Em todos esses anos de indústria vital

Eu já fiz sapateado e yoga. Um pouco de circo e de muay thai. Algumas aulas de balé. Jazz e suas vertentes. Musculação? Zumba? Jump? Spinning? Step? (saudades dessas aulas antigas!) Natação? Sim, sim, sim, sim e sim. E sim. Fiz até o que parecia ser um pouco de vôlei no colégio (embora nunca tenha gostado muito de esporte em equipe).  Também já experimentei pilates. Já fiz 1 ano de YMCA e seus exercícios clássicos de ginástica. Quando adolescente meu sonho chegou a ser cursar educação física, época em que fazia uma ginástica sensacional com um professor bem  sargento, cheio dos pesos e circuitos. Também já passei um final de semana sem parar sequer para tomar banho carregando tábuas e martelando pregos em comunidades (saudades, Teto!).

(sim, amiguinhos, essas bochechas aqui só existem por motivos de AMO COMER).

Mas NUNCA, NUNCA EM TODA A MINHA HISTÓRIA, tive tantas dores quanto estou sentindo nesse exato momento depois de UMA MÍSERA AULA EXPERIMENTAL DE CROSSFIT.

Sabe dor de não conseguir dormir? E de procurar o dorflex na sua caixa de remédios, no meio da madrugada, só pra descobrir que você não tem dorflex em casa porque nunca teve esse tipo de problemas? E de falar “ah, paciência” e jogar um rivotril pra dormir querendo ou não, com dores ou não?

Eu não sabia.

O tempo dirá se encontrei o esporte que me ganhou ou o que ganhou de mim. :O

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Do lado de cá, sou algo como uma mãe-nãomãe donadecasa-quetrabalha

Se tem uma coisa que me diverte nessa fase em que saí do mundo da publicidade e estou trabalhando de casa é estar do lado de cá. Porque agora ligo a televisão de tarde algumas vezes. E é nessa hora que sou impactada pelo que a publicidade, o lado de lá, me manda. E me diz algumas coisas que eu mesma escrevia há um tempo atrás (e de vez em quando ainda escrevo, vai, para um freela ou outro). E me diz que, em certo ponto, a publicidade ainda está nos anos 50. Porque contar uma história em 30 segundos precisa de pressa. E para contar uma história com essa pressa, não dá tempo de construir personagem e escalas de cinza, né? Então bora pro estereótipo.

Até agora, meus melhores amigos são o casal descolado cuja casa tem regras muito modernas – “aqui quem lava a roupa é o marido!” – que me recomendou, todo sorridente, usar Vanish, uma mãe dentista que acha um horror o filho adolescente mascar chiclete e umas 500 mulheres que são muito ocupadas e fazem muita coisa da vida, entre cuidar dos filhos, do marido, da casa, e maravilha das maravilhas, como é evoluída, ainda encontrar um tempinho para cuidar de si mesmas (engraçado como para a propaganda só mulher é ocupada, homem nunca faz nada, né?).

Isso porque estou em casa assistindo a Home & Health, e na teoria virei “a consumidora que é mulher, mãe, dona de casa, jovem e classe média-alta”. Nem preciso dizer que me sinto excluída toda vez que me apresentam, animados, a girafa com blocos de encaixar da Fisher Price, ou quando começa aquela propaganda que usa a expressão “cocô líquido” – e ainda penso em adiar meus planos de ser mãe em mais 1 ano, pelo menos.

Estou achando um barato ver os anúncios e os textos quadradinhos onde posso LER o plano de mídia e a estratégia de marketing da campanha esfregados na minha cara. É bem estranho, e confesso que às vezes sinto vergonha de algumas coisas que já fiz na vida. E percebi como é preciso estar do lado de cá se você quiser mandar bem do lado de lá. Taí uma lição de casa que todo publicitário deveria ter: ligar a TV de tarde de vez em quando.

É bom estar em casa.

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A boa e a boa notícia

 

A má notícia é que estou escrevendo menos aqui do que o intento original.

A boa notícia é que são 11h da manhã de uma quarta feira e estou na cozinha da minha casa, fazendo aquela receita de bolo de cenoura recheado de brigadeiros que não sai da minha cabeça. E vou servir esse bolo para um casal de amigos para cujo casamento vou fazer a consultoria criativa.

A outra boa notícia é que há 1 semana meu relativamente novo (porque faz 1 ano essa semana!) projeto-negócio-consultoria saiu no blog Follow the Colours e isso foi sensacional.

Então acho que essas duas boas notícias positivam a má e tudo está ótimo.

Ótima quarta feira pra nós.

Pensamento do dia

Jesus disse “amarás ao teu próximo como a ti mesmo”.

Ele não disse “farás de tudo para o próximo amar a ti, mesmo que o próximo, coitado, esteja tão perdido quanto tu, mas mesmo assim tu tentarás e tentarás e tentarás até te odiar a ti mesmo por ter sido tão tonto e então começarás a odiar o próximo como tu te odeias a ti mesmo e começarás um círculo vicioso em que tu acharás que todos os próximos são terríveis pessoas porque afinal não são capazes de amar a ti em retorno, mas aí tu pararás e pensarás que se não te amas a ti mesmo então como é que tu achas que vais ser capaz de amar ao próximo, e se tu não amas o próximo, como é que o próximo vai amar a si próprio e a ti, aí tu procurarás terapia para aprenderes a amar a ti mesmo e aí sim aprenderes a amar ao teu próximo como a ti mesmo”.

Como a gente complica as coisas.

jesus

Com erro de português, mas assinado em Bic

otica

 

A Foto Ótica Astral é uma ótica minúscula que sobrevive na Avenida São Gabriel, perto de onde eu trabalhava até semana passada. A variedade de óculos é mínima. A sofisticação, menor ainda. Mas é para lá que eu vou quando preciso colocar lentes nos meus óculos.

O Dionísio nunca teve problema em colocar lentes nas armações que eu levava lá, mesmo compradas em outros lugares. E foi o único que aceitou colocar lentes de grau na armação em forma de coração que comprei no E-Bay, há um tempo atrás. Em outras óticas, as pessoas se recusavam a fazer isso, quer por medo de quebrar (tinham lá sua razão), quer por medo de tentar. Quando levei minhas lentes de coração pro seu Dionísio, ele deu uma risada, me avisou que poderia quebrar, mas que ia tentar. E deu certo.

E dentre tantas grandes óticas, cheias de visão, ele é o único que ainda me manda parabéns por correio, em cartinha assinada de próprio punho e devidamente selada no correio.

Nos dias de hoje, mandar uma carta dessas pelo correio é um trabalhão. E eu valorizo esse trabalho, mesmo que comece com um impessoal Amigo(a), porque ele é muito maior que qualquer e-mail bem bolado que tenha o meu nome colocado automaticamente em programação (já esqueci o nome técnico disso, olha a redatora publicitária indo embora).

É cada vez mais isso que procuro nas pessoas com quem me relaciono, pessoal ou comercialmente. Uma cartinha que lembre de mim. E menos desespero pra acompanhar as mudanças.

🙂

Falta água pra sobrar ideia

Vamos falar sobre a falta d’água em São Paulo! E não, não quero comentar sobre implicações políticas, macroeconômicas nem macroqualquercoisa da coisa toda. Se quiser ler sobre esse tipo de coisa, tem umas 2 mil matérias e uns 2 milhões de posts de Facebook,  para todos os gostos. Aqui no meu blog não. 🙂 Quero aqui falar – e acho que serei breve (sabe como é, dedos enferrujados) – sobre como a falta traz ideias.

Porque (e já falei disso na época em que as pessoas brigavam porque o ônibus ia custar 3,20 – hoje são 3,50) gosto de pensar em um jeito diferente de pensar nos problemas: e penso que eles aparecem pra nos dar novas ideias. Não saiu água do chuveiro, o ônibus tá caro e a operadora de celular vai cancelar o 3G superutilizado? Vamos pensar em opções de rebater isso aí. É andar mais a pé,  é tomar banho junto com o maridão, é vender o celular? Ou talvez até, quem sabe, é iniciar uma revolta camponesa do século XXI? Cada um pode encontrar a sua ideia. Mas o importante é encontrar. Acho que reclamar muito sinaliza certa falta de criatividade. Acredito que toda grande ideia nasceu de uma grande necessidade. Não existem (ou são raras) ideias que nasceram de combustão espontânea. Podem até ter realmente nascido de uma reclamação, mas bastou um reclamão levantar da cadeira pra conseguir mudar alguma coisa e elevar seu status de reclamão para gênio. Temos que parar de ser essa geração que nasceu acostumada com ter todas as ideias essenciais prontas pra gente. Não precisamos criar nada, vivemos a rotina recebendo na cabeça banhos e mais banhos de ideias prontas que são a soma de pequenas ideias de mil gênios no decorrer da história (do cara que inventou o cano ao cara que inventou o banho) e nunca nos questionamos de onde elas vieram.

E não acho que tenhamos que reinventar a água, não. Como não sou adepta das revoltas camponesas, acho que temos que criar novas ideias, simples, bestinhas de encarar a rotina: lavar o cabelo uma vez ao dia (e não duas, como eu fazia, sim, eu sei, um suicídio capilar, além de tudo) foi o começo que encontrei, por exemplo. Comprei até uma touca em forma de patinho pra me incentivar a fazer isso.

Acho que a atual situação serve também como lição: podemos xingar até a mãe do Papa, mas quem está por trás disso tudo é tudo aquilo que aprendemos nas aulas de educação ambiental e nunca nos preocupamos em colocar em prática. Quem sabe sendo forçados a colocar em prática a gente aprende de verdade? E é isso. Reclamei. 🙂

 

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Já perdi (?) amigos de todas as cores

A mesma facilidade que tenho para fazer amigos, tenho para perdê-los. Perco mais amigos que guarda-chuvas, isso é verdade. Não consigo manter contato, quando me dizem “vamos marcar” respondo “vamos mesmo” e o tanto de gente que perdi por julgar mal dá mais que uma mão. Já tive amizades que acabaram mal na porta da balada e amizades que acabaram bem, no aeroporto.

Por que deu vontade de escrever isso? Primeiro, talvez um pedido de desculpa por ser assim, não muito dada a amizades. Mas mais que isso: um agradecimento àqueles que permanecem. Aqueles que mantiveram contato daquele jeito mambembe (que é o mais gostoso), aqueles que também responderam “vamos mesmo” e que de vez em quando apareceram mesmo e aqueles que me julgaram mal de volta, e ainda me ajudaram a melhorar com isso. Como essas pessoas fazem bem. Como eu gosto.

Quanto mais velha fico, menos eu acredito que amizade é uma coisa eterna. Acho mais que é uma coisa terna, mesmo. É aquela pessoa que não prestou naquele momento da sua vida, que quase levou um tapa na cara de tanta raiva que você teve naquele dia, mas que hoje rende bate papos divertidos no Google Talk. Ou aquela que fazia todo o sentido quando o assunto era reclamar de (falta de) homens e que hoje não cola mais, porque o assunto que grudava a amizade desapareceu.

—-

É, e é por isso que amo escrever. Porque arruma o pensamento. 🙂

Relendo esse post, percebo que não perdi um amigo sequer. Perder é não lembrar onde ficou. Perder é dar branco. Não. Não deu branco coisa nenhuma. Eu lembro a cores onde cada um ficou e sei muito bem o lugar de cada um hoje. Quer dizer que a gente se deixou lá porque era hora de fazer isso. Mais ou menos como essa pelúcia que me acompanhou em tantas noites, dos 15 aos 25 anos. E que deixei um dia no caminho porque não dava mais. Não sei até que ponto isso é egoísta ou realista. Mas se tem uma coisa que aprendi na prática é que amizade que acumula ácaros não é saudável, não.

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Tentei. 🙂

Relógio não come texto

Nem relógio nem antidepressivo comem textos. Então parem de chorar.

Vocês viram que criei uma marquinha pro Palitos de Fósforo, né? 😀 É porque quero mudar as coisas.

 

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E mudei com um post de frases soltas, pra voltar a escrever. Tipo aquecimento antes de fazer exercício. Falando nisso, voltei a dançar. Não só voltei, como agora faço sapateado, mas também balé, jazz e jazz musical. Um sonho realizado. Bobo, mas sonho. E sonho, mesmo que bobo, é sonho. E estou super feliz. Minhas pernas também, até mais coradinhas e bonitinhas.

E fico pensando nos rituais que fazem do dia dia e que é neles que a gente precisa mexer. Se eu tomo banho todo dia, o que me impede de escrever um pouquinho todo dia? Tenho um ritual engraçado, que só agora percebi que é um ritual. Bate um horário x no trabalho, minutos antes de eu ir embora, tiro meus óculos e coloco no meu Senhor Cabeça de Batata. O que percebi é que é meu jeito de distanciar a Francine do trabalho da Francine que está indo pra casa (não sei se isso é bom).

A verdade é que depois de casada, estou repensando um tantão de coisas sobre a vida. Não quero nem ver o que vai acontecer quando eu tiver filhos.

Esse ano, tinha decidido que não ia nem pensar nesse blog, pra acelerar de vez meu livro. Mas se essa é a fase mais legal do processo, essa fase da loucura do É AGORA QUE ACABA, e preciso dividir com vocês (vocês, quem? Tenho esse blog há tanto tempo que acho que passei da fase de contar com um ouvinte) o que se passa.

E quero que passe logo, que desce ano não pode passar.

D:

 

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