Quando você viaja em busca de uma coisa e encontra outra

Depois de 1 mês em Portugal, país pelo qual eu vinha apaixonada à distância nos últimos tempos, voltei com o coração partido. Acabou que conheci ao vivo esse meu amor virtual e o encontro foi daqueles que só gente que já se frustrou ao vivo com aquele amor do ICQ entende: eu e aquelas ruas não tínhamos nada em comum, eu e aquelas paisagens passamos todo o tempo olhando umas para as caras das outras, insistindo, tentando puxar assunto e falhando miseravelmente. O coração não cantou e partiu.

Depois de 1 mês fora de São Paulo lidando com o desconhecido, cheguei no açougue do mercado do meu bairro e o açougueiro, que eu nem sabia que lembrava de mim, me disse: “hoje tem costelinha suína, aquela que você adora e que nunca tem quando você vem”. Sorri para essa cidade tão cansada e falei “vou te dar mais uma chance, sua danadinha”.

Casa, casa, quando é que eu vou encontrar esse lugar que eu sei onde está, mas só precisa de um lugar pra se encostar? Quando encontrar, vou me encostar feliz, comprar meu piano e meu forno de verdade.

Por enquanto, vamos cozinhar essas costelinhas que eu adoro – e que dessa vez tinha quando eu fui.

Goiaba.

Desde quando blog passou a precisar obrigatoriamente ter um tema? Por que paramos de fazer posts legais sobre a vida nos blogs? Porque as coisas do dia a dia, a rotina, as pequenas grandes ideias do cotidiano, agora têm lugar certo. Ah, o Twitter. Ah, e digo isso com dor no coração, o Facebook. Aqui no Palitos só ficam os textos elaborados, pensados, chateados. As coisas bestas, dessas que vêm pro dedo e pedem pra ser escritas, vão pros outros lugares. O que é ruim, porque as ideias nos outros lugares ou se limitam a 140 caracteres, ou só fazem sucesso se acompanhadas de uma foto incrível ou alguma crítica X, Y ou Z (geralmente X).

Pois bem. Não estou feliz com isso. E por isso vim aqui falar da goiaba. Como uma enquanto escrevo esse post. Ontem comi outra e ouvi de 2 meninas novas (talvez seja um problema de gerações?) que elas gostariam de gostar de goiaba, mas não gostam de goiaba. Divagando aqui, cheguei à conclusão de que goiaba é mesmo uma fruta polêmica. Uma fruta que é para os fortes de coração.

Tudo nasce da cartesiana pergunta: quantas goiabas NO PONTO você comeu em sua vida?

Ou a goiaba está verde, mais amarrada que nó de marinheiro, com a casca mais difícil de morder do mundo.

Ou a a goiaba está AMARELA, seu cheiro espalhado por toda a casa, com mosquitinhos abundando ao redor e aquele gosto de suco de goiaba com Soda Antarctica dos anos 90.

Acho que comi umas 5 goiabas daquelas que se diz BRAVO em toda a minha vida. Todas valeram a pena.

E daí entendi que a explicação é simples: goiaba é uma fruta complexa, que fica no ponto apenas durante 2 minutos. Nesses dois minutos, você pode ter uma goiaba perfeita. Passados dois minutos, acabou. Fim. Seu tempo acabou. Não estava atento, perdeu.

E digo mais: usar maçã como metáfora é fichinha. A melhor metáfora pra vida é mesmo a goiaba.

A goiaba e o kiwi – mas o kiwi é para mentes mais avançadas.

Por querer não coloquei foto nesse post.

Beijos, queijos e goiabadas.

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