Gente feliz cria melhor

Razão é pensamento e emoção é ação. Amo ação. Amo fazer sem falar. Amo muita coisa hoje.  : ) Estou como o Don Norman nesse papo do TED: “the new me is beauty”.

Resumindo o papo: se você não se sentir seguro, ficar com medo, não cria. Se você ficar seguro demais, não cria também. Por isso, gente criativa tem que viver tipo numa montanha russa mental: o troço faz reviravolta, te dá medo, mas você sabe que não vai cair. E construir essas montanhas russas mentais é o que mais me interessa ultimamente. Não só pra criar no trabalho ou no meu livro, mas pra criar minha vida, criar meu um dia atrás do outro. Daí meus 3 anos de terapia e daí minha pós em design estratégico. Alguma técnica, muito equilíbrio mental e muito gosto no que se faz. : )

Um bom dia pra vocês.

beauty

Sobre escrever e ouvir

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Engraçado que uso muito música no ouvido enquanto escrevo no trabalho “normal”do dia a dia. Mas na hora de escrever meu livro, costumo fazer isso no silêncio. Exceto em uma parte, que é a parte do meu livro que comecei mesmo agora: a parte mais “do mal” dele.

É, é que meu livro tem uma parte mais ou menos do bem e uma mais ou menos do mal. A parte do bem vai que vai sem trilha – acho que é pra eu conseguir ouvir meu euuuuuu profundo melhor. Já a do mal parece que flui melhor com a música certa. Parece que ela pede um certo clima pra ser escrita de forma sincera. Hoje, por exemplo, ela foi escrita ao som de Andrew Bird, que achei que combina com o cenário que imagino para essas cenas mais pam pam pans.

Uns exemplos:

Um parágrafo legal num post okay :)

“Of course, the point is writing is hard. To write is to struggle with your sanity, at times. And there will be bad days and you will feel defeated. This work is more difficult than climbing a mountain because you are doing it in the dark. I want to urge you to keep going. You matter and your words matter. By writing, you are saying to God I agree with you, you gave me a voice and the gift was not in vain. By writing, you are showing up on the stage of life rather than sitting in the comfortable theater seats (there is a time for both) and are casting your voice out toward an audience who is looking for a character to identify with, somebody to guide them through their own loneliness, no matter how transparent or hidden that loneliness is.”

Retirado daqui.

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Nota mental e a habilidade de saber de quem ouvir críticas

Dia desses tive uma conversa inusitada com alguém que admiro muito profissionalmente. E foi sensacional. Inspiradora, animadora, coisa bonita, mesmo. E lembrei de um aprendizado que tive lá atraszão, lá no meu primeiro emprego oficial, em que um dentista bastante incompetente criativamente me cobrava de minuto a minuto que eu fosse mais criativa.

É óbvio que eu me achava muito incompetente.

É ótimo que, tempos depois, pessoas que eu considero geniais me descobriram, me contrataram e gostaram de mim.

Ainda sou assim otimista acreditando que o mundo é feito de pessoas talentosas – o caso é só que alguns talentos não combinam com você. E você nunca – EU DISSE NUNCA – anote o que estou falando – NUNCA – deve deixar alguém cujo talento você não admira colocar seu talento para baixo.

Tá bom? Agora pode seguir com seu dia, porque esse post foi uma nota mental pra mim mesma.

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Somos todos histórias

Dia 19 faz 12 anos que comecei.

Então quer dizer que no próximo dia 19, faz 12 anos que comecei a escrever meu livro.

DOZE fucking anos.

Sabe o que é isso? Sabe o que é começar com uma ideia aos 13 anos de idade e não desistir dela até hoje? Começar com uma ideia antes de sequer começar o colegial, e resolver continuar com ela mesmo hoje, 5 anos de formada na faculdade, com uma vida quase minha. Isso significa alguma coisa. Significa que eu sou teimosa, ou lenta, ou, melhor: que essa história precisa ser contada, de uma maneira ou de outra.

Fucei na minha pasta Willifill empoeirada aqui e encontrei alguns presentes para celebrar a data.

O que me assustou é que a versão final do meu livro, a que eu sigo escrevendo até hoje, começou a ser escrita em 2004. Mesmo a versão mais recente já tem 9 anos. Puxa. Estou feliz. : )

A primeira página da primeira versão, em 19 de fevereiro de 2001:

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Algumas curiosidades: nesta época, Sandro e Manfredo eram os protagonistas da história. Seus apelidos: Sam e Fredo. E não, eu nunca tinha sequer ouvido falar nos personagens de Senhor dos Anéis na época. Outra: 4 anos depois desses escritos, nasceu a filha do meu tio Sandro. Seu nome? Lívia.

A primeira página da versão final, em 10 de outubro de 2004:

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Um desenho (terrível) que fiz do livro em algum momento inicial destes 12 anos:

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E talvez a triste razão pela qual eu demore tanto, trazida à luz pela protagonista de minha antiga tirinha, em 2008:

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Fala que nem gente!

pato

Também não quero que meus personagens fiquem falando coisas que ninguém falaria na vida real. Claro que rola um pequeno rococó literário ali e aqui, mas queria mesmo que eles falassem que nem gente. Acho que é por isso que enrosco tanto. Mas acho que tô gostando. Tenho até um capítulo feito inteirinho de diálogos.

Quer espiar? Será que mostro? Ah, pode ver, vai.

“O sorvete de flocos está deixando minha voz narrativa rouca e preciso resolver alguns negócios. A esta altura, nossos personagens já podem caminhar e falar sozinhos.

Eu volto.

Ei, é sério.

CAPÍTULO 14

( )

-Ai.

-AI.

-Me ajuda a levantar.

-Ai minhas costas. Cadê aquele sol babaca? Ele me paga.

-Olha o estado do meu tênis. A sola quase derreteu.

-Olha o nosso estado. Olha o estado desse lugar. Olha pra cima.

-Cadê meus óculos?

-Eu sei lá cadê seus óculos, cadê minha casa é a minha pergunta.

-Ah, tá aqui, quase que você pisou.

-Acho que tou vendo menos que você.

-…

-Hmn,

-!

-Que?

-Mas você tá vendo tudo isso, Pedro?

-Eu tou fingindo não ver, que assim fica mais fácil, ok?

-Seu babaca, não finge que não tá vendo, que eu sei que você tá vendo, até muito melhor do que eu, porque você não tem miopia, nem astigmatismo e eu sei que isso que eu tou vendo é real, mais real até do que tudo que já vi na vida, é tipo Matrix. …Você… você tá vendo, né?

-Já disse, eu

-Descreve pra mim. Sério. Pra ver se não é tipo um efeito daquele papiro que só eu vejo.

-Como assim descrever, você vai dar essa moleza pro narrador enquanto ele tá lá todo malandro tomando um sorvete?

-Que?

-Nada.

-Tá, seu maluco, tô vendo tudo sim, o céu, com essa cor louca que eu nunca vi na minha vida, e esse monte de construções, e todas essas cores. Nunca vi tanta cor junta nem em desfile de carnaval. E, cara, essas construções são MUITO legais. E essas… pessoas cercando a gente, com uma cara esquisita…

-Não consigo entender se eles tão bravos, sorrindo ou rindo.

-Na dúvida eu sairia correndo.

-Eu também. Aquilo é uma cabine telefônica?

-Olha, tem o formato de uma, mas aqui não tem muita cara de que se usa telefone. Tipo, que operadora alcançaria aqui? Só se for uma daquelas alternativas, olha, eu acho que eles estão bem perto, um deles inclusive tá encostando o dedo no meu nariz.

-Espera só eu colocar meu tênis.

-Ok.

-CORRE.

– “

-Arf.

-Arf arf.

-Parece que eles não gostam de cabine telefônica. Boa, Pedro!

-Ótima, Sandro. Agora me conta como é que foi que você descobriu aqui.

-Você viu tudo acontecendo, seu crustáceo, não fui eu que DESCOBRI aqui.

-Eu muito menos

-Você não tá curioso?

-CURIOSO, SANDRO?

-Mas

-Peraí.

-Peraí?

-É. Tá confuso aqui.

-Aqui onde, Pedro?

-Na minha cabeça.

-Ãh?

-É. Eu nunca achei que fosse um conservador provinciano de uma figa. Tudo bem que nunca fui muito favorável à juventude sexo, drogas e rock and roll, gosto de dormir cedo ouvindo jazz e confesso que uso pantufas do Patolino até hoje… mas nunca desconfiei. Eu sou um covarde! E estou um tiquinho assim, ó, só um tiquinho assim, assustado. E quero sair daqui.

-Daqui da cabine telefônica ou daqui daqui?

-Daqui daqui, é! Sandro, cara, a gente nem sabe que que é isso. Não é como daquela vez em que você desejou ser órfão só pra ficar mais parecido com o Luke Skywalker. Não é como daquela vez em que criaturinhas que se reproduziam ao ser molhadas infestaram a sua casa.

-Aquele não fui eu.

-Não importa. Isso aqui é uma viagem meio perigosa, Sandro. Não quero nem ver a ressaca que isso vai dar.

-…

-Não venha pro meu lado com essas reticências! É sério! E eu devia estar entregando leites em Plátanos agora. Tem noção de quanta gente vai ficar sem café da manhã hoje de manhã?

-Umas 10?

-Não subestima meu trabalho, Sandro. … Pelo menos umas trinta.

-Enquanto isso, o entregador de leite deles tá preso dentro de uma cabine telefônica dentro de uma cidade esquisita. Ué, não é leg…

-Uma comunidade alternativa.

-Uma comunidade alternativa?

-Uma comunidade hippie colorida esquisita. Isso aqui, Sandro, sabe o que que é isso aqui? Aaaaah, já entendi tudo. Sabe o que é isso aqui? A gente tá dentro da sua cabeça.

-Ah, agora a gente tá dentro da minha cabeça?

-É sim, você me fez tomar tipo aquela pílula, sabe? Aquela pílula que o cara daquele filme tomou? Como é mesmo o nome? Lembrei! É Viagem Insólita dentro do seu cérebro. E eu tou todo aqui, virando amiguinho dos seus cerebelos.

-Pedro. Eu não tenho tanta imaginação assim.

-Ah, não tem… Não tem, mesmo. É, isso é verdade. Acho que eu tou tendo tipo um ataque histérico.

-Eu estava tentando não te dizer isso…

-Acho que eu preciso lavar meu rosto. Será que essa galera bebe água?

-Gente esquisitinha, né?

-Mas me parecem simpáticos, até.

-Isso até é.

-Não têm cara de que iam matar uma mosca.

-Não. Inclusive aquele ali está andando com uma mosca numa coleira ou o quê?

-Onde?

-Aquele. Ao lado daquela menina com aquele coque maior que a cabeça dela.

-Ah. Nossa. Gatinha ela.

-Gatinha estranha.

-Das melhores. Cadê o cara com a mosca?

-Ali, do lado do cara tomando sorvete de flocos.

-O que está vindo pra cá?

-É, carregando uma placa.

-Ele tá olhando pra gente?

-Parece. O que tá escrito na placa?

-Ih, não consigo ver.

-Ele tá escondendo o rosto.

-Haha. Vai lá, esquisitão.

-Cala a boca. Ele vai ouvir. Ó, tá escrito Capítulo alguma coisa.

-Será que ele é tipo aqueles homem-sanduíche daqui do mundo bizarro?

-Peraí, tô conseguindo ler agora. Tá escrito

CAPÍTULO 15

Vendo, Troco e Revendo desemaranhamento mental”

título do livro.

Taí um assunto difícil.

Se tem uma coisa que me incomoda é livro cujo título é falado por um dos personagens no meio da história. Acho bobo.

Mas daí eu sou boba também.

Sei lá. Melhor terminar o livro e depois deixar o nome vir sozinho, tipo palhaço. : )

Por enquanto é Willifill. Ou Cuidado com o chão entre o trem e o vão (em inglês, GAP THE MIND, PLEASE).

Ou batata.

In Praise of the Potato_lrg

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