Humor inglês é uma coisa tão inglesa, mas tão inglesa que toma chá de monóculo e não liga pra você. E não adianta a gente tentar: humor inglês em português já fica ruim. Sei disso, porque já li uns par de livros de gente que, inspirado pelo cinismo dos ingleses, cria uns personagens lotados de frases sarcásticas e atitudes blasé, que… bem, que não levam eles a lugar nenhum aqui no Brasil. Sei disso, porque quando eu era jovem e comecei a escrever meu livro, meus personagens adoravam sacar piadas inteligentinhas e ácidas da manga em momentos impróprios. E quando reli aquilo, parecia mais falso que amiga invejosa elogiando seu sapato. Era bobo. Chato, até.

Aí com o tempo fui aprendendo, aprendendo que pelo menos pra mim escrever tentando imitar o Douglas Adams é besteira e desfuncional, que um cavaleiro que diz Ni não tem apelo sem o desafino britânico que só quem é tem. Aprendendo que humor brasileiro também é lindo, e o Auto da Compadecida, e Guimarães Rosa, e Machado de Assis, meu deus, que gente bacana e engraçada.

Digo isso porque estou lendo o livro do Hugh Laurie. Não, não o House, porque me recuso a lembrar dele como o House. Este Hugh Laurie aqui.

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O cara é tão legal. E vai fazer show aqui. E não vou :(. E escreve bem.

Sobre o livro, pois: a tradução é meio duvidosa e os erros de português tiram uma boa parte da sua paciência ao ler o livro, mas o jeito que ele escreve, além de inglês até a ponta do sapato polido, é engraçado. É um narrador que fala besteira, que esquece de narrar o livro, que divaga. E gosto porque foi só criando um narrador assim que consegui escrever meu livro finalmente.

E percebi que já peguei uma influenciazinha dessa leitura ao enfiar um “aí” aí no meio dessa frase. Não sou uma escritora de escrever aís. Mas gostei desse aí aí.

“Era uma coisa assim, meio barroca. Pedro suava e criava, criava e ousava, aí criava coisas novas de novo. ”

E, isso dito, vou voltar para meu livro. 🙂

Café com leite

É, eu sei, ando sendo uma “blogueira” meio café com leite. Não vou aqui repetir o tanto de coisas que estou fazendo extra-blog etc e tal (culinariamente, esses dias inventei um macarrão cozido no molho de tomate delicioso e aprendi a fazer bolo de cenoura, aliás!!!). Só vou dizer que, DE NOVO, perdi o cabinho da câmera. E o macbook não tem aquele espaço para inserir o cartão de memória etc. Então fico a pé e vocês ficam aí, famintos.

Por enquanto, fiquem com uma foto do bolo de banana com coco e chocolate que quero postar em breve. E com um feliz ano novo. Já amo 2014.

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Beijões.

Engenhação: começando o ano com a criatividade de Walt Disney

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Porque o cara é gênio e porque eu ando com uma fotinho dele na carteira que nem santinho (…é, eu sei), achei legal começar o ano com esse texto bacana sobre Walt Disney e seu processo criativo. E divido alguns trechos com vocês. 😉

Tudo se resume ao termo Imageneering, que ele cunhou e que no meu português eu traduzo como Engenhação. É uma combinação de imaginação e engenharia. Segundo ele, engenhação é o que permite que os sonhos, fantasias e desejos virem realidade.

E, convenhamos, ninguém melhor que o cara que construiu parques e desenhos maravilhosos que saíram direto de sua imaginação para falar desse assunto.

Segundo esse texto, a estratégia de pensamento da Engenhação envolve 3 percepções diferentes: a visão do sonhador, a visão do realista e a visão do crítico.

O sonhador é nosso lado (ou a pessoa da equipe) que sonha, fantasia, traz ideias absurdas e não tem limites. Pra ele, nada é absurdo ou idiota. Tudo é possível. Seu raciocínio é : “Se eu fizesse um café agora, como poderia eu fazer o café mais legal bonito maluco engraçado divertido amargo doce salgado e roxo com bolinhas amarelas do mundo?”

O realista é nosso lado (ou a pessoa da equipe) que traz as ideias para o chão. Para ele, o que importa é funcionar, andar, não quebrar e fazer sentido. Como usar a essência da ideia, extraindo algum valor útil dela? O que pode vir dela? Seu raciocínio é: “Ok, quais serão os filtros usados para esse café? Existe uma tinta roxa e amarela que funcione no café?”

O crítico é nosso lado (ou a pessoa da equipe) que é chato. Simples assim. É o que pergunta as coisas que o sonhador não pensou, porque estava babando no lustre, e o realista não perguntou porque estava ocupado fazendo as coisas acontecerem. Ele é chato, mas é útil. É quem traz questionamentos simples como “Quem vai beber esse café?” ou mais profundos como “Mas você realmente está dando o melhor de si para fazer esse café?”.

Aqui em inglês (preguiça de traduzir, é assim mesmo), eles dão outro exemplo:

Suppose a person wants a better way to keep her plants watered.  The dreamer might suggest  teaching the plants how to talk, so they can tell you when they are dry. The realist imagineers this into developing a fake bird on a probe that you stick into the soil. When the soil gets dry, the bird chirps. The realist refines the idea by exploring various sensors and lithium-powered computer chips. Finally the critic evaluates the idea.

Leia mais aqui! 

Achei essa tríade sagrada muito bacana e aplicável pra tudo nessa vida. 🙂 Qual dessas percepções predomina mais em você? E no seu parceiro(a)? E sua equipe de trabalho? Está faltando um desses três? Bom ano!

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