O briefing que me disse a verdade

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De vez em quando você recebe um briefing. AQUELE briefing. O briefing que faz você questionar tudo. Você começa questionando a validade daquilo que acaba de ler. Até aí, normal. Acontece umas 15 vezes por dia. O problema é quando você não consegue mais parar. Aí você questiona a razão daquele job como um todo. Por que isso, por que assim? Qual é a razão disso tudo? Aí você questiona a marca. Questiona o produto. Questiona o sistema. Questiona seu lugar no sistema. E lembra que, no momento, seu papel é botar no papel o que já inventaram. Porque publicitário cria conceitos, não coisas – e xinga baixo quem disse que ideias são mais importantes que coisas, essa pessoa que conseguiu vender muito bem sua ideia, mas não deve ter feito um bolo de chocolate na vida.

E você questiona por que você faz parte dessa grande roda que ninguém quer conhecer por inteiro, porque não é uma roda bonita. Aí você questiona o seu papel na sociedade, no planeta, no universo. E embora meu papel no universo permaneça inquestionável, meu papel, naquele momento, escrevendo aquele texto para aquela marca, daquela maneira… parece, no mínimo, um papelão.

Aí abro o Pinterest pra escapar. E fico me perguntando quando é que vou parar de viver ATRAVÉS do Pinterest, e começar a FAZER tudo aquilo: usar aquelas roupas, falar aquelas frases, fazer aquelas receitas, aquelas festas, aqueles bebês, aquelas ideias.

Aí eu corro, volto pra caverna. E só volto a pensar nisso quando abrir o próximo briefing que vier com uma mensagem do infinito escondida nas entrelinhas, entre o cabeçalho e o “bjs, vamos falar” habitual. Até o dia em que uma nova mensagem cifrada de “ei, cadê você???” cair no meu colo novamente.

Até lá, bora trabalhá!

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