De vez em quando a vida

Joga o que a gente tem que fazer na nossa cara, porque a vida é a Vida e é assim. Tem uma série de coisas acontecendo pra me lembrar que meu lugar é aqui. Aqui. Nesse blog. Nesse idoso, maravilhoso, gostoso blog que eu iniciei quando tinha uns 15 anos a menos do que tenho hoje, com sonho de ser uma escritora e uma publicitária e uma influenciadora criativa (muito antes do termo influenciador existir… muito antes ainda do termo influenciador virar INFLU).

O sonho já aconteceu faz tempo e como todo sonho ele veio completamente diferente e melhor do que eu pensava.

E aí a vida tá todo dia sussurrando nos meus ouvidos. Que não importa se a internet já não é mais internet, mas um ser que há anos ganhou vida própria e nos devora através de nossas próprias mãos, noite e dia. Que não importa se eu desisti de acompanhar rede social porque não tenho tempo, paciência ou vontade.

Mas meu lugar é aqui escrevendo, sem me preocupar se é vendável se é premiável se é.

Coisas que a vida me vem jogando assim, como se eu nem percebesse:

1. A última rede social que me fazia parar pra postar, o instagram, mudou de cara e morreu pra mim.

2. Uma grande amiga dos tempos áureos do Palitos de Fósforo (que aliás faz aniversário hoje, amiga!) passou por poucas e boas na vida, lançou um livro e me convenceu que esse negócio de ficar esperando a editora certa te descobrir e jogar dinheiro em você é coisa de bocó e que o negócio é escrever ENTÃO ESCREVA.

3. Alguém me passou o contato de uma pessoa que também está morando em Portugal e numa conversa descobri que ele foi o orador da turma de publicidade na faculdade 1 ano depois de mim, e de como meu discurso de formatura marcou ele e a história dos discursos de formatura na Cásper (não foi EXATAMENTE isso que ele disse, mas vocês entendem…).

4. Calhou de eu trabalhar com um novo diretor de criação que era o diretor de criação de um grande amigo também da época áurea do Palitos de Fósforo, e falando sobre esse amigo em comum eu comecei a lembrar daquela Francine que queria criar, falar sobre criar e evangelizar a criação pelo mundo.

4.1 E não que aquela Francine não exista mais, mas vai ver ela estava era muito ocupada mudando (de ideias, de rotinas, de país, ou mesmo mudando fraldas)

5. Já faz mais de ano que eu voltei pro mundo das agências, mas voltei num ritmo que eu amo: no meu. Fazendo projetos pontuais pra agências diferentes, produtos diferentes e gente diferente, sempre. Coisa que me lembrou que se a possibilidade de criar e ser feliz criando (e ganhar dinheiro sendo feliz criando) existir, não importa se essa possibilidade está mascarada de design, de literatura ou de publicidade: é ela que importa.

6. E nesses últimos tempos tenho sentido falta de voltar a absorver conteúdo criativo. Passei os últimos anos comendo conteúdo sobre livros, sobre casamentos, sobre ser mãe. E tinha deletado, talvez num rompante de quem acha que vai romper pra sempre, minha lista de blogs de criação. Hoje, voltei a elas. E me vi aqui de novo.

7. Ah, sim, tem também a terapia, que tá me lembrando constantemente que se eu não escrever por prazer alguma coisa vai ceder e não vai ser bonito.

Então tá bom, vida. Eu vi, vida. Eu escutei, vida. Vem ni mim que eu vou em ti.