decisa

Que dúvida sobre se vou ao sapateado ou não. Meu corpo não quer ir, não consigo nem imaginar fazer um triple hoje, dói tudo da garganta ao útero, uma febre tá se contorcendo por aqui, mas não consigo pensar em faltar e perder tudo o que vai ter de novidade na aula hoje. E dançar!

Mas cheguei atrasada e demorei horrores no almoço (acho que desacostumei de almoçar fora e me empolguei no meu waffle quentinho com geleia e mel), e o diretor deu uma reparada razoável no fato. Os jobs estão em dia, no entanto.

Já sei. Se chefe for embora antes da hora do sapateado, vou no sapateado, sapatear minha febre away. Se não, fico aqui até umas horas e vou pra casa des-sapatear (e adiantar umas coisas de organização interna da agência que não estou conseguindo fazer aqui nem tossindo a vaca).

É isso.

Adoro depositar as decisões relativamente bobas da minha vida (alguma decisão é boba? Não acho) em fatores externos.

: )

calma, gente.

Não nego a ideia bacana da menina do Bradesco que deu uma resposta ao cliente no Facebook em forma de verso (ela contou com um fator sorte incrível aí – dificilmente, o banco anunciaria publicamente que ela “pulou 3 hierarquias e isso é genial” se, por um bater de asas de borboleta diferente, a resposta tivesse sido chamada de antiética, não-profissional e por aí afora). Não é esse o ponto. O que me assusta é como esse episódio está surpreendendo as pessoas – coisa de sair no ProXXIma com a frase “Poesia em atendimento de banco. Tabata, sinceramente, parabéns.” e uma babação de ovo que dá até tontura.

Fico triste em ver como um país que é dos mais relevantes nas redes sociais faz tanto barulho por uma atitude que é mais velha que andar pra trás nas redes de marca gringa. Há 2 anos já, fiz um benchmark em um projeto pra um órgão do governo e me inteirei sobre relacionamento nas redes por parte de órgãos públicos e governamentais de outros países. Os repressores-militaristas-conservadores EUA eram tão naturais nessas relações que me impressionaram. Davam de 10 a 0 na marca mais descolada do Brasil.

Se surpreender com um banco respondendo com poesia só prova como as cabeças andam emperradas por aí. E reafirma uma postura que vejo diariamente e me incomoda muito: o lugar-comum que é pensar que marcas, governos e instituições são deuses inatingíveis, são um só ser mitológico representante do mal (ou do bem). “Eles” são GENTE.

Alguns deles são inclusive você.

continuísta de mim mesma

Não sabia que era assim, no entanto é óbvio que é assim!

Chegando quase na página 100 do meu livro, decidi parar e reler a história desde o início, já corrigindo errinhos, exageros ou desexageros. E vi o quanto isso é fundamental pro meu processo de criação. Primeiro, porque hoje tenho uma visão muito mais madura sobre a história e o que pretendo com ela, e aparar as arestas agora e redescobrir alguns trechos tem sido fantástico pra entender minha própria vida (sim, de verdade).  Segundo, porque é importantíssimo não perder o fio da meada. Ora, a primeira página, nesse modelo, nasceu em 2007. São 4 anos de sentar pra escrever e começar do ponto em que parei sem lembrar se tinha parado a história de dia ou de noite, se chovia ou fazia sol, o que gera uns erros muito engraçados.

Percebi, por exemplo, que cheguei a descrever o mesmo cenário ou personagem mais de uma vez, e de formas diferentes e contraditórias. Tipo o prédio que em um capítulo parece o coliseu, e no seguinte vira um castelo de tijolinhos à vista. E é o prédio mais importante da história.

Fica a dica, se isso funcionar pro seu processo de escrita: de 100 em 100 páginas, pare tudo e releia a história, com um olhar de leitor e continuísta de si mesmo. Além de ser fundamental, é muito bom como controle de qualidade: se você continua gostando do que escreveu há 4 anos, provavelmente é porque o material é bom. : )

e vai se chamar “roda”

O fator cirque du soleil

Tô aqui escrevendo no intervalo do espetáculo do cirque du soleil (tenho 25 minutos pela frente e ninguém com quem comentar). Tava em casa sem fazer nada e meu amigo manda um “tenho um ingresso de 400 reais pro varekai pra HOJE e não posso ir. Quer?”. Não acreditando que era possível fui lá e fiz. Era um dos meus sonhos, e como costuma acontecer pra mim, aqui estou realizando ele, de repente e de graça.

E estou no auge da inspiração (o cenário lembra muito meu livro), querendo dizer umas coisas pra (sobre) a gente.

1.

Do protagonista ao iluminador: tudo tem um esmero lindo. São pessoas que estão no topo da cadeia alimentar onde trabalham. É o que me lembra a Disney. É o que me lembra de revisar meus trabalhos 48 vezes antes de entregar e o que me deixa triste quando vou dormir depois de um dia que eu poderia ter deixado muito melhor (sempre). Um selo de qualidade além da própria expectativa, é disso que tô falando.

2.

Quando você está numa atmosfera impecável assim o público fica mais exigente. Na primeira acrobacia sensacional todo mundo aplaude. Mas as coisas vão ficando tão melhores com o passar do tempo, que vamos nos acostumando – e quando chega o final do show, aquela primeira acrobacia não vale mais nada. Que medo. Em relação à artetrabalhovida, espero não ter entregado minha melhor acrobacia ainda. Por favor, sejam exigentes.

3.

Mas acho que o mais mais mais incrível das cenas do cirque é que elas são feitas por gente que nasceu no pé de igualdade com a gente. Como eu e (espero) você, também vieram com duas pernas, dois braços e uma cabeça. Ou seja, pouca coisa impedia a gente de fazer com essas pernas e braços o que eles fazem – exceto, talvez, a cabeça.

É por isso que sempre valorizei esporte, alongamento e, agora mais que nunca, dança. Acho triste a gente limitar um instrumento tão legal a andar, sentar e deitar.

O que me separa dessa pessoa absurda aqui no palco é, basicamente, anos de treino e algumas escolhas.

E muita disciplina.

O que me lembra outra coisa: o se esforçar pra fazer o melhor do melhor. Ninguém nasce bom, e todo mundo nasce especial. Se você não quer ser ninguém nem todo mundo, tem que sair daqui da plateia, onde você só tem chance de aplaudir, admirar ou reclamar, e ir lá ralar nos bastidores. E fazer mais, e deixar de fazer muita coisa.

Já vi gente demais dizer que não consegue fazer (insira algo realmente sensacional aqui) porque não tem grana, ou estudou em colégio público ou não tem tempo. Conversa.

Um dia posso perder tudo, inclusive minha memória junto com tudo o que já aprendi, e virar a mendiga amnésica mais ocupada do mundo. Mas Deus me ajude que eu ao menos tente ser a melhor mendiga amnésica sem tempo do mundo.

Pra ornar:

meio xiita mesmo

Angry Birds: 30 milhões de usuários ativos

Os jogadores gastam nada menos do que três trilhões de minutos jogando Angry Birds diariamente.

É que eu sou chata e deleto o SimSocial do meu Facebook pra não perder tempo na vida e tenho essa obsessão por FAZER. Mas o que mais poderia estar sendo feito em 3 TRILHÕES de minutos diários coletivos?

Acho que ando meio angry bird na vida. Catapultem-me daqui!

 

c l a r e a d a

A vida presenteia a gente com coisas lindimais.

Um desses presentes é a Cláu, amiga cuja alma deve ter nascido do ladinho da minha, de mão dada, lá no país onde as almas gêmeas nascem, e que anda me inspirando tanto no quesito VIDA (leia-se ter largado tudo, largado matérias de capa de revistas famosas, e ido estudar ficção científica e fantástica em Liverpool).

Outro presente é a nuvem que o presente-Cláu me recomendou. É um blog livreto cordel poema que me fez respirar melhor e feliz por ver que tem mais gente por aqui na terrinha vivendo com os pés nas nuvens – e escrevendo muito bem.

Obrigada, Nicodamus e Valentina. Vou conhecer mais o universo de vocês e a gente se encontra em breve. : )

Conheça:

A frase mais verdadeira que puder

“‘não se aborreça. Você sempre escreveu antes e vai escrever agora. Tudo o que tem a fazer é escrever uma frase verdadeira. Escreva a frase mais verdadeira que puder.’ assim, finalmente conseguia escrever uma frase verdadeira e avançava a partir daí. A coisa não era tão difícil, nessa época, porque havia sempre uma frase verdadeira que eu conhecia, tinha lido ou ouvido alguém dizer. Se começasse a escrever rebuscadamente, ou como se estivesse defendendo ou apresentando alguma coisa, percebia logo que podia cortar esses floreados ou ornamentos, jogá-los fora, e começar com a primeira proposição afirmativa verdadeira e simples que tivesse escrito.”
Hemingway

the days

‘And the days are not full enough’

And the days are not full enough
And the nights are not full enough
And life slips by like a field mouse
Not shaking the grass.

Ezra Pound

Lindo, né?

Não. É o poema que serve como antimodelo pra mim. Vez em quando me reconheço nele, só pra lembrar que é hora de pegar o lápis de cor e deixar cheio o vazio. Porque dias vazios são dias sem vida. Dias sem vida são menos um dia, sem criar nadica de nada (e não tô falando só de criar arte, não).

365 dias não cheios o suficiente são 1 ano vazio. 80 e tantos anos vazios são nada.

Vida que passa como um rato, que não faz mexer a grama é vida que vê a grama do vizinho ficando mais verde, enquanto reclama do tempo, sentadona na varanda.

Ah! E falando em tempo, quando tiverem um tempo, tem essa playlist aqui que fiz sobre a chuva. Fiz dia desses, e começou a chover quando eu estava no meio da confecção. Precisa de mais alguma coisa? : )

Clique para ouvir:

PS: Já olhou pra chuva como se você estivesse vendo ela pela primeira vez?

coletivo de epifanias é o que?

Gosto dessa palavra, mas às vezes deixo ela banal demais. E se é banal, não é epifania de verdade. Aprendi que epifania não se induz nem se força. Aparece de eras em eras, e quando aparece você muda tanto que ninguém mais te reconhece. E você se reconhece cada vez mais. Eis um trecho do meu livro que fala sobre esses momentos raros na vida que explodem nossas mentes de maneira tão boas : ) – mas sob o ponto de vista da epifania.

Depois, só depois, bem depois que este livro acabar, é que ela vai descobrir, de forma engraçada, que aquela epifania nada mais era que uma daquelas epifanias-filhote que ainda não sabem brincar e que se desprendem do bando, felizinhas e descontroladas, sempre de encontro a alguém desavisado. Coitadas, sem treinamento ou alguém de sensatez que as encaminhe, elas vagam por aí e por aqui e caem por coisa de momento na ideia do tal alguém desavisado. Foi uma dessas que esbarrou na Greta, e ela teria muito futuro se não fosse tão apressada, aquela epifania ansiosa. Greta essa que, àquela altura, estava embasbacada lendo estas palavras tentando entender onde foi que paramos de falar nela e começamos a falar de cardumes de epifanias (ou seriam enxames?).

Ou ainda ramalhetes?

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