A ilha das ideias

Fredrik Härén é um cara que trabalha com o que eu sonho em trabalhar: ele inspira pessoas. Speaker. Taí uma coisa que eu gostaria de ser. Adoro falar.

Fredrik Hären também é dono de 3 ilhas desertas nas Filipinas e nas proximidades da Suécia, o que ajuda bastante.

Aí que ele as batizou de Ideas Island.  E aluga suas ilhas por 1 semana, de graça, para pessoas que tenham grandes ideias e queiram trabalhar nelas ininterruptamente, por 1 semana. Sim. De graça. Quer dizer, basta convencer o moço que sua ideia é ótima e doar US$ 1.000 para uma instituição de caridade que o moço escolher. Mas, convenhamos, pra quem está a fim de colocar as ideias em dia, isso é uma pechincha.  A seleção do cara é bem criteriosa: nada de lua de mel, nada de festinha com amigos, nada de teretetê. Você precisa provar que vai pra lá trabalhar em sua ideia. Legal, né? Dá uma olhada nas belezinhas:

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Lendo os depoimentos dos beta testers que conseguiram se hospedar nas ilhas, achei interessante os motivos que os levaram a ir até lá. Quase todos são os mesmos: fugir das pequenas coisas da rotina que os atrapalham de criar. E se a gente for parar pra pensar… a ilha é quase uma peninha do Dumbo, né? Por que será que criamos melhor se estivermos isolados e formos forçados a trabalhar nas ideias? Ou SERÁ que criamos melhor assim?

Como é sua ilha das ideias no meio da selva da cidade? 🙂

Ok Go e o que pode sair de bom na parceria conteúdo + propaganda

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Não escondo de ninguém que Ok Go é uma das minhas bandas favoritas (não escondo nível já-dancei-1-million-ways-no-palco-em-um-dos-shows-deles). Pois é. O mais divertido é que isso não é porque as músicas deles sejam boas. Não acho que os caras sejam gênios da música. Pra falar a verdade, nem gosto de ouvir as músicas deles. Mas eles figuram no topo das minhas bandas gênias porque o vocalista é maravilhoso meu Deus os caras são muito criativos e têm um pensamento muito moderno. Um show deles tem muito mais força que show de banda com música boa por aí, por conta de ideias legais como tocar uma música inteira só com sinos ou a interação simpaticíssima deles com o público, com coisas pequenas e atuais como tirar foto do público e depois publicar em sua fanpage, para que as pessoas se marquem ali.

Isso tudo porque ainda não falei dos clipes deles, que sempre elevam os padrões sobre o que pode ser feito, criativamente falando. Se não viu, corra lá no YouTube e se prepare.

Aí que encontrei esse curto depoimento que o vocalista supracitado deu para a Creativity Online. Ele fala muito da colaboração de marcas e artistas, que acredito que seja o futuro da propaganda honesta e divertida. Algo que é tão simples, mas é tão difícil de entrar nesse mundinho de egos e MBAs em excesso. Entre outras coisas, esse depoimento também fala da diferença no resultado final quando a criação continua acontecendo durante o projeto,  e não para no começo, virando um manual de instrução engessado, que muitas vezes inviabiliza o projeto inteiro. Ando reparando muito nisso no trabalho e preciso escrever um post sobre isso em breve! Enquanto isso, fique com minha tradução ou leia o original, em inglês e com vídeos, aqui.

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“Minha banda trabalha com marcas como uma alternativa financeira aos selos de gravadoras há já 3 anos. E fico feliz em anunciar que, até agora, todas as marcas com quem trabalhamos foram mais abertas ao diálogo, mais transparentes e mais parceiras que a galera com quem lidávamos nos tempos das gravadoras. Mas poucas das marcas realmente exploraram nossa criatividade, e quando isso aconteceu foi sempre pelas mesmas razões:

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Primeiro, elas só quiseram alcançar objetivos que fizessem sentido para as duas marcas. A marca deles pode ser gigante, e é quem assina os cheques, e a nossa são só 4 caras com instrumentos e algumas boas ideias, mas se a gente parece boboca quando colabora com eles – eles parecem mais bobocas ainda. Por sorte, o crossover de objetivos é grande: ambos queremos algo que atinja o maior número de pessoas e que faça sentido para elas. Se fizermos algo sensacional, juntos, o público vai amar mais os dois, e isso tem muito valor. As marcas erram, no entanto, quando pensam que todo pedaço de comunicação tem que gritar todas as mensagens da marca. Dificilmente um vídeo de rock é o lugar certo para mostrar os benefícios dos produtos deles, e é mais improvável ainda que algo maravilhoso, inovador e palpável apareça se tentarmos enfiar um peixe fora d’água nesse contexto.

Segundo… os melhores projetos surgiram quando a marca nos deu um briefing ou um desafio, e não quando uma agência nos enviou  um projeto pronto no qual nosso único papel era aparecer e cumprir o que estava escrito. Ano passado (2011), o Google Japão nos perguntou o que conseguiríamos fazer com as novas possibilidades do HTML5, e a Chevrolet nos perguntou o que conseguiríamos fazer com um carro. Nos dois casos, respondemos com projetos que nunca nasceriam se tivéssemos pensado sozinhos – foram respostas a uma série de parâmetros propostos pela marca, nossa colaboradora.

[E por fim], é necessário correr riscos. Nos nossos projetos, o risco vem na forma de ineficiência. Muita gente do mundo do conteúdo faz toda a criação com antecedência; eles planejam e desenham tudo cuidadosamente, e depois executam o que planejaram com a maior eficiência e precisão possíveis. Essa é a melhor maneira de tirar o máximo de seus recursos, mas esse formato fica limitado ao que foi criado antes. Nós investimos muito no meio do processo: assim que surge a ideia básica, já nos organizamos e começamos a testar para ver quais novas ideias aparecem. Isso significa que podemos usar a locação pelo triplo do tempo que ela seria usada se a ideia estivesse fechada inicialmente, mas também significa que (nesse meio-tempo) podemos surgir com ideias que ninguém mais teve. Esse tipo de ineficiência é o risco que vem com nosso processo criativo, mas é apenas uma das milhares de regras que as marcas têm que quebrar se quiserem realmente elevar o nível da criatividade.”

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O briefing que me disse a verdade

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De vez em quando você recebe um briefing. AQUELE briefing. O briefing que faz você questionar tudo. Você começa questionando a validade daquilo que acaba de ler. Até aí, normal. Acontece umas 15 vezes por dia. O problema é quando você não consegue mais parar. Aí você questiona a razão daquele job como um todo. Por que isso, por que assim? Qual é a razão disso tudo? Aí você questiona a marca. Questiona o produto. Questiona o sistema. Questiona seu lugar no sistema. E lembra que, no momento, seu papel é botar no papel o que já inventaram. Porque publicitário cria conceitos, não coisas – e xinga baixo quem disse que ideias são mais importantes que coisas, essa pessoa que conseguiu vender muito bem sua ideia, mas não deve ter feito um bolo de chocolate na vida.

E você questiona por que você faz parte dessa grande roda que ninguém quer conhecer por inteiro, porque não é uma roda bonita. Aí você questiona o seu papel na sociedade, no planeta, no universo. E embora meu papel no universo permaneça inquestionável, meu papel, naquele momento, escrevendo aquele texto para aquela marca, daquela maneira… parece, no mínimo, um papelão.

Aí abro o Pinterest pra escapar. E fico me perguntando quando é que vou parar de viver ATRAVÉS do Pinterest, e começar a FAZER tudo aquilo: usar aquelas roupas, falar aquelas frases, fazer aquelas receitas, aquelas festas, aqueles bebês, aquelas ideias.

Aí eu corro, volto pra caverna. E só volto a pensar nisso quando abrir o próximo briefing que vier com uma mensagem do infinito escondida nas entrelinhas, entre o cabeçalho e o “bjs, vamos falar” habitual. Até o dia em que uma nova mensagem cifrada de “ei, cadê você???” cair no meu colo novamente.

Até lá, bora trabalhá!

Uma pequena ideia pode ser aquela que muda o mundo

Pode ser ou, de fato, é. No meu modo de ver, pelo menos.

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Gosto dessa campanha da IBM porque:

– Ela trabalha com pequenas ideias em busca de um mundo mais bem sacado.

– Ela busca novas ideias na melhor fonte de novas ideias do planeta: crianças.*

– Como pedestre incurável, sinto falta de coisas mais inteligentes e menos violentas para melhorar as relações no trânsito.

Assista ao vídeo:

 

Boa semana pra nós!

 

 

*ao menos aquelas que ainda não têm vergonha de suas próprias ideias.

 

Há lugares no mundo onde as pessoas não sonham com unicórnios a jato

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Parece letra do Raul ou da Tropicália, ou mesmo nome de livro do Oliver Sacks, mas essa é a primeira frase de um dos meus livros favoritos. Favorito por causa do texto, do tema, da ilustração, ou pelo fato de ficar disponível na internet, de graça. E pela história por trás da história, que vi neste vídeo com o depoimento do autor e pai Dallas Clayton. Um aquecimento (de coração) para o dia dos pais.

Veja o vídeo:

Mas, acima de tudo, leia o livro, que se você der sorte (ou azar, porque em inglês fica mais bonitinho) vai abrir magicamente em português na sua máquina (português de Portugal, com alguns trechos em espanhol, mas dá pra pegar o espírito). É só clicar na imagem abaixo:

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E clicando aqui você encontra uma entrevista (em inglês) com o moço. Separei alguns dos melhores trechos em português aqui:

“Honestamente, não tenho nada contra televisão, (…) acho que só não sou a audiência certa pra ela. Gosto mais de criar que de consumir. Gosto mais de participar que ser espectador.

Acho que consumir tem muita importância em uma fase da vida. Você consome o máximo possível quando é mais novo: ideias, histórias, fatos, lições, habilidades – até que acaba chegando em um momento da vida em que ter consumido tudo isso permite que você participe da conversa, devolva, faça a sua contribuição e, quem sabe, faça com que as coisas evoluam.”

E esse trecho aqui? Não concordo completamente, mas que tem um ótimo ponto que nunca tinha pensado antes, tem:

“Se você pode [contar o que quer] em 3 palavras, em vez de 300 ou 3.000, apoio totalmente. Sobra mais tempo pra explorar o mundo e compartilhar ideias. Mais tempo para aprender a surfar e comer frutas das árvores.”

E um pouco sobre o que já falamos aqui anteriormente:

“(O que me anima e me move é) ter uma ideia que você considera importante, e aí sim escolher o público e a mídia em que essa ideia será transmitida. É isso o que faço, não o contrário, tipo ‘você deve escrever um livro para XYZ dados demográficos’. Só assim, quando o público muda ou a mídia se torna obsoleta e é substituída por outra que você nem imaginava possível, você continua com uma boa ideia como o centro do seu trabalho, e é ela que vai sempre sobreviver ao tempo”.

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