O que aprendi nesses 7 meses de gestação

Que você vai ficar enjoada apenas uma vez (uma longa vez, que começa no primeiro dia e termina no último dia de gestação). Ou não. Ou você nunca vai enjoar, não vai nem saber o que é isso.

Ou então você vai enjoar muito, mas apenas nos três primeiros meses. Ou nos primeiros três dias. Ou nos primeiros três trimestres.

Que você vai sentir o nenê mexendo logo cedo ou talvez mais tarde ou talvez nunca ou sinta a todo o momento ou só à noite ou só de manhã ou talvez à tarde.

Que se for menino sua barriga vai estar mais assim ou assado. E se for menina também.

Que parto normal é maravilhoso mas cesariana é incrível mas parto humanizado é sensacional mas parto normal dói demais mas cesariana é terrível mas parto humanizado é um absurdo.

Que você vai se sentir plena, maravilhosa, gostosa, fogosa e depois vai ter saudade do barrigão ou vai querer que a barriga suma logo e vai se sentir com raiva, feiosa, horrorosa e com saudade de dormir de barriga pra baixo. Ou então vai se sentir normal e tudo bem.

Que você vai conseguir dormir de barriga pra baixo a gravidez inteira ou que você não vai conseguir dormir de barriga pra baixo nunca, só de barriga pra cima, ou talvez de lado (sempre o esquerdo [ou talvez o direito]).

Que pode tudo e que não pode nada e que seu médico é o melhor médico e que seu médico é o pior médico e que o seu jeito é o certo e que o seu jeito está absolutamente errado.

Que esse monte de pintas novas que nasceram em você podem ser coisa de grávida, mesmo que nenhuma amiga tenha tido. E que aquela dor que todo mundo reclama você nunca sentiu e aquela dor que ninguém conhece só você tem.

Que o segredo é colocar o cinto de segurança e aproveitar o show mais misterioso, sem padrão e exclusivo da vida.

Que a vontade é de trocar experiências e pedir conselhos e dar conselhos, mas nenhum conselho encaixa muito bem, sempre cai meio estranho.

E que não existe fórum online sobre gestação que responde tudo o que você quer.

É, a nenê nem nasceu, mas já entendi que ser mãe é só contigo, meu bem.

E que isso é lindo!

Minha opinião sobre a opinião

Francine,

Qual é sua opinião sobre a política atual? Do Brasil, do Cazaquistão, do Trump, do Macron? Mais alinhada à esquerda, mais à direita, mais centralizada ou justificada?

Qual a sua opinião sobre parto? Normal, cesárea, humanizado, de pé, de costas, plantando bananeira?

E o abrigo para moradores de rua que abriu ao lado da sua casa? É bom? É ruim? Pra quem? Pra mim?

O filme que você viu ontem, quantas estrelas ele vale? Esse livro na sua mão, qual a sua opinião?

Aquela matéria no jornal, compartilhei com você, você leu? Então me diz, o que foi que você achou? No contexto geral, relacionando com a história do mundo, do universo, sua experiência de vida ou num recorte políticopsicológicoeconômicossocial específico?

O que você acha sobre o feminismo, o niilismo, o socialismo, o protestantismo, o ir pra frente, o ir pra trás, o verde, o vermelho, o branco, o preto, o roxo, o rosa, o céu, o chão, o post, o poste?

Eu não acho nada.

Na verdade, eu acho…

Eu acho que o sol nasce e se põe todos os dias pontualmente há milhões e milhões de anos e nunca me emitiu uma opinião sequer. E ele é lindo, ele é importante, ele é tão mais importante que tudo isso. E tá aí, sendo.

Eu acho que é preciso pensar menos na vida, no mundo, nas pessoas.

E sentir mais a vida, o mundo, as pessoas.

Eu acho que assim quem sabe até pode nascer uma opinião ou outra, que elas são legais, mas assim, sem pressa. Assim, sem pressa, sem aquela precisão de decidir logo o que se acha pra dar tempo de compartilhar logo.

Assim, quem sabe, a gente nem crie mais tanto problema pra ter que opinar a respeito deles daqui a pouco.

Assim, de leve, ir vivendo e deixando a vida sacudir e sedimentar, sacudir e sedimentar, que é assim que a vida vive.

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