O que fazer quando

Quando você não sabe mais escrever curtas de ficção porque hoje em dia coisa curta tem que gerar clique e não apenas divertir?

Cria uns personagens do nada pra ver se se inspira?

Pergunta ela, jogando umas sementinhas de personagens no quintal.

A que caiu em terra fértil gerou uns dez mil grilinhos coloridos. Apenas um era falante. Falou tanto que encheu o saco de todos os grilinhos, que fugiram e viraram milhares de consciências mudas (mas completamente chocadas) espalhadas pelo universo.

A que caiu em cima do muro virou uma espécie de Humpty-Dumpty indeciso sobre sua vida. Sempre que precisava tomar qualquer decisão, cofiava seu bigode por horas e não chegava a lugar algum. Seu problema é que ele achava muito pelo em ovo.

A que caiu na areia construiu um playground à moda antiga e vive se balançando no balancê da vida.

A que caiu junto das flores começou um coral floral e passa todas as manhãs ensinando as violetas a cantarem Oh Happy Day. O girassol tenta acompanhar, mas é o pior cantor de todos. Toda noite, entra em depressão.

Taí. Me treinando a voltar a escrever sem tensão no dedo.

Não é meu melhor post, mas o importante é forçar os dedos travados a tocarem alguma melodia. 🙂

 

A vendedora

A velhinha de cabelos infinitos ficava no meio da estrada sentada e em sua venda vendia

1. Filtros de nãos

2. Pacotes de expansão de alma, espírito e cabeça

3. A noção de que você pode tudo o que puder fazer sorrindo

4. Mais tardes divertidas com seu amor

5. Controle e extermínio (moderado) de cabeças de vento

6. Catalogação de bom senso

7. Um espelho bonito de se ver

8. Uns textos que falavam a verdade

9. Pílulas fitoterápicas anti-empolamento

10. Manuais de desregras

 

De vez em quando tinha até bolo de cenoura.

 

 

Imagem daqui http://www.designmom.com/2013/02/not-your-average-grandparents/

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