E é pra não terminar os posts desse ano com um post chato assim que vou fazer algo que sempre me recusei a fazer (afinal, categorizar o ano pelo tanto de cultura que consumi sempre me pareceu meio vazio): vou fazer uma lista do melhor e pior de 2017 apenas em termos de leituras, séries e filmes. 🙂 Vou aproveitar que terminei hoje a leitura do último livro do ano (porque acho que em 2 dias eu não termino mais um, não) e começar pelo resumo dos livros do ano.

Esse ano eu li 20 livros, um número redondinho, bonitinho. Desses 20, 4 deles foram releituras. Foi um bom ano para releituras, em que reli 3 dos meus livros favoritos (Alice no País das Maravilhas / Através do Espelho, A História Sem Fim e Dicas Úteis para uma Vida Fútil – Um Manual para a Maldita Raça Humana), só para descobrir que eles continuam meus livros favoritos. Reli também um livro bacana, mas não assim tão incrível, o Cabeça Tubarão. Assim, tirei eles dessa lista, já que ficaria injusto.

Então, com esse corte feito, vamos aos livros que mais gostei e aos que mais detestei esse ano, começando pelos

3 piores livros de 2017:

#3 House of Leaves, de Mark Z. Danielewski

O terceiro pior livro do ano me deu uma canseira absurda. E me irritou porque é daqueles livros cuja ideia é sensacional, mas cujo autor ficou tão obcecado pela ideia que ficou lustrando ela, mas esqueceu de uma coisa básica para um livro: torná-lo LEGAL. É um livro difícil de ler, com idas e vindas pelos capítulos e labirintos e cartas e promessas… até que você chega no fim e fala “mas, tudo isso… pra isso???”. No meio do livro, você sente que está trabalhando, e não se divertindo. E taí uma coisa que me dá preguiça. Sou mais ler aqueles livros da coleção Eu, Detetive ou “mais um livro do gênero Enrola e Desenrola”. Lembram dessas séries SENSACIONAIS????? Pois é. Deu saudades. Mas, vamos lá. Tiveram coisas piores esse ano, como

#2 A Biblioteca Invisível, de Genevieve Cogman

Tive o (des)prazer de terminar esse livro hoje, encerrando o ano de forma bem azeda. Digamos que não é um livro essencialmente RUIM. Ele só se esforça tanto para ser legal que fica cansado, coitado. É um tal de zepelins pra cá, roupas vitorianas pra lá, misturadas a lobisomens, vampiros e um dragão sexy (?). E a autora cria um universo fantástico tão sem graça e cheio de regras sem sentido que dá vontade de chamar ela para uma conversa, pra contar que se o universo fantástico é dela, ela não precisa ser assim tão restrita. Nessa conversa, eu perguntaria de quebra POR QUE RAIOS ela escolheu fazer uma protagonista mulher se a moça age de forma completamente dependente da aprovação de homens (que “sabem falar de forma sensata e calma com mulheres histéricas”, nas palavras da autora) e está sempre incomodada com a sua vilã, porque ela usa roupas mais bonitas que ela. Mas até que essa protagonista dependente foi maravilhosa, se eu compará-la com o teor do PIOR livro do ano para mim, que foi

#1 1Q84, de Huraki Murakami – O PIOR DO ANO

Sem comentários, deixo minha resenha no Goodreads continuar o trabalho por mim. 

 

Mas vamos falar de coisa boa. Aqui vão os 5 melhores livros de 2017:

#5 Count Zero, de William Gibson

Uma narrativa toda sujinha, num universo cheio de drogas e personagens metidos a mauzinhos. Eu gostar dos livros do William Gibson não faria sentido nenhum, especialmente sabendo que não sou muito fã de ficção científica (já tive brigas com meu marido porque não consigo gostar de Ray Bradbury!!!). Mas uma coisa nele sempre ganha meu coração: o cara SABE ESCREVER. As descrições são uma delícia de ler. Os personagens são coerentes, e cada um tem um tom diferente, não são todos iguais, como em muitos livros. Eu consigo imaginar de forma vívida o universo descrito por ele. E tudo isso me prende, independente da trama. Nesse livro, por exemplo, não achei a trama muito atrativa, até me perdi um pouco no meio (eu gostei mais do primeiro livro da trilogia)… mas a escrita é tão boa que não consigo largar. Ponto pra ele.

#4 Vinte Mil Léguas Submarinas, de Julio Verne

Um clássico é um clássico é um clássico é um clássico. Julio Verne é outra delícia de ler. Mas o que fez ele ficar aqui na lista dos 5 melhores (enquanto A Volta ao Mundo em 80 Dias, outro livro que li esse ano, não conseguiu) é o bom e velho personagem sonhador e obstinado que tem uma meta estranha na vida e vai a extremos para conquistá-la. Adoro esse tipo de gente. Sim, eu tenho um crush no capitão Nemo.

#3 Letters of Note: An Eclectic Collection of Correspondence Deserving of a Wider Audience, de Shaun Usher

Sigo o blog desde antes de ser livro (olha como sou tendência!). Comprei esse livro de presente para meu marido. Ele não leu. Esse ano decidi tirar o livro do criado mudo dele e ler essa obra de arte. É sensacional, inspirador e esteticamente muito bonito. Um trabalho de pesquisa excelente numa curadoria muito bacana.

#2 Welcome to Night Vale, de Joseph Fink e Jeffrey Cranor

Esse livro tinha TUDO para ser o melhor do ano, mas o final dele é meio xarope, meio perdido. Assim, recomendo a quem for lê-lo que o abandone antes do fim, ou algo assim. Mas tirando o final, é realmente o melhor do ano! É um livro que se passa no universo de um podcast megafamoso nos Estados Unidos. Curiosamente, também li o livro com os episódios do podcast e achei eles meio chatinhos, mas o universo criado pelos autores é maravilhosamente surreal e profundo, meio como um Guia do Mochileiro das Galáxias um pouco mais elaborado e moderno. É daqueles livros fantásticos que inventam regras próprias, mas não precisam ficar explicando elas a todo momento. Você simplesmente cai naquele universo e acredita nele. Pra quem procura um livro bem diferentoso, vale muito a leitura!

#1 No Urubuquaquá, no Pinhém + Manuelzão e Miguilim (os primeiros dois livros do Corpo de Baile), de João Guimarães Rosa – O(S) MELHOR(ES) DO ANO

Tive que dar uma roubada no jogo, porque na realidade são dois livros, e embora os dois sejam parte da mesma trilogia, não cheguei a ler o terceiro da trilogia esse ano ainda. Porém, os dois chegaram à lista dos 5 melhores, e achei por bem dar mais variedade a essa listinha e juntar esses dois num só. Feliz pelo único autor brasileiro das minhas listas ser justamente o melhor de todos. Mas é que é o Guimarães Rosa, né, minha gente? O cara que me faz ler um livro de contos (dois, no caso), com o maior prazer, mesmo eu tendo pavor de livros de contos. Gosto do Guimarães Rosa porque o cara é um gênio. Consegue escrever bem sem esforço – e morro de rir dos meus contemporâneos que, hoje, tentam imitá-lo (sim, são muitos!!!) se esforçando demais e quase me matando de tédio com seus neologismos forçados. E taí: mesmo com alguns contos um pouco chatos e difíceis de ler, ele se mantém aqui, no topo, mostrando novamente que pra mim… um clássico é um clássico é um clássico. Não resisto a um.

Logo mais, boto os filmes do ano aqui! Até dia 31 de dezembro à meia noite ainda devo ver mais umas dúzias de filmes, então só volto quando tiver certeza de ter visto todos os filmes a que tive direito esse ano!

🙂

A Verdade Sobre o Caso Harry Quebert é que ele não é tudo isso

Joel_Dicker_-_A_Verdade_Sobre_O_Caso_Harry_Quebert.pdf - Google Chrome

Ganhei do meu marido, que ouviu a aclamação nacional de Joël Dicker em tempos de FLIP e quis me dar, “para que eu leia meus contemporâneos”. E estou lendo. E devo dizer uma coisa: esse livro tem me inspirado muito.

Não por se tratar de um livro metalinguístico, com um escritor falando sobre o ato de escrever, não. Mas porque ele é bem mediano. E quando um livro aclamado por público e crítica como a salvação da literatura mundial  (se bem que ando lendo umas críticas nacionais e vendo que não está descendo bem aqui no Brasil) é assim xarope, dá muita vontade de tentar fazer melhor. 🙂

Não quero fazer uma crítica completa por aqui pela simples razão de que não gosto de resenhar livros (nem filmes, embora já tenha ganhado a vida assim há uns bons anos), e pela complexa razão de que ainda não terminei o livro. Estou me adiantando em dizer que não gosto da narrativa, porque quando você está na página 257, o meio da história, e o que você já leu é uma repetição incessante do que poderia ter sido resumido em 20 páginas (e você poderia gastar o resto do tempo lendo clássicos de verdade que tratam do mesmo assunto de maneira melhor) já é hora de perder as esperanças de que uma remissão incrível aconteça.

Esse livro tem um pouco de outra coisa que ando vendo com uma certa frequência em “meus contemporâneos” (adoro falar assim) e era mais disso que queria falar. O Jöel Dicker não é o pior nesse cenário, mas tá ali, quase na curva do que não gosto: são livros em que o escritor se acha acima de seus personagens. Acaba não deixando espaço para o leitor julgar os personagens por si só.

São escritores que tratam seus protagonistas como os verdadeiros inteligentes, descolados, espirituosos da história. Até seus defeitos são perfeitamente compreensíveis (talvez inspirados neles mesmos?). O resto dos personagens – seus pais, seus vizinhos, as pessoas mais velhas, mais jovens, ligeiramente diferentes – são um pastiche grosseiro, um estereótipo de gente geralmente burra, unidimensional, feia, cafona. Qualquer um que não seja o personagem principal é uma porta. Simples assim. Não tem um aprofundamento, nada. Não rola um questionamento, um “vamos estudar mais um adolescente pra ver se ele é mesmo chato ou tem algo por trás disso”. Será que falta um Stanislavski no currículo desses caras? Ou falta vivência pra saber que todo mundo pode ser nivelado por cima e não por baixo?

Fico me perguntando se é coisa normal da idade ou se é um defeito da nossa geração. Um defeito de umbigo grande demais.

Fico aqui escrevendo demais e vendo o sábado e a bateria do computador acabar. Ufa! 🙂

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